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de mel


::pré-tpm::

mariana d., 21, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel.

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28.4.05
ainda resta uma esperança
ainda bem que eu encontrei o jornalismo literário: como jornalista científica, eu seria uma ótima desempregada.
(reflexão depois de ter escrito uma matéria sobre buracos negros)


sabe?!...


27.4.05

o que é a nossa memória e nossa capacidade de adaptação.
entrei agora no site do meu ex-estágio e imediatamente relembrei todos os cheiros de lá. quem sabe do que estou falando entende que não pode ter sido uma das melhores experiências olfativas.
(se fosse só o cheiro de café da dona maria, ou o elevador um pouco embolorado, ou cheiro de vento fresco, tudo bem. mas não)


sabe?!...


26.4.05

o que eu queria, eu bem sei, era esse frio por dias de não compromisso. acordar tarde debaixo de edredon e nem saber se é manhã, tarde ou noite, porque o dia é cinza e chove, e não importa o que o relógio está marcando. de todo jeito vai ter pão com queijo derretido, chocolate quente, chá, pipoca, chocolate, bolacha, água, cappelleti ao brodo. sex&thecity, rede, sono no meio da tarde, muito carinho, qualquer filme para passar de desculpa. então é preciso levantar um pouco para buscar mais um filme na locadora: meia grossa, sapatinho novo, calça, blusa muito grossa, cachecol, casacão. o vento é tão frio que o nariz e as orelhas não se sente mais, e bagunça todo o cabelo. esfregando uma mão na outra ao chegar nas estantes dos seriados, mais um enlatado (erótico) americano? ou quem sabe toda a seqüência de star wars, ou de harry potter, ou de senhor dos anéis, ou...? tanto faz. hoje pode até coca-cola, mas está tão frio que é melhor dar uma passadinha na lanchonete do lado e tomar café com chocolate derretido - o de sempre, ana, mocca na caneca. entra correndo no carro, friofriofrio, brrrrrrrr. entra correndo para debaixo do edredon, liga a tv e fica abraçadinho esperando o frio passar.*

quando vai chegar o frio de verdade?


*...uma vez que aqui não tem neve, nem banheira de água muito quente no meio da neve...


sabe?!...


25.4.05

começou a chover. a janela está fechada e eu sinto cheiro de chuva, barulho de chuva, mas não vejo a chuva. tem sido assim nos últimos tempos: eu sei que existe um problema, ele afeta todo meu dia e às vezes minha semana mas eu não olho direto para ele, não encaro para tentar resolver. isso porque eu sou fraca, tenho medo de me molhar. eu não sei o que posso fazer para resolvê-lo, então melhor nem tentar.

para não pensar nele não é suficiente me ocupar de outra coisa, já não existe alguma coisa que me ocupe e não me faça pensar nele (só nos fins de semana eu consigo, mas a semana também é feita de segundas, quartas, sextas). então eu durmo. sem sono nenhum, eu consigo cansar meu corpo para dormir: só colocar a cabeça bem fundo no travesseiro, fechar os olhos. durmo.

mas amanhã existe um dia todo pela frente, de compromissos, decepções, despedidas, desânimo. mais cobranças minhas, um dia a menos para o prazo final. quem disse que amanhã eu não vou dormir?



sabe?!...


24.4.05

domingo à noite: mini shorts, blusa de frio, cabelo crespo, na frente do computador. se eu fumasse, estaria fumando.
por que eu me identifico tanto com algumas coisas que assisto? será que a necessidade de identificação faz com que a gente mude alguns comportamentos nossos? ter ídolos é encontrar um modelo para seguir?

(e por que eu insisto em colocar uma pergunta aqui, só para ficar mais ainda no padrão?)

:)


sabe?!...


