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de mel


::"Mas lembre-se de que você também superexige da vida"::

mariana d., 21, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel.

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31.8.05

o bolo da ana maria braga



no dia depois da globo, eu e a nat nos permitimos acordar mais tarde, porque estávamos muito cansadas. acordamos lá pelas oito, ela ligou a tv enquanto tomávamos café, nos vestíamos etc. daí apareceu a ana maria braga tirando do forno um bolo de maçã e côco que parecia delicioso. ficamos meio com água na boca, sabe como é? nesse dia, eu almocei na casa do namorado e contei pra mãe dele do bolo. ela, que adora cozinhar coisinhas (e puxar meu saco), fez o bolo no fim de semana. eu achei bem gostoso, um sabor suave... ela achou que faltou açúcar. o namorado e o pai do namorado concordaram que faltava uma calda de maçã por cima, que daria conta do doce que faltava. na outra semana eu comentei com a nat que tinha comido o bolo, e nós explicamos pra paulinha como ele era. o guilherme, que estava do lado: "minha mãe também fez esse bolo!". concluímos que (1)a ana maria braga é um sucesso de audiência às oito da manhã e que (2)o bolo deixou todo mundo com água na boca.

chegando em casa, imprimi a receita (que fica aqui) e deixei por cima, pra pedir pra nair, que trabalha aqui em casa, fazer pra mim. hoje:
- sabe o bolo de maçã?
- ah, sei , faz pra mim?!...
- eu já fiz.
- ah, que bom.
- então... é que não tinha bicarbonato, né. daí sua mãe pediu pra eu ir pedir pra dona hilde [a vizinha de andar, que, quando eu era pequena, chamava de vó e ela brincava de baralho comigo, a gente jogava as cartas pra cima e depois catava tudo de novo]. eu fui, e ela disse que tinha feito o bolo duas vezes já, e que era pra eu não colocar nem côco nem bicarbonato, que ficava seco demais. aí eu não coloquei.
- ahn...
- e, agora eu fui ver [nair dá uma risadinha], aqui fala pra colocar 3/4 de xícara de açúcar, né.
- ahn...
- eu coloquei 2 xícaras.
- ah, vai ficar doce.
- é, vamos ver.

depois de uma hora, mais ou menos, eu estou brincando com o cachorro e ela entra em casa com uma sacola na mão.
- meu bolo não ficou bom, foi muito açúcar.
- mas o que aconteceu?
- ficou meio que nem pudim, sabe?
- [eu faço uma cara de emoticon-dois-pontos-e-S]
- fui comprar mais maçã, vou fazer de novo.

em casa, barulho de batedeira.
talvez eu peça pra ela fazer uma calda, em vez de colocar tiras de maçã caramelada em cima.
eu conto se ficar bom.

(mais alguém comeu esse bolo?)


sabe?!...


30.8.05

Namorados
Manuel Bandeira

O rapaz chegou-se junto da moça e disse:
- Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
- Você sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
- A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
- Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
- Antônia, você é engraçada! Você parece louca.



sabe?!...




só porque eu não tenho o que fazer:

eu tenho mania de cheiros. cheiro do ônibus (de mofo e lugar fechado), cheiro da minha cachorra (de talco), cheiro do meu pai (de armani, desde que meu nariz se conhece por gente), cheiro do meu irmão (de desodorante barato que ele espalha pelo banheiro, acho que para me dedetizar). minha nova mania é cheiro de cabelo. não cheiro de xampu; cheiro de cabelo. ou de couro cabeludo, como você preferir. porque cada um cheira diferente, não sei se vocês já notaram. é que eu ando muito de ônibus e as poltronas são pertinho, e eu sempre sinto o cheiro do cabelo de quem senta na minha frente, e às vezes de quem senta do meu lado. também sei o cheiro do cabelo do namorado, da minha mãe, dos meus irmãos, do meu pai. acho que de alguns amigos também. vou fazer como o narrador do rubem fonseca, que praticava a copromancia, e vou passar a fazer previsões do futuro das pessoas pelo cheiro de seus cabelos. ou couro cabeludo.

