de mel


mariana d 22
::arrogante::
::egoísta::
::luxuriosa::
é o que dizem. por mim, tudo bem

::de que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça::


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4.3.07

os três ou quatro mundos meus estão muito desligados da rotina do fim de semana (casa de verdade, comida de verdade, televisão, andar pela rua, carro). as vivências dilatadas da semana parecem sutilezas que eu estendo para o nível de acontecimentos de vida. o que está errado?

Sabe!?...

28.2.07

eu quero um blog novo.
estou pensando num nome.
template bem clean.

***
. se vocês soubessem .

Sabe!?...

27.2.07

eu passeava bem triste, caminhando para pensar melhor e me esquecer. os dois bichinhos descansavam deitados um atrás do outro, quase encolhidos, fazendo do chão de cimento uma cama de casal. carinhosos. o de trás era um pouquinho maior, os pêlos deles bem brancos, eles quase inteiros brancos, não fosse a mancha de sangue, uma em cada um, marcas da vassoura, do pau, do que estivesse à mão.

Sabe!?...

24.2.07

miserable é uma boa palavra. melhor em inglês, sem a remissão imediata à coisa famélica. famélica é uma palavra hilda hilst. todo mundo tem suas palavras.

os dias vão passando e eu ganhei toda uma vida proletária - de luxo, é verdade - que me afasta de sentimentos de miséria. eu vivo no mês seguinte, tinha certeza de que estávamos para começar abril. percebi quando comecei a contar os sábados de aula de alemão que ainda faltam para eu me livrar desse compromisso que acaba com minhas noites durante a semana, meu estômago durante os sábados de manhã, minha leveza todo dia. além disso, as frustrações diárias, tão didáticas e eficientes para o tratamento de ego inflado, me impedem de trabalhar um dia sem pensar diversas vezes que eu sou incompetente e que deveria ser mandada embora. se eles pudessem, eles fariam outro processo seletivo. desculpa não vai faltar, eu vou lhes providenciar uma: essa semana tive a décima, décima primeira idéia de tcc, e ela envolve duas pequenas viagens de uma semana cada. poderiam ser muitos dias a mais, mas eu preciso trabalhar. e se nem duas semanas eu puder ter? existe a opção de desistir dessa idéia de tcc, e a de me demitir do único emprego que me tem parecido razoável e, susto, é de jornalismo. o que é mais importante na carreira da gente, um tesão de um ano, alimentado por uma obsessão de um ano, ou pequenas felicidades semanais durante um ano? a pergunta pode ser outra, muitas paixõezinhas profundas ou um amor que signifique alguma coisa? eu sei, péssima metáfora. quem se importa?

depois vêm os sonhos. não sei se cheguei a contar aqui, e esou com preguiça de procurar, mas tenho sonhos recorrentes relacionados a não conseguir falar. aconteceram duas vezes no fim do ano passado, era um chiclete que crescia, crescia, eu queria falar, puxava partes dele, ele se multiplicava, nunca acabava, meu pesadelo, eu tentando falar, nada. essa semana foi com uma fatia de mortadela que não acabava de ser mastigada. nas poucas horas de sono dessa noite, embalada por muito vinho, era um chiclete que reaparecia na minha boca depois de ter sido retirado. eu tirava, puff, ele estava lá de novo. eu não me preocuparia se não achase que significa alguma coisa. sim.

terminando com a vida sentimental. as vidas invisíveis, aquelas, estão me destruindo. realidades fantásticas de que fiquei dependente para fingir que minhas carências mais absurdas não existem. não preciso do terapeuta nem de ninguém dizendo que é infantil: é infantil e é o mundo que eu criei. eu posso sentir o que quiser, sem chicletes me prendendo; eu posso dizer as falas e a resposta é sempre a que eu quero, ou melhor do que eu poderia esperar; as coisas acontecem, as pessoas gostam de mim, eu sou inteligente e sensível, eu resolvo meus problemas, me divirto, tenho um futuro brilhante. querem que eu troque isso por tudo aquilo dos parágrafos anteriores. convençam a criança aqui.


(o ritmo de seriado enlatado norte-americano é porque passei a tarde assistindo seriado enlatado norte-americano. faz parte da minha vida invisível, mas é híbrido, porque é uma experiência compartilhada, com aparente existência no que chamam realidade. ainda faltam uns 16 epidósios para acabar com a temporada em dvd pirata que eu comprei por muito dinheiro)

Sabe!?...

14.2.07



"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."


Sabe!?...

9.2.07

As pessoas olham para mim nas ruas sem motivo algum, tenho andado com as mesmas roupas, cabelo, mesma cara, mesmo tudo. As explicações que eu procuro talvez eles possam me dar, o que é isso que está acontecendo? O que está diferente, ficou diferente, por que vocês me olham como se eu mostrasse alguma coisa que eu não sei o que é?

Sabe!?...

4.2.07

não sei mais.
chega, cansei.
não sirvo pra nada, não sou nada, não sei nada.
chega, chega.

Sabe!?...


de uma hora pra outra, tudo aquilo que parecia excelente e desafiador pode virar um pesadelo. o estágio fantástico se transforma em acordar e pensar qual fora eu vou dar aquele dia; a empolgação de fazer as pessoas gostarem da língua que eu amo acaba e dá lugar ao cansaço e à percepção de que não vou ter mais fim de semana, a idéia original do trabalho de conclusão de curso se revela uma conclusão baseada em premissas falsas.

ainda não é aí que entra a bipolaridade.
o que dizer da vontade de cancelar entrevistas, festa de aniversário, carnaval, volta às aulas, sábados, faculdade, e passar as próximas semanas, os próximos meses ou anos debaixo de uma coberta, bêbada, dormindo e acordando?
não é tpm.

Sabe!?...

1.2.07

as sensações são estranhas.
de um lado, toda uma vida invisível a ser vivida - e não deu tempo, meudeus, não deu tempo! onde está o trânsito dessa cidade, o que eu fiz com os segundos do meu banho, em que eu pensei durante o almoço?! de outro lado, as coisas que eu quero dizer, os abraços, a companhia, dormir junto, tudo isso que fica só em pensamentos, e eu não sei por quê. tem também as descobertas e as coisas que se repetem, eu reconheço, sei exatamente os passos, e elas acontecem como eu sabia que aconteceriam. mesmo as descobertas, elas são os pensamentos que eu não elaborei direito. são óbvias. por cima de tudo isso, o medo de errar nas palavras. não posso brincar de criança e de sinceridade pra sempre; o mundo está aí e pede que eu meça os gestos, as palavras, os carinhos.

Sabe!?...

31.1.07

Abrigar-se com o escudo da infância era o disfarce de toda sua vida

abre aspas
Nada é mais vantajoso do que adotar um comportamento infantil: ainda inocente e inexperiente, a criança pode se permitir o que quer; não tendo ainda entrado no mundo da forma, ela não é forçada a observar as regras de boa conduta; pode expressar seus sentimentos sem se preocupar com as conveniências. As pessoas que se recusavam a ver a criança em Betina achavam que ela era meio maluca (um dia, movida apenas pelo sentimento de alegria, tinha dançado no quarto, caíra e abrira a testa na beirada de uma mesa), mal-educada (na sala, preferia sempre sentar no chão) e, sobretudo, irremediavelmente afetada. Em compensação, aqueles que aceitavam vê-la como uma eterna criança ficavam encantados com sua espontaneidade inteiramente natural.
fecha aspas


(é do Kundera e existe uma história da Betina seduzindo o Goethe com trejeitos infantis. seduzindo não para o amor, mas para a imortalidade que ele daria a ela. estou confusa, mas achei esse trecho interessante)

Sabe!?...

30.1.07

descobri que estou montando uma família postiça. já tem pai (carinhoso), mãe (consoladora) e irmã mais velha (ensinadora). não é esquisito? e veio naturalmente!

Sabe!?...


hoje eu fui muito boa no trabalho. todos devem ter pensado "contratamos a estagiária certa". foi o primeiro dia em que eu senti que estava no lugar certo: estagiária com a barriga na máquina de xerox. foi isso. passei as horas do expediente copiando textos do pdf para o word, depois fazendo cópias na máquina de xerox, depois preenchendo fichas de inscrição. claro que não fui uma funcionária excelente: tive de pedir ajuda para mexer no mac, para imprimir, para usar a máquina de xerox... a máquina deu mais trabalho, emperrando... vocês sabem como é. ou não sabem, provavelmente.


findo o trabalho complexo e inteligente, dei uma passadinha na mesa do chefe para comentar sobre uma pauta - dizer que eu conhecia um grupinho semi obscuro, tinha contatos, amigos que fizeram documentário. e então ele fez uma pergunta simples, queria saber o que rola, o que as pessoas acham. e eu não sabia dizer. eu falei pelos cotovelos, as mesmas idéias se repetindo, eu não sabia. ponto. fim da conversa, fui pra minha mesa. continuei colocando os clipes nas páginas.


vocês estão diante de uma jornalista de revista de arte e cultura. competência, aqui, é o que não falta. vou até ali buscar o café, pode deixar que eu trago o adoçante.


Sabe!?...

29.1.07

não há muito a dizer. estou sem planos, expectativas, ansiedades. é a vida, e só. acordar às oito, ir ao supermercado, arrumar a casa, ir ao trabalho, voltar pra casa, comer, dormir. é a vida, e só. talvez fosse melhor se a casa fosse minha, se eu tivesse um sofá e não acordasse a noite inteira com os barulhos de ronco; talvez fosse melhor se eu me esforçasse para encontrar as pessoas; talvez fosse melhor se eu tivesse vontades.

foi o milan kundera, da paulinha, que disse assim, ontem à noite: "...Era a igualdade personificada inflingindo-lhe uma culpa, não admitindo que um indivíduo se recusasse a suportar o que todos deveriam suportar. Era a igualdade em pessoa que lhe proibira de ficar em desacordo com o mundo em que todos vivemos". aos meus pais.

"A armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário. Eis a obscenidade da guerra: a intimidade do sangue mutuamente derramado, a proximidade lasciva de dois soldados, que, olhos nos olhos, transpassam-se reciprocamente. Agnes tem certeza: é precisamente essa intimidade que repugna seu pai: o atropelo no barco o encheria de uma tal repulsa que ele preferiria morrer afogado. O contato físico com pessoas que se batem, se pisoteiam e se matam umas às outras parecia-lhe bem pior do que uma morte solitária na pureza das águas. (...) não posso mais odiá-los, porque nada me une a eles; não temos nada em comum." para mim, cada dia mais sozinha.



Sabe!?...

22.1.07

tenho desconfiado de algumas coisas. visto as coisas, as pessoas, de jeitos tão diferentes. não é bom. preferia continuar acreditando em tudo.

Sabe!?...

18.1.07

repostagem com edição, porque sim

foi um flerte intelectual.
as mãos dele são muito mais velhas que o resto do corpo, e os olhos, muito claros e escuros de verde acinzentado com riscos de azul. esses acabavam de nascer, muito impressionados e tão certos de sua existência que duvidei da minha. olhava por dentro, a gente esquecia como é que se pisca. melhor não continuar.

estou reformulando a minha teoria sobre o fetiche do conhecimento, ou, antes, reformulando o fetiche do conhecimento, que era o seguinte: porque as experiências sensoriais, carnais, quase eróticas são as mais intensas, eu transformo (ava) o gozo intelectual em desfrute físico - e isso aconteceu já de diversas formas. posso citar como é ainda com a clarice: quando falam dela, eu esquento.

agora eu estou aprendendo das diversas formas do gostar, apesar de ainda não saber os nomes delas.

hoje o flerte intelectual foi isso: um gostar.

as pessoas de quem eu gosto estranho são aquelas sem papel definido na minha vida. e sempre, sempre, não gostam assim de mim.


