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de mel


::"Mas lembre-se de que você também superexige da vida"::

mariana d., 21, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel.

mari_de_melARROBAyahoo.com.br





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30.7.05

belo belo belo
fim de semana mode on



sabe?!...


29.7.05

na minha sala um relógio anuncia cada 15 minutos, e não esquece de dar badaladas a cada hora. às vezes, eu e meus irmãos esquecemos de dar corda, mas minha mãe percebe e faz o bichinho tocar. namorado sugeriu quebrar uma peça interna; eu já quis jogar pela janela. mas ninguém teve coragem de acabar com o novo brinquedinho da mamãe. e ele acabou de anunciar meu último dia de férias.




sabe?!...


27.7.05

busquei a apostila de física do cursinho e vou passar a noite fazendo exercícios, até cair de sono//está frio, mas meus pés suam debaixo da coberta//se eu pudesse, eu apagaria em mim toda essa vontade de querer ser gostada//eu quero aprender a viajar//não quero ler literatura, porque não quero prestar atenção no que eu leio//eu não trocaria essa cólica por uma crise//eu não sei o que eu vou fazer quando eu me formar//não suporto mais pessoas que defendem seu ponto de vista como se fosse o único correto//eu odeio política com todas as minhas forças//eu não sei o que a amélie poderia fazer por mim//na minha cidade as locadoras não oferecem filmes europeus. estou bem com isso//eu preciso do último livro do harry potter para poder continuar a minha vidinha sem pensar em hipóteses//eu fico vermelha quando encontro pessoas de diferentes círculos meus, mas isso não significa que eu estou com vergonha ou que eu esteja sentindo alguma coisa diferente de necessidade de aprovação//se eu tivesse coragem, continuaria escrevendo como escrevia aos 16 anos. eu achava ruim, e era muito parecido com o que eu já li da clarice//eu não gosto de pessoas que se descrevem no profile do orkut//eu odeio jornalismo//não, eu não leio jornal. e estou muito bem com isso//também não sei o que está acontecendo com a crise política do país, e não dou a mínima para o que vai acontecer//ontem eu pensei em me inscrever em uma academia para ficar desejável. desisti quando lembrei o tédio que é se mexer//só não desisti do meu projeto de iniciação científica porque sou orgulhosa//queria que meus amigos fossem à merda e se lembrassem de mandar lembranças de lá//quis ligar a tv para me distrair, mas lembrei que não passa nada de interessante em nenhum canal e que eu odeio ser uma telespectadora passiva//não consigo mais escrever com lápis ou caneta e papel, agora só no computador//eu acho mais de 90% das pessoas com quem eu convivo medíocres. eu as desprezo//eu tenho vontade de ter um filho nos próximos anos, e eu sei que isso não vai acontecer//as pessoas acham o diogo mainardi fantástico e eu não acho que ele seja nada demais, só melhor que todas essas pessoas que o idolatram//eu acho o meu namorado muito bom (muito muito melhor que qualquer diogo mainardi)//não sei mais qual o sentido disso tudo, profissão, viagem, dinheiro, sucesso//não encontro mais nenhum desafio que me faça sentir em perigo de não atender a expectativas//não tive estômago de ficar por muito tempo em nenhum dos dois empregos que consegui, porque eu não consigo conviver com pessoas medíocres, muito menos com os medíocres que acham que valem alguma coisa. talvez eu não tenha emprego fixo//eu preciso saber o que vai ser da minha vida//às vezes eu leio meu horóscopo só pra pensar que é tudo mentira mas seria bom se fosse verdade//eu só tenho saudade de uma pessoa, e acontece todo dia de semana//eu acho ridículo pessoas que precisam de algum tipo de droga pra se divertir//eu quase sempre penso que eu vou dar certo e nem vou precisar de muito esforço pra isso. mas e se?//
(continua)


sabe?!...


26.7.05

indústria cultural
no auge da tpm, depois de dormir das onze da noite até às seis da tarde - com pausa para almoço e banho -, passei a noite lendo código da vinci. mais um indiana jones com ajuda feminina menos burra que as mocinhas do harrison ford; dessa vez tom hanks e audrey tatou (o filme deve sair logo) cuspindo "cultura em pílulas" sobre o louvre, paris, história, arte, londres. o que mata é que esse povinho tem idéia mas escreve muito mal, deosdocéo. e arranjam uns tradutores que, nossa.


sabe?!...