falando em cheiros, eu tenho mania de cheiros contextualizados. por exemplo, hoje tava um sol relativamente forte, com um vento agradável, cheiro de ..., e eu lembrei dessa mesma época do ano, ano passado. eu estava mais ou menos indo pra ilhabela, viciada em zeca baleiro, nos meus últimos dias (felizes) de pessoa sem experiência profissional, terminando o primeiro semestre que estava atrasado por causa da greve, estudando pra prova da fflch e tomando guaraná em pó, despreocupada. faz um ano, tudo isso. eu lembrei na hora, só de sentir o cheiro. o cheiro de julho é um cheiro de noite misturado com o cheiro do amaciante que usam em casa às vezes, e normalmente (mas não esse ano) eu estou em crise ouvindo o cd acústico do capital inicial. foi assim nos últimos 3 anos, acho.

segundo o guilherme, mulheres às vésperas dos premiados dias da menstruação sentem cheiros com mais intensidade. hm, acho que não, eu estou assim há dias.


sabe?!...


29.8.05

álbum de fotografias
(ou domingo com a máquina fotográfica, sem ter o que fazer)


impressão sua, nós adoramos sair em foto


o cachorro é muito inteligente. ela anda alguns metros com duas patinhas. e em breve eu conto o que ela anda fazendo no google.


as crianças da casa


eu sempre tento enquadrar direito. nunca dá certo, ou sai de foco



sabe?!...




eu desligo o computador, pra fazer alguma coisa, e ligo quinze minutos depois, pra fazer nada
eu entro no messenger e fico esperando alguém puxar assunto comigo
eu ligo duzentas vezes pro namorado pra dizer a mesma coisa
eu deito na cama e não consigo dormir
eu como doce
deito na cama de novo e não consigo dormir
eu encho o saco do cachorro, pego no colo e fico fazendo carinho até ela não querer mais
eu invento posts e depois apago
eu fico checando emails, mas nunca tem nada novo a cada meio minuto
eu entro no orkut pra ver quem está online
eu faço e refaço o tour de blogs
eu fico olhando minhas comunidades e tento descobrir o que um desconhecido pensaria de mim se visse minhas comunidades e lesse meus scraps (saberia que eu estudo jornalismo na usp, que eu gosto de jornalismo literário, de harry potter - mais precisamente do snape -, de amélie poulain, clarice e pessoa, que minha infância foi bem mais legal que minha adolescência, pensaria que eu sou solteira neurótica viciada em sexo, saberia que eu tenho medo de et, que tenho ascendência italiana, que eu moro longe)
eu não consigo ler
muito menos assistir televisão
eu olho sites de viagem, procurando um lugar pra ir, e sempre acabo nos links de berlin
eu passo o dia sem fazer nada, olhando para o nada, e à noite penso que perdi mais um dia


sabe?!...




uninvited
and they wonder why you're frustrated
and they wonder why you're so angry
is it just me or are you fed up?


sabe?!...


28.8.05

tô com preguiça até de dormir. de postar, então...
hoje eu queria ser um objeto. talvez um quadro. não os do harry potter, que se mexem, queria ser uma coisa estática.
acho que tô mais pra quebra-cabeça.

se tiver pecinha faltando, não liga, não


sabe?!...