***

depois daquele conto do abraço, comecei um sobre dor.
acho que, quando eu for reunir esses e os que estão por vir - eu sei que estão -, o título deles será entretantos.
talvez na dedicatória eu revele quem são as musas.

Sabe!?...

17.1.07

aconteceu.
fez-se a luz.

Sabe!?...

14.1.07

estou cansada. tão cansada.

Sabe!?...

12.1.07

para os que se apaixonam*

"O nome de Diadorim, que eu tinha falado, permaneceu em mim. Me abracei com ele. Mel se sente é todo lambente - 'Diadorim, meu amor...' Como era que eu podia dizer aquilo? Explico ao senhor: como se drede fosse para eu não ter vergonha maior, o pensamento dele que em mim escorreu figurava diferente, um Diadorim assim meio singular, por fantasma, apartado completo do viver comum, desmisturado de todos, de todas as outras pessoas - como quando a chuva entre-onde-os-campos. Um Diadorim só pra mim. Tudo tem seus mistérios. Eu não sabia. Mas, com minha mente, eu abraçava com meu corpo aquele Diadorim - que ele não era de verdade. Não era? A ver que a gente não pode explicar essas coisas. Eu devia de ter principiado a pensar nele do jeito que decerto cobra pensa: quando mais-olha para um passarinho pegar. Mas - de dentro de mim: uma serepente. Aquilo me transformava, me fazia crescer dum modo, que doía e prazia. Aquela hora, eu pudesse morrer, não me importava"



*não é blog de menininha colocando música boba para dar recado. esse não é sentimento fácil e, no dizer do gr, eu gosto de quem sente por entender no ar.

Sabe!?...

11.1.07

sim, sim, comecei a trabalhar. lembram, o trabalho dos sonhos...? pois bem, a frustração não apareceu por aqui, espero que fique pelas bandas dos outros e me deixe ser feliz um pouco. estou adorando - e estou morta, cansada, com milhões de coisas na cabeça e preocupadíssima com meu deadline. talvez eu faça umas coisinhas no fim de semana para conseguir terminar tudo, e isso não parece tão ruim.

para completar a semana de felicidades, estou sozinha em casa. não, meu tio não se mudou, só está de férias. chegar em casa e encontrar tudo em seu lugar, e o silêncio, e a solidão, e a liberdade. bom demais. pena que acaba segunda.

teve vinho também. e pizza-mulherzinha na segunda.

*suspiro*

Sabe!?...

7.1.07

não agüento mais ver peitos grandes e bundas duras. estou de volta, louca por um inverno pesado, que exija casacos, cachecol, gorro e tudo mais que esconde o corpo todo e deixa a gente ser só espírito. meu sonho no momento é virar darth vader, pra não precisar encolher a barriga e procurar biquinis com bojo que façam mágica. tô precisando também de um curso o mundo for dummies. pra essas ausências ainda não inventaram maquiagem.

Sabe!?...

29.12.06


"A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade. Está certo, sei. Mas ponho minha fiança: homem muito homem que fui, e homem por mulheres! - nunca tive inclinação pra aos vícios desencontrados. Repilo o que, o sem preceito. Então - o senhor me perguntará - o que era aquilo? Ah, a lei ladra, o poder da vida. Direitinho declaro o que, durante todo tempo, sempre mais, às vezes menos, comigo se passou. Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente - tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos. Conforme, por exemplo, quando eu me lembrava daquelas mãos, do jeito como se encostavam em meu rosto, quando ele cortou meu cabelo. Sempre. Do demo: Digo? Com que entendimento eu entendia, com que olhos era que eu olhava? Eu conto. O senhor vá ouvindo. Outras artes vieram depois"

Sabe!?...

28.12.06

eu tinha esquecido que era tão feia.
m.d., provando biquinis e arrumando a mala para viajar para a praia.

(algumas mulheres não vão ser nunca desejáveis, nem com internação em clínica de estética e cirurgia plástica. só nascendo de novo)

Sabe!?...

26.12.06

ontem, depois do filme, eu quis chegar na casa da kate winslet e ficar vendo filme, comendo, escrevendo, conversando, ouvindo música. eu peguei minhas bolachinhas de aveia e mel - apesar de serem de aveia, são gostosas - e comecei a escrever a história que eu quero contar faz tempo. mas são muitas histórias, e eu não tinha ainda escolhido qual eu queria contar. hoje eu escolhi um pouco mais, e contei, com as bolachas e suco de abacaxi. mas ainda não sei se era bem isso.

acontece que as minhas vidas invisíveis estão agora invadindo a ficção, e eu não estou sabendo se o que eu pensei está contado ali.

Sabe!?...

23.12.06

eu ainda não me acostumei com a idéia de trabalhar lá. hoje eu acordei e lembrei, fiquei um tempo olhando pra cima, pensando. é, eu vou mesmo. quando eu estou distraída eu também lembro, e penso no que eu vou fazer, e que vai ser tão difícil, e não consigo entender como. tanta gente faria melhor que eu, e eu que vou. não é justo, e pela primeira vez a injustiça está a meu favor. eu deveria me sentir culpada?

Sabe!?...

20.12.06

eu gostaria de anunciar que acabo de ser aprovada no emprego dos sonhos.


Sabe!?...


dos fracassos.

eu não tenho mais problemas com ônibus - as pessoas se espremendo, o calor, o preço - porque eles simplesmente não passam mais. eu não consigo há alguns dias pegar o ônibus que quero em menos de meia hora. com o pico de uma hora e vinte e minha desistência.

eu hoje gastei muito mais dinheiro do que eu tenho, eu que não ganho dinheiro algum. comprei roupa e sapato, e pra que, meudeus, pra quê? eu que sei pôr vírgulas e acentos e não sei onde colocar as mãos nem esconder meu sorriso e fingir, pelo menos quando é preciso, que sou burocrática e profissional. ser profissional é fingir não ter sentimentos, responder sem brilho nos olhos, nunca dizer que não sabe, jamais - eu disse jamais - cogitar um abraço. as relações são assim, você no máximo estende a mão. de que adianta saber usar o verbo no subjuntivo se isso é pouco?

depois eu tive que pegar taxi, tirei duas vezes dinheiro no banco hoje. o dinheiro do meu pai, e depois vai ser o do meu marido (se eu convencê-lo a trocar sexo por dinheiro, e se ele se convencer de que o meu sexo vale a pena, porque meu custo de vida é alto). e nem minha mãe reclamou quando eu disse que estava saindo pro cinema, ela achou que eu devia mesmo me distrair.

eu senti medo andando sozinha na rua escura e vazia. eu tomei chuva, também, e molhei a sandália nova, que custou o dinheiro do meu pai. e pra quê?

eu teria vergonha, num dia normal, de publicar um texto desses. e hoje é um dia normal, como todos os dias em que perco hora, perco o ônibus, descobrem que eu sou uma farsa. terça-feira, dia normal.

Sabe!?...

19.12.06

estou feliz.
espero estar muito mais no fim do dia.



Sabe!?...

16.12.06

não sei sequer pronunciar meu nome. ainda. mariana é uma palavra estranha, e ela significa eu. isso é tudo que sei, correspondência de palavras, é só o que sei. mariana. sei também como cada um pronuncia mariana e o que querem dizer. quando eu falo eu, o que eu quero dizer? mariana?

mari tem uma intimidade menos perigosa. não é nome todo, é mais fácil ser parte de alguma coisa. mari é o que a gente usa para dizer você sem precisar muito quem.

conto nos dedos quem me chama pelo nome inteiro e exige de mim, eu penso, ser inteira. dois ou três me exigem. os que usam mari me perdoam. e há aqueles que juntam o sobrenome pelo costume de precisar de referencialidade, e só.

eu é a palavra de referente cambiável. você também, mas prefiro que só a mariana mude. mais seguro assim, eu mudo e você me perdoa, sendo mariana ou mari ou eu ou você ou todos juntos. me perdoe por não saber dizer bem quem.

Sabe!?...


é interessante essa experiência de ficar sem comentários. deixei de escrever para quem lê, vício de jornalista, e estou escrevendo só para mim, quando escrevo. eu tenho escrito menos e vivido mais, também; vivido por aí, no trânsito, na bandeirantes ou bebendo cerveja.

não me sai da cabeça aquela comunidade eu tive um futuro promissor. vão dizer que sou nova e ainda tenho um futuro. tenho nada. e não vão dizer nada, porque não tem espaço para comentários aqui. algumas coisas eu já deveria saber, eu deveria ter feito aos quase 23. eu não sei sequer pronunciar meu nome direito, ainda. mariana é uma palavra estranha, e ela significa eu. e é tudo que eu sei, correspondência de palavras, é só o que eu sei. mariana. eu sei como cada pessoa que eu conheço pronuncia mariana, e sei o que cada um quer dizer com isso. e eu, quando digo, o que eu quero dizer?

eu estava pensando que existem muito mais mulheres bonitas que homens bonitos. então vi que não. o que existe é que eu acho, racionalmente, as mulheres muito mais bonitas que os homens, e isso acontece porque o mundo faz questão de que as mulheres sejam bonitas e criem padrões de beleza para se encaixar neles. ninguém faz tanta questão que os homens sejam tão bonitos. existem diversos tipos de belezas femininas, cada uma com sua denominação própria, mas beleza de homem é mais restrita, existem os macho alfa e os cara de bebê, alguma coisa assim. é muito fácil ser homem, é fácil ter desejo sendo homem. o desejo da mulher é mais complicado. e a beleza também, porque para algumas é fácil ser desejada, enquanto que para outras só existe o caminho da rejeição, até que se crie uma nova categoria de beleza.

não sei.
não quero falar do resto.

Sabe!?...

14.12.06

eu acordei cedo, em são paulo, e fui procurar as palavras certas no museu da língua portuguesa. lá eu ouvi vozes lindas declamando poesias lindas, quase canto. e depois eu li algumas coisas, e assisti o vídeo sobre música, que foi tão emocionante. me deu um arrepio democrático ouvir as pessoas falando. saí de lá, dos dois últimos andares, amando a língua, as pessoas, o país. saí boba. então me deparei com guimarães rosa espalhado em tijolos, terra, água, foi lindo ao vivo. e quando eu procurava onde a trilha diadorim terminava, ouvi uma moça contando um causo - ela não contava tão bem, mas o causo parecia bom, tinha bastante gente em volta dela. quando eu cheguei lá ela estava contando o fim do grande sertão: veredas, e eu quis morrer.

a vida é assim, gentes.

cheguei na cidade natal derretendo - se não fossem os óculos escuros, tadinhos dos meus olhos ;) -, dez minutos depois liga a moça do estágio. me avisando que amanhã tenho entrevista de estágio de manhã, na hora do churrasco - cerveja, carne, piscina e namorado -, em são paulo. e que tenho que levar meu portfolio - port - o - quê? e foto 3x4~. o estágio não é vendendo roupa nem desfilando, e precisa de foto. onde vai parar esse mundo?

estou procurando coisas pro meu portfolio. arrumando a mala para são paulo. procurando uma roupa *descolada* para a entrevista.
e tudo que eu tinha me prometido fazer hoje era ler corpo de baile.


Sabe!?...

12.12.06

nós só sabemos nos definir pelos outros?

Sabe!?...


11.12.06

vou de novo citar alguém para falar do lirismo que é libertação.
pronto, citei.
e não consigo me libertar.

Sabe!?...


eu ganhei de um amigo um dvd com a clarice, com a entrevista pra tv cultura da clarice. toda vez que eu vejo aquilo, me dói tanto.

ela não era triste, só estava triste porque estava muito cansada. tinha terminado a hora da estrela e estava falando do seu túmulo.

a clarice morreu em 1977, aos 57 anos, sete anos antes de eu nascer.

hoje eu telefonaria para ela e marcaria de conhecer o dilermando, que ficou em nápoles, e de passar a mão nos seus cabelos ruivos, que eram loiros, de beber café na sua casa, que era no rio, e de falar sobre aquilo que eu não saberia colocar em palavras. se a clarice ainda existisse, eu seria daqueles que não sabiam como se relacionar com ela. mas eu queria ter podido tentar.

