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de mel


::felicidade irritante mode on::

mariana d., 21, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel.

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31.3.05

pessoal
a matéria dos ets está me deixando com mais medo do que eu imaginava que fosse possível
acabei de ouvir "a guerra dos mundos", aquele programa de rádio do orson welles, de 1938. fiquei apavorada.
eu, hein.

depois publico aqui a matéria e o making of.



sabe?!...


30.3.05

alguém me explique para que servem relógios adiantados, cada um tantos minutos diferentes, e eventualmente um deles que mostra a hora certa - mas claro que você não sabe qual.
hipocrisia horária.

(muito mal humorada por ter perdido o ônibus por segundos)

mau humor provoca dor de cabeça, descobri. que provoca mais mau humor.


sabe?!...


28.3.05

e nem teve chocolate.
mas foi muito muito bom, com sol, piscina, pescaria, baralho, rede, sofá e cama divididos.
o que dá saudade não é nem a leseira, não fazer nada; é não estar junto, 24 horas (menos os minutos do banho e alguns poucos da noite) todo dia junto.
mas hoje tem mais algumas horas. e alguns minutinhos amanhã.

eu quero feriado seguido de aniversário todo fim de semana.


***
se segunda-feira, dizem, é dia de mau humor, imagina uma segunda sem tudo que teve o fim de semana prolongado. é tortura. fiquem longe de mim que eu tô azeda.



sabe?!...


24.3.05

Armazém do Eugênio*
Mariana Delfini

Do lado de fora do teatro toca música lírica ou melódica. Na hora de entrar, um susto: quase tudo escuro, não fossem as luzes azul e verde, muita fumaça. À esquerda, o palco, uma mesa grande coberta por um pano da mesma cor das luzes e um baú. Do lado oposto, a platéia: algumas cadeiras de plástico e um sofá. Sentamos. Ele desce de uma escada antes desapercebida - passos cuidadosos, está olhando o público. A música acelera.

Boa tarde. Para quem não me conhece, meu nome é Eugênio e aqui é o meu armazém, onde eu fico inventando essas coisas todas que eu vou apresentar para vocês essa tarde. Coisas que vocês já viram, coisas que vocês nunca viram, animais que vocês conhecem, animais que vocês desconhecem, e muitas outras aventuras. Tudo isso de dentro da minha própria cabeça.

De dentro da cabeça de Carlos Cesare surgiu o Eugênio. Ele é o palhaço Branco, das definições de palhaços que existem: é aquele metido, que tenta fazer tudo direito, mostrar suas esperteza, força, qualidades. Por isso não usa tanta maquiagem quanto o palhaço Augusto, por exemplo, que é o tirador de sarro. Desenha o bigode, o cavanhaque, faz um alvo no lugar do nariz. Com o batom, duas bolinhas na bochechas. O rosto cheio de pó. Carlos é um pouco Eugênio: mostra sua inteligência, conta seus "causos" bem sucedidos e os que deram errado, os "micos", as participações em diversos projetos.

E, se como Branco, conta seus méritos, como palhaço - As pessoas falam que o palhaço é triste, né? - também fala dos obstáculos: Todo mundo da minha família faz um curso técnico e trabalha numa empresa e eu decidi ser artista. Tem que acreditar muito. Eu fiz anos de terapia... Você fica muito egocêntrico, pensa: "Tudo bem, ninguém acredita em mim, mas eu me acredito". Meu pai me dava uma ajuda, mas, no final, todos eles querem que você tenha uma segurança... Só pôr grade. Rimos juntos.

Pois muito bem, agora vou passar pela minha primeira metamorfose desta tarde. Música lírica: ele estala os dedos, dança. De vestido, câmara de ar transformada em peito da cantora lírica obcecada por limpeza. Pó? Inconformada com o pó, espana o baú, o público. A criança da minha frente comenta que ele parece um pato, e de dentro do vestido sai um ovo. Ave, um ovo. De Eugênio para cantora lírica e então para alguma ave que ainda não sabemos qual é: a metamorfose de personagens não começou com Eugênio, ele é o resultado final. Carlos era, vinte anos atrás, Cotonete, assistente do palhaço Orelhão. Quando a dupla se desfez, ainda em São José dos Campos, cidade em que nasceu, virou Arnold. Um dia assistiu a uma aula de dança e achou engraçado. Eu pensei em inventar um personagem para dar essa aula. E foi meio óbvio o nome, professor, Eugênio... Eu punha um casaco, uns óculos e dava a aula, bem North American... Usava óculos e dentes antes de mudar de figurino. A capa que usa na entrada do espetáculo atual foi ele quem fez, era a cortina de um cenário que usava.

