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de mel
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::Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto:: mariana d., 20, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel. mari_de_melARROBAyahoo.com.br La Vie En Rose Torre de Papel O Guarda Livros Sorvete de Casquinho O Mentiroso Mind the Gap Tingles and Everything Minhas Letras Observatório da Palavra Caixa de Pandora Nerdescolado A Star Is Born Suco arquivo novembro 2004 dezembro 2004 janeiro 2005 |
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tsc tsc parece criança: fica enfiada em casa tanto tempo que, quando sai um solzinho mais forte, passa hooooras na piscina e à noite está toda ardida. descobri pedaços de pele em mim que eu nem sabia que tinha. quem sabe na quarta eu me bezunto de sundown 3000 e tento dar um jeito nesse colorido estranho que eu virei. e chego no carnaval morena jambo, tchururu. (tá, e quem acredita?) *** já provaram aquele sorvete, acho que é corneto, "afrodisíado"? claro que nessa propaganda ridícula ninguém acredita, mas provem que é bom. o de menta é normalzinho, mas hoje eu comi um, nham-nham. é de trufa com cobertura de canela. nossa. a cobertura de canela é boa demais. e agora eu não paro de sonhar com a cobertura. daydream ou flashfront, não sei bem. *** e eu tenho passado meus dias vendo filmes - eu adoro filmes. na sexta foi entrando numa fria maior ainda, foi divertido. no sábado, harry potter e a câmara secreta - ainda bem que eu sei até o que eles falam, nem precisei prestar muita atenção. no domingo, closer, gostei móito. a paulinha tinha falado que era cru, mesmo. é bem bom, gostei, gostei. hoje já vi talentoso ripley, que a paulinha insistia que eu devia ver (lógico, quem não viu?), eu vi e gostei. mas o carinha me lembrou uma pessoa x, isso irritou. tinha o jude law pra compensar (porque hoje é segunda-feira e parece que o jeito é ver jude law ou fotografias. piada interna, desculpem. *mimi*). *** e a gente pensa que sente tanta saudade que não daria pra sentir mais. e daí vem outra segunda-feira e a saudade é ainda maior. porque não é só a saudade que aumenta assim, a cada dia. sabe?!...
::luxúria:: sábado de chuva, não tão frio mas nem por isso calor. de repente todos desapareceram, e ele, que é a única pessoa com quem se deseja estar, não pode por enquanto. a melhor música no banheiro mal iluminado por velas que quase apagam com o strip tease para o espelho. banho tão quente quanto der pra agüentar, cantando muito alto, ensaboando cada pedacinho do corpo duas ou três vezes. algumas músicas depois, acaba o barulho da água. toalha felpuda. nessa ordem: escova os dentes, fio dental, calcinha preta, sutiã preto, solta o cabelo, perfume, brinco, maquiagem. duas músicas dançantes depois, camiseta branca. obs: eu não uso maquiagem em casa sabe?!...
No ano passado, mais ou menos nessa época, eu estava um pouco em crise. O problema era meu aniversário. Eu queria muito fazer alguma coisa, festa, churrasco, qualquer coisa, e meus planos não estavam dando certo. O plano inicial era uma suuuuper festa no sítio do meu avô, pra lá de Marília. Meu pai tinha dito que tudo bem, a gente alugaria um ônibus pra levar todo mundo, cada um cuidaria de sua barraca, a gente armaria uma tenda com bebidinhas e música lá no sítio e seria demais. Mas meu vô estressou porque seriam umas 40 pessoas, ele disse que o sítio não comportava tanta gente bla bla bla. Isso algumas semanas antes do dia. Então começou a busca por algum lugar em Jundiaí. Achamos, fizemos tudo meio de última hora. Daí a crise sobre quem convidar e quem não convidar. Acreditem, foi um sufoco. Família? Não sei. Se convida um, tem de convidar todos. É. No fim, foram todos convidados. A chácara tinha piscina e campo de futebol e tinha bola de vôlei e twister e... E choveu. Tinha feito sol a semana toda, mas choveu bem no sábado. Tuuuudo bem. Foi bom mesmo assim. Eu, pelo menos, me diverti bastante. E acho que isso que importa no meu aniversário, não é? Segundo as teorias cósmicas, estou no meu inferno astral. Vou dizer uma coisa, queria que o inferno astral de todo mundo fosse como o meu. Maravilha, nunca vi inferno astral tão bom. A não ser, claro, pela crise pré-aniversário. Não de ficar velha, nada disso. Acho que ainda não se pensa nisso com 21 anos de idade. (eu deveria estar pensando nisso?) O problema é a comemoração, de novo. Claro que qualquer coisa que tenha o sentido de uma comemoração vai ser legal pra mim, seja churrasco, festa, baladinha, jantarzinho, cerveja no bar. Mas onde? ... (vai ver que é inferno astral porque a gente fica se preocupando com as coisas menores, por exemplo com o lugar para comemorar o aniversário, quando deveria estar pensando nas pessoas queridas que vão estar junto) sabe?!...