20.4.05

Eles estão entre nós
Mariana Delfini

Um minuto! Algo está acontecendo! Senhoras e senhores, isto é assustador! A extremidade da COISA está começando a abrir. O topo está começando a rodar como um parafuso. A COISA deve ser oca. Ela está se mexendo. O diabo dessa coisa está se desparafusando. Para trás, vocês aí, para trás, estou dizendo.
(barulho de pedaço de metal caindo)


Botão de pause apertado com pressa. O que estou ouvindo é a versão brasileira do programa de rádio de Orson Welles. Em 30 de outubro de 1938, o radialista dramatizou uma adaptação do romance de H. G. Wells, Guerra dos Mundos, e apresentou na rede CBS (Columbia Broadcasting System) um programa de ficção. Na edição daquela semana, simulava a programação normal de músicas interrompida por boletins ao vivo que informavam a invasão da Terra pelos marcianos. Calcula-se que cerca de seis milhões de norte-americanos ouviram a peça de Halloween que Welles pretendia pregar em seus ouvintes. Um milhão de pessoas ficou perturbada. Milhares deixaram suas casas, fugindo das cidades; houve prejuízos materiais, acidentes em série e tentativas de suicídio, tudo causado pelo pânico. Sessenta anos mais tarde, a Associação dos Artistas da Era de Ouro do Rádio de Pernambuco produz um CD com a versão brasileira do programa que marcou época na história do rádio. É ela que eu ouço, sozinha em casa. As músicas que resultam em intervalos entre as notícias produzem um efeito aterrorizante: queremos saber tudo que está acontecendo, mas é preciso esperar. Os efeitos sonoros são assustadores, muito reais. Sou praticamente transportada para Grovers Mill, Nova Jersey, de onde os acontecimentos são, na história, narrados.

Seria, para quase todos, apenas conhecer um fato da história do rádio. Ouvir uma narração de seres de outro planeta invadindo, matando e destruindo é, para mim, o maior pesadelo.

continua aqui...


sabe?!...


19.4.05

crise
começou com uma simples arrumação de gaveta: tirar o inútil, realocar coisinhas de acordo com suas novas prioridades (brincos e enfeitinhos na primeira gaveta, junto com máquina fotográfica, gravador e capinhas de cd esperando virar presentes; folhas em branco, muitas delas, e folhas especiais com envelopes, mais canetas, na segunda gaveta - ah, os incensos também; tesoura-cola líquida-cola bastão-clipes-grampeador-cera mais extratos do banco e papéiznhos necessários na terceira gaveta; na última, muitas fotos, discman e walkmans velhos).

o problema foi chegar na última gaveta e recolher fotos que estavam jogadas. achei um álbum e abri. primeiro ano da faculdade, primeiro juca. meninas com cara de crianças, sorriso de orelha a orelha; algumas ainda de cabelo comprido, algumas ainda sem sua turma. meninos com cara de moleques, todos de cabelo curto, melhores amigos. gente abraçada que hoje mal se fala. todos felizes. camiseta da faculdade, cerveja, brincadeiras.

estava tocando bach aqui, escolha do meu irmão. e eu comecei a ficar angustiada e angustiada. a faculdade já acabou, parece. não existe mais turma, os amigos mesmo são raros. não existe mais aquele sorriso, estão todos cansados, trabalhando ou procurando trabalho, pouca conversa, nenhuma bagunça. o meu tempo de faculdade, aquele de que todos falam - ê, tempo bom, você não sabe o que vem depois-, já acabou. passou rápido demais. começou a terminar quando os grupos se refizeram, um independente do outro, e aquele fala mal desse e este não suporta trabalhar ali com o outro. e nada mais de festas, cervejas, só grupos pequenos fazem isso. ninguém mais vai em festa, afinal, ficar vendo bixo se acabar de beber? beijar por beijar?

sobraram algumas fotos da turma toda junta, sorrindo na frente do ônibus, malas e ansiedades esperando para embarcar para a viagem da turma. também algumas fotos que tirei de pessoas específicas, meudeus, se eu soubesse que doeria tanto teria tirado de mais gente. pessoas que significam tanto para mim, cada uma com uma história, uma influência, uma frase meio rasgada, um medo...

não consegui continuar olhando para os meus amigos.


sabe?!...




eu sinceramente, do fundo do meu coração, não entendo a emoção das pessoas ao ser anunciado o novo papa. pessoas gritando, chorando, aplaudindo no vaticano. pessoas emocionadas.

se ainda fosse alguém moderninho, eu ficaria menos indiferente.
mas assim não dá.

alguém me explique, por favor, o que toda essa zona significa.


sabe?!...