Outra característica que Carlos emprestou para Eugênio é a invencionice. Ele cria seus números, desenha as idéias que tem, costura, serra, pinta, constrói, escreve, faz músicas, cenários... Agora eu tô tentando acabar as coisas, reformar uns bonecos... O primeiro deles surge no espetáculo depois do feitiço para acelerar a eclosão do ovo que tinha saído dele mesmo, ao som de "Kiss". É Zestruz, meu avestruz saltador, combinação de câmara de ar na cintura, um espanador de cada lado do corpo, meias levantadas, uma mola laranja de pescoço e uma buzina na ponta. Bé, bé. Os bonecos foram o começo de tudo. Eu fiz teatro de fantoche quando tinha 17 anos, no aniversário de um ano da minha irmã. Foi na janela de casa, com os bonequinhos que eu tinha. Eu tinha visto o teatrinho na escola da vizinha e fiz um igual. Foi fazendo shows e ficando conhecido e, apesar de também se apresentar sem fantoches, nunca deixou de fazer números com eles. Hipnotiza uma galinha para depois serrá-la ao meio, faz dedoches de animais, tem uma boneca de Madonna que usa em cabarés, foi o Mau e a Celeste do espetáculo "Raios e Trovões", de Sérgio Mamberti... Quando mexe com bonecos, inventa vozes para eles; parece que se diverte sozinho e que, se o estivesse mesmo, faria tudo igual. A segunda metamorfose é a da folha da lista onde o Zestruz tinha achado o número de telefone da mãe. Ela vira o barco do Hiroshimataro no número mais triste do espetáculo, para depois se transformar em origami e semente de tulipa.

Eugênio consegue provocar sentimentos variados. Em novos números vai apelar para o terror. Quem mais se diverte no espetáculo são os meninos; eles são a preocupação de Carlos. Eu acho os meninos totalmente abandonados de anti herói, de personagens para admirar. O que é nesse país o Tiririca? Um desdentado. Rodolfo e ET? Um débil mental. Sem falar nessas outras apresentadoras... Eu queria ser um malandrão, um anti herói, ser alguma coisa. Só nos resta ser super homens, sabe...

Depois do barco de Hiroshimataro, chegou a vez do papel se transformar em tulipa. Dobrando um pouco mais, vira tulipinha. Depois tulipsquizinha. E então... Tu! Já está tão pequena que virou semente de tulipas, que Eugênio planta numa bandeja verde, em cima de seu baú. O reaproveitamento é quase lema do espetáculo e do armazém: ver sob outros ângulos as coisas que existem. A transformação de alguns objetos em brinquedo surpreende a todos. O espanador tira pó e serve de asa, o sofá, onde alguém assistia TV, é disputado pelas crianças na platéia. Eu sempre gostei de reaproveitar, tudo aqui é de segunda mão. Eu mostro objetos que eram legais na minha infância e que eu acho interessantes para as crianças.

Água! Eugênio mexe o regador tentando molhar as sementes já dispostas na bandeja verde. Nada de água, nem com dança da chuva. Surge uma nuvem de tecido que insiste em não sobrevoar a plantação mágica, por mais que ele assopre. Que assoprar, que nada, não adianta. A solução é chamar alguma pessoa bem forte do público, quem sabe espremendo a nuvenzinha... O menino da minha frente ergue a mão insistentemente, muito antes de Eugênio precisar do ajudante. É ele que vai, o Christian. O público interage três vezes de forma mais ativa: segurando a corda para o avestruz saltador pular, tentando tirar chuva da nuvem e, mais tarde, ajudando a passar o nó de corda através da barriga de Eugênio. Depois do espetáculo, as crianças esperam para conversar com o tio Eugênio. Teve um menino que falou assim: eu achei fosse que nem televisão, mas é mais da horinha. Bastantes crianças do bairro vêem a peça, alguns já mais de três vezes.

Carlos se apresenta sozinho no palco e também faz quase tudo atrás dele. Eu sempre fiz tudo sozinho... Eu falo com o mecânico, penduro a luz, levo isso... Eu sou sobrecarregado. Até pouco tempo atrás, tinha ajuda de um garoto do bairro que contratou. Agora trabalham ele e Bebê sozinhos: enquanto ele se apresenta, Bebê faz a luz e coloca as músicas, além de ser diretora do espetáculo. Às vezes a esposa de Carlos, Paola Musatti, também atriz e palhaça, ajuda na iluminação ou na bilheteria. Gregório, o filho dos dois, acompanha o espetáculo e corre em direção ao pai no fim. É meu maior fã.