25.8.05

eu cansei.
cansei de passar duas horas por dia, às vezes mais, dentro de ônibus, andando por estrada que parece cada vez maior, cheia de blusas para não congelar no ar frio demais, mudando de lugar pra não ficar ouvindo conversa de quem não sabe falar baixo, sem poder ler, porque fico enjoada, sem conseguir dormir, porque o cheiro do ônibus é ruim.
cansei de descer em são paulo depois do ônibus e não conseguir respirar o ar seco demais e muito poluído. cansei do trânsito dessa cidade idiota, cansei do medo que eu tenho de andar com dinheiro na mochila, ou medo de talvez estar com pouco dinheiro pro ladrão, cansei de ter de passar o dia e levar casaco, camiseta de calor, guarda-chuva, filtro solar para os dias que podem começar muito frios e me deixarem queimada na hora do almoço, se eu tiver de andar por cinco minutos nas calçadas sem árvores.
cansei das aulas. são horas que eu poderia passar lendo e aprendendo muito mais, horas preciosas que eu passo olhando para o nada, pensando que é tudo tão vazio. mas cansei também de falar mal dessas aulas, do curso, da universidade, cansei dessas reclamações que são sempre as mesmas, e não mudam nada. cansei de greve, quem eles acham que comovem com essas paralisações que só aumentam o período de aulas e diminuem o de férias?
cansei dessa família que superprotege um moleque que precisa ser chacoalhado. que briga comigo, que tento chacoalhar. cansei dessa família que acha que eu não faço nada, porque eu passo o dia fora (em aula ou na biblioteca) ou em casa, no meu quarto, lendo. cansei dessa família que parece dar mais valor ao trabalho físico que ao trabalho intelectual. cansei dessa família que só cobra resultados, e só de mim.



sabe?!...




já apaguei uns 4 posts que escrevi para publicar.
nada deve ter importância pra quem lê.
talvez eu apague esse.



sabe?!...


23.8.05
quinze dias e duas mil peças depois...






sabe?!...




home sweet home
eu desliguei e ele ligou a tv cinco vezes, e eu desliguei a sexta gritando que ia estudar e queria usar meu quarto em silêncio. ele estava no orkut e assistindo malhação, medíocre que é. sim, é aquele mesmo irmão que não vai passar no vestibular no fim do ano. ele comeu a última bala de goma, rasgou o que restava do pacotinho e espalhou o açúcar pela minha escrivaninha de vidro, e eu tenho mãos suadas que mancham o vidro quando eu tento limpar as sujeiras. eu dei um soco nele, ele chutoua minha barriga, bem na altura das minhas cólicas que me impediram de sair de casa hoje. ficou vermelho. ele foi pra sala. eu peguei o pacote de chocolate com castanhas, que estava também na minha escrivaninha apesar de ele ter comido, levei até o quarto dele e despejei todos os farelinhos de chocolate em cima da cama dele e no livro de física que estava por lá, extraordinariamente aberto. sabe como é farelo de chocolate, quando você tenta limpar eles grudam e deixam tudo melecado. ele ainda não viu. está na sala, assistindo malhação. acho que vou buscar o pacote só pra deixar menos óbvio o que eu fiz, e ele só notar que está todo melecado amanhã cedo, quando levantar da cama pra ir pra aula.


sabe?!...


22.8.05

você sabe que (1) está apaixonada e (2) está adorando as aulas de italiano quando você googla* "laura pausini lyrics" e vai lendo as mais românticas e canta "la solitudine" inteirinha, prestando atenção na gramática, no vocabulário, na afinação e, claro, na letra.

*"googla" é a conjugação em terceira pessoa, no presente do indicativo, do verbo to google (a saber, eu google, tu googlas, ele googla, nós googlamos, vós googlais, eles googlam)


sabe?!...


21.8.05

se eu usasse drogas, esse seria o momento de uma overdose

ou

no inferno toca música, e alto




sabe?!...


20.8.05

tpm
um
quando você mora na casa da sua família, o seu namorado tem hora pra ir embora e ele passa todo o tempo vestido, sentado no sofá do lado da sua mãe e fazendo carinho no seu cachorro. quando você mora na casa da sua família, as coisas do seu irmão ficam jogadas no seu quarto, a guitarra, o amplificador, o copo de coca-cola, os papéis de chicletes. às vezes você é obrigada a tomar banho frio porque seu irmão que já deveria ter saído da adolescência acaba com a água quente do aquecedor no seu banho de meia hora. se você ainda mora na casa da sua família, é geralmente porque você não tem dinheiro para se sustentar.