18.4.05

porque eu sou charlotte, e ponto. mas sou cética como a miranda, quando não estou charlotte. com direito a questionamentos de carrie, sempre paranóica. e tenho meus momentos de samantha, aos fins de semana.

vocês sabem do que estou falando.


sabe?!...




...quando você pinta tinta nessa tela cinza...




sabe?!...




fim de semana erótico - resumo editado

-sex and the city: a blockbuster finalmente percebeu que colocar enlatados americanos à disposição poderia ser um bom negócio. nós, os pobres mortais sem tv a cabo, podemos dar risada e ter paranóias com as mocinhas do sex and the city por 12 reais, locação por cinco dias cada temporada. peguei a segunda (a primeira não estava lá) e é tão legal.

-a casa dos budas ditosos: a fernanda torres está ótema, eu adorei... dei muita risada, fiquei observando a mesa do lado, um casal de pais com filha+namorado, ou filho+namorada, todos extremamente constrangidos, nem riam direito. algumas partes foram realmente pesadas demais... coisas para chocar. o mais chocante de tudo (que eu só descobri na hora): um aviso do ubaldo ribeiro dizendo que a narrativa é verídica; ele recebera fitas anônimas com a voz da mulher e escrevera o livro contando a vida dela. bizarro.


sabe?!...


15.4.05

para que a ficção se a realidade está aí para ser interpretada? - crise
Tinha a calma dos que apóiam suas certezas em uma aliança prateada na mão direita. Calça jeans, pasta preta de couro, camisa branca... de manga curta. E tênis. A barba feita na noite anterior quase mostrava os fios grossos e pretos, é a genética, que escorriam em profusão da cabeça e terminavam agrupados em um elástico que já prendeu mais forte. Completavam a figura as unhas cuidadosamente compridas, de ambas as mãos, lixadas redondo ou um pouco pontiagudo, que atraíam os olhos de quem ouvisse sons guturais e quisesse se certificar de que falava português. Era magro e balançava as pernas infantilmente; por vezes esticava as duas, enrijecia os pés e passava alguns segundos observando os cadarços. Distraído, brincava de se arranhar de leve os dedos, na certa orgulhoso do cuidado e carinho que devotava às unhas tão femininas, tão bem cuidadas quanto as da namorada, que também exibia o anel lustroso na mão apoiada na coxa do moço. Não era moço. Ela era mais nova que ele, 24 ou 25, meias mais jovens, cinza com flores e desenhos, contrastando com os fios brancos que desenhavam listas na cabeça redonda dele. Tênis de couro preto, camiseta sem manga preta, alça do sutiã preto escapando, óculos escuros pretos: era uma mulher acompanhada de seu... acompanhante. O nariz grande, olhos cobertos, coluna reta produziam efeito de ascendência sobre o já quase garoto grisalho que insistentemente, irritantemente balançava as pernas estúpidas e brincava com os dedos finos de unhas compridas. Se precisasse de alguma informação dele, provavelmente não a conseguiria. Falava curto, para dentro, sem articulação, sem expressão, sem clareza. Não se podia dizer que falava: no máximo grunhia. E grunhia entre o catarro que sorvia de tempos em tempos do peito cheio de criança doente que balança as pernas ignorante. Se esperavam alguém, alguma coisa, algum horário, é difícil dizer por quê. A chegada da pessoa, da coisa, do horário não alteraria seus estados de Macabéa e Olímpico de Jesus invertidos de sexo. Tanto podiam sentar eternos no banco quanto almoçar, trabalhar, dormir, casar.


sabe?!...


14.4.05

procuram-se
- tema para livro-reportagem (urgência! prazo: uma semana);
- tema para livro de literatura (prazo: dois meses);
- tema para matéria de rádio (urgência! prazo: um dia);

- coragem para mandar a aula de alemão para as cucuias (urgência urgentíssima!! prazo: o mais rápido possível);

- ânimo para freqüentar a faculdade na segunda, quarta, quinta e sexta (sem urgência);

tratar nos comentários.


sabe?!...