O armazém não começou como o teatro que é hoje; era apenas um galpão, alugado quando o filho de Carlos, hoje com dois anos, nasceu e ocupou o quarto que servia de depósito de fantasias, caixas de madeira, brinquedos. Quando ele e sua sócia, Bebê de Soares, decidiram apresentar o espetáculo "O Pequeno", o diretor que veio da Alemanha achou aquele o local ideal. A maioria das pessoas leva um choque quando entra. Não é mesmo um teatro convencional: as paredes não são pretas, não existe um palco mais alto, isolando público e artista, as cadeiras são de plástico e ficam em volta de um sofá, nada de tapete no chão e estofado nas poltronas.

Depois de usar as duas cobras - hipnotizadas: Cibele e Silmara, durmam! - para fazer a mágica do nó que atravessa sua barriga, uma digressão: a volta às tulipas. Ah!! Tulipas! Vamos aproveitar! Entre a plantação das sementes e sua transformação em flores, no fim do espetáculo, Eugênio volta às tulipas duas vezes, inserindo as delongas da jardinagem nada acalmante. Carlos é artista completo: fez curso de dança, teatro, pintura, violão, canto, sapateado... Sempre o melhor aluno. Outro dia um cara táva aprendendo sapateado. Vanguarda... É, é vanguarda, mas eu já fiz isso há quinze, dezoito anos... No meio de um número, pode aparecer fazendo passos de sapateado ou dançando uma melodia mais arrastada. Ele tem atividades paralelas ao espetáculo no Armazém. Dia 12 (de julho) estreou a mesma peça no teatro Crowne Plaza, o que lhe rendeu destaque em revistas e jornais. Faz festas infantis, festa de supermercado, de empresa, participou do Show de calouros do SBT, foi dublador do "Qual é a Música?", participou de programas da Eliana, era a Dona Eulália na Rede Mulher, fez vídeos infantis, concorre a trabalhos de ator em testes marcados por sua agente.

Para esse próximo número, eu inventei esse mecanismo: uma barra de ferro - meio enferrujada, mas que serve - de mais ou menos três metros e meio. Nessa barra, estão fixas três roldanas estrategicamente posicionadas, por onde passa essa corda amarela número três, sete metros dela. Tudo isso para mostrar duas bexigas presas na barra de ferro. Em cada bexiga, os números um e zero de fita adesiva colados, pretendendo que cada uma pese dez quilos. Ao som de "La Comparsita", Eugênio se exercita: com as duas mãos, com uma, girando a barra. Vai até o baú e, com o pote de tinta na mão, aumenta o peso da barra: mais um zero de cada lado, e o total é de duzentos quilos. Dessa vez não consegue levantar com facilidade e fica preso debaixo do alteres. Fácil, descola o número um do peso direito e sai fazendo pose. Isso daqui é totalmente desenho animado. Lembra quando o Patolin vai na praia com a namorada e aparece um pato bem fortão? Daí ele vai fazer peso e faz ¿puuuuuum¿, vai lá pra cima, porque ele faz com peso de ar, né? É. Eu tenho influência de desenho animado, essas coisas de TV. Também se inspira em um grupo francês que se apresentou no Festival Internacional de Teatro de Londrina, em 92. No final, o palhaço tinha uma mochila nas costas, vinham ele e a parceira, ele pegou na mão dela e fez assim: abriu a maleta e saiu uma asa mecânica, que ficou balançando, mexendo... E ele foi abrindo caminho pelas criancinhas e foi embora na rua. Irrealidade, surrealismo. Nas apresentações de palhaços internacionais, reconhece que seu trabalho está no caminho certo. No espetáculo dela tinha uma nuvem, tinha um rio, tinha um alvo igual eu faço no meu nariz, mas ela faz no peito.

Uma outra coisa que eu ía contar pra vocês é que eu sou um grande nadador, sabiam? Eu nado tanto e tão bem que eu tinha até resolvido fazer um número vestido de foca. Mas vocês sabem que a foca só mergulha até 15 metros de profundidade? Isso é pouco para mim, eu sou um ator profundo, precisava de um outro animal que mergulhasse um pouco mais. Então eu descobri uma prima da foca que mergulha até 90 metros de profundidade. Então eu mudei para a morsa.

Foca, morsa, avestruz, cobra... E mais centopéia - um dia ainda vou chamar todas as crianças para colocar os dedinhos e eu vou com a cabeça na frente-, cachorro - Já viu uma caixa, no circo tem muito, "Cuidado, animal selvagem". Daí chega um cara vestido de caçador, ele entra lá e sai todo rasgado. Na hora que ele puxa uma corda imensa sai um cachorrinho... Eu quero fazer uma versão assim, eu entro e saio rasgado. Daí eu ponho a perna e rasga. Daí eu ponho de novo e sai um babado, de mambo. Daí eu ponho a outra, rasga, daí eu ponho e sai babado. Na hora que eu puxo sai a cachorra vestida de rumbeira-, mais cobra - Eu estava inventando um tecido de plástico, virou uma escama. Eu pus uma touca de natação, de látex, verde, tampava o meu olho, e duas bolas de ping-pong, o olho da cobra, fazendo as vezes do oclinhos de natação, e uma língua de sogra.