dois
terrorismo é quando compram a playboy e ela fica largada no meu quarto - que é o quarto de todo mundo da casa, menos o meu -, e eu sou obrigada a ficar vendo aquela mulher de peitos lindos e bunda linda na minha frente. pelo menos eu não tenho um espelho no meu quarto. então à noite, quando você menos espera, aparece no seu sonho alguma coisa que te lembra que você nunca vai ter aqueles peitos, que a sua bunda deixou de ser daquele jeito há alguns anos e que sua barriga nunca mais vai diminuir, agora só cresce em progressão geométrica. pelo menos eu não tenho um espelho no meu quarto, e o meu mural só tem fotos antigas.

três
acordar na sexta-feira doente, depois de ter tido o dia mais lotado da sua vida na quarta e uma quinta de convalescença é sacanagem. adicione à gripe a tpm; ecco. eu renovei o livro da biblioteca por telefone, mas eu não sei se terei tempo de ler. eu faltei na aula de política, e eu sei que não vou conseguir recuperar a matéria. eu não li nada. eu não fui procurar um professor x para falar de fapesp. eu passei o dia montando um quebra-cabeça.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah
eu só queria um pouco de vinho, edredon e abraços. é pedir tanto assim?...


sabe?!...


18.8.05
pírulas, como diria o outro

ecco: a aula de italiano está a todo vapor. de segundas e quartas eu passo a tarde pensando em palavras italianas; mas eu não as pronuncio em voz alta, ou seria insuportável (para os outros). ó, já sei os números, o alfabeto, as profissões, os cumprimentos, os artigos, alguns verbos... mas, vocês sabem, quando a cidadania chegar (mês que vem), eu vou virar italiana em um passe de mágica, então nem vou mais precisar das aulas.

***
crocodilo e cocô de grilo: pode ser que eu ande um pouco confusa. aqui em cima tenho jornalismo literário, astronomia, hobbes e neuropsicologia. e nenhum tempo de mais nada. uma alteração na rotina, como uma visita ao jornal da globo (conto outra hora) quebra todo o ritmo, e eu preciso de uma tarde de pouca roupa e muito edredon pra voltar ao normal.

***
fútil: a minha mochila vermelha nova é linda e vermelha. cabe tudo que é uma beleza, tem compartimento pro meu guarda-chuva colorido... só estou me adaptando ao novo formato de alças (dor nas costas) e ao compartimento de carteira que é menor que a minha carteira. e, quando eu tiver tempo, eu vou fazer a escova progressiva e economizar o tempo de todo dia do secador. e a minha mais nova meta fútil é aprender a fazer maquiagem de televisão, aquela maquiagem das repórteres que fica muito boa e nem parece que elas estão de maquiagem.

***
nerd: eu descobri como comprovaram que o universo está em expansão. uma dica: efeito doppler. outra dica: aga210, aula no iag de introdução à astronomia. estou adorando.

***
semana do saco cheio está aí. e a greve também; parece que começa uma semana antes da semana do saco cheio. ou seja, teremos a quinzena do saco cheio. tchururu.


sabe?!...


14.8.05

Análise do Discurso
Objeto: Hollywood

- Fumar e beber são coisas do diabo que, por sua vez, esteve do lado dos comunistas.
(do "Constantine")

- Da clonagem para a escravidão, um passo.
(do "A Ilha")

- Se a tecnologia da estética for bem empregada, violência, morte, sangue, canibalismo etc viram a coisa mais linda que já se viu.
(do "Sin City")

- A estética é infantil, a piada é adulta. Queremos que você goste do filme pra comprar nosso álbum de figurinhas, nosso dvd e nossos bichinhos de pelúcia, pai.
(do "Madagascar")


continua...

(ps: eu sei que não seria uma boa crítica de cinema, mas isso não me importa. eu quero poder dizer o que eu acho, mesmo se só os mesmos cinco leitores do blog do guilherme passarem por aqui)
(pps: sim, guilherme, você está destinado ao inferno. ou você é o diabo???)


sabe?!...