e dá licença que hoje é sexta-feira e não só de saudade vive uma garota. sabe?!...
::férias:: eu acredito em determinismo: se estivesse sol, eu estaria no clube, linda, morena e descansada, sendo réptil na beira da piscina. mas como está frio, eu estou horrivelmente de calça de moletom, alguns quilos mais gorda de tanto chocolate que comi, amassada por ter dormido a manhã inteira e durante um pedaço da tarde, e bastante neurótica e paranóica por não ter o que fazer - já tirei a pinça de perto. também li um pouco: hobsbawm. não é aquela leitura deus-do-céu-não-quero-nem-comer-pra-não-parar-de-ler-isso-que-maravilha, mas distrai se o clima for de seriedade. o que eu queria mesmo era sex and the city, mas não achei pra alugar. como que eu me sentia muito bem estando sozinha? não consigo lembrar. sabe?!...
A Teresa do João Cabral ... Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido (penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o afugentou, porque os sonhos são como as aves, não apenas porque crescem e vivem no ar) ... sabe?!...
A Teresinha do Chico O primeiro me chegou Como quem vem do florista Trouxe um bicho de pelúcia Trouxe um broche de ametista Me contou suas viagens E as vantagens que ele tinha Me mostrou o seu relógio Me chamava de rainha Me encontrou tão desarmada Que tocou meu coração Mas não me negava nada E, assustada, eu disse não O segundo me chegou Como quem chega do bar Trouxe um litro de aguardente Tão amarga de tragar Indagou o meu passado E cheirou minha comida Vasculhou minha gaveta Me chamava de perdida Me encontrou tão desarmada Que arranhou meu coração Mas não me entregava nada E, assustada, eu disse não O terceiro me chegou Como quem chega do nada Ele não me trouxe nada Também nada perguntou Mal sei como ele se chama Mas entendo o que ele quer Se deitou na minha cama E me chama de mulher Foi chegando sorrateiro E antes que eu dissesse não Se instalou feito um posseiro Dentro do meu coração sabe?!...
xenofobia minha pátria é a língua portuguesa chegamos às sete, com fome. padaria perto da rodoviária. o suco de laranja mais demorado da face da terra. e pão com manteiga. pode ser na chapa? aquela cara de paulistano maldito, pode, mas vai demorar um pouco. o mendigo era gente boa, não tinha sotaque nenhum. devia ter fugido de são paulo, concorre-se até por esmola aqui. a moça da recepção parecia gente fina. paulistana não era, mas quem sabe era alemã? depois, mais pro fim do dia, ela puxou uns esses e erres. ó-quêi. o taxista era brow, mas tudo bem. as propagandas do rádio tinham sotaque. na volta, um carinha fez um escândalo no posto, sabe-se lá por quê, dizendo que era fulano de tal, que conhecia aquela e esta pessoa, que ia fechar aquele lugar... a primeira coisa que ouvimos da discussão foi um carrrrtão, com erre bem puxado. e agora me digam em que lugar do mundo o horário de partida do ônibus é 11h41. londres? bruxelas? frankfurt? não. rio de janeiro, a cidade maravilhosa. é. sabe?!...