Não são lindas as minhas presas? Aliás, essas presas é que são o problema. Os caçadores matam as morsas para arrancar esse par de presas de marfim e esculpir um souvenir, de gosto duvidoso, para juntar ácaros em alguma estante. Com ou como animais, Carlos já participou de vídeos infantis, fazendo a cobra de escamas de plástico e um caranguejo. Está planejando um número em que mostra o guarda-roupa de uma cachorrinha.

Chega finalmente o número do homem elefante marinho adestrado. Eu continuei pesquisando, eu pesquisei muito, olhei em muitos livros sobre o fundo do mar, um monte de coisas e finalmente encontrei um animal, um parente da foca que consegue chegar até 900 metros. É crianças, isso é bem profundo. Quase um quilômetro! Um animal que convive com cachalotes, um animal que conhece as profundezas do oceano. Então, crianças, para abrilhantar essa visita de vocês ao teatro e ao armazém, eu apresento uma coisa inédita. Ao vivo e em cores, direto do meu armazém, o homem elefante marinho adestrado! Eugênio começa a se mexer e a se jogar e a pular, para delírio das crianças. Ele grita em cornetas, faz barulho com chocalhos, fica de ponta cabeça... Então cai.

Crianças, tudo é lindo e maravilhoso mas eu cheguei a uma triste conclusão: o meu corpo já não acompanha mais a minha mente. Falsa modéstia de Eugênio, ou talvez de Carlos, que, mesmo suando e ofegante, ainda tem muito fôlego para contar suas histórias de vinte e um anos de carreira.

As tulipas resolvem florescer. Tulipas! Oito! Eu sou pai de óctuplos! Tunísia, Teresa, Taís, Talita, Tatiana, Ticiane, Telma, Tábata. Eugênio caça borboletas. Muito bom. As tulipas floresceram, as borboletas voltaram, vocês vieram conhecer o armazém. É! Nada é impossível. Com essa certeza, Carlos já montou a vinheta de abertura do programa que quer ter na televisão. Têm outros projetos, sempre relacionados à arte e a crianças, como livros e vídeos. Por que eu sou artista? Porque eu quero mostrar para o mundo que existe essa opção. Claro que eu não quero que os jovens sejam militares. Não quero, acho terrível, mesmo. Só de eu existir já é uma outra coisa. Existir como eu mesmo. Tem que acreditar.
Todos aplaudem e levantam. Obrigado a todos!


*Reportagem feita em julho de 2004 como trabalho final para a disciplina Narrativas da Contemporaneidade



sabe?!...


23.3.05

...o que importa mesmo, beibe, é amar.
vem que eu estou esperando; me abraça e leva todo cansaço para muito longe, e a noite vai ser inteira nossa. no mundo todo.



sabe?!...


22.3.05

calça jeans, camiseta branca, tênis, mochila nas costas, cabelo preso em rabo de cavalo.
uma jovem normal.




sabe?!...


21.3.05

Amém
No começo da Semana Santa, peguei meu livro "Diário de Anne Frank" e lia enquanto esperava o ônibus. Ao chegar no ponto, o ambiente conhecido: algumas pessoas paradas, quietas; os três vendedores de passe de jaleco azul andando de um lado para o outro; a necessidade de esperar o semáforo fechar para poder atravessar entre ônibus estacionados e vans fretadas. Escolhi o lugar perto do vendedor de passe que traz no seu jaleco a inscrição "Jesus" - a outra vaga era do lado de uma fumante com criança de colo.

Depois de vinte minutos, já tinha lido as restrições aos judeus em 42, imaginando que a garotinha de doze anos que escolhera cada palavra daquelas nem imaginava o que estaria por vir. Nada de ônibus. Passaram todos os urbanos possíveis, agora dois reais a passagem. Era cedo, ainda, nove e pouco; quem trabalha, já estava trabalhando, quem estuda, já estava na segunda aula, quem não trabalha, não tinha motivo para estar de pé. Cobrindo o banco com um pedaço de caixa de papelão, Pedro sentou do meu lado para ler a bíblia. Dei pouca importância, era o que fazia sempre. Levantou e voltou em seguida, dessa vez com o jornal da cidade aberto em uma página central. Você acha que vai chover? Não esperava nenhuma pergunta, pedi que repetisse. Olhei para o céu, não importa se vai chover ou não, importa que eu não tenho ônibus. Não tinha passado e nem passaria. Quando ia dizer qualquer coisa, em reposta à sua pergunta qualquer coisa, ele perguntou se eu tinha religião. Se eu não tivesse lido seu jaleco ou ouvido pregações anteriores suas, cortaria o assunto e voltaria para casa, quem sabe ler sobre os pretendentes de Anne Frank deitada na minha cama, com o dicionário de Alemão ao lado. Mas eu sabia que ele me falaria do inferno, usaria palavras sofisticadas, sorriria para mim. Não, não tenho, eu não gosto, acredito na ciência.