(e essa é a minha falta primeira)

eu amo o que os outros têm de clarice. meu amor é metonímico.

Sabe!?...

8.12.06

minha relação com o mundo, com as pessoas, é platônica.
eu tenho trezentas vidas invisíveis.

os sonhos, as conversas inventadas, os planos fracassados antes da ação; tudo torna os dias muito mais intensos. quando acontecem as coisas, não exatamente, mas um pouco como eu tinha querido que elas acontecessem, é tudo tão feliz. e às vezes eu me perco no que foi dito e no que ainda está por ser. a minha relação com as pessoas evolui tanto dentro de mim, porque nós de mentirinha conversamos tanto, fazemos tanto carinho e esclarecemos tudo tanto, que eu faço carinhos de verdade inesperados, ou broncas, e é um lapso, um susto, a continuação lógica do que não existiu de fato. eu esqueço de contar para todo mundo tudo que nós já fizemos juntos.

Sabe!?...

7.12.06

oficialmente de férias, depois de ter entregado o último trabalho da última disciplina da faculdade de jornalismo. sim, falta o tcc, mas quem disse que vai ser (só) de jornalismo?

para comemorar, arte.
hoje eu vi um quadro que era a representação plástica de uma música que tenho ouvido nos últimos dias. eu não sei descrever a sensação. fiquei rindo.

agora, guimarães rosa. dá licença que vou ali ser feliz.


Sabe!?...


eu nunca achei que fosse fazer um trabalho tão picareta na minha vida.
também nunca tinha achado que teria uma aula tão ruim, que encontraria uma professora tão ruim.

tudo se combinou e eu só quero férias.

(e se eu não assinar o trabalho, de vergonha?)

Sabe!?...

6.12.06

quem tentar ler sobre o dia 19 de outubro, pelo arquivo aqui do blog, não vai conseguir.
o blogger simplesmente não arquivou nada entre os dias 18 e 30 de outubro. porque não quis, simples assim.

com isso, eles me fizeram perder alguns dos posts - e das lembranças dos momentos - mais importantes da minha vida.
não é pouca coisa.

eu estou com tanta raiva que estou pensando em me descadastrar e acabar com o blog.

para quem pensa que é pouca coisa, estou chorando.

eu quero meus dias de outubro de volta.

Sabe!?...



tô com vontade de música, artes plásticas e comida boa.
eu não sou boba.

Sabe!?...

4.12.06

então me clonaram. da primeira vez foi estranho, agora estou me acostumando.
as opiniões se dividem: alguns acham que é conhecido; outros, que é um que não tinha o que fazer.
eu acho que é um qualquer. e prefiro acreditar nisso.


eu adoro os meus amigos.

o semestre está finalmente acabando. mais essa semana e quase adeus ao jornalismo. não parece fantástico? vamos ver.



Sabe!?...

1.12.06


eu estive pensando, agora, enquanto tentava dormir sem sucesso:

acho que nenhum veículo jornalístico deveria me contratar, porque eu não sei fazer jornalismo. sempre pensei que o que eu quisesse fazer, faria bem, pelo menos é o que sempre me disseram. eu fico pensando, então, às vezes, que eu não sei fazer jornalismo porque eu não quero fazer jornalismo. mas logo meu muro egocêntrico desmorona um pouquinho e eu vejo além, por alguns instantes. eu não sei fazer jornalismo. e eu chamo de fácil, ridículo e chato porque eu não sei fazer, então fico falando mal.

eu sempre sou cheia de críticas, mas não sei fazer nada. de bom ou de ruim.

o que acontece é que ano que vem me formo e eu não tenho uma profissão. eu fiz uma graduação que não me acrescentou nada de conhecimentos. afinal, quantos minutos se leva para aprender toda a complexa teoria do lead? claro que eu gosto de entender mais de linguagem, de ética... de que mais? mas, ao analisarem meus textos, vão procurar o lead ou uma organização lógica de pensamentos, e tudo que eu tenho são dúvidas.

não, isso não é culpa da faculdade.
eu que saí do caminho.


mas eu também não sei falar de coisa alguma. se, falemos hipoteticamente, alguém muito foda com quem eu quero conversar muito resolve andar ao meu lado por pouco mais de cinco minutos e estabelecer uma conversa, eu não teria, hipoteticamente, o que dizer. eu não leio, não ouço música, não leio jornal, não visito lugares interessantes, nonada. eu vivo só dentro de mim.

Sabe!?...

30.11.06

abraços fortes, recíprocos, de gente que se gosta de verdade. acompanhados de beijos, sorrisos, silêncios.
(estou guardando tudo só para mim)

Sabe!?...

28.11.06

ai, que vontade de chorar.
tanto.

Sabe!?...

27.11.06

essa não é flor que se cheire
aos vinte e dois anos, depois de ter passado por toda a faculdade, eu me tornei aquilo que todo professor de primário mais odeia: a menina impossível.
é como se eu estivesse à vontade em todas as situações, com todas as pessoas, e precisasse só conversar; uma inquietação que me transforma em alguém que cresce para todos os lados. a voracidade por uma vida real que tardava.

e a sabedoria dos ruins. para atrapalhar mais eu inventei, peguei das velhas tradições, todos os tipos de jogos: expressões de tédio no rosto, olhares de mensagens cifradas, cochichos, mexer na cadeira, rabiscar o papel como quem nem ouve, usar uma roupa que eu acho que me deixa mais bonita, falar alguma coisa a mais, desnecessária, falar piadas a mais necessariamente desnecessárias, mandar olhares esses pouco cifrados aos amigos, arrumar o cabelo, ler outra coisa, pensar em outra coisa. tudo que possa perturbar, tudo que mostre que não é ali que eu queria estar. não ali daquele jeito, ele diz e eu anoto, antes nós dois em volta da mesa conversando de verdade.

eu de repente voltei a ter nove anos. não os nove anos que eu um dia tive, mas os nove que minha mãe me ensinou a nunca ter.
(e ninguém leva a sério meninas de nove anos, por mais histórias que elas tenham para contar)

Sabe!?...

25.11.06

desemprego: reflexões (do) sem forma
eu acho que eu sou uma pessoa não contratável porque eu sou sincera. em cinco minutos de resposta do "quem é você" e derivações, a impressão que se forma de mim é que eu sou confusa, não tenho nada definido e penso bastante sobre as coisas, sem chegar a conclusões. essa não é uma imagem boa para alguém que quer ser contratado, definitivamente, porque as pessoas querem respostas e soluções, tudo embaladinho e prontinho para o bem da empresa. olha, desculpa, eu não sei, a resposta não virá daqui. eu não tenho uma fórmula para sair dizendo para todos, "eu sou mariana, gosto de cinema novo, fiz cursos de artesanato e fotografia, adoro ler hegel e tenho muitos projetos de democratização do jornalismo". eu posso dizer que gosto de literatura, mas isso não seria suficiente; precisaria acrescentar que li pouco, que sei falar disso muito pouco, que tenho alguns autores muito preferidos e que não sei também falar deles, só sentir. poderia dizer que não gosto de jornalismo, e acrescentar aí todas as minhas críticas e todo o meu problema com a profissão. ou então ter idéias várias sobre qualquer assunto, me explica que a gente pensa junto. mas não é isso que ninguém quer. e, hm, eu quero continuar assim.

falta uma casquinha vendável, alguma coisa que possa ser propagandeado nos valores desse mercado. eu não tenho coragem de criar uma mentira assim.

eu gosto das pessoas que conversam, que olham nos olhos, que fazem piadas, que assumem não saber, que reclamam do sapato que incomoda, que têm vontade de mandar tudo à merda, e mandam às vezes, e ser feliz de algum jeito. eu gosto de cachorro e do jeito que eles olham pra mim, e saltitam por aí. eu gosto de viajar com os pés descalços em cima do porta-luvas. e de cantar paper bag bem alto com o marcelo. e de comprar livros e ficar tão feliz. e de pintar a unha de vermelho e usar sandália. e de ouvir bambino e ficar semi dançando no ponto de ônibus.

por isso, porque eu acho que sou sim superinteressante, eu não consigo emprego.
(e nem quero ter. mas.)

Sabe!?...

24.11.06


queridos.
ontem tomei cosmopolitan ao som de jazz + bossa.



Sabe!?...

23.11.06

eu não sei cantar, dançar, pintar, esculturar, representar, tocar instrumento, escrever literatura.
não sei lavar roupa, limpar casa, limpar pára-brisa, lavar louça, cozinhar, cuidar de criança.
não sei dirigir, vender roupa, vender sanduíche, fazer melhor troco de cabeça, tirar xerox, costurar.
e também não sei transcrever, datilografar, telemarketingar, marcar reunião.

tampouco sei fazer jornalismo.
tão pouco.



você é uma mulher, mariana.

Sabe!?...


a amora mais verdinha
eu não quero falar nada.
tudo virou de cabeça pra baixo, eu nem sei mais.

eu vou chorar quando receber meu trabalho da clarice?



Sabe!?...

21.11.06

20.11.06

se a maior preocupação da vida é achar uma palavra, não é a vida toda que está errada?

Sabe!?...


um cansaço de tudo.
de repente.


eu não sou suficiente.

Sabe!?...

17.11.06

mãe, mas...
está me faltando algo essencial. no fundo, falta só a explicação, mas parece ser a falta de planos, vontade, objetivo, empolgação, fome. eu não estou conseguindo comer nada, duas garfadas e fico enjoada. mas tenho fome. e não consigo ler, todos os livros estão aí para ser lidos, menos o que eu quero ler agora.

entrei na livraria e fiquei passeando. era só um passeio, não pretendia comprar nada. porque o que me falta é o livro que eu quero ler, o que vai me completar e me surpreender. há tempos não me surpreendo. no meio das estantes, comecei a procurar o manoel de barros. não sei direito por que ele - desconfio de uns motivos, tudo emocional e inconsciente demais para tentar explicar pra mim mesma. achei.

eu queria ganhar um livro. o livro. queria que alguém me conhecesse tanto, e gostasse tanto de mim, e conhecesse tanto de livros que me desse o livro de presente. e transformasse a minha vida.

está me faltando algo essencial.

Sabe!?...

15.11.06


quarta-feira feriada*
tomei sol e cerveja, gente. depois de ter acabado o trabaho da clarice. depois tomei banho bem gostoso e fui dormir um pouco.
puta vida boa.
ai, ai.

*eu jamais escreveria assim, mas é uma homenagem lingüística a quem está longe de nossa pátria, a língua portuguesa

Sabe!?...

14.11.06

quem sabe a vida é não sonhar
hoje, o dia e eu de luto; ele chovendo, eu com o cachecol preto amarrado à bolsa. eu estava pensando que, talvez, se eu me adiantasse à castração, a dor seria menos duradoura, e pronto, já viria o luto. e isso virou a ansiedade da castração, o medo de ser fragmentário de novo. portanto o dia cinza, a cólica, o estrombo embolado. no fundo, eu sei que os símbolos não são nada, mas é mais fácil recriar arquétipos. a ausência não assimilada.
desta hora, sim, tenho medo.

(é de propósito)

Sabe!?...

11.11.06

eu tenho elaborado teorias.
é que o lacan está mudando a minha vida, e também as minhas teorias. inclusive aquela do fetiche do conhecimento (que está mudando de novo, na mesma semana).

essa semana eu tive algumas vertigens, foram duas ao mesmo tempo. era sobre ser os outros e estar no lugar dos outros. foi estranho, e talvez eu devesse escrever sobre isso. e também fiquei pensando em como é estranho quando algumas pessoas falam meu nome. se falam só mariana, não é problemático, mas se o referente sou eu, fica muito estranho.

não sei.
eu preciso dormir mais.