25.7.05

I'm 13 again, am I 13 for good?

aquelas vozes interrogativas voltaram.


sabe?!...




Jornal do Brasil, 14 de outubro de 1967

DIES IRAE

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece. E nem ao menos posso fazer o que uma menina semiparalítica fez em vingança: quebrar um jarro. Não sou semiparalítica. Embora alguma coisa em mim diga que somos semiparalíticos. E morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior - vive-se, sem ao menos uma explicação. E ter empregadas, chamemo-las de uma vez de criadas, é uma ofensa à humanidade. E ter a obrigação de ser o que se chama de apresentável me irrita. Por que não posso andar em trapos, como homens que às vezes vejo na rua com barba até o peito e uma bíblia na mão, esses deuses que fizeram da loucura um meio de entender? E por que, só porque eu escrevi, pensam que tenho que continuar a escrever? Avisei a meus filhos que amanheci em cólera, e que eles não ligassem. Mas eu quero ligar. Quereria fazer alguma coisa definitiva que rebentasse com o tendão tenso que sustenta meu coração.

E os que desistem? Conheço uma mulher que desistiu. E vive razoavelmente bem: o sistema que arranjou para viver é ocupar-se. Nenhuma ocupação lhe agrada. Nada do que eu já fiz me agrada. E o que eu fiz com amor estraçalhou-se. Nem amar eu sabia, nem amar eu sabia. E criaram o Dia dos Analfabetos. Só li a manchete, recusei-me a ler o texto. Recuso-me a ler o texto do mundo, as manchetes já me deixam em cólera. E comemora-se muito. E guerreia-se o tempo todo. Todo um mundo de semiparalíticos. E espera-se inutilmente o milagre. E quem não espera o milagre está ainda pior, ainda mais jarros precisaria quebrar. E as igrejas estão cheias dos que temem a cólera de Deus. E dos que pedem a graça, que seria o contrário da cólera.

(...continua...)

Clarice Lispector in A Descoberta do Mundo


sabe?!...




olha que eu vou fazer como menina mimada, deitar no chão e ficar esperneando.
porque eu quero, eu quero, eu quero viajar.
porque eu preciso viajar.



sabe?!...


20.7.05

férias
eu tinha planejado férias divididas em três:
1. até o dia 10, viagem (e foi ótimo)
2. até o dia 20, trabalhos de férias (revisão e parecer)
3. até o dia 31, passeios por aqui, cinemas, descanso

ainda não terminei o trabalho:parecer. com isso, adio o terço de passeios, que não deve acontecer porque eu, como disse anteriormente, desisti de amigos.

***
faz muito tempo que eu não sinto mais aquela alegria do dia das meias, dos jucas, das cervejas, das piadas, dos almoços. faz muito tempo que eu não tenho vontade de ver ninguém, falar com ninguém. o tempo de aluno de faculdade já deu, cansei.




sabe?!...


18.7.05

...e a desgraça se abateu sobre minha pessoa...
(música de desgraça)

eu estava inocentemente zapeando sites, blogs, orkut, emails, quando entrei na comunidade do snape. eu já não estava muito contente com o que está acontecendo com ele nesse livro, quando entrei na comunidade... tinha um tópico "eu odeio o snape". e eu li.

agora, queridos, eu sei o final do livro. que pode ser o final da minha dedicação ao livro (ontem e hoje passei hoooooras lendo). mais que isso, pode ser o final de tudo.

(música de desgraça)
sim, sim, é o final dos tempos.




sabe?!...