Ele sorriu. Perguntou se eu acreditava que um travesti poderia voltar a ser um homem normal. Primeiro pensamento foi, naturalmente, sobre preconceitos. Respondi que travestis eram homens normais. Ele sorriu e repetiu a pergunta. Também repeti a resposta. Outro sorriso, sorte dele que eu tinha dormido bem aquela noite. Você acha que travestis podem ser curados? Eu que sorri, irônica. Não são doentes para serem curados. Trocamos alguns sorrisos, os dois inteligentes achando precisar mostrar ao outro a verdade. A AIDS é doença, não é? Então, eu fui internado em 1994 com AIDS e hoje não tenho mais nada. Me assustei um pouco, não com a possibilidade de ele ter sido curado, mas com a abertura daquele homem que eu vejo todo dia de longe, recebendo moedas das crianças que compram suas balas e chocolates. Disse que era travesti, quase mulher - tinha peitos grandes, até -, estava doente. Então Jesus o limpou, o ajudou, tirou tudo de ruim dele. Mostra o braço, querendo que eu enxergasse algum arrepio de emoção. Hoje ele é um homem normal. Normal entendido como saudável e não homossexual, claro.

Falou de evolução, homem vem do macaco, para dizer em seguida que o que os cientistas estudam é a obra de deus, que eles não enxergam porque o anticristo colocou um óculos de cegueira neles, para enganar. Enquanto falava da alma nas árvores, nas baratas, nos homens, mexia os braços e eu tentava enxergar nele um travesti, maquiado. Tinha olhos bonitos, amendoados, cílios compridos. Tem cerca de 40 anos, nenhum peito saliente, só um pouco de barriga. As marcas do rosto me explicou um pouco depois: tinha levado um tiro quando transava com um homem. Entrou pela parte de trás do pescoço e saiu pelo nariz. Eu tinha muitos inimigos, mas agora não tenho nenhum.

Era pena o que ele sentia de mim, por eu não estar tentando me salvar. Eu não sabia com que expressão olhar para ele. O que eu sentia? Um misto de admiração, surpresa e decepção. Um homem muito inteligente, com uma história de vida fantástica, que caminhava, no entanto, para uma negação de si, repetindo de uma verdade construída em que ele acreditou por precisar acreditar em alguma coisa. Eu não podia mais discutir, as palavras dele ultrapassavam o campo da lógica, eram fé. Enquanto articulava frases complexas, palavras de pregação, olhava para o nada, e eu tive impressão de estar ouvindo uma gravação reproduzida por um robô. Vomitava tão rápido que não era possível que pensasse no significado do que dizia. Um pouco mais tarde falou de lavagem cerebral, alterando um pouco o sentido: tinha ganhado uma alma nova de Jesus. Eu deveria sorrir ou chorar?

As explicações para os acontecimentos do mundo estavam na bíblia ou nas palavras dos pastores. O tsunami recente, por exemplo, estava previsto. Dissertou sobre placas tectônicas e seu movimento, para então abrir a bíblia e ler o trecho premonitório. O inferno, ele disse, existia, tudo comprovado pelos cientistas. Eu sabia o que viria a seguir: a explicação de quem a Terra embaixo de nós é muito quente. Quando ele disse isso para o senhor que estava ao meu lado, um mês antes, ele ficou impressionado, ainda mais quando Pedro contou ter visto no Fantástico. Foi o que ele me disse: cientistas enviaram sondas, ele não lembrava se o inferno ficava a 25 ou 30 quilômetros abaixo de nós, mas sabia que lá se ouviam muitas vozes e gritos, e todos nossos inimigos se encontram lá. Quem tinha dito isso era o pastor Edir Macedo: ele comprou a fita direto dos cientistas e mostrou na igreja.