9.8.05

...ever after

Começou quando eu passei a me interessar por homens que existiam. Com todos eles foi assim, eu olhava e oh-oh. Era instantâneo, embora demorasse um pouco por causa dos obstáculos de sempre: uma namorada aqui, um mocinho acolá, alguns meses, às vezes anos. Mas eu sempre soube, desde o primeiro momento, que eu veria aqueles olhos mais de perto. Olhos castanhos escuros, fazendo uma média aritmética das cores (ou dos genes dominantes), emoldurados por óculos (sem armação). Só muitos anos depois eu notei que as lentes estavam apoiadas em narizes grandes e, embaixo, sempre um sorriso lindo, assim retinho de aparelho usado na adolescência. Em volta de tudo, cabelos escuros e um pouco ondulados. A minha mulher ideal, se um dia eu fosse gostar de mulher, também usa óculos, mas tem nariz pequeno e queixo um pouco para a frente. Ela é morena, de cabelo liso e comprido, tem a voz meio rouca, é bem magra e não mede mais que um metro e sessenta. Homens precisam ser mais altos.

E com tanto padrão, e sentindo tão bem o que estava por vir, eu achava que controlava tudo. Sabia como funcionava o jogo, eu arrumo o cabelo, você sorri, nós nos tocamos sem querer. Mais dia, menos dia aconteceria, era só esperar. O que eles não sabiam é que eu já tinha sido conquistada desde o primeiro oh-oh, eles não precisavam fazer mais nada. Às vezes eles faziam, e eu sempre pensava não precisa, eu gosto de você, mas eu ficava quietinha e sorria.

Um dia eu acordei com sono, era sábado e o relógio marcava oito da manhã. Me arrumei, sentei no canto, Hi, I¿m Mariana and I study journalism. Eu não lembro bem, porque nessa época eu já repetia mantras internos não fica vermelha, não fica vermelha, fica calma, ele é só mais um colega da sala, pára de olhar pra boca dele, eu não lembro bem, estava concentrada nos meus batimentos cardíacos, mas acho que ouvi I study law, e isso foi tudo. Eu ainda não sabia que ele morava na rua mais bonita da cidade, cheia de árvores crescendo em silêncio, eu achava que a casa dele ficasse por ali, perto da minha, porque todo sábado ele me oferecia carona. Eu já sabia que gostava dele.

O jogo teria sido o mesmo de sempre se ele não jogasse muito mais que eu, e não comigo. Não nos tocamos sem querer, porque eu não sentava perto dele nunca. Mas ele sorria. Eu ficava nervosa mexendo na chave quando estava perto de descer, Obrigada, até semana que vem e para dar um beijo nele, esquecer toda vez de levantar o pino da porta. E a dúvida! Nunca ter sabido se ele me ficava olhando entrar ou não. Nunca soube. Se eu perguntar agora, é claro, ele vai dizer que sim, então não vale.

Mas, vocês sabem, ele não existia; era como todos aqueles homens que não existem e estão na nossa frente porque também é preciso sonhar. Para quando alguém pergunta, meio de porre, meio em crise, pra que servem esses malditos homens?, e você responde pra nada, porra, e então lembra dele, ele é tão ..., e conclui que ele não existe mesmo, ou não serviria pra nada. Para quando sua amiga de olhos brilhando diz ele é perfeito, ele fala tal língua, ele toca violão, ele não usa roupas estranhas e você responde e ele por acaso gosta de pessoa?, e ela responde essa pessoa não existe, e você sorri, todo dia você sorri quando acorda, é, acho que não mesmo, porque ele é daquele tipo de homem que não existe mas está na minha vida porque eu escolhi sonhar.


para o dia 10 de agosto



sabe?!...


7.8.05

eu estou com muita vontade de montar um quebra-cabeça.




sabe?!...