você percebe que ainda é jovem quando sai do trabalho carregando uma mala pesada, tomando chuva e fica dez minutos cantarolando no ponto enquanto o ônibus não chega. uma hora de circular, quarenta minutos de metrô, oito horas e meia de ônibus interestadual depois (com direito a homem muito estranho que assoava o nariz de dois em dois minutos, durante as oito horas e meia, bem na nossa orelha), chega-se na pousada e o bom humor é quase irritante. você percebe que está ficando velho quando faz tudo isso pra ver seus amigos se casarem. sabe?!...
literatura, amigos, concursos quando eu mostro coisinhas escritas para os amigos, eles gostam. não lembro de nenhum amigo que disse não gostar do que tinha lido. por alguns meses, eu cheguei a acreditar que escrevia bem. mas são meus amigos. ( é bom que eles gostem, mas para o que eu quero - queria -, não é suficiente. e eu nem sei o que eu quero. sabe?!...
...fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena... (naty, é o seguinte. você vai ter de se justificar. por que é você a menina com uma flor? vai ter disputa. acredite, você encontrou uma concorrente forte) sabe?!...
mulherzinha incomodada por ter acordado cedo pra fazer a unha, deixo meu lado mulherzinha aflorar. babei no ônibus, pra variar. estava quase chegando na usp - eu ainda tinha uns 3,5 minutos de sono - quando um celular histérico começou a tocar uma musiquinha ridícula. era a mocinha que estava do meu lado. atendeu. nossa-como-ela-falava-afetado. loira, chapinha, maquiagem nos olhos (lembrando que isso aconteceu meio-dia), toooooooda arrumada. tinha um negocinho colorido balançando na mão dela, depois vi que eram as pulseiras rosas, mas poderia também ser o bichinho preso no celular. ela falou pra pessoa x que ia na psico resolver umas coisas. eu, maldosa e estereotipadamente, pensei pfffffffffff, só podia. pensei mesmo e é porque eu não conheço ninguém da psico, só uma menina estranha do ônibus - ah, ela chama alice. e isso não é ciuminho, ela é estranha mesmo. (*mimi*) depois ela ligou pra outra pessoa, e, muitas gírias de gente descolada e das baladas depois, falou que estava chegando na fea. ahhhhhhhhhhhhhh, bom. fea e psico. assim sim. ela levantou, eu estava atrás dela no corredor. deus-do-céu, ela usava uma sandália muito alta e de salto fino, toda cheia de trancinhas. um sapato que eu usaria pra sair e só se quisesse estar bem arrumada. desceu no ponto, desci atrás. ela com um guarda-chuva enoooorme. claro que eu nem carrego mais guarda-chuva, e que ninguém aquela hora estava usando um, só pingava de leve. ela ficou hesitando no ponto, não sabia se abria a coisa, se ia na chuva, se, se, se... quando eu estava atravessando a rua, vi que ela vinha andando meio cambaleante (calçada torta da cidade universitária), rosto tenso (umidade estraga chapinha). é, eu sou maldosa. ***e então eu olhei pra mim, ecanamente vestida. calça jeans velha e larga, sandalinha arrastando no chão (devidamente esfolada por muitos fox trots), camiseta colorida. largada total. confortável. com muito sono, querendo cumprir as horas de trabalho e fugir pra casa. ler vinícius deitada na cama, bebendo água - é o jeito.*** sabe?!...
cinema nacional eu fiquei cinco minutos no ponto, enquanto o ônibus não chegava. tinha um espacinho no banco, fui lá e sentei. um homem perto de mim falava alto, duas moças prestavam atenção, além do gordinho evangélico que vende passes. estavam todos um pouco sorridentes, o homem falava muito alto e não olhava para nenhum deles, nem eles sabiam se era pra eles que o homem de barba contava que tinha participado do carandiru. quando eu ouvi, achei engraçado. ele falava bastante alto e rápido, muitos cacete, porra e caralho no meio, gritava às vezes, e repetia sempre que era bom demais fazer filme. falou de alguns detalhes da cena final, disse que gostou de trabalhar com o rodrigo santoro, que o lázaro ramos era legal, que o caio blat não parava quieto. chamou o dráuzio varella de dráuzio. enquanto eu ouvia toda a história, fingindo não escutar, fiquei pensando que vou pegar o filme de novo e assistir pra ver se encontro aquele rosto no meio dos presidiários. ponderei que ele não poderia ser louco, apesar de aparentar, sabia o nome dos atores, e detalhes do filme... comecei a pensar se ele era um ex-presidiário, e todos os meus preconceitos foram se desmanchando, o cara era interessantíssimo. um pouco depois ele generalizou e começou a falar de cinema nacional. e tratava os atores com tanta intimidade que eu passei a achar um pouco mais estranho. disse que, certa vez, quando estava no rio, foi numa estréia, e o pessoal da globo não estava nem aí pro cinema... e começou a falar da situação do cinema nacional, da globo, dos atores. então voltou pra são paulo e começou a falar de alguns teatros daqui em que ele tinha encontrado "aquele moço com a esposa, o alexandre borges e a lemmertz". fala sério. subi no ônibus olhando pra trás. ele vestia uma calça caqui, camisa, 40 anos, tinha uma boina vermelha, barba bem feita, olhos brilhantes, uma pasta preta meio velha do lado. todos olhavam e sorriam. e ele contava. contava. não sei no que eu queria acreditar, se era louco ou interessante. sabe?!...