17.7.05

conselhos cinematográficos
não é porque eu estou lendo uma revista de cinema que eu vou sair por aí dando conselhos. a questão é mais pessoal, mesmo:
quem gostou muito de amélie poulain não deve assistir eterno amor, com a audrey tatou, mesmo diretor.
porque amélie era, para mim, um filme único, que eu amo. e então eu vejo outro filme com os mesmos atores (aquele cara neurótico do gravador, que estoura plástico bolha, o dono da venda, o pai da amélie), a mesma forma de apresentar personagens, os mesmos recursos quando mostra flashbacks, a mesma intensificação de cores (mas, nesse, o diretor prioriza tons de amarelo e marrom), o mesmo narrador que conta detalhes. então esse filme acabou com o amélie. nem sei mais se vou assistir código da vinci, quando estiver pronto, porque é com a audrey tatou também, e eu não quero que ela seja alguém além de amélie.

conselhos literários
quem não gosta de harry potter não sabe o que está perdendo. eu conto: está perdendo aquele clima de novelinha, romancinhos, inimigos que se revelam amigos e o contrário também, personagens engraçadinhos, livro fácil de ler, bobinho, mas com história. é, a jk rowling (autora) não sabe escrever, mas teve idéias fantásticas. sem contar o marketing, claro. então eu fiquei desesperada atrás do livro novo (nem adianta especificar nomes, porque eu sei que a maioria dos leitores do blog não lêem harry potter - mas tudo bem, a babi vale por dez pottermaníacos). liguei pras livrarias aqui de jundiaí e, olha só... apesar de o lançamento ser mundial (isso signfica na terra toda) no sábado, não seria em jundiaí. me perguntei em que lugar do mundo eu moro. no sábado de manhã eu descobri que existiam seis (SEIS!!) exemplares do livro aqui. comprei, claro, tô ainda no capítulo seis (e a babi está no dez e me disse que vem uma bomba no oito, justamente sobre o snape), e não tenho tempo de ler o livrinho.

conselhos gastronômicos
minha mãe está fazendo um risoto com presunto cru, figo e agrião. está um cheiro maravilhoso. tchauzinho, preciso ir.


sabe?!...


13.7.05

Eu não gosto do meu quarto
Descobri por que, mesmo depois de faxinas e arrumações, eu não gosto de jeito que meu quarto fica. É que eu não gosto dele.
Não fui eu que, em 97, decidi como ia ser meu quarto novo. Minha mãe simplesmente mediu e desenhou coisinhas, o marceneiro fez e, tchã-nan, eu tinha um quarto novo. Mas quem me conhece e conhece a minha mãe sabe que nós somos muito diferentes, muito. Eu sou uma pessoa extremamente prática, e minha mãe adora enfeitinhos, firulinhas, coisas bonitinhas e delicadinhas. Já dá pra ter uma idéia de como meu quarto é.

Por exemplo, gavetas de vidro. Muito bonitas, realmente, gavetas com frente de vidro intercaladas (simetricamente, senão eu ficaria neurótica) com gavetas com frente de madeira. Ficaria muito bonito, eu não fosse a pessoa mais desorganizada que eu conheço. Desorganizada, não; com uma organização não aceita como tal pelo mundo. Porque eu sei exatamente onde está cada camisetinha minha, no meio das gavetas de vidro ou madeira, e cada papel com uma anotaçãozinha nas gavetas da escrivaninha - que são 4, duas de vidro e duas de madeira. Minha mãe achou bonito e fez, e eu que fico brigando a cada arrumação com as minhas coisas, que não são visualmente bonitas para serem expostas em gavetas de vidro.

A televisão. Ganhei de aniversário, sem pedir, faz alguns anos, 5 ou 6. Dá pra contar quantas vezes eu usei. Porque eu não tenho tv a cabo, onde eu poderia assistir filmes ou sex and the city, e eu não assisto nada na tv aberta - nem novela, nem programas semanais, muito menos jornais. Então ela fica aqui do lado, ocupando um espaço imenso que poderia abrigar livros ou roupas (porque o meu armário de roupas é muito pequeno e todos os casacos e calças ficam muito espremidos nos poucos cabides). Só o meu irmão liga a tv, e só pra fazer barulhinho, quando ele está sentado no computador, tocando guitarra, tomando coca-cola, conversando no messenger e vendo quem fez gol (sim, ele está em ano de vestibular).