13.4.05

2 X ethan hawke
ah, e esqueci de contar que assisti antes do pôr do sol, e achei pior que o primeiro. porque o filme é uma tentativa de conquista o tempo todo. e termina de repente.
e também sociedade dos poetas mortos, finalmente. gostei muito, claro. o grupo dos meninos, o teatro: minhas frustrações.




sabe?!...




em menos de uma semana, desabafo sobre ets, produtora/repórter/editora de tv, matéria sobre buracos negros, jornalismo literário, texto científico.
vai misturar tudo, eu sei.


sabe?!...


12.4.05

hoje eu sou só rosa, destacada no jardim.
dos passarinhos, quero um.
pétala em água, vermelha do espinho:
hoje eu sou só rosa, destacada do jardim.


sabe?!...


11.4.05

now that i found you, stay

***
nós temos um problema: quem mais gostava de alemão era eu (só para escrever como naty). quem mais odeia alemão, agora, sou eu. 5 horas de ônibus/metrô/caminhada para 3h30 de aula monótona. no sábado. tem como gostar?

***
eu quero uma vida de amélie, está decidido. quero mais cores, mais surpresas, mais detalhes, mais planos. eu tenho vida de amélie nos fins de semana, sempre. mas hoje é segunda.

***
não ir na aula por não ter feito o exercício do dia. irresponsabilidade? não, prioridades. escolhas.
hoje eu acordei cedo sem despertador, mandei e recebi mensagenzinhas, assisti amélie poulain, fiquei olhando para os meus muitos livros, comi danoninho, fiquei com o cachorro no colo.

***
preciso de férias de algumas coisas/pessoas.

***
o feriado está aí e eu pretendo passar muito calor numa piscina em ribeirão preto, tomando chopp do pingüim e dedicando poesias.



sabe?!...


8.4.05

já ouviram monica salmaso cantando silêncio?
é angústia. o peito até dói.



sabe?!...


7.4.05

no ponto, o cheiro de pipocas me lembra o salgadinho doce rosa (que só eu chamo de pipoca) que não é mais vendido no carrinho de lá. na frente do hotel, penso que ainda tenho muito pra andar. na loja de móveis, olho meu reflexo na parte escura da vitrine e ajeito o cabelo discretamente. então finjo estar vendo os móveis, que são sempre os mesmos e eu olho todo dia, porque os vendedores estão olhando para mim. a loja de camisas sempre está vazia, e a monkey, lotada de adolescentes oleosos e de preto. no fran's eu lembro de 14 de novembro, quando tomamos capuccino e conversamos muito; eu, moça controlada (...), fiquei quietinha na minha cadeira, nem peguei a mão que estava a pouquíssimos centímetros da minha, e depois eu ganhei cd e beijos. a loja de bicicletas sempre organiza passeios que saem dali da frente, e eles sobem a avenida em comboio, todo mundo olhando. o senhor que faz enfeites de garrafas de plástico de refrigerante, alguns razoáveis, mas que eu nunca teria, e a grande maioria bastante feios, não sei como ele agüenta há mais de dois anos. também faz coisas de madeira, não muito melhores que as de plástico. na loja de moto, o gerente passa uma corrente na roda de todas elas, ligando uma na outra, para ninguém conseguir roubar, e ele também tem alarme. a vaspex já me acolheu num dia de tempestade e o moço me deixou usar o telefone para ligar para minha mãe, que era habitué de lá. uma loja de importados, muito muito ruim, nem as canetas de lá prestam (sei porque fui verificar de cara as canetas, que eu sou viciada em canetas). onde era bar gls virou escolha de mergulho, e onde era escola de mergulho, está virando loja de carpetes e cortinas. a pracinha era diferente antes, sem projeto de arquiteto, mato natural, e eu achava agradável, mas nunca tinha ido até lá só por ir até lá. depois virou lugar planejado, com espécie de coreto, banquinhos, plantas de arquiteto, e agora casais e pessoas com cachorros namoram e descansam lá. a banca nunca tem cartão da tim pra vender, só reunião de motoqueiros com motos muito fraquinhas. na rua professora rachel abriram uma escola infantil, a pintura do muro ficou ridícula, mas as crianças eram fofinhas, eu vi quando passei na hora do almoço e elas esperavam seus pais, sentadas na escadinha com a tia. uns dez metros antes de chegar no pet shop, dá pra sentir o cheiro de ração, que antes eu odiava mas agora me dá vontade de chegar mais rápido em casa para brincar com a minha cachorrinha. às vezes sou atropelada no caminho por algum adolescente que desce correndo do carro por estar atrasado para a aula de jiu jitsu, karatê ou qualquer coisa do tipo na academia que fica em cima do pet shop. outra loja de motos, essa bem ruinzinha, meio escura. o bar que abriu já foi chopperia, danceteria, e agora é alguma coisa estranha que não atrai mais muita gente, fenômeno jundiaiense: lota por dois meses e depois vai à falência. a rampa, olho para cima para procurar o carro estacionado do meu pai, na maioria das vezes ele ainda não chegou em casa. mais alguns metros e barulhinho familiar do portão abrindo, estou em casa. no elevador, tiro elástico do cabelo, houve vezes em que desbotoei a calça para fazer xixi mais rápido e no lugar certo. lar doce lar.