Eu acordei com Estúpido Cupido na cabeça, culpa da Babi. Ela tá escrevendo uma fic com essa música, o parzinho é Draco + Gina. A Babi sempre escreve fics muito legais, e essa está ficando muito boa, apesar de nenhuma de nós gostar desse casalzinho que ela inventou. Então eu lembrei da festa do ano novo, a gente dançando com performance essa música (lembra?). Algumas músicas pedem performances, simples assim. Dança-se como se ninguém estivesse olhando, e geralmente muitas pessoas olham e dão risadinhas. Eu chamo isso de liberdade. Alguns podem chamar de exibicionismo, não me importo. Daí depois eu tive flashbacks do forró na formatura, eu contei pra vocês que filmaram a gente e eu morri de vergonha? Espero que não tenha errado nada dessa vez. E teve beijo cinematográfico no final. Se aparecer na edição final, eu morro de vergonha toda vez que lembrar. E a palavra flashbacks me lembra, c-l-a-r-o, a Bridget e seus flashbacks fantásticos, que são sempre fontes de inspiração para dias chuvosos, ou ensolarados, no trabalho, em casa, no ponto de ônibus. E também me lembrou o Gui, ontem, dizendo que, sobre um assunto x, ele tinha flashfronts. O que, claro, me fez pensar na hora na piadinha fantástica e anatômico-erótica. Eu comentava sobre o bumbum de uma pessoa x, isso faz uns 4 meses. E o Gui (sempre ele) lembrou da palavra background, que nossa professora sempre usava. E definiu-se que bumbum é background. E ponto. E então ele perguntou: e como é o frontground do sujeito? Eu morri de rir, claro. Além da palavra inventada, eu jamais tinha reparado em tantos detalhes. E, falando em palavra inventada, o Gui é o Rosa 00 e eu sou a Clarice 00. Do novo século. Nós nos chamamos disso em emails, quando a veia poética está forte demais. Claricinha, ele fala. A palavra preferida é brancadenevemente. Foi quando eu mordi uma maçã. Ou ele. Não sei, esqueci. sabe?!...
eu queria fazer um post alegrinho. porque eu estou alegrinha, apesar da chuva e de ser segunda-feira. contando das versões de quartos de hotel que eu e o gui inventamos para o meu próximo fim de semana - uma versão era fantástica, era como eu queria que fosse. as outras duas competem, não sei qual é pior (a bíblia está nas duas. e a cortina de prásco também). mas ninguém acharia graça. ah. vocês, também, viu. eu quero um banho igual ao da naty. se é pra ser banho sozinha, que seja meio no escurinho, com música boa e cheiro bom demais. lembro que no outro blog eu tinha falado de um banho desse tipo (tinha sido sensacional), e uma moça leu e depois comentou comigo que riu muito quando leu. ela riu. ela achou engraçado que um banho pudesse causar sensações daquele tipo. ela achou que eu tinha bebido ou fumado ou feito qualquer coisa que tivesse me tirado do estado normal. foi frustrante, meio um trauma. depois de ver a risada dela (a gente tava na aula do inglês, eu lembro bem, ela estava de vermelho), nunca mais tomei banho daquele tipo, nem escrevi mais sobre isso. é, foi um trauma. vou ver se essa semana eu supero. sabe?!...