Tem a cor da parede: azul claro. Não que me incomode muito, mas eu não sou uma pessoa azul clara. Se é pra ter cor, que seja uma parede de cor forte, ou então tudo branco. E não tem mais cortina, que, se me lembro bem, algum irmão destruiu chutando uma bola de futebol. Antes desse quarto (antes de 97), eu tinha uma cortina de pano, aquelas que abriam de um lado e de outro, e eu adorava a minha cortina. Mas não dá pra ter cortina de pano com a escrivaninha embaixo da janela. Janela, aliás, que tem grades, que sempre teve grades. Não gosto de grades. Mas, se algum dia elas forem tiradas daqui, vou ficar com medo de chegar perto da janela (todas as janelas da minha casa sempre tiveram grades, porque meus pais tinham medo de ter filhos suicidas).

E onde já se viu um quarto de alguém que lê ou escreve (ou dorme) o dia todo que não tem estantes??? No meu quarto não existem estantes, e eu adoro estantes. Não tem. O uso das paredes não é racional, não é prático; é, claro, lindo. Existem dois quadros grandes nas minhas paredes, quadros que minha mãe pintou. Gosto muito deles, é verdade, mas eles ocupam espaços que poderiam ser usados para coisas mais úteis, como estantes com os livros que eu sempre uso. Eles não ocupam parede utilizável, porque um fica na parede do lado do computador (onde no máximo se colocaria, se eu tivesse montado meu quarto, uma estantezinha para os disquetes, cd-roms, folhas sulfite, que ficam guardados numa gavetona - adivinhem - de vidro) e o outro, um quadro enorme de uma janela com um jardim, em cima da minha cama. Porque a minha cama é encostada na parede, e eu nunca vi tamanha perda de espaço quanto uma cama encostada na parede. Dois metros de parede perdida. Eu adoro dormir encostada na parede, virada para ela, às vezes soco o travesseiro no cantinho da cama com a parede e enfio o rosto dentro, e capoto. E fica um espaço bom no meio do quarto, pra, hm, jogar imagem e ação, jogar as roupas no chão, os papéis, brincar com o cachorro, colocar um tapete bonito... Mas a que preço!!! Eu poderia colocar uma cama de casal naquele espaço (e, se meu irmão conseguir uma, como vem tentando, garanto que eu consigo outra), ou a cama de atravessado, só com a cabeceira na parede, e um criado-mudo do ladinho! Não, eu não tenho criado mudo pra colocar abajur, despertador, livro, pílula, pinça etc.

Tudo se resume a: meu quarto tem todos os móveis grudados entre si, como na tok e stok. E eu não gosto de móveis grudados. Talvez tenha gostado um dia, mas hoje não gosto mais. Eu queria uma camá-só-cama, sem bicama embaixo, sem ser grudada no pedaço da escrivaninha, sem ser grudada na parede. Só uma cama. E uma escrivaninha, não um balcão fixo na parede, com parte de vidro (claro) rebaixado para ser o espaço de escrever, com bordas de madeira unindo o balcão ao lugar do computador, que por sua vez se une ao armário da tv, que se une ao guarda-roupas (que só não se une a mais nada porque tem que ter porta). Eu quero um espelho para poder me ver inteira, ficar neurótica se a calça me deixa com a perna fina demais sem precisar fazer macaquices no espelho do banheiro. Eu quero uma estante para poder organizar meus livros em grupos de preferidos, poesia, clássicos, coleções... Eu quero uma cortina de pano que, quando eu abrir, vai ficar esvoaçante, mostrando o jardim de trás do prédio sem barras (preciso tirar essas grades). Eu quero um armário com portas grandes, espaço para cabides, gavetas grandes que suportem minha bagunça. Eu quero uma poltrona bem confortável para eu me afundar e ficar mudando de posição de tempos em tempos quando estiver lendo. Eu quero um abajur. Não quero enfeites que só servem para ocupar espaço. Não quero o scanner ocupando metade da minha escrivaninha. Não quero cadeiras com rodinhas, que não rodam direito no carpete - quero uma cadeira de madeira com almofada. Eu quero enxergar paredes, o lugar em que o chão encontra a parede. Eu quero um quarto novo.

Pronto, falei.


sabe?!...