sabe?!...




televisão
não gosto nem de assistir, imagine de aparecer nela. hoje foi inevitável: trabalho de telejornalismo, e tinha de aparecer pelo menos uma vezinha (não é assim nos jornais, o repórter aparece pelo menos uma vez, mesmo que seja falando uma bobagem?). e lá fui eu. acordei de mau humoooor, até não poder mais, e muito muito sono, muita muita cólica. o cabelo um desastre, mas esqueci de pegar o gel. não peguei base pra passar no rosto, porque isso é coisa de feanas, são franciscanas ou repórteres profissionais da globo. um lapisinho no olho e até batom, isso era o máximo.
consegui entrevistar bastante gente, tive calor, vergonha, sono...
à tarde, hora de editar, para acabar logo com o compromisso.
e eis que eu me vejo na tv.
affe.
a primeira tentativa (que teria sido a única, se eu não tivesse insistido com o guilherme - câmera ) foi um desastre. estava no sol, cabelo desmanchado voando, corcunda, sombras nos meus olhos que pareciam que eu estava de óculos escuros. a segunda tentativa, indoor, está pior, mas pelo menos a gravação não cortou nenhuma palavra - então foi a escolhida. novamente: corcunda ou desmilingüida, cabelo-desastre (ai, cadê meu gel e meu elástico de cabelo?), pele manchada (aprendi que base não é frescura), nenhuma expressão no rosto nem no tom de voz.

eu odeio tv.



sabe?!...


6.4.05

tchu ruru ou sobre o consumismo

eu adoooooro livros. não estou falando de ler livros, isso é óbvio (quem não gosta???!!!) estou falando de comprar livros. nas últimas semanas, gastei quase meio antigo-salário com livrinhos. gay talese, tom wolf, john hersey, ruy castro, sergio vilas boas, maingueneau. fantástico.
ontem eu estava a caminho de casa, tristinha, e vi o "nobel" preto, no fundo amarelo, brilhando para mim. era um convite, claro. entrei decidida, sim, juliano, você pode me ajudar, quero o anjo pornográfico do ruy castro. hoje fui at´o villa lobos comprar um dicionário de análise do discurso. saí com o livro sobre biografias. saí, não, virei para sair. é que, na cultura de lá, os dvds ficam estrategicamente posicionados para você caminhar em direção à saída e dar de cara com o último dvd da amélie poulain.

adivinhem?


sabe?!...


5.4.05

"...e a que acredita que o mundo simplesmente não a compreende, ou melhor, ainda tem que evoluir muito para poder compreendê-la."
se alguém te conhece tanto, o que você faz?
eu respondo: gruda e nunca mais deixa ir embora.

eu estou apaixonada.



sabe?!...