há muito pouco tempo eu percebi o real valor de uma sexta-feira à tarde (fim do expediente). preferia, juro, me dar conta disso muito mais tarde, mas a idéia do estágio veio antes e cá estou, uma estagiária do meu brasil. pelo ritmo normal (...) das coisas, hoje eu seria apenas uma universitária. e as sextas, apesar de muito interessantes, não seriam item de necessidade básica. é. pois é. bom fim de semana pra todos vocês. sabe?!...
the bride então eu decidi que hoje ia ser noiva. coloquei roupa de noiva, cabelo de noiva, colarzinho de noiva. a chuva ajudou e o cabelo ficou mais ainda de noiva, meio cacheado. adotei hábitos de noiva, também: movimentos harmoniosos, lentos, muita calma, o piscar de olhos mais demorado, o cruzar de mãos, a coluna ereta, sorriso vago no rosto, o andar paciente. o humor de noiva: claro sim senhora pois não. e eu, se me visse hoje, pensaria que sou uma garotinha estúpida. que isso. eu sou só ingênua e pura e virginal. uma noiva. :P sabe?!...
believe it or not Mais grave que ter Bush eleito é descobrir que mais de 80 mil Marianas são governadas pelo cara. Eu explico: no Oceano Pacífico, em ciminha, existem as Ilhas Marianas. Pelo pouco que eu li, um paraíso. Claro. Com o único defeito de serem comandadas pelo Bush. E todo mundo sabe que um lugar chamado alguma-coisa-Mariana é cheio de Marianas. Né? (a Vila Mariana não conta porque, vocês sabem, São Paulo, muita imigração, migração... Mas imaginem um conjunto de ilhas no norte do Pacífico?? pfffffffffffffffff) Próximas férias, tchã-nan! Northern Mariana Islands. Podem ver no meu profile, eu sou de lá. (vou agitar a comunidade das Marianas pedindo pra todas mudarem seus países de origem. É, eu não tenho o que fazer) sabe?!...
(vai ser confuso porque eu não consegui organizar direito) estava andando para o trabalho, pensando que precisava passar no banco pra pedir senha nova, comprar presente pra amiga, passagem de ônibus, cortar o cabelo, entregar trabalho... e quando percebi que estava pensando nisso, foi quase uma crise clariceana, ou, por que não, no estilo clarissa dalloway. banco? cortar o cabelo? trabalho? francamente, srta. delfini. eu não esperava isso de você. que mulherzinha mais... prática. hahahaha o problema grande nem foi esse; foi pensar que eu posso estar fazendo tudo errado. a faculdade e o estágio, quero dizer. posso estar perdendo um tempo absurdo com um curso que não é bem um curso, é só uma enrolação. e esse estágio. eu só estou esperando o contrato terminar. esperar uma coisa começar ou terminar não é uma grande perda de tempo??? viver seria realizar, não esperar. não é? o medo é chegar aos meus muitos anos, sentada, lendo, e começar a pensar no que foi feito, e perceber que eu deveria ter desistido dessa faculdade e desse estágio (o estágio é menos grave, são seis meses e não quatro/cinco anos). não tenho como saber disso agora, vai que eu serei mesmo jornalista e a faculdade terá sido essencial (duvido muito. muito)... não tem como saber. tem mais graça assim, dizem. sabe?!...
indecisão (título pessimista) - renascimento (título otimista) se meu ônibus batesse e minha mochila ficasse separada de mim e nós nunca mais nos víssemos (... como sou dramática...) e abrissem o zíper dela pra ver o que tem lá dentro, seria um susto. eu procuraria a dona e mandaria internar. porque, além da meia extra (sempre, para o caso de chuva e pé molhado), eu coloquei 5 livros lá hoje: contos do kafka, mrs. dalloway em inglês (não que eu algum dia vá conseguir ler), pequeno príncipe em alemão (meu irmão pergunta toda hora se eu quero ser miss), um livro sobre darwin e um resuminho do a hora da estrela, porque eu quero ver oque esse bando de adolescentes absorve da grande obra (falei que nem o gui se referindo à deusa, agora) ou seja. eu sou louca. indecisa. no ônibus arrisquei o darwin, bem legalzinho, até. estou entrando no clima do mrs. dalloway, daqui a pouco eu arrisco algumas linhas. sabe?!...
eternamente insatisfeita, deve ser isso. nas duas últimas semanas, não parei de reclamar do estado de abandono em que se encontrava essa universidade, não tinha ninguém ninguém. e hoje eu tive de desviar de pessoas na frente do banco (que estava com uma fila surreal) e no bandejão, então, quase viram uns três ou quatro pratos de feijão em mim no caminho da farinha até a mesa. eu, hein. multidão, tô fora. sabe?!...