11.7.05

Não consigo ser quando estou sem ele. Tomar banho ou café, andar pelas ruas ou em casa, comer, ver televisão, ler, nada tem graça quando estou sem ele. Fico assim - desbaratada. Sem vontade de ler um livro, se não posso comentar; nenhuma música é bonita, nem os chocolates têm gosto. Quando estou sem ele. As horas demoram a passar, todas as pessoas e todos os assuntos são desinteressantes. O barulho em volta não incomoda, a luz não atrapalha, os carinhos são indiferentes, quando estou sem ele.


sabe?!...




Festa Literária Internacional de Paraty 2005


Única foto juntos, namorado (Marcelo) e eu na plaquinha da Flip


Não tenho histórias de dormir no chão, passar frio, tapear o estômago com lanche ou passar a noite bebendo na chuva, sinto muito. De início, a viagem já tinha sido programada com um pouco de conforto, porque seria a única viagem das férias. Por cinco dias só ler e conversar livros, discutir ofício de escritor, passear de mãos dadas, tomar sorvete e choconhaque, vinho só nós dois, rede (sem estrelas por causa das nuvens), banho muito quente com sabonete cheiroso, fotos, ficar bonita para ele. Também não posso contar de bebedeiras, encontro com escritores famosos ou que querem o ser: isso não é para mim. Eu sou uma anti-social convicta ¿ e não por fé ou religião, só por não saber ser de outro jeito. Ficar passando frio e tomando chuva a noite toda na praça para fazer média não é comigo. Isso pode não ser bom (contatos, contatos), mas esse teatro de conversas me parece tão sem graça que eu prefiro não entrar nele. E sair dizendo por aí ¿encontrei tal escritor¿ ou ¿tirei foto com ele¿ não é o que de melhor eu posso contar da Flip (apesar do episódio Rushdie ¿ conto depois, se interessar).


Marcelo fazendo pose quando o boneco parou na nossa frente -
sim, eu fiquei com medo desses bonecos de cabeças imensas que corriam
atrás ds pessoas com os braços abertos


A viagem foi toda deliciosa. Com alguns percalços, é verdade: na ida, optamos pela estrada de Cunha, de Guaratinguetá a Paraty. Caminho bucólico e cheio de curvas. Ainda não sei se foi razoável ter chovido e estar tudo em lama, o que nos obrigou a ir muito devagar e quase morrer de apreensão, ou se teria sido melhor poder ter andado mais rápido, mas com os conseqüentes enjôos por causa das curvas. Foi tenso. Na volta, decidimos mudar de caminho: Rio-Santos. Ainda não tínhamos optado se subiríamos por Ubatuba (Oswaldo Cruz) ou Caraguá (Tamoios), e acabamos ficando com a primeira opção. Andamos 100 km a mais que na ida (verdade que passamos por Trindade para sentir um pouco de areia nos dedinhos - a praia de Paraty é uma decepção) e enfrentamos muitas curvas. Passei mal - além dos enjôos, estava debilitada por uma overdose de Lactopurga. Cheguei em casa moída. Dormi pesado à noite, e olhe que em Paraty eu passei muito menos tempo acordada do que eu gostaria - a água do chuveiro era tão quente, seguida de um edredon quente também, que não tinha jeito: depois dos banhos, sempre acontecia uma preguicinha de pelo menos meia hora. E os banhos foram muitos.