Sabe!?...

9.11.06

o blog vira agência de notícias quando todo mundo está ocupado.

pedi demissão do meu emprego.

e fiquem com a bomba, sem mais explicações.

Sabe!?...

8.11.06

como se a tpm não bastasse.

Sabe!?...

7.11.06

talvez eu tenha que reformular toda a minha teoria do fetiche do conhecimento depois da aula de hoje.
"os desastres de sofia", em profundidade.
foda.

Sabe!?...

5.11.06

é preciso que conste: eu odeio horário de verão.
nas próximas eleições, vou querer saber se algum candidato vai abolir essa besteira, meu voto será dele instantaneamente.

a análise do conto está acontecendo. já escrevi uma parte. me faltou tempo pra escrever o resto.

e acabei de lembrar que ainda não trabalhei as minhas 5 horas de sexta-feira. é, depois da quinta, dia 2, teve expediente.
essa noite eu sonhei que pedia demissão, aos berros, porque era assediada moralmente, acusada de estar contaminando com lixo o ambiente de trabalho. não pensem que é besteira. a gente atura cada uma nessa vida. se tivessem me contado antes, eu nem acreditaria.


Sabe!?...

1.11.06

estou colecionando frases e expressões da clarice.
eu sei, é o primeiro passo para uma agenda auto ajuda.

Sabe!?...


eu tinha perdido meu livrinho da clarice dez dias atrás, tinha esquecido meus laços de família debaixo de uma cadeira na aula. estava inconsolável. no mesmo dia comprei outro, mas nunca é a mesma coisa. e ontem uma menina mo entregou. perguntou meu nome e disse que tinha sentado do meu lado e guardou, para entregar quando me visse.

eu não quero trabalhar em lugar nenhum. eu não quero trabalhar, e ponto.

quando a gente gosta de uma pessoa e ela não gosta da gente: é isso que a gente chama de platonismo?

eu preciso ser menos seca com as pessoas. interiormente, já resolvi isso, mas ainda não aprendi a ser carinhosa na prática.

Preciso também ressucitar meu caderninho de auto ajuda.




Sabe!?...

30.10.06

sonhos
dormindo bem ou mal, eu sonho.

semana passada, eu estava saindo de uma praia, biquini ainda todo molhado do mar, e indo para um hotel. estava quente, eu tinha fome e aquele sono de quem ficou na praia tomando sol, se molhando no mar e fazendo nada. eu estava indo para o hotel para comer e dormir em uma rede que tinha na sacada (como a da pousada de paraty do ano passado, rede em que dormimos à noite sem perceber).

antes dessa noite, meu sonho tinha sido que eu estava usando um top - só um top. e que a minha barriga era linda, durinha, e por isso eu podia usar só um top. algumas noites depois eu sonhei com uma amiga que não vejo há anos, e a barriga linda era dela.

no sábado, eu sonhei que a urna eletrônica dava pau bem na minha vez de votar, e por isso eu passava horas na seção, sem poder sair. e perdia assim o meu domingo inteiro. (não, meus sonhos não são premonitórios há tempos)

e acabei de sonhar que conseguia finalmente falar com o professor sobre o trabalho de literatura. esse sonho já aconteceu pelo menos 3 vezes: quando eu começo a falar, minha voz não sai direito porque eu tenho um chiclete duro e enorme na minha boca, que impede a minha língua de se mexer. e eu tento tirá-lo da boca, mas ele gruda muito na boca, nos dedos, então eu continuo tentando falar, o professor fica olhando estranho, meus amigos ficam olhando estranho. e, mesmo ridícula, eu não desisto.

são onze e quarenta e eu acabei de acordar, na segunda-feira. não fui pra faculdade, não vou para o italiano. e só acordei porque sou obrigada a trabalhar.

Sabe!?...

28.10.06

não bastasse a espinha na ponta do nariz, nasceram hoje milhares de bolinhas, hãrps, no canto da boca. eu estou mesmo muito cansada e cheia de sentimentos intensos, para o bem ou para o mal. não há corpo que resista.

a cada dia eu me surpreendo mais com as pessoas - para o bem, intensamente; para o mal, com freqüência muito maior. acho que tá todo mundo precisando ser mais honesto com as suas vontades e com os outros. pior que coloque-se no seu lugar não é algo que se possa dizer sempre, nem pra todo mundo. no fundo, deve ser gente que não se pensa.

(só não estou amarga porque ando bem poliana)

Sabe!?...

26.10.06

eu acho bom quando alguns momentos da semana são excelentes. talvez, se eles acontecessem sempre (fazer Letras, por exemplo), eu não gostaria tanto, não esperaria tanto.
pleasure delayer?

talvez.

mas no momento, eu vou estar preferindo ser feliz todo dia. dá pra ser?

Sabe!?...

25.10.06

amanhã eu tenho uma entrevista de estágio. e não estou ansiosa; estou cansada. cansada de carregar compras de supermercado (comidas que meu tio vai folgadamente comer), de arrumar a casa, de trabalhar, de freqüentar aulas inúteis que só me fazem perder tempo de vida.

mas o pior de tudo é que estou cansada de mim.

ontem eu estava pensando em pessoas que são sortudas e fazem o que gostam. que fazem aquilo que alguns anos antes pensavam que seria sonho. sabe? eu estava pensando que algumas pessoas deram certo na vida, fazem o que gostam, e que isso é fantástico.

não era para ser assim comigo?

não pensem que a crise é pequena.

Sabe!?...

22.10.06

assim.
eu fui escolhida pelo tentação, que é um conto do legião estrangeira, e estou começando a análise. e passei o fim de semana fazendo isso, e queria passar a vida toda. então eu estou tão feliz.
e também eu sonhei essa noite com as palavras eu, outro e alteridade, e juro que é isso que eu estava procurando. achei muitos textos que falam de alteridade e da clarice. isso foi estranho, e está sendo tão bom.

quem quiser, tem o conto no google. e tem também um texto do caio fernando abreu chamado dois, três almoços, uns silêncios, que é uma explicitação do tema.


sim, sim, tem a tradução, o trabalho de história da ciência, o de fotografia. tem o mundo. mas eu não quero, não.
e talvez eu nem vá hoje assistir o cartola, e fique em casa lendo.

*suspiro*

Sabe!?...

21.10.06

eu tenho tentado ser gentil com as pessoas que eu não odeio. lembro de fazer perguntas, dou um beijo, sorrio. tenho sorrido muito, quando tento ser gentil. e é bom sorrir para as pessoas que eu não odeio, acho que elas nunca me viram sorrir e ficam surpresas. então ficar surpreso é ganhar um presente. e eu me sinto tão boa quando sorrio para eles, dividindo alguma coisa que eu nem sei o que é. vai ver é o segredo que eu descobri, e que só dá para contar assim, sorrindo.

o marcelo disse: foi um lapso de vida.

preciso ter essa vida sempre.

Sabe!?...

20.10.06

a delicadeza dos dedos um pouco bêbados, cada palavra ressoante ("ma-ri-a-na"), os sons tão calmos.

no peito um aperto da falta de amor.

estátua.

Sabe!?...


só eu estava flertando.
ele é gentil.

(e, apesar disso, nos faz desviar os olhos)

Sabe!?...

19.10.06

foi um flerte intelectual.
as mãos dele são muito mais velhas que o resto do corpo - as maõs nasceram e ficaram quarenta anos esperando que o resto do corpo nascesse - e os olhos, muito claros e escuros de verde acinzentado com riscos de azul. esses acabavam de nascer, muito impressionados e tão certos de sua existência que duvidei da minha. olhava por dentro, a gente esquecia como é que se pisca. melhor não continuar. e o nariz, vejam só, no nariz não reparei! porque foi, como eu já disse, um flerte intelectual.

eu estou reformulando a minha teoria sobre o fetiche do conhecimento, ou, antes, estou reformulando o fetiche do conhecimento, que era o seguinte: porque as experiências sensoriais, carnais, quase eróticas são as mais intensas, eu transformo (ava) o gozo intelectual em desfrute físico - e isso aconteceu já de diversas formas, posso citar como é ainda com a clarice: quando falam dela, eu esquento. agora, no entanto, eu estou aprendendo das diversas formas do gostar, apesar de ainda não saber os nomes delas.

hoje o flerte intelectual foi isso: um gostar.

as pessoas de quem eu gosto estranho são aquelas sem papel definido na minha vida. e sempre, sempre, não gostam assim de mim.

Sabe!?...

18.10.06

o houaiss dá àquele queijo as opções de nome "mozarela" ou "muçarela". só eu acho um absurdo?
(daqui a pouco a gente vai poder escrever "axu")

Sabe!?...


como uma boa menina que não quer crescer, comprei um diário. não é um diário, é um caderninho com uma capa bonita: uma mulher debaixo de uma árvore, de vestido, segurando um chapéu e fumando (por favor, não escrevam nos comentários sobre ela estar fumando, isso é o de menos), com os escritinhos: she had not yet decided wheter to use her power for good... or for evil. eu decidi fazer dele um diário, mas não diariamente. é onde eu vou escrever o que escreveria aqui, com um pouco menos de censura. comecei fazendo uma lista das coisas que eu preciso fazer para ser um pouco mais feliz. a primeira delas: morar sozinha ou com o marcelo. também tem uma sobre comer melhor, outra sobre achar um trabalho em que eu seja realmente útil com todos os meus esforços, outra sobre livros. e por aí vai. tanto as coisas práticas (tem uma sobre tcc) como mais abstratas e de longo prazo.

é que eu preciso ler coisas de auto ajuda. mas eu não confio na qualidade do que existe no mercado.

(e clarice está destrutivo demais)

Sabe!?...

11.10.06

sonho
eu estava morando com meu irmão numa pensão - era uma pensão estranha, numa rua escura. fedida, lençóis velhos, móveis arranhados. então eu decidia morrer. mas, como não tinha coragem de me matar sozinha, ia pedir pra dona da pensão me matar. ela era uma facilitadora de mortes conhecida: pagando uma quantia x, que variava conforme o cliente, ela matava sem dó, de diversas formas, sempre violentas, sumia com o corpo e não se falava mais nisso. eu dei para ela todo o dinheiro que eu tinha - que era pouco, juntado com esforço dos meus poucos trabalhos que pagam muito mal. pedia que ela me matasse no dia seguinte, e depois meu irmão, e depois mais quatro pessoas. não lembro quem eram, mas eram pessoas que eu não queria que continuassem sofrendo, e estar vivo era continuar sofrendo. tudo acertado, ela me mandou ir a um lugar determinado no dia seguinte, mas antes dar um toque no celular dela para avisar que eu estava chegando.

depois de tudo combinado, a vida ficou mais fácil. a solução estava próxima, eu sabia, e ficava imaginando como era o meu corpo morto, se ela arrancaria algum membro meu, se tiraria todo meu sangue, como seria. tinha que ser violento, para ser morte. eu estava quieta, calma, pensando em tudo isso, sabendo ter achado a solução, quando chegou uma pessoa. essa pessoa, estranho, tem um papel não definido e muito importante para mim. ela me perguntou se estava tudo bem, achou que eu estava estranha. eu negava, não tinha nada, mas ela sabia. ela perguntou se eu tinha feito alguma coisa errada, ou se ia fazer. e se eu estava arrependida. então, no mesmo momento, eu me arrependi, e passei a achar que tinha acabado com tudo, que estava errada, que não tinha mais o que fazer para me salvar, e meu irmão, e os outros quatro. porque a dona da pensão não ia voltar atrás, ela era muito rude e não voltava atrás em nada. então eu saí de perto da pessoa querida e fui telefonar para a dona da pensão.

lembrei que ela estava esperando meu telefonema, e era pra me matar. fiquei torcendo para ela atender o telefone, ao invés de só registrar minha ligação e se preparar para me matar. ela atendeu. eu disse rápido que queria cancelar tudo, que não queria mais morrer, nem que ela matasse os outros. e ela ficou quieta. prevendo que ela negaria, e sairia atrás de todos nós, eu disse que ela podia ficar com todo o meu dinheiro, aquele que eu já tinha entregado, e que eu não ia mais para a pensão, também, e ela podia ficar com as minhas coisas que estivessem lá. e as do meu irmão. que a gente ia sumir, não queria ela atrás, que íamos para a casa daquela pessoa querida. Nesse instante, a pessoa querida ouviu a conversa e estranhou - porque ela não queria que eu fosse para a casa dela, ela tem a vida dela e é tão independente de mim. ela naõ gosta tanto de mim quanto eu dela, é isso.

desliguei o telefone e comecei a pensar na casa de quem eu ficaria. não ia voltar para a pensão, não queria que a dona me visse nunca mais. vai ver podia querer me matar, para cumprir o nosso acordo que não poderia ser, quem sabe, desfeito. e eu não conseguia pensar em ninguém que pudesse me abrigar.