Também existe explicação para o enriquecimento dos pastores: eles são pessoas iluminadas que conseguiram entrar em contado com Deus, e por isso têm sucesso. Ele, Pedro, ainda não tinha conseguido isso, apesar da sua sensibilidade estrondosa, que nem exigia que ele fechasse os olhos para ver Deus. Mas trabalha bastante e sabe que seu dia vai chegar, quando finalmente vai ter a alma toda recarregada ¿ que nem bateria. O desemprego, a fome, homem que vira mulher e mulher que vira homem, roubos, tudo é obra do anticristo. Que são os Fredy Krueger da vida, sabe?

Quem o avisara de que ele deveria falar comigo, inclusive, tinha sido Jesus. Vi você sentada, todo mundo indo embora, menos você. Voltei aqui e você não tinha ido. Era que eu precisava conversar com você, tinha um motivo. Tinha: meu ônibus não passou. Era a minha deixa, preciso ir embora. Frases de adeus e benção e desejo de sorte vomitadas. Amém (evangélicos dizem "Amém"?).



sabe?!...


18.3.05
recorrente
depois de vencer seu medo, a repórter se aproxima de rosto inchado da sala em que fará a entrevista. entra sem olhar para o ser cinzendo que a espera. senta longe, de lado para ele, e mantem o olhar fixo em um círculo imaginário que construiu em torno de si, para notar qualquer aproximação. gagueja:
-oi, pois não?
segundos de ansiedade esperando alguma reação. ele/ela reage.
-brwubrwabrwubrwa
-(ele fala!)
desmaia.

***
essa é a entrevista que eu faria com um ser extraterrestre.
dizem que o humor é um jeito de afastar o medo.
sei que eu escolhi o tema "medo de ets" porque eu tenho tive medo deles. e estou me deparando de novo com fotos de autópsia, fotos de ovnis, explicações, causos... e hoje no ônibus estava passando missão marte. eu assisti, porque eu tinha ido no cinema ver isso e sei que o et só aparece no final. e jundiaí é bem perto de são paulo. hehehehe.

vamos ver o que sucede.


sabe?!...




please rock me back to sleep
this love is more than i had bargained for
i'll be dammed if i'm to wake
this is far more than i'm equipped for

(de novo. toda semana, todo dia. sempre)


sabe?!...




é uma grande hipocrisia isso de casual day. não sei se significa pode ir relaxando, hoje já é sexta ou olha, já está perto do fim de semana, mas trabalhe um pouquinho mais hoje. eu acho patético.

tudo porque hoje eu estava esperando meu ônibs ao lado de um cara que trabalha todo dia de terno cinza, sóbrio, eu tinha um pouco de medo dele. e hoje ele estava de calça caqui e camisa clara. quando o vi, pensei que ele estava mais simpático, parecia feliz, mais leve... então lembrei que era sexta e as empresas/escritórios têm mania de casual day. entendi logo.

(por que ele não pode parecer leve e simpático e feliz todo dia???)


sabe?!...


16.3.05

se enfiar nos livros costuma ser uma solução (solução????) para os problemas do mundo.
hoje, um pouco (muito, eu confesso) de análise do discurso. amanhã, teoria de jornalismo. na segunda, jornalismo científico.
e meu projeto vai sair rapidinho.

tchu ruru


sabe?!...


15.3.05

desassossego
Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrámo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher.
...
Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuímo-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora. Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos propriamente vida. Não tendo uma ideia do futuro, também não temos uma idéia de hoje, porque o hoje, para o homem de acção, não é senão um prólogo do futuro. A energia para lutar nasceu morta connosco, porque nós nascemos sem o entusiasmo da luta.




sabe?!...




eu estava passando pelo corredor no intervalo da aula, comendo, procurando uma professora, sem muito o que fazer, e elas perguntaram o que eu tinha. a lia e a paulinha disseram que eu estava elétrica, nervosa, tensa ou ansiosa, não sei. não, eu não estava nada. pensei se tinha ficado irritada com o atraso daquela manhã - meu ônibus parou em plena anhangüera sem combustível, ficamos uma hora (eu fiquei colocando o sono em dia) parados esperando um resgate do próximo ônibus em direção à usp. não, eu não tinha ficado nervosa, dormir é bom, mesmo quando sentada e babando no banco, vendo pela janela entre um sonho e outro um morro com graminhas úmidas da noite anterior.

concluí que eu estava empolgada demais, ansiosa para o retorno da aula que tinha sido eleita por mim a melhor da faculdade: livro-reportagem. no mesmo dia da primeira aula eu comprei os livros indicados, obrigatórios ou não, comecei a ler e fazer anotações, pesquisei na internet. a aula ia em um ritmo mais lento, ainda com pouca teoria, dando tempo para que todos achassem o livro base e começassem a leitura - as pessoas não gostam de teorização, normalmente. eu não tinha ido na aula de literatura comparada para poder participar desde o início da aula no jornalismo. queria mais conteúdo, mais rápido, mais aprofundado. queria mais.