É, estava frio, mas queríamos praia


Estava frio em Paraty: choveu, ventou. Quando chove, não há muita coisa a se fazer por lá. Os barzinhos e restaurantes ficam cheios quando o tempo está bom, e já não sobra muito espaço para abrigar mais muita gente. E não dá para ficar conversando debaixo de guarda-chuva. Não sei o que as pessoas faziam. Nós fomos para a pousada. Na primeira noite, nem voltamos para o show do Paulinho da Viola: a homenagem à Clarice acabou, muita chuva, e nós fomos direto para o vinho e para a rede. Assistimos a poucas mesas (no final, concluímos que existem mesas demais. Clarice tinha dito, em um congresso, que escritores falam demais, e que deveriam estar em suas casas escrevendo. E foi beber com Lygia Fagundes Telles), três, no total. Quer dizer, duas: a da Clarice (¿No Raiar de Clarice¿) foi muito boa. Todos sabiam muito dela, falavam com carinho, Marina Colasanti se emocionou no final, junto com todos nós. Eu pensava a todo momento: ela existiu. Da do David Grossman e Michael Ondaatje vimos só o fim. Tá, tá, eu confesso, foi culpa do banho e do edredon, chegamos atrasados. E a do Roberto Schwarz e Beatriz Sarlo vimos só o comecinho, muito comecinho... E não foi pressa para voltar para o quentinho: foi a oficina. Então, no total, duas. Gostei bastante do David, não muito do Michael (e é porque ele lia muito bem em inglês e eu não conseguia entender, e também porque escreveu sobre a própria família). Ouvir o Roberto Schwarz falar de Machado estava uma delícia, mas tive de sair ainda antes da Beatriz começar a falar de Borges, uma pena. Eu estava adorando. Não quisemos mais mesa nenhuma, apesar de ainda ter ingresso: os assuntos ou participantes não nos chamaram atenção. No fim de semana, as filas estavam gigantes: tinha chegado muita gente na sexta à noite e no sábado de manhã.


Na Flip


Na Festa Literária Internacional de Parati, tinha gente que estava pelo ¿festa¿, tinha gente que estava pelo ¿literária¿. Antes de participar de uma, eu confundia o F de festa com o F de festival. Não vou confundir mais, por causa das pessoas que encontrei principalmente no fim de semana. Quarta, quinta e sexta eram dias de encontrar muitas crianças correndo pelas ruas e velhos. Da minha idade não vi ninguém, os adultos mais novos tinham mais de trinta. Nas filas para as palestras, as pessoas falavam de livros, de arte, dos bonecos espalhados pela cidade, das crianças lendo, do café. Os que estavam pela festa, não sei: não passei a noite na praça socializando. Sei que o número dessas pessoas aumentou muito no sábado: já era possível ver adolescentes, grupos de amigos, famílias, crianças, pais, todos os tipos de agrupamentos se espremendo para passar pela ponte que tinha ficado estreita demais. Estavam lá pelo barulho, pelas pessoas, pela agitação. Fim de semana na Flip não tem a ver comigo, muita gente disputando o mesmo espaço no restaurante, no bar, na rua, na praça, na ponte. E todos disputando lugar com os câmeras que queriam pegar imagens de crianças brincando, pessoas lendo, escrevendo, tomando café, passeando, conversando. Todos tinham uma coisa em comum: eram classe média. As mulheres de cabelos normais, lisos ou crespos e de cores variadas (sem a massa loira-de-chapinha que se encontra em eventos em que é bom ser visto), com óculos normais (sem as armações grossas de cor marrom, preto, vermelho escuro ou azul, comuns em rostos de intelectualóides), nada de ouros despencando de orelhas e pescoços, sapatos compatíveis com as ruas de pedra. Os homens com roupas normais, moletons para o friozinho, tênis. Não vi ninguém com cara de conteúdo. Nenhum carro mais caro ou de luxo. Todos classe média. É a classe média que lê.