Sabe!?...

9.10.06

ia postar alguma coisa, mas não tenho assunto específico algum.
hoje estou caleidoscópica.

Sabe!?...

6.10.06

cheguei em casa - a casa de verdade, onde eu tenho meu quarto de verdade, durmo de verdade e como de verdade - e comi, dormi de verdade no meu quarto de verdade. eram cinco e pouco, dormi quase duas horas. ou um pouco menos.

agora estou bebendo vinho, e bebendo aos poucos, como nunca faço. acho que estou sem vontade. como hoje, na rodoviária. eu quis comprar um refrigerante, mas dá celulite. então um suco, mas eu não queria. água de coco? não. sorvete, donut, chocolate, qualquer guloseima, eu não quis. eu queria querer, mas estava sem vontade. só sentei no meu lugarzinho no ônibus, as malas entre as pernas, e dormi muito.

chegou o fim de semana mas tanto faz. eu trouxe livros, trabalhos atrasados, mas sei que não vou fazer nada. eu vou só dormir, comer, inventar alguma coisa para fazer, alguma coisa que me faça esquecer de tudo isso. hollywood faz o papel do álcool, no meu fim de semana. tanto faz.


Sabe!?...

5.10.06

quiz: o que há de ser de mim?

a) o mesmo de sempre
b) vou virar uma abrilzete, passar meus fins de tarde na academia e à noite fazer compras no shopping
c) vou virar uma jornalista 24-7, numa reviravolta da minha carreira, e trabalhar em jornal diário, seção cidades - ou melhor, política, e vou pra brasília ser correspondente
d) vou largar essa vida e ir ser feliz numa praia, vendendo pulseirinhas e água de coco
e) vou pular de emprego em emprego, reclamando sempre da vida
f) vou fazer letras e virar professora de literatura ou alemão
g) vou desistir de tudo, entrar pro greenpeace e salvar baleias no japão
h) minha vida é na augusta
i) vou casar ano que vem, ser sustentada pelo marido juiz, tomar chá da tarde com as amigas (não as atuais, que não vão ter tempo pra isso) e fazer trabalho voluntário para aplacar minha consciência
j) vou me politizar e reivindicar coisas, como uma boa comunicadora social
k) vou trabalhar em qualquer lugar, desistir da letras no meio curso, considerar toda noite a cicuta
l) nenhuma das anteriores
m) todas as anteriores

Sabe!?...


hoje eu reli o "amor" da clarice.

clarice lispector, concluí - definitivamente e sem mais a hipocrisia quenesse campo me era tão peculiar -, é a minha auto ajuda. de alto gabarito, devo dizer. eu sei que é cruel reduzir a claricinha a isso, eu sei, mas não adianta: eu gosto mais da elaboração literária do guimarães rosa e menos da da clarice. que são diferentes. ela também escolhe as palavras exatas, mas são as exatas que me fazem sentir; o guimarães me permite admirar, estudar, querer fazer igual. o guimarães me permite fazer ciência, a clarice me faz sofrer.

é o que eu queria dizer: a clarice é minha anti auto ajuda. é o oposto da ajuda, é o conflito. mas com tanto reconhecimento que eu não sei se consigo escrever um trabalho final (que é pontualmente o que menos importa, mas é um símbolo).

Sabe!?...

3.10.06

O que escrevo é só um clímax? Meus dias são só um clímax: vivo à beira

estava agora lendo as margens da alegria, do rosa, e a galinha, da clarice. os contos do peru e da galinha. naturalmente indicados por motivo didático. gostei de ler os dois juntos, em seguida. mas esse é só o contexto.

ia falar que estou gostando mais do rosa que da clarice, mas isso não se afirma sem ter certeza ou é traição. pode ser só um deslumbramento temporário, e logo voltarei à fidelidade do amor que dura.

de qualquer forma, o que importa é que senti muito a morte do peru. eu já sabia que ele ia morrer, mas estava ansiosinha com o menino. e esperando, e querendo. sofri. com a galinha foi mais solidariedade.

lembro que, faz 6 anos, um galo surgiu no meu prédio. estava no jardim que fica atrás, cercado por um muro alto, sem chances de sair de lá. não sei como entrou. olhei pela janela e vi o galo na árvore, no galho, cantando. estranho. em pouco tempo todos os vizinhos estavam na janela discutindo sem se ver o que fariam com o tadinho. a vizinha do primeiro andar, a que tem o quintal de acesso ao galo, foi até lá. não lembro se pegou com dificuldade ou não, para onde mandou, se comeu. lembro que eu sentei na minha escrivaninha, peguei um papel e uma caneta e fiquei pensando no galo. disse a meu irmão, que estava no computador ao meu lado, que ia escrever um conto sobre o galo. e fiquei muito tempo olhando, cabeça apoiada no braço, um pouco sorridente, um pouco confusa e espantada.

não consegui escrever nada. não tinha história ainda, ou só não tinha história; tinha aquela sensação de continuidade, de pertencimento ao galo, de compreensão. era só sentimento, sem palavra. não esqueci porque foi um dos poucos momentos em que não tive as palavras.

assim, como quando o peru morreu.

e essa sensação, a do galo, é a que eu tenho quando me meto a ler literatura que me apraz, ou quando me meto a tentar escrever alguma coisa. só o indizível, o conflito, o clímax. não sei explicar, não sei montar história. sei só sentir.

é porque eu sou racional demais, dada às ciências, e levemente sensível para as coisas inexplicáveis do mundo e do homem. eu sei que elas existem, mas não consigo expressá-las, então não consigo explicar, então não sei reproduzir. por isso nunca vou conseguir escrever.

eu estou triste.

Sabe!?...


aconselhada pelos amigos, tentei.

para o conformismo, a rotina do acordar cedo, pegar ônibus e concluir que a vida é assim mesmo.

para o estilo de vida burguês, lavei louça, arrumei a casa, trabalhei e à noite andei pelo shopping todo em busca de alguma roupa que me fizesse ter estilo (não achei nada, nos 5 andares de lojas chiques e caras).

os sonhos não precisaram de ponto final; precisavam sim de parágrafo-letra-maiúscula. não tenho sonhos. nem grandes, nem pequenos; nem por necessidade, nem por susto.

não me sinto mais feliz. não deu.

Sabe!?...


Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada

eu gosto de literatura porque o mundo, lá, tem regras, sentidos, explicações, significados, começo-meio-e-fim, heróis e antagonistas.

vou até a garagem pegar meu rocinante, não me esperem pro jantar.

Sabe!?...

2.10.06

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.


viajar por terras de som desconhecido e acordar com o sol iluminando as sombras estranhas da noite. outra pessoa, que não eu. por que insisto em ter sentido?



Sabe!?...


ontem à noite o medo terrível quase apareceu - eu engoli rápido e mudei de assunto comigo mesma. estava vindo para são paulo e paralisei de repente - por sorte, não no banco do motorista -, pensando o que eu estou indo fazer lá? então veio o medo infantil e a necessidade absoluta de proteção para a criança encostada na parede, chorando. estar aqui é não ter controle sobre nada. é estar nas mãos dos motoristas de ônibus, que chegam quando querem; do trânsito, que anda ou pára quando quer; dos professores, que dão aula ou faltam quando querem; do meu tio, que me atrapalha com a televisão quando quer; do meu trabalho, que é entediante quando quer; do namorado, que pode me ver quando quer; dos meus amigos, que me telefonam quando querem; do tempo, que é frio ou quente ou os dois quando quer; da comida, que está boa quando quer.

eu não sei não estar no controle. e eu não estou no controle de nada. o que decidirem é o que eu vou fazer.

e assim, é mais fácil pensar que o problema do mundo são os outros, e que eles fazem o que querem quando quiserem. e para mim, sempre, é a regra.

Sabe!?...

30.9.06

acho incrível: me recriminam no meu próprio blog por ser mal humorada.
dá licença?


(quando eu decido ser ou fazer alguma coisa, gosto de me destacar por ela. de que adianta um mau humorzinho cotidiano? não, eu quero mais. eu quero os extremos)

Sabe!?...

28.9.06

tem pouca coisa que eu odeio tanto quanto barulho de pessoas comendo. eu não me incomodo se são o lugar e a hora apropriados, quando a pessoa se dedica só a isso - daí pode fazer quase qualquer barulho. o meu problema é com pessoas que escolhem as horas menos oportunas para comer. e então sempre escolhem aquelas coisas que mais fazem barulho, como as bolachas mais crocantes do mundo. e ficam mastigando, mastigando, e aquele barulho. o pior de tudo são as maçãs. eu odeio maçãs. quando eu vejo alguém sacar uma maçã, começo a ficar neurótica. às vezes até mudo de lugar. parece que fazem questão de abrir o máximo que conseguem da boca para tirar o maior pedaço e fazer aquele grande barulho, irritante. e então ficam mastigando, mastigando. e o pior são aqueles que parecem passar fome, de tão desesperados que mordem e mastigam. se bem que os lerdos também irritam.

hoje, no ônibus lotado, duas pessoas sacaram suas maçãs, uma na minha frente, outra atrás. antes a menina da frente bebeu uma garrafa inteira d'água em dois goles, e entre eles ficou ofegante como se tivesse corrido a maratona. meudeus, eram sete e meia da manhã, ela não pode beber com menos sede?... queria que tivesse engasgado, entrado água pelo nariz. eu não tinha como fugir do barulho das maçãs, estava tudo lotado. meu mau humor começou aí, eu nem poderia imaginar que meu dia seria tão ruim. e ainda são dez e meia da manhã.

para entrar no ônibus, fiquei dependurada quase em cima do motorista, como acontece todo dia nessa merda de cidade, com essa merda de planejamento de trânsito. os ônibus passam aqui a cada meia hora, e muita gente do bairro estuda na usp. é muito errado, eu me revolto muito toda manhã. faz só um mês. então fiquei espremida até a metade do caminho. foi uma hora de pé, porque eu ficava sempre nos lugares onde os banquinhos não vagavam. fui a viagem toda de pé, com um saltinho, uma bolsa pesada, ninguém ao menos se ofereceu pra segurar minha bolsa. no caminho, olhando para o relógio, torcendo para o professor atrasar cinco minutinhos a mais.

desci correndo, preocupadíssima com o horário (odeio chegar atrasada nessa aula, principalmente às quintas, quando a porta fica na frente, e não no fundo da sala, e é preciso passar na frente do professor para sentar). cheguei, o sapato fazendo bolha, e tinha um recado de que o professor estava doente, não teria aula. 8h20, eu tinha acordado 6h20. fui para a biblioteca pegar um livro - mas ela só abria às nove (outro absurdo, onde já se viu??...). fiquei sentada tentando ler, mas 3 velhos chatos não paravam de conversar. podiam ao menos ter sentado no mesmo banco, mas não, um de cada lado do corredor, gritando. abriu a biblioteca, aquela fila para guardar a bolsa, achei o livro. ah, não podia retirar. eles têm 20 exemplares do mesmo livro, mas eu não podia retirar porque era da coleção didática. foda-se a coleção didática, eam 20 exemplares!!! isso porque a moça da biblioteca tinha me dito, ontem, que mesmo quando estão na coleção didática, alguns exemplares, dos 20, podem ser retirados. não, não podem.