10.1.05 hoje é dia 10 de janeiro. há um mês, o dia era 10 de dezembro. tchu-ruru sabe?!...
Repostagem quotation "A word is dead/When it is said,/Some say./I say it just/Begins to live/that day" Dickinson "versão alegre" do pessimismo do marcelo, definição dele. para mim, versão erudita da minha pieguice *** o post + o comentário da gabi = é isso. sabe?!...
toda literatura é de auto-ajuda - pretensão II Nem tudo o que escrevo resulta numa realização, resulta mais numa tentativa. O que também é um prazer. Pois nem em tudo eu quero pegar. Ás vezes quero apenas tocar. Depois o que toco às vezes floresce e os outros podem pegar com as duas mãos. - Clarice, em uma de suas crônicas. .quanto ao futuro. sabe?!...
toda literatura é de auto-ajuda - literatura e jornalismo Eu tinha medo de que escrever se tornasse um hábito, e não uma surpresa. E eu só gosto de escrever quando me surpreendo. Além disso, eu temia que, se continuasse produzindo livros, adquirisse uma habilidade detestável. Um pintor célebre - não me lembro quem - disse, certa vez: 'Quando tua mão direita for hábil, pinte com a esquerda; quando a esquerda tornar-se hábil, pinte com os pés'. Eu sigo esse preceito. - Clarice numa entrevista para a Veja. quando eu comecei a fazer estágio, eu tinha muito medo de fazer entrevistas e escrever matérias, porque eu nunca tinha escrito matérias. hoje em dia eu não tenho mais medo, só tédio. então eu ficava toda tensa e demorava horas para escrever um texto curto, enquanto conversava com meus amigos no messenger. então meu chefe disse que eu precisava me concentrar, e, quando eu ia escrever alguma coisa, desligava o messenger e escrevia em uma hora um texto normal - ainda não sei o que é um texto bom de jornalismo. o resultado é que eu não descobri dificuldade nenhuma, já sei o padrão, as regras, como começa, onde coloca as aspas, o intertítulo e tudo o mais. e perdeu completamente a graça. às vezes eu penso se não seria mais desafiador não me concentrar. sabe?!...
Começou assim, o comentário sobre o futuro do Guilherme. Se seria casado, onde trabalharia, se teria filhos. Então eu comento que o futuro que ele imaginou pra mim não corresponde ao que eu vou ser no futuro: cabelos curtos, escritora, boemia. E a Paulinha disse que não tem nada a ver mesmo. O Gui explicou que boemia era um eufemismo pra alcoólatra, porque ele acha que eu vou passar as noites acordada bebendo sozinha, lendo, ouvindo música. Essa parte romântica da história é bonitinha, mas não vai ser assim. E então a Paulinha: imagina, a Mari vai ter filhos, vai casar daqui a cinco anos, no máximo (...), vai ter festa... E também isso não tem nada a ver. E ela: lógico que tem, você é uma noiva! Foi aí, nesse ¿você é uma noiva¿ que a coisa pegou. Quero deixar bem claro que noivas são mocinhas bobas e ingênuas e frágeis e alienadas vestindo tule branco e cantando e dançando a marcha nupcial por aí. E a Lia falou baixinho: eu também acho mas não conta pra ela. Eu fiquei brava (era uma certa pontada no peito, eu que quero ser tão moderna, tão Natália, sendo chamada de dona de casa, praticamente), e saí andando na frente. E a Paulinha e o Gui começaram a cantar a marcha nupcial, pensando que eu estava desfilando de noiva. Não, eu não estava. E o Gui: você parecia uma noiva entrando na igreja, puta por ter descoberto que seu marido tinha ido numa despedida de solteiro. É. Eu acho despedida de solteiro uma coisa muito ridícula. Se eu fosse casar na igreja ¿ o que nunca vai acontecer ¿ e se eu descobrisse que meu marido teve uma despedida de solteiro ¿ o que também nunca vai acontecer, porque eu não casaria com alguém que faz despedida de solteiro -, eu andaria daquele jeito. E eu chego no trabalho, já traumatizada, e perguntou pro Tadeu se ele acha que eu tenho cara de noiva. Trechos da conversa de messenger: ¿mas é verdade. puxa, eu nem tinha reparado na sua cara de noiva, mariana. tem muito a ver com vc. casar com um advogado sério e ser uma dona-de-casa que passa o dia lendo romances e vivendo em terras da fantasia enquanto espera o maridão chegar do escritório. bem à moda antiga. daí vc vai engordar pra caralho e ficar com aquelas pelancas em baixo do braço, que balançam de lá pra cá quando vc dá tchau. aliás, pensando no seu futuro, vc já sabe cozinhar, coser, passar, lavar, essas coisas de moça prendada?¿ Mas saibam que o Marcelo não acha isso. Tchu-ruru. (ops, não posso sair cantando tchu-ruru por aí ou vão dizer que pareço uma noiva) sabe?!...
quando eu, indignada, fui contar à minha mãe o que tinha acontecido, ela disse que eu era chata e neurótica demais. william bonner tinha encerrado o jornal nacional avisando que conheceríamos finalmente quem tinha matado lineu. então eu leio isso, do Fritz Utzeri, no artigo ``Jornalismo ou voyeurismo?'', em 9 de junho, no JB: Tim Lopes foi vítima da imprudência quase criminosa das chefias de jornalismo da TV. Por que se arriscou? Para mostrar imagens de algo sabido, em nome do voyeurismo. Cenas de sexo de adolescentes e consumo de drogas em bailes funk. Isso vale a vida de um repórter? A Globo insiste em confundir jornalismo com reality show. O Jornal Nacional noticia a campanha da novela das oito e o Big Brother como se fossem notícias. A novela faz - supostamente - campanha contra as drogas (e é elogiada por isso), quando na verdade usa causa nobre para promover o voyeurismo mais escrachado e técnicas jornalísticas para alavancar o ibope de sua dramaturgia. sem mais... sabe?!...
toda literatura é de auto-ajuda - jornalismo II "Nesse tempo passei a dividir as pessoas em duas categorias: 1-as que gostavam de Fidel e eram sempre boas e puras e idealistas; 2-as que sabiam fazer o lead e o sublead." - Roberto Drummond, no romance Hilda Furacão, comentando de quando o lead foi introduzido no jornalismo brasileiro, no começo dos anos 60. Minha mãe comentou outro dia que queria viajar pra Cuba. Mas minha mãe só quer conhecer Cuba, porque, se ela fosse jornalista, estaria no time dos que fazem lead, só para não gostar do Fidel. Eu posso aprender espanhol rapidinho. sabe?!...
toda literatura é de auto-ajuda - jornalismo I "Obrigado também pela adolescente que já fui e que desejava ser útil às pessoas, ao Brasil, à humanidade, e nem se encabulava de usar para si mesma palavras tão imponentes" - Clarice, em uma crônica, respondendo à carta de uma leitora que agradecia seus textos, tão iluminadores. O que me fez lembrar do primeiro dia de aula da faculdade (da segunda faculdade, de que eu ainda não desisti, jornalismo), quando a professora pediu que nos apresentássemos dizendo nome, escola em que tínhamos estudado, se tínhamos feito cursinho ou não e onde e por quê tínhamos escolhido jornalismo. A resposta da maioria das pessoas era "gosto de ler e escrever". Eu respondi: Escolhi jornalismo por causa de uma pretensão cidadã que eu tenho. Eu nem sabia que jornalistas tinham a famosa síndrome de Clark Kent. Nunca tinha escrito um texto jornalístico e já me comportava como uma jornalista. Ou só como alguém pretensioso demais. Jornalista talvez eu não seja. Quero ver deixar de ser pretensiosa. sabe?!...