de volta na sala, depois de todos acomodados, o professor explicou o motivo da aula que tinha começado excepcionalmente à oito, coincidindo com as explicações que eu teria sobre borges na fflch: ele vai para a itália em maio e só teremos aula até o fim de abril. a solução encontrada foi dobrar o número de aulas nessa metade do semestre em que nos encontraríamos.
pontada. mordi o lábio e desviei os olhos de quem pudesse me olhar e perceber que estava quase chorando. um golpe, bem seco, exatamente no meio da minha animação com o jornalismo, com a faculdade. pensei na hora que talvez eu devesse voltar atrás e fugir para a alemanha. ou talvez só para o outro lado da rua, na letras. ou para o fundo do meu travesseiro, sufocar no meio dele toda a frustração e todas as expectativas que eu consegui tornar enormes em apenas uma semana de intervalo entre apresentação do conteúdo e hoje.

eu cansei de esperar demais.

(editado: depois de escrever isso e sair para almoçar, descobri que também espero demais das pessoas. imagine só, esperar que se lembrem de mim!)


sabe?!...


13.3.05

ainda não me acostumei com a idéia de que vou poder fazer das minhas tardes o que eu quiser. por exemplo, assistir aula de fernando pessoa. ou ir ao cinema. ou dormir. ou ficar lendo. ou tomar sorvete. ou fazer visitas. ou nada.

ai,ai.




sabe?!...


11.3.05

derradeira
só para dizer que não vou mais escrever no blog daqui.
do trabalho.


sabe?!...


10.3.05

should i stay or should i go
essa questão está quase definida: digam a todos que fico. ou acho que fico.

mas no meu trabalho, ah, lá eu não fico, não: amanhã é o último dia. não vai ter festinha, mas isso não é um problema: vou sair de lá, encontrar o namorado, beber cerveja, show de moças cantando chico etc.

e na segunda, se der tempo, começo pesquisas para iniciação, aula sobre desassossego, leituras de literatura comparada, mais teoria de jornalismo literário... eu quero, eu quero muito.

vai ser tudo ótemo.



sabe?!...


9.3.05


ideograma chinês para crise, composto pelos símbolos de perigo e oportunidade


sabe?!...


8.3.05

TPM

sempre assim, altos e baixos. hoje é o dia tpm-top-oh-yes. a manhã foi maravilhosa, quase só de literatura. no trabalho, tudo estava bom até pouco depois de mandar um email empolgado. daí eu tinha de trabalhar, não recebia resposta, paranóias atacaram. fiquei na fila do xerox quase meia hora, malditos bixos. e então a indecisão, alemanha ou não, muitas crises. no fim do dia alguma felicidade: a hora de ir embora. sabe quando você se sente feia, e a última pessoa que você quer encontrar, você encontra, e ela está sempre arrumada? pois é. quase comecei a chorar. no ônibus conversinhas, melhorei. crise de novo quando cheguei. e então um presente de dia da mulher, "você já notou como está bonita hoje? seu sorriso, seus cabelos, seus olhos brilhantes... tudo isso mostra sua beleza, que realça e aumenta a cada dia. e faz de você simplesmente única", um marcador de livro com esses textinho estilo paulo coelho. em que dia, se não hoje, eu ficaria mais em crise por causa disso?


sabe?!...


7.3.05

Spring sweet rhythm dance in my head
Slip into my lover's hands
Kiss me oh won't you kiss me now
And sleep I would inside your mouth





sabe?!...




eu era assim

quando eu chegava no parquinho, eu corria e me sujava na areia. lembro que eu chegava em casa suja e cansada. quando uso sandália e entra areia, eu sinto meu pé sujo como naquela época, e acho que estou cansada e preciso de um banho, jantar e cama. quando a gente descia a escada de caracol para o parquinho, todo mundo fazia um coro cantando aleluia, e a gente nem tinha idéia do que isso significava, mas achava que era sinal de que alguma coisa boa finalmente tinha acontecido. nos dias da escolinha, eu só brincava de massinha, desenhava, tentava escrever palavras, fazia casinhas de boneca com proteção de isopor de televisão, pintando de rosa (e a cúpula do abajur era tampinha de pasta de dente, e a cama e os sofás eram caixinhas de fósforo), fazia pulseirinhas de linha, brincava de bambolê e tomava lanchinho forrando a mesa com as toalhinhas que minha mãe mandava na minha lancheira (primeiro as de plástico, depois as de pano da pakalolo).