9h20, e eu ainda precisava andar até a minha faculdade para pegar uma merda dum atestado para a bosta do contrato. peguei o papel, voltei pro ponto de ônibus (que era do lado de onde eu estava antes). 9h35, o ônibus passou. só cheguei em casa às 10h35.



eu só queria alguém do meu lado, alguém conhecido que me ouvisse, me abraçasse, concordasse comigo e me colocasse na cama para dormir. sentar no canto e chorar muito, dormir para sempre. tentei pensar em alguma coisa muito boa que me animasse, e não consegui pensar em nada. em nada. não, não está bom, nada está bom. eu não quero mais.

Sabe!?...

26.9.06

cidade grande faz a gente sentir diferente. é óbvio, eu sei. na maioria das vezes faz a gente se sentir pior. eu acho. não é a frieza das pessoas, o trânsito, o cinza, o ar sujo. é isso, mas também, principalmente, é a infinidade de possibilidades de caminhos, de pessoas, de compras, de comidas. de possibilidades. isso não é bom para quem não sabe escolher. mas também não é bom para quem escolhe sempre, e muda. ou para quem escolhe sempre o mesmo e esquece das outras possibilidades. o mundo, aqui, é mais complexo. mais grande de maior. e isso é triste, triste. e eu quis agora mostrar pra vocês como foi que o professor, no meio da conversa, falou que se chamar raimundo é rima, não solução. porque não tem solução. e eu não quero estragar as poesias falando do que todo mundo já sabe, ou pode ler melhor nelas.

a cidade ser grande nem é meu maior problema.

hoje lembrei de duas vezes em que tive pânico em são paulo. a primeira foi quando era noite, fim de tarde, e eu desci errado do ônibus. era pra descer no túnel da nove de julho e eu desci muito antes, 3 ou 4 quilômetros antes. e achei que era perto, e comecei a andar. estava escuro, tinha pouca gente na rua, carros estranhos passando, ônibus meio vazios. eu podia ter subido em outro ônibus, mas tinha medo de entrar em um daqueles que fazem trajetos mirabolantes e ir parar muito longe, lugar desconhecido, sem volta. então continuei andando. quando cheguei ali nos jardins, entrei numa rua, achei um orelhão e liguei para quem podia me buscar. ele foi, foi rápido, me falou pra ter calma. era um medo irracional, era desespero. eu entrei no carro e chorei muito, como criança.

outra vez foi esse ano, ou ano passado. o carro estava estacionado no centro, centrão, perto da sé. e eu tinha que ficar dentro esperando, porque estava estacionado em lugar proibido. e era para ser rápido, mas durou 20 minutos, 30, horas, dias. a chave estava comigo e alguns homens estavam sentados na calçada - era meio-dia, mais ou menos -, e eles ficavam me olhando. estava quente mas eu não abria os vidros. sentei no banco do motorista só para fingir que podia sair a qualquer momento, mas eu não podia: estava no centro, se eu saísse daquela rua, não voltaria mais. eu não conheço as ruas do centro. muito menos dirigindo. foi esquentndo, demorando, celular sem bateria. a todo momento eu olhava para cima na rua, procurando o amarelinho que ia me multar e me mandar tirar o carro - pra nunca mais voltar. então ele voltou, sentou no banco no motorista, e mais uma vez eu chorei muito.

eu tenho medo.

Sabe!?...

21.9.06

porque eu estou relendo o diário de anne frank - fins profissionais -, só consigo pensar em frases de diário de menina de 13 anos. frases em ordem direta, uma depois da outra sem muito planejamento, reclamações e coisinhas do dia-a-dia.

chato, eu sei.

então não vou contar tudo. vou guardar o mais legal para exemplificar as minhas muitas teorias que pululam todo dia.

antes de terminar, só isso: meu humor do dia é definido pela quantidade de pessoas no ônibus e o tempo de espera no ponto - que varia de -2s a 40 minutos.
e mais uma: o professor de literatura me fez acreditar em astrologia sem ao menos mencionar essa palavra. preciso me proteger mais e melhor das muitas influências. principalmente quando elas têm a ver com o meu fetiche de conhecimento - mas essa teoria ainda está sendo desenvolvida, estou procurando os conceitos mais exatos para não criar mal entendidos. ciência é assim, gente.

:)

Sabe!?...

19.9.06

anotações
(ou small talk, porque a parte séria eu estou guardando só pra mim)

pessoas de pouca escolaridade, quando contam uma história, usam muito pouco o discurso indireto. eles abusam dos diálogos reproduzidos - ao vivo, imagino (porque eu só leio transcrição), fazem vozinhas para diferenciar os personagens. pode ser a conversa mais estúpida, ou o diálogo mais insignificante; aparece com discurso direto. um exemplo inventado: daí eu falei "oi, tudo bem?", e ele respondeu "tudo bem, como você tá?" "eu tô bem, trabalhando muito, e você?", "ah, também" "então tá, depois passa em casa". um exemplo bobo, mas os casos que encontrei não são muito mais profundos, não.

outra coisa que observei é que essas pessoas, ao se referirem a uma ação em que não importa quem a realizou, não falam na terceira pessoa do plural: bateram no meu carro. falam na terceira do singular: bateu no meu carro. isso é muito estranho, e eu já vi vários casos.

no mais, é isso.

Sabe!?...

18.9.06

tenho pensado bastante sobre tudo mas não tenho muito tempo para dividir com as pessoas. sempre foi assim, e eu sei que é ruim, do ponto de vista de uma vida além da sobrevida. mas tem sido sempre assim, e eu sou sozinha.
(mas isso é outro pensamento desconexo, e dos menos importantes. talvez)


Sabe!?...

15.9.06

essa sensação veio em boa hora.

cheguei em casa às quatro e meia, sexta-feira quente. tirei a roupa toda e fui dormir um pouquinho. delícia. acordei uma hora e pouco depois, tomei banho. tô comendo chocookie. bebendo água gelada.

se não fosse embora hoje pra casa, ligaria agora mesmo para umas pessoas, pra ir pro bar beber. tô precisando de uma cerveja.

quem sabe sexta que vem. toda sexta vai ser assim, chegar cedo em casa. vocês não morrem de inveja?

putamerda, como eu adoro sexta-feira.

esse post veio em boa hora.

Sabe!?...

14.9.06

freddy...
mary...

*silenciando*

Sabe!?...

11.9.06

relatório.

o que eu mais fiz em casa, por enquanto, foi lavar louça. talvez eu tenha tomado mais banhos, não sei.

a mesa está em seu devido lugar (mais ou menos), depois do namorado e de seu roomate terem passado uma hora carregando o peso de 80 kg pelas escadas até o 13. andar. o pagamento é a pizza já programada para esa sexta, ou a outra.

estou exausta, com bolhas, as mãos secas, os cabelos molhados, muito sono, tpm se aproximando e essa solidão. vou dormir de novo sozinha, pela segunda noie consecutiva. mas eu aprendi: a tv está ligada em qualquer porcaria.

e amanhã, aula cedinho, e trabalho.

*suspiro*

Sabe!?...

6.9.06

remember, remember, the sixth of september
impressionante.
entreguei meu relatório, crianças. 250 páginas de palavras pensadas e escritas e revisadas por mim. uma gracinha, vocês não imaginam. tão, tão feliz. e muito mais leve.no momento, esperando o namorado para um feriado de comer e dormir. enquanto ele não chega, arrumar as malas e tomar vinho, com mark darcy dizendo fofamente que também já está com saudade.

descobri hoje que eu vou voltar a aguardar ansiosamente as sextas-feiras. isso é natural de quem trabalha.

no momento, lavando louça e arrumando malas.
bye, beibes.

Sabe!?...

5.9.06

são 23h55 e eu estou sozinha em casa: meu tio foi viajar há pouco mais de uma hora e o namorado está em sua casa a duas quadras daqui tentando descansar para amanhã. só ouço o barulhinho das teclas (que não é tão alto em um laptop) e os caminhões de lixo e motos barulhentas que passam. a geladeira também está funcionando, e a gente só percebe à noite porque é quando existe o silêncio.

acabei de levantar pra pegar suco de uva e hersheys com morango e cookies. não tem ninguém no messenger para pelo menos me distrair um pouco. eu não gosto de silêncio; se não fosse o relatório, eu teria parado na travessa da teodoro e buscado a lia. e teria telefonado pra paulinha vir junto, se ela não estivesse noutras terras. e o gui. eles adoram esse chocolate. tem também na geladeira o suco de morango que o namorado adora. e tem dvds. eu queria estar assistindo bridget jones, mas não posso. e não ligo a música para disfarçar o silêncio porque a música desconcentra, e eu preciso ainda ler 2 livros para escrever alguns trechos de relatório.

a vida de morando sozinha ainda não começou, pelo menos não os lados bons. estou colhendo logo de cara as partes ruins: trânsito anormal para chegar em casa sem ninguém me esperando, falta de blusas por não ter previsto esse frio, nem fogão, nem ebulidor, nem microondas para fazer um chá quente, silêncio absurdo, porcarias para comer, saudade do cachorro. sem contar a minha cama estranha.

é, deve ser sempre assim.

Sabe!?...

4.9.06

home sweet home
estou instalada. tenho uma cama que parece ter uma lombada na região da minha barriga, de forma que eu durmo com a cabeça e os pés em um nível inferior, pelo menos aparentemente. ela é novinha, de mola, toda certinha. Talvez eu que não tenha me acostumado.

a primeira noite foi ruim, demorei muito tempo pra dormir, estava cansadíssima, acordei cedo hoje e passei frio à noite. foi um frio inconsciente, não parei para pensar que era só levantar e pegar um cobertor do meu tio. o frio de agora, no entanto, está bem consciente. meus dedinhos do pé estão congelando.

hoje vou jantar no shopping e talvez comprar um casaco lá. vinho também seria uma boa, mas eu preciso ficar sóbria e terminar meu relatório, que entrego na quarta. é verdade que as idéias brotam depos do vinho, mas não posso correr o risco de ter sono. eu devia comprar guaraná em pó (porque não tenho como esquentar água para fazer café).

além disso, primeiro dia no trabalho. acabei só agora o que tinha de fazer hoje, em meia hora vou pra casa. nenhuma avaliação ainda, não sei se é bom ou ruim. por enquanto parece ok. tirando que a ana, minha chefe bixete, sumiu há algumas horas, foi não-sei-pra-onde, sem celular, e nós vamos juntas embora hoje. talvez às sete.

preciso de um banho quente, de um chá quente, de chocolate. e de paz, sem relatório, sem tradução. para poder simplesmente chegar em casa e ler um livro que não seja de jornalismo científico.


Sabe!?...

3.9.06

mudança para são paulo
a primeira leva está toda encaixotada esperando o namorado passar com o carro grande.
estou indo para são paulo.

eu poderia contar de todos os pesadelos que tive, dos medos, das raivas, das milhares de preocupações. melhor deixar quieto. quando a gente não conta, parece que não existe, às vezes. (eu também poderia falar muito sobre isso, mas deixo pro meu relatório de iniciação)

quem quiser me ligar sem pagar interurbano, eu tenho um telefone que começa com 38, agora.

Sabe!?...