Namorado viciou-se em 1984,
e eu aproveitei pra tirar fotinhas


Cinco dias conseguiram nos descansar de um semestre inteiro e nos fizeram voltar para casa tendo idéias, querendo um computador para escrever, ajeitar frases, pensar em ritmo conto personagem narrador conflito. A oficina, para isso, foi bastante boa. Aconteceu quinta, sexta e sábado, com o Raimundo Carrero, na Casa da Cultura, virando numa ruazinha da praça e andando um quarteirão. 50 pessoas tinham sido escolhidas, mas lá havia mais de 60. Carrero parecia bem à vontade no começo, mas depois fiquei com a impressão de que ele se sentia fracassado (e isso me fez pensar que em toda literatura existe o fracasso, não só pela sensação do Carrero, mas pela minha e pelo que Clarice escreveu certa vez, e leram na homenagem de abertura: que tinha fracassado no motivo ter nascido, que era curar a sua mãe, e sentiria esse fracasso para sempre). Não achava que a oficina estava indo bem, achou as aulas fracas demais. Fracas, não. É que eram só seis horas para ele dizer tudo que estava no livro (eu já tinha lido), e não podia aprofundar muita coisa. Também queria discutir nossos textos, dez linhas que tínhamos mandando uma semana antes. Mas não deu tempo. Ele leu três deles, fez dois ou três comentários e foi isso. O principal da oficina foi o que ele disse sobre escrever: sentar a bundinha na cadeira e, todo dia, por algumas horas, escrever um pouco. Em segundo lugar, o estudo sociológico que eu fiz dos escritores wannabe: a maioria deslumbrada com a proximidade de alguém que escreve, querendo achar tudo que o escritor diz, pensa ou grita lindo, engraçado ou profundo. E ficam querendo atenção, querendo mostrar que são amigos, que são bons, que estão ali. Isso uma metade; a outra, da qual eu fazia parte, fazia cara de tédio a cada manifestação inútil dos deslumbrados. Queríamos conversas úteis, discussão, queríamos ouvir sobre as dificuldades que enfrentamos, mas o tom foi, em sua maioria, de babação de ovo. Por isso fiquei um pouco decepcionada. Não foi culpa do Carrero- ele queria agradar, coitado, e em cada piada parecia pedir ajuda, deixem que eu ajude vocês, quero falar alguma coisa útil. Ele queria ajuda, e os que babavam nele não estavam ajudando. Uma oficina mais longa, como as que ele faz em Recife, onde mora, seria mais proveitosa, daria indicações mais pontuais. Depois, me serviu para ver que não estou tão mal assim.


Pedimos sorvete, apesar do frio, porque queríamos sorvete.
Em seguida, um choconhaque, para descongelar tudo.
A moça da sorveteria ficou olhando com cara de estranheza



sabe?!...


10.7.05

flip
já já eu conto



sabe?!...


5.7.05

só porque eu queria ficar em casa, arrumando mala no quentinho do quarto de janela fechada, tive de vir pra sp. (sim, ainda estou em sp) pegar dinheiro e trabalho, tudo bem, fazer o quê. o duro é perder o ônibus por meio minuto: ele passou perto de mim, eu fiquei me chacoalhando com o guarda-chuva colorido, e nada. e então precisei esperar duas horas (falta só meia hora).

daí, às sete, me decreto férias junto com o namorado. amanhã tem paraty e a mala que eu tinha pré-feito terá de ser toda mudada, porque surgiu uma frente fria que encrespou meu cabelo e me congelou os pezinhos. frio só é bom debaixo de edredon. ah, é mesmo, vai ter isso em paraty. :P

depois de mais de vinte minutos esperando o maldito circular passar, estiquei o braço e um carro parou. o moço disse que, quando não tinha carro, sofria pra andar por aqui, então agora dá carona pra todo mundo. falou "deus a abençoe" quando eu saí do carro. o segundo "deus a abençoe" que ouvi hoje. eu, hein.

contagem regressiva: faltam 3 horas.



sabe?!...


4.7.05

*férias
*paraty
*namorado
*vinho
*literatura
*frio
*frilas

(**em outras palavras, a imagem mariana dormindo no sofá à tarde, arrumando mala, acordando tarde e dormindo mais tarde ainda, acompanhada**)




sabe?!...


1.7.05

entre a chapinha e o perfume ou reflexões de banheiro
(ou: ouvindo trilha sonora da amélie poulain enquanto me arrumo; ou: sexta-feira à noite é bom demais; ou: adoro momentos mulherzinha -chapinha, maquiagem, cabelo japonês e expressões na frente do espelho, pensando em futilidade e escolhendo qual brinco fica melhor)

outro dia um moço, na rua, falou alguma pra mim e eu não entendi, voltei pra perguntar o que era. e não era nada, ele estava me parabenizando (...) porque meu olho era bonito. se, pelo tom de voz, eu tivesse notado que ele tinha falado algo do tipo, não teria voltado, mas ele parecia pedir uma informação, sei lá. dei um sorrisinho amarelo e fui pra casa. nem lembrei de ver se meu olho estava de mel, do jeito que eu gosto. tanto faz. fiquei pensando que elogiar o olho de alguém é o pior elogio que pode existir. não que o olho não seja bonito, mas quem garante que ele é sempre, toda vez que alguém elogia. pense numa mulher horrível, muito feia. você vai elogiar o que, se ela tem espelho e sabe que é horrenda?? o olho, claro. porque olho pode ser bonito na cor, no formato, sei lá... e quase não existe olho horrível. existem uns mais bonitos que outros, mas não dá pra chegar e dizer deosdocéo, que olho horrível. não é? então eu decidi que quando alguém me diz que meu olho é bonito, está implicitamente dizendo que só meu olho é bonito, e que eu sou inteira feia mas o olho salva. estou exagerando, eu sei, mas, no limite, é isso.