...e a mochila da pakalolo era colorida do lado de fora e cinza por dentro. tinha quatro bolsinhos, dois de cada lado, e um zíper fechava tudo. a alça era cinza também. algumas tinham desenhos do pato donald, mas eu gostava das que só traziam pakalolo escrito. eu levava meu lanche lá dentro: sempre coisinhas saudáveis. quando eu entrei na outra escola, eu não queria mais ter lancheira, meus colegas descolados e riquinhos não levavam lancheira, compravam salgadinhos e refrigerante na cantina, e eu achava o máximo comprar comida na cantina e esperar o troco. só não era bom quando tinha muita gente, porque eu era pequena. a minha prima não levava lanche na sacolinha da pakalolo: ela levava as fitas e o walkman. ela gravava muitas fitas com músicas românticas e outras meio bregas, eu lembro que tinha madonna e roxette.


...tinha também a maletuxa como recipiente para guardar coisinhas. era de plástico cor de rosa e a alça e o fecho eram cinzas. ao abrir, uma bandejinha subia junto com a tampa, como uma caixa de pesca para mocinhas. nessa bandeja, muitas divisórias bem pequenas - a bandeja também era cinza. na tampa tinha um espelhinho. o mais legal da maletuxa é que vinham alguns adesivos dentro, e nenhuma menina tinha uma maletuxa igual a de outra, porque os adesivos eram letrinhas divertidas, e tinha gente que escrevia o próprio nome (nomes já são um universo pouco restrito, por mais marianas da minha idade que existam). também tinha beijinhos da xuxa. um trauma não concretizado meu é não saber fazer biquinho de beijo, eu nunca poderia beijar a câmera e deixar marca de batom se eu fosse apresentadora infantil. quando eu fiquei viciada em brincar de barbie, e só fazia isso o dia todo, eu passei a usar a maletuxa para guardar apetrechos. na bandejinha eu guardava os sapatinhos, que são problemáticos - toda menina sabe como é fácil perder um dos pés do sapato preferido e não poder mais usar. como as divisórias eram pequenas, eu guardava os especiais sozinhos, e os normais e as botas ficavam juntos numa divisória maior. as bolsinhas também ficavam na parte de cima, quando eram pequenas (de festa, por exemplo). embaixo eu deixava os ítens maiores. minha mãe comprou pra mim, quando eu já era grandinha e quase tinha parado de brincar de barbie (não vou dizer quantos anos tinha porque brincava até outro dia), uma coleção de coisinhas coloridas fantásticas: utensílios de cozinha. tinha batedeira, liqüidificador, potinhos... eu também tinha pratos e talheres de outras coleções, como aquela que tinha quatro mesas e cadeiras dobráveis que formavam um círculo quando a gente juntava para fazer recepções para as amigas barbies e, claro, os kens. um pouco antes de guardar coisas de barbie na maletuxa, eu guardava mamadeiras, babadores e lencinhos das minhas bonecas grandes. eu gostava também de brincar com bonecas grandes, mas barbie sempre foi mais divertido, porque eu podia montar e desmontar a casa dela, fazer viagens, ter namorados, trabalhar só quando eu não sabia o que fazer com ela, fazer jantares para os amigos e trocar muitas vezes de roupa.





sabe?!...




...e ontem o marcelo achou um cabelo branco em mim.
não era loirinho, não, era branco branco.
foi um choque.




sabe?!...


6.3.05

nos últimos dias...
eu fiz uma aula experimental de violino: toquei uma escala, vi a apostila do método da professora, desisti quando soube o preço. talvez eu procure outros lugares, se eu não for para a alemanha em cinco meses.
fiz uma aula de alemão, essa eu vou continuar até não suportar mais não ter sábados.
vou começar a praticar squash.
viro uma desempregada na sexta-feira, mal posso esperar.
pensei em um projeto de iniciação científica, na quinta vou saber melhor se é possível e se é desejável.

*sim, esse post tem o objetivo de fazer pensar puxa, que menina empolgada. vou ficar relendo*


sabe?!...


3.3.05

Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

***
sempre as indefinições. iniciação científica ou iniciação no mundo? tocar música ou ser tocada pra longe de todos? fazer jornal ou escrever? não consegui entender ainda qual é melhor


sabe?!...


2.3.05

please rock me back to sleep
this love is more than i had bargained for
i'll be dammed if i'm to wake
this is far more than i'm equipped for




sabe?!...


1.3.05

...................I hear you're counting sheep again Mary Jane
............What's the point of tryin' to dream anymore
..I hear you're losing weight again Mary Jane
.............................Do you ever wonder who you're losing it for


sabe?!...




and they wonder why you're frustrated/and they wonder why you're so angry/is it just me or are you fed up?



sabe?!...