2.9.06

mudança para são paulo
eu já tenho uma cama, devidamente (mal) posicionada no quarto, uma mesa de quatro lugares sendo construída, pratos e copos e talheres para quatro pessoas, potinhos de prasco para o transporte de comida (jdí-sp), panos de prato. uma das coisas mais importantes que faltam é o sofá. e, claro, fazer o fogão funcionar, mas isso vai demorar. vou comer no shopping essa semana.

mas o motivo desse post é outro.
acho que a festinha de inauguração, com o tema independência ou morte - 7 de setembro vai ser adiada, ainda não sei por quanto tempo. é preciso ter o sofá e bebidinhas + comidinhas, antes de tudo. e acho que a festa vai ter que ser parcelada, a cada dia eu convido um grupo de pessoas. não é por nada, mas a casa tem poucos copos, sabe.

uma idéia era fazer um chá de cozinha.

Sabe!?...

31.8.06

mudança para são paulo
começou a se dar a minha mudança, faz alguns minutos. foi quando eu peguei a caixa de papelão e comecei a juntar meus livros. eu tinha decidido que ia levar só os essenciais. então começo a ver todos eles - nossa, são muitos -, e todos me parecem muito essenciais, e eu simplesmente não posso abandoná-los aqui, eles têm de ir comigo sempre.

dói um pouco colocá-los numa caixa e ver os outros relegados à classe dos não essenciais. sozinhos no armário que fica mais vazio, dispensados. e eu tenho espaço lá, quer dizer, quando eu comprar a minha estante. posso escolher uma suficientemente grande para todos ficarem acomodados.

não sei ainda como vou carregá-los. a caixa é grande e está cheia até a boca, e acabei de pedir mais uma caixa. falta a coleção da folha (que precisa ir porque eu li poucos dela e não sei quais são essenciais. então eles precisam estar disponíveis para que eu os escolha em algum momento), faltam os dicionários (são 3, os de alemão, 2 de português, 1 de italiano... vou deixar o de espanhol aqui, que eu nunca usei na minha vida, e preciso comprar um muito bom de inglês, acabei de lembrar), faltam os livros da iniciação (que não foram empacotados porque estou usando), falta o material de italiano todo organizado, e depois falta o de alemão, que são muitos e muitos livros e precisam ir comigo.

a questão é que essa é a parte mais importante da mudança. são os livros. eu não posso abandoná-los aqui. não posso.

Sabe!?...

29.8.06

[musiquinha]
plantão
estou puxando pelo emule o orgulho e preconceito do colin firth
plantão
[musiquinha]

Sabe!?...


para completar o quadro de infelicidade e cansaço, faltavam as herpes. não faltam mais: nasci pra hoje com duas grandes bolhas no lábio superior, lado direito de quem vive, esquerdo de quem observa. fazia muito tempo, que eu me lembre quase dois anos, que elas não apareciam - preciso checar nos arquivos do blog, que não mentem nem omitem. acho que eu estive trabalhando com capacidade ociosa nesses últimos tempos. e viva o ócio, que viver de trabalho é muito cansativo e nem é viver.

toques poéticos - de poesia barata, no meu caso - são culpa do guimarães rosa, que é esplêndido, e do wisnik, que consegue até transformar macunaíma em algo divertido quando conta. isso sim que é prova de fogo.

juro que eu queria viver de livros.

hoje descobri que uma pessoa que considero muito medíocre, ou menos que isso, está lançando um livro de poesia. ele não deve ter pagado a publicação, pelo pouco que sei. e mesmo assim publicaram. e eu com meus conflitos eternos, de saber tão pouco de construção de histórias para me aventurar em uma. ainda mais depois da aula de hoje e das trajetórias dos heróis e todo o resto. é tudo tão novo que eu decidi que fazer letras é ser minimamente capaz de escrever uma história com começo, meio, fim e algos a serem revelados nos escondidos das linhas. só pode ser isso. ou então a minha ignorância não se resolve com educação formal, não.

quando a semana morrer, eu terei terminado minha iniciação. tudo tem sido de ciclos de vida e morte, os meus dias. acontece tanta coisa em tão poucas horas que as biografias se resolvem em prazo de alguns minutos. ontem, por exemplo, vi um cachorro errante ser quase atropelado por diversas vezes, equanto caminhávamos o mesmo caminho mas não juntos; tive 15 idéias de tcc, mestrado e doutorado em uma única aula de fotografia; falei tudo que sabia em italiano e pensei frases em inglês; relembrei todos os dilemas do jornalismo científico; não esqueci ainda alguns números de telefone que por algum motivo de combinação numerológica não saem da minha cabeça; chorei; senti saudade; li sobre o guimarães rosa; organizei mentalmente os livros que vou levar na mudança; fiz mentalmente uma lista dos livros que pretendo ler em breve; digitei mentalmente a parte que falta do meu relatório final e outras coisas. me digam, como é possível dormir com tudo isso na cabeça, vindo a todo momento, sem esquecer nunca?... não é. por isso é preciso morrer toda noite, para nascer de novo no dia seguinte. é verdade, às vezes com herpes, olheiras, cabelo bagunçado, mas isso é porque em nenhum renascimento a gente parte do zero, sempre fica aquele restinho perdido, que nem bateria de celular antigamente, que só podia recarregar quando acabava de vez ou ela ia se perdendo. estou me perdendo aos poucos.

Sabe!?...

28.8.06

no trabalho, eu descobri que tenho simpatia por pessoas idosas, que têm histórias para contar. eu começo a achar todos fantásticos, até que, lá pelo meio do depoimento, vou lendo coisas absurdas. por exemplo o de agora, que diz que dá parte do lucro aos funcionários, e que isso é uma forma de socialização. e um pouco antes ele tinha contado que foi se livrando aos poucos dos funcionários sindicalizados, e que para não pagar muitos tributos ele faz acordos com eles, e que a revolução foi ótima para a empresa - a revolução, como vocês devem imaginar, é o golpe.

eu preciso decididamente adotar a minha postura cética também com relação às pessoas. eu sou sempre muito, muito ingênua.

Sabe!?...

27.8.06

aqui em casa o tratamento dado aos filhos é o mesmo, sem distinção.
enquanto um mora num apartamento novo, no melhor bairro da cidade, sozinho, o outro filho vai dividir com o tio o único quarto de um apartamento velho, com infiltração, sem garagem.
enquanto um filho ganha um computador novo, o último tipo, porque gosta de usar internet e jogar com os amigos, o outro filho que usa o computador por motivos profissionais gasta metade de todo dinheiro que conseguiu juntar na vida comprando um não muito bom, para não ser muito caro.



Sabe!?...

25.8.06

pode ser que a pomba no buraco do elevador seja na verdade uma pessoa amordaçada, tentando avisar, quando acendemos a luz do banheiro, que está lá, acorrentada à privada de algum vizinho, esperando quem sabe a morte, quem sabe abusos, quem sabe alguém entender seu pedido de socorro e a libertar do cativeiro.

os meus banhos de afogar as mágoas têm se repetido com uma freqüência alarmante. hoje tomei o segundo às duas da tarde. nesses banhos, o gostoso é sentir a água quente, bem quente escorrendo, é o abraço que nunca ganho. ensaboar-se é só para passar o tempo.

as marcas de pinça são outra coisa com que se preocupar. estou toda vermelha, e não pretendo parar, sob o risco de enlouquecer.

ontem eu estava pensando em formas pouco dolorosas e pouco corajosas de suicídio. acho que por remédios é o melhor jeito. mas sempre existe o risco de conseguirem te salvar. salvar?

Sabe!?...

24.8.06

ca-ham:

"E depois temos a sempre delicada questão de Fitzwilliam Darcy. O actor que faz de Darcy tem que ter a medida certa de arrogância e orgulho, um certo desdém que gradualmente cede ao encanto e intelegência de Lizzy. Atenção, gradualmente! E nunca desde o início do filme, não podemos sequer pensar em amor à primeira vista. Faltou pouco neste filme para o Darcy ter um torcicolo no pescoço mal viu Elizabeth pela primeira vez.

Colin Firth imortalizou-se como Mr. Darcy na mini-série da BBC de 1995, e embora estivesse preparada para detestar o novo actor que tomou o seu lugar, Matthew Macfadyen, dei por mim a pensar que era este mesmo actor que salvava o filme de uma comédia e o conseguia elevar com a sua dignidade própria de um aristocrata. O Darcy de Matthew Macfadyen só em raros momentos é o Darcy descrito por Jane Austen, mas ainda assim, somos capazes de apreciar a vulnerabilidade e os olhares expressivos do actor."

desse link: http://www.filhosdeathena.com/index.php?option=com_content&task=view&id=84&Itemid=40

não reparem nos elogios a ele. reparem na parte do colin. ou na parte: "embora estivesse preparada para detestar o novo actor que tomou o seu lugar"

pode ser que a minha teoria não se confirme.

Sabe!?...

23.8.06

eu sei quais são meus problemas, minhas limitações. sei que minha profissão é uma merda e também não gosto dela.
no entanto, não há nada que eu possa fazer. todo esse entendimento não vem acompanhado de soluções.

não consigo estudar, não consigo trabalhar. eu não sei o que vai ser de mim, eu não sei o que é melhor fazer, eu não sei de nada. no entanto, é preciso continuar de alguma forma, qualquer forma. é preciso continuar.



eu só não fui dormir ainda porque posso acordar de madrugada sem sono. eu só não fui dormir ainda porque não tive coragem de tomar remédio pra isso. estou com medo de abrir a prerrogativa. e eu não tenho esperanças nem planos de melhora.

Sabe!?...


Eu estava assistindo Orgulho e Preconceito, versão nova, e refletindo sobre os atores ingleses. É que aquele Mr. Darcy me incomodou muito. Não sei se vocês viram e se sabem que, na outra versão, Mr. Darcy era interpretado pelo Mark Darcy, quer dizer, pelo Colin Firth. Tendo isso em mente, como é possível assistir à versão nova e se contentar com aquele Mr. Darcy sem graça de tudo?... Não dá. O resultado disso é que passei o filme todo reclamando pro namorado que aquele Mr. Darcy não convencia.

As queixas naturalmente não ficaram só no namorado - para ele tanto fazia quem era Mr. Darcy, e eu precisava de alguém que concordasse comigo. Ontem foi a vez da namorada do meu irmão (que achou que o Mr. Darcy fake convencia) e hoje, a da Paula, que achou razoável, pelo que me lembro. Tudo isso me fez refletir sobre a minha implicância - eu poderia dizer fetiche, mas ficaria sexual demais - com atores/personagens ingleses. E daí, vocês podem imaginar, surgiu uma teoria complexa e abrangente sobre homens e expectativas. Como toda teoria, se pretende absoluta, e é muito simplista. Mas é ótema.

Posso começar dividindo os homens em duas categorias: os que chamam atenção e os que não chamam atenção. O namorado faz parte do primeiro grupo, pelo menos para quem tem as preferências como as minhas (que são bastante óbvias, é só analisar o histórico). Os desse grupo dão pouco trabalho, caso venham a se interessar por você (isso sim dá um pouco mais de trabalho), porque eles já chamaram atenção de todos, por motivos óbvios, portanto não é preciso nem imaginar muito a respeito deles e ter medo de errar: sim, sim, eles são tão bons quanto parecem. Dos atores ingleses, podemos dizer que Hugh Grant e Jude Law fazem parte desse grupo. Não gosto do Hugh Grant, mas tudo bem. O importante é que eles chamam atenção e, para quem não tem muitas exigências de exclusividade, eles dão (e bem) pro gasto.

O outro grupo é o dos homens que não chamam atenção. Acreditem, muitas mulheres estão atrás desses - ainda não consegui formular se por medo de competição, ou para provarem a si mesmas que conquistam qualquer homem, ou porque gostam de enxergar coisas originais... Eu sei, estou sendo muito babaca, mas faz parte das teorias sobre o sexo oposto o autor ser babaca. Os desse grupo dão trabalho. Pode até ser fácil fazer com que se interessem por você - ainda mais se pouca gente tiver se interessado por eles -, mas é difícil manter o clima. Faz parte da atração aos homens que não chamam atenção aquele quê de mistério. Pode ser que não sejam misteriosos, mas mulher adora inventar. Então constroem-se trinta teorias a respeito do falar estranho dele, mais umas quinze sobre o cabelo diferente, outras sobre o comportamento anti social, e por aí vai. Mas todas essas teorias desmoronam em poucos dias, oxalá poucas horas. Claro que é preferível descobrir logo que ele não falou com você porque se esqueceu do seu rosto, ao invés de ficar pensando que ele é meio desligadinho e vive refletindo sobre qualquer coisa que você acha lindo. Nesse ponto entram as expectativas.