pensei nisso enquanto pintava meu olho com o lápis preto e achei que estava bonito. então me afastei do espelho para lembrar que, se está bonito, é a única coisa que salva

***
vai soar um pouco de loucura ou delírio. ou vão dizer que é idolatria, e eu sempre me orgulhei de não ter ídolos. é que às vezes eu acho que reajo como se a clarice (lispector, para os não-íntimos) estivesse viva e por aí, saltitando pelo mundo. e que ela não vai na flip (ela é a homenageada, aviso para os seres de outro planeta) porque tem compromissos, não quer se expôr ou sei lá o quê, mas que ela sabe de tudo que vai acontecer, está vendo o pessoal falar dela, dos livros etc. é, loucura. o livro que eu comprei, do instituto moreira salles, está aqui em cima da mesa, do lado da minha cama, e eu passo o olho nele e lá está ela, me fitando, com aqueles olhos lindos, deusdocéu (e dizer que os olhos dela são lindos não significa dizer que é o que salva). os olhos dela comem por dentro, não sei o que é. ela olha. ou melhor, a foto dela, porque, preciso me fazer lembrar sempre, ela não existe mais. isso é bizarro.

acontece que meus brincos ficam perto da cama, perto da foto dela, e eu não paro de olhar

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outra loucura é amélie poulain. eu admito que tenho um pouco de problema com personagens de ficção... quando era menor, queria porque queria que a turma da mônica existisse, porque eu queria muito ser amiga da mônica. eu ficava olhando pro gibizinho (que eu sempre devorei e, por isso, não comprava. perdia a graça em menos de dez minutos e eu ficava ali com aquelas histórias velhas na mão. lia tão rápido que nem via os desenhos direito), olhava as páginas já lidas e pensava poxa, que pena que vocês não existem. é, eu falava vocês. acho que, depois da turma da mônica, meu problema foi com pedro bandeira e a marca de uma lágrima. li esse livro umas sete vezes, sem brincadeira, entre os 12 e os 15 anos. sei passagens de cor (às vezes misturo uma parte com um outro livro do pedro bandeira, dos karas, quando a menina estava chorando e leu "linamarina", que era o nome de uma substância no laboratório de química, e ela não lembrava, depois, qual era o nome do negócio, sabia que tinha nome de mulher... é que tinham matado a diretora, acho, e ela foi depôr. nunca sei de qual livro é isso). eu lembro direitinho do cristiano, que era o primo da isabel... ela ia na festa dele com a rosana, ficava bêbada, alguém beijava ela... e ela passa o livro todo lembrando desse beijo, que ela pensava que era do cristiano, e era do fernando. o fernando é um mocinho bonitinho que ficava atrás dela, e ela nem tchum pra ele. tem uma parte em que eles se encontram numa livraria (ou era biblioteca?), ela está lendo fernando pessoa, e ele fala "e da pessoa do fernando, você não gosta?". péssimo, eu sei. a isabel também achou. mas ele era uma graça. enfim. deu pra notar meu problema com personagens de ficção. e agora amélie. juro pra quem quiser que ela é minha amiga. é, sim. e às vezes eu conto pra ela das minhas paranóias absurdas, como aquela do nino que foi pra guerra e tudo, ela era uma paranóica inventando coisas porque o moço estava atrasado. isso porque ela nunca ligou pra ele e o celular estava desligado, ou pior, tocava e ele não atendia. ah, amélie, ainda tem muito que aprender em termos de imaginação fértil. qualquer dia esbarro com ela por aí, jogando pedrinhas no rio aqui em frente de casa ou espalhando fotos que eu vou recolher.

tempos difíceis para os sonhadores.


sabe?!...