e todo grande amor só é bem forte se for triste? Pontada de angústia. De concreto, a moça desceu do ônibus, tomou um café, passou quase duas horas na biblioteca lendo, mexeu no celular enquanto esperava a chuva diminuir, comeu um lanche, tomou chuva e foi trabalhar. Vocês não imaginam o que aconteceu enquanto isso. De não concreto. *** Só digo que o fim do livro Hilda Furacão é diferente do fim da minissérie e isso está me causando um sofrimento tão desmedido que eu estou me sentindo esquisita, com medo e vontade de me encolher num cantinho e chorar muito. Diriam alguns que é medo da felicidade. É, é mesmo. Felicidade demais assusta e os mais céticos acham que alguma coisa de ruim tem de acontecer, senão não é possível. *** Era daquele tipo de gente que acha que tem de sofrer para crescer, sofrer para aprender, sofrer para viver. O mundo, afinal, não existia sem sofrimento. sabe?!...
Meu Deus, o que será de mim? Penso nela e sinto vontade de cantar. Parece que estou é na porta do paraíso. Passei minha manhã lendo Hilda Furacão, do Roberto Drummond, na biblioteca da Letras. Estou na metade, acho, e quero terminar amanhã mesmo. Por hora, dois comentários (além do desabafo do frei Malthus daí de cima): 1. O narrador é interessante, vai e volta, fala de si em primeira e terceira pessoa, cita músicas, fala dos olhos de fumaça da Hilda. Mas enche um pouco: fica falando de personagens secundários e suas neuras quando tudo que queremos (eu, pelo menos, quero) é saber do padre atormentado pela moça linda. Ele conversa demais com o leitor; isso, em excesso, me irrita. 2. Eu não preciso crescer para querer ser como a Hilda (vide post antigo): ela tinha minha idade, 21 anos incompletos, quando virou Hilda Furacão. Eu teria 40 dias para fazer as pessoas terem vontade de cantar. Ignoro as pessoas, fico muito mais que satisfeita com uma pessoa só, e, que bom, ela já canta. E eu sou acompanhante na porta do paraíso. (satisfeita não é a palavra, porque remete à saciedade e a papel cumprido. eu fico mesmo com vontade de cantar) sabe?!...
chocolate muito doce, suco gelado, cabelo preso e shorts confortável, cazuza bem alto com direito a performances desafinadas, à espera da vez de usar o dvd para ver harry potter II sem legendas: mari tentando afastar pensamentos inúteis. sabe?!...
Haia ou Claricidade Mas é Clarice. Acabo de fechar o Cadernos de Literatura Brasileira dedicado à Clarice, quase chorando. São três da manhã e ela tem os olhos fixos em mim - parece loba, disse o Gullar. E é isso mesmo. Ela olha como quem analisa, comentou a Juliana, e o Marcelo acha que é gato. Eu fico olhando, olhando, analisando enquanto me permito ser analisada também, e por mim mesma. Eu queria ter nascido Clarice Lispector, que é um nome que já é pseudônimo, disse o Lêdo Ivo. Ela nasceu dia 10 de dezembro, e o meu nome é no máximo de jornalista. Clarice escrevia coisinhas em jornal para não morrer de fome. Hoje, talvez, os jornalistas devessem se arriscar em outra coisa para o mesmo propósito - e a fome é o que menos importa. Decidi, ainda um pouco indecisa ou influenciada pelo filme de hoje, que eu eu vou ter tudo publicado da Clarice e sobre ela. Vou aprender francês para ler os muitos artigos e ensaios que falam dela. Vou visitar o Arquivo Clarice Lispector do Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Quero um pouco mais dela. Agora, sem desviar dos olhos - descobri que eram verdes - com delineador, tenho vontade de chorar. Não foi fácil, e foi tão grande. Eu fechei os meus olhos - que não são verdes e isso é o de menos - e fiquei rindo sozinha quando li: "-Sai, ordenou ela ao cachorro. E voltando-se para mim: ele tem mania de ser gente. (E ao animal) - Vai, vai ser cachorro!" sabe?!...
para 2005 eu preciso de um pouco de auto-confiança, um dicionário bom de alemão, uma profissão que me empolgue e muita água. sabe?!...
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