Tudo isso se conecta com os atores ingleses no seguinte ponto: estou desconfiada, levemente desconfiada, de que eles não são como o Mark Darcy. Por baixo dos olhares de desprezo do Clive Owen pode não existir um homem sensível que só faça cara de mau. As palavras mal sussurradas do Colin Firth podem não significar timidez. (se bem que o Colin a gente pode excluir dessa análise cética, não pode?). O inglês entrecortado do Alan Rickman pode ser arrogância e impaciência, e só. Eu sei, é muito pouco provável, mas é preciso pensar nessas coisas para ter certeza de que as expectativas não estão sendo em vão.

Eu sei bem como funciona, a gente pensa: um homem com todo aquele potencial não pode ser um ogro! Queridas, às vezes eles são. Não que eu tenha jamais comprovado isso, é só uma questão de raciocínio lógico: se eles fossem tão sensíveis, charmosos, secretos, por que tão pouca gente acharia que eles são sensíveis, charmosos, secretos?... às vezes a maioria está certa. Por exemplo quando eu estava assistindo Bridget Jones e alguém na sala (que não era o namorado, ou ele seria repreendido) comentou que "esses inglezinhos são muito sem sal, né?". Nossa, nossa, nossa. Estavam falando do Colin Firth. Alguém consegue imaginar o Colin Firth sem sal?... [pausa para a receita: tempere bem o Colin Firth e reserve. Não se esqueça do sal]

Assim, pode ser que eu esteja sendo levada pela minha fértil imaginação ao ficar suspirando quando lembro do Colin falando português no Simplesmente Amor. Ou quando ele fica escrevendo o livro à beira do lago [pausa para a coincidência: quem lembra da camisa molhada no lago?...]. Ou quando eu fico repetindo o Alan. Ou escrevendo fics em que o Snape é fantástico. Pode ser que eu esteja enxergando algumas marcas interessantes que só estão neles porque assim eu quero enxergar. Pode ser que eles não sejam diferentes daquela impressão que eles querem causar. Pode ser!!!


Sabe!?...

22.8.06

breve
aguardem uma complexa teoria sobre homens, relações platônicas e personagens masculinos ingleses de ficção.
*uou*

Sabe!?...


era só o que me faltava: dermatite de contato na ponta dos dedos de tanto digitar.
eles estão meio enrugadinhos, como se eu tivesse passado um tempo na água. e a sensibilidade está bastante alterada (não tô sentindo muita coisa) - mas isso não tem relação alguma com as sensibilidades macro e micro, hein.

acho que eu preciso de férias.

Sabe!?...

21.8.06

algumas conclusões da pesquisa são de um achismo tão grande que eu começo a desconfiar das ciências humanas. é por isso que eu me dou melhor com números: eles são aquilo e só (pelo menos até onde eu aprendi, que não tinha nada de metafísico). a minha pesquisa tem números e gráficos, claro, mas eu não soube muito bem o que fazer com eles, porque eles precisaram ser interpretados com métodos de ciências humanas. sim, eu tentei numeratizar tudo, deixar as escolhas lógicas e óbvias ¿ elementares -, mas não parece ter funcionado. o meu problema é que eu crio muitas regras que me parecem óbvias, vou descrevendo todo o comportamento do mundo partindo de algumas premissas, e construo toda uma rede de teorias e explicações. mas de repente pode vir alguém com um alfinetinho e explodir tudo, e adeus certezas. eu sei que esse alguém é o parecerista, que vai ler minhas 200 páginas de relatório (ler? há há há) e assinar embaixo. Quem sabe ele recuse, se tiver acordado em um dia de mau humor e seu tme de futebol tiver perdido. é assim que as pesquisas são aceitas ou não, vocês sabiam? pois é.

não que a minha deva ser aceita, porque está realmente bem fraquinha. eu teci a rede de teorias e explicações, mas fiz muito pouco do que pretendia. merecia um parecer que me aconselhasse mais 6 meses de pesquisa, sem bolsa (castigo) para entregar algo decente. mas não é assim que são os pareceres, vocês sabiam? pois é.

...e muitas outras coisas que eu poderia contar, mas não. estou instrospectiva.

Sabe!?...

17.8.06

terminei a minha reportagem. não ficou muito minha, mas ficou reportagem. agora só falta todo o resto.

eu queria poder contar coisas interessantes, mas.. mas...

né.

(quando eu entender o que eu sinto nas aulas de literatura, conseguir explicar... eu conto)

Sabe!?...

16.8.06

puxa, que blog interessante.
puxa, que vida interessante.

Sabe!?...


não fui nas aulas.
estou em casa, estudando.

o desespero está atingindo o limite da desistência. que, no caso, seria defenestrar-me.

Sabe!?...

15.8.06

os dias estão confusos, desde ontem, e está impossível ter rotina. faltei de novo na minha aula do guimarães rosa, ontem faltei do italiano. primeiro porque a liebe está doente - e hoje continua, apesar de ter melhorado. acordei duas vezes essa noite para cuidar dela, dar o banhinho e secar. depois, porque eu preciso entregar uma reportagem até quinta à noite. passei a segunda toda tentando uma entrevista, que só consegui fazer hoje de manhã. e passei o dia de hoje tentando um depoimento muito importante, para saber à noite que vai ter que ser por telefone - isso inviabiliza qualquer depoimento realmente profundo, sincero, uma conversa. não sei ainda o que vou fazer.

mas amanhã tem aula e italiano, que eu preciso sair de casa para estudar mais. aqui eu fico me lembrando de tudo que preciso fazer e acabo fazendo pouco. a tradução, por exemplo, tem sido meu pesadelo, mas nem consegui terminar a primeira reportagem ainda. e não pensem que traduzir do alemão é fácil, a estrutura das frases é muito diferente. e as gírias, ahh.

a liebe ainda não está boa, mas pelo menos só teve uma esguichadinha hoje. tô me sentindo muito culpada e muito mal porque hoje à tarde dei um remédio a mais. era um comprimido por dia, e o outro remédio que precisava repetir a dose. pois é. na bula não tem nada de superdosagem. muito muito medo.

o que eu não paro de pensar é como vai ser o mês que vem, quando quase todos esses compromissos acabarem. ou o ano que vem, para o qual não tenho nenhum plano. não sei como vai ser. não sei.

Sabe!?...

14.8.06

a titica não está bem. amanheceu com diarréia, e assim permaneceu o dia todo. vomitou 4 vezes. levamos no veterinário, ela fez um show pra tomar duas injeçõezinhas e ainda deixou o consultório inteiro carimbado de cocô líquido. e toda vez que ela resolve se esguichar, gruda tudo no pêlo dela. só me resta lavar e depois secar. quatro vezes hoje. nem ligo, sabe, porque ela está mesmo muito jururu, e isso é o que mata. o cheiro a gente disfarça com desinfetantes.

o mais gracinha de tudo é que ela de repente levanta de onde está deitada e corre para o jornal. ela só tem os acessos diarréicos dela no seu próprio banheiro, que é a minha área de serviço. é muito gracinha. tudo isso para comprovar que educação é repressão.

Sabe!?...


voltei.
e descobri que preciso entregar meu relatório cinco dias antes do previsto, por causa do feriado seguido de fim de semana. e que chegou a cama de casal, e ela cabe com uma cama de solteiro no quarto. e que, quando eu penso na minha vida, não fico feliz.

foi gostoso em paray, descansei bastante. assisti as duas mesas mais legais, bebi, comi, dormi... foi gostoso.
uma pena é voltar.

Sabe!?...

9.8.06

diário de bordo.

na usp, no dia mais cansado dos últimos tempos, esperando para ir pra paraty. vamos sair hoje à noite, para chegar lá amanhã cedo. a oficina de jornalismo começa na hora do almoço. antes disso, preciso diminuir o tamanho da mala - que está grande - para caber no carro (principalmente na volta, quando teremos 5 pessoas e 5 malas para acomodar).

o problema é que estou sensível. bastante sensível, e isso é sim problema quando dá vontade de chorar por causa das vítimas de hiroshima; quando se ouve um contador de história falar texto do guimarães rosa com tanta emoção. não é uma sensibilidade normal. e vira problema porque a qualquer momento eu posso desmontar se pensar nas coisas minhas que, tudo bem, não são um extermínio por bomba atômica, mas me têm deixado tão triste nos últimos tempos, e eu mal percebo. notei ontem que tive uma tarde feliz porque dormi algumas horas. eu estava feliz por ter dormido. não era para ser assim, só assim.

é que a solidão é tanta que a gente se acostuma, e nesses momentos de simulação de tpm, vêm tudo. passar a manhã fazendo hora pros serviços de banco. fugir para o banheiro no meio da aula. almoçar sozinha. escrever texto de adolescente nas folhas da aula. matar hora assistindo filme. sentar em qualquer lugar para ler qualquer coisa. internet.

esperando não sei o quê, atrasando não sei qual crise.
eu preciso mesmo chorar no banho e dormir no edredon sem falar com ninguém.

quem sabe na próxima semana. não em paraty.

Sabe!?...

8.8.06

ah, é ruim, é muito ruim. namorado acaba de se despedir, está indo para sp, para ficar. e eu vou para paraty.
é uma droga.

eu deveria poder dormir o dia todo, comendo chocolate e tomando coca-cola. com um filme bobo passando na tv, edredon, tudo a que se tem direito quando as perspectivas são ruins.

e os trabalhos...

Sabe!?...

7.8.06

meu computador solta baforadas quentes, de tempos em tempos, na minha mão que mexe o mouse.
taí, descobri o nome da criança. alguma coisa relacionada a dragão.


Sabe!?...


não é o dia, não, que está estranho. teve pcc, calor, vento, ônibus sem ar condicionado e de janelas abertas - a primeira vez em três anos -, mas não é nada disso. quem está estranha sou eu. de manhã eu estudei com a pressa de quem tem um compromisso. depois passei mal na aula, muita tontura. comi e a tontura não passou, e ainda virou sono durante toda a outra aula. e insisti em fazer coisas, ler coisas. a viagem de ônibus durou uma eternidade, acordando a todo momento para tirar o cabelo que voava para dentro da orelha, para puxar pra dentro do ônibus a cortina que fazia muito barulho com o vento. cheguei em casa e comecei a estudar, a mesma pressa. porque eu estou atrasada, mas essa pressa não me serve de nada, porque é só a angústia e o manter-se ocupada, eu não resolvo nada assim. mas a pressa, e a vontade de chegar em casa depois do trabalho e é isso, hoje só amanhã, posso escolher qual livro ler. poder só deitar na cama e ir dormir muito mais cedo. poder dormir sem todas as preocupações.

hoje eu estou com uma pressa inativa. estou estranha, insatisfeita, cansada. hoje eu queria ter a vida trabalho-academia-shopping-bar.
hoje eu queria, é isso, alvinho, ser qualquer mendigo que eu inveje por não ser eu.

Sabe!?...


hoje o dia está como aqueles de ilhabela, nas duas semi-férias dos últimos dois anos: bastante quente, com um pouco de vento, silencioso. está um silêncio que só vendo, muito bom. e o vento embaralhou todo meu cabelo no ônibus, e eu me protegi do sol com meu guarda-chuva (e cria-sombra) colorido. meus dedos estão vivendo macro, só as pontas sensíveis, mas o dia está mesmo muito micro: termin