Ela é bamba - Ana Carolina
Composição: Totonho Villeroy

Ela é bamba
Ela é bamba essa preta do pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau e pau
Ainda arranja um tempinho pra sambar
Quando cai na avenida ela é demais
Todo mundo de olho ela nem aí
Fantasia bonita ela mesmo faz
Manda todas não erra a mira
Mãe, Passista, Atleta, manicure, diplomata
Dona da boutique, enfermeira, acrobata

Ela é bamba Ela é bamba Ela é bamba
Ela é bamba Ela é bamba Ela é bamba

Ela é bamba essa índia da central
Vai no ombro um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
ainda vende cocada nesse trem
Toda sexta ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate do jaú
Faz um jeito e já pensa que é atriz

Cada dia inventa um nome
Dona Isaura, Emília, Terezinha e Marina
Ana Rita Joana Iracema e Carolina

Ela é bamba

Ela é bala a mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz
Quando compra uma briga ela é demais
Vai no groove e não deixa desandar
Ela é pop ela é rap ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha
Laura, Lígia, Luma Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito numa letra bem bacana



Você pára na Augusta com a Paulista, no Conjunto Nacional? Paro... Sorriu. Cabelos curtos crespos, um pouco acima do peso, mãos no volante: a motorista do ônibus. Se é comum mulher dirigir ônibus ou ônibus cruzar a Paulista pela Augusta, não importa: ela tornava a situação única. Alguns metros mais à frente, parou. Sem semáforo, trânsito nem nada. Era uma moça que queria atravessar. Passou apressada, mas teve tempo de olhar para quem dirigia e agradecer. A motorista: Se fosse um negão, não ia nem olhar, ia passar reto, muito menos agradecer. Mas como eu sou mulher... E ria, acompanhada do cobrador, um mocinho de cabelo oxigenado, brincos, anéis, cílios longos e movimentos demorados de calor abafado que fazia naquele fim de março.

A motorista não era masculinizada, não tinha mãos ásperas nem falava palavrão. No semáforo de uma das avenidas por que passamos, quase espreguiçou para descansar. Passou os dedos entre os cabelos como dentes de pente, de olho no seu reflexo no vidro enorme do ônibus laranja que conduzia. Faltou o batom, pensei, imaginando o mesmo gesto que minha mãe faz quando é obrigada a esperar no trânsito: o mesmo pulso levemente dobrado, os dedos um pouco curvados para modelarem os cachos, o rosto um pouco inclinado para cima.

Mulheres que conduzem são fortes, ainda que aparentem a suposta fragilidade de seu sexo. Aqueles que a observavam, dos carros emparelhados no trânsito - como o senhor de camisa e gravata, que, através do insulfilme, comentava com a carona alguma coisa sobre a nossa motorista e sorria com simpatia -, dos bancos atrás dela - nós prestávamos atenção em cada movimento seu, seus passageiros -, da porta que ela abria a cada parada - e sempre se ouvia um boa tarde-, da calçada, aqueles que a observávamos, pensávamos na mesma luta feminina, superação sexista, e, se pensávamos, era algum tipo de preconceito invertido?

Da parte da motorista, só orgulho: comecei na quinta-feira. Sorriu para os garotos da concessionária que se interessavam de alguma forma por ela, acelerou e deixou para trás só fumaça cor de rosa.



sabe?!...


4.4.05

rádio
nunca ouço rádio. primeiro porque informações de última hora não me são necessárias nem acrescentam nada (não vá me dizer que você lê jornal todo dia????? pelamordedeus, que perda de tempo. pegue um livro). e daí começa a disciplina de rádio jornalismo e eu preciso achar um rádio e um fone de ouvido. claro que isso seria muito simples. o problema é que eu moro em jundiaí. sabe quais emissoras pegam naquele lugar?...

chegando em são paulo, saquei meu walkman/93 e comecei a procurar a cbn. nas andanças pelo botão que machucou meu dedo (é tudo tão impreciso que não dá pra confiar no que o botãozinho vermelho mostra, tem de ser no ouvido), passei por uma rádio em que se falava do cabelo do roberto carlos. em seguida, a próxima estação fazia uma propaganda de produtos anti calvície e explicava coisas do couro cabeludo.

affe.

(dia *eu odeio jornalismo diário/apressado/chato*)


sabe?!...


1.4.05

Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo... Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter...

isso é pessoa, no livro do desassossego.
li há duas semanas. achei muito bom. está aí.


sabe?!...