4.8.05

A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.



sabe?!...




eu não sou brava - eu sou séria
foi no meu segundo trabalho (temporário, esse) que o moço me disse para não ficar brava, que ia dar tudo certo no tempo programado. não, eu não sou brava, eu sou séria e profissional. ele tentou argumentar que conhecia aquarianas, quatro namoradas e uma esposa do mesmo signo, que somos todas assim bravinhas, e eu fiquei na minha, o que se pode dizer para alguém que acredita em personalidade moldada pelo alinhamento dos astros?...

e acho que por levar tudo muito a sério, pode ser que demais, eu fico gastricamente nervosa quando duvidam da minha competência.

o que eu ia contar tem a ver com jornalismo autoral, mas vou abrir parênteses para contar outro episódio desse meu segundo curto trabalho. eu era responsável pela revisão de uma revista, então tinha basicamente de ler os textos e corrigir erros gramaticais, ortográficos, de digitação, melhorar frases confusas*, ver se tudo tinha sentido*, checar palavras repetidas na mesma página, crédito de foto, tamanho e estilo da fonte etc. o meu trabalho era extremamente relacionado com o do diagramador (o moço versado em aquarianas); ele precisava me dizer qual página estava pronta, eu avisava qual texto ele podia colar na página, o que ele tinha de arrumar, essas coisas. ficávamos um atrás do outro (não por causa desse diálogo necessário, mas porque era o único espaço), ele chegava mais tarde que eu, fazia as coisas, era cobrado, aquele ótimo clima de fechamento que todos conhecem, ou devem imaginar (prazos na gráfica, textos atrasados, arte que não ficou pronta, demora para converter para pdf). eis que, em um dos últimos dias de trabalho, eu estava indo embora quando o telefone da minha mesa tocou. era para mim, o editor da revista. me pediu para não ficar de conversinha com o moço da diagramação, senão ele não fazia o trabalho dele direito, atrasava tudo. eu murmurei um ok, uma sensação de ... subindo e descendo do meu esôfago, desliguei o telefone e fui pra casa, muito puta, mal consegui dormir, fiquei com dor de estômago. não, eu nunca mais vou fazer revisão lá.

o meu problema de levar o trabalho a sério demais é que eu me sinto mal quando duvidam dessa minha seriedade. mesmo na agência (mesmo porque não se pode dizer que eu gostava de lá) eu fazia tudo conforme mandava o figurino, ou o meu chefe, apesar de não concordar, de não suportar, de achar tudo aquilo medíocre demais. eu fazia, tinha de fazer, eram as condições para trabalhar lá. e eu não renovei o contrato. o que eu sempre achei um absurdo foi enviar o texto pronto para o entrevistado ler e ver se estava ok. eu me sentia a pior profissional do mundo pedindo que a pessoa, que tinha me autorizado a escrever o que ela falasse, olhasse pra ver se eu não tinha cometido nenhum erro. afinal, é a minha profissão, escrever a informação da forma que ela me foi passada, da melhor maneira possível, e eu tinha de mandar para alguém que não tinha a mesma profissão que eu. que tipo de correção ela podia fazer? de conteúdo? hm, discutível, porque ela tinha aceitado me dar entrevista e supõe-se que ela confia no meu trabalho, que é coletar a informação correta para depois repassá-la. o que não é discutível, é simplesmente um absurdo, é querer mexer no texto, mudar a linguagem. vontade de dizer: queridos, eu faço quatro anos de faculdade para saber escrever do jeito que o povo vai entender, não é você que vai me dizer como o texto fica melhor. mas não pode dizer isso, claro que não. tem que explicar que a linguagem jornalística não é tão especializada, que precisamos traduzir tudo para uma linguagem acessível a todos bla bla bla. isso com os os cientistas. e as outras "fontes"?

é, as outras fontes. eu quero fazer jornalismo literário, que é autoral, subjetivo... e trata de pessoas, e essas pessoas,fontes das histórias. fala-se delas, do que elas sentem, do que elas parecem sentir, do que elas escondem. e precisa-se da autorização delas para publicar. eu sinceramente não vejo problema em mostrar o texto antes, não para "correções", mas para a pessoa saber o que vai ser dito. e vai que tem uma informação errada (mais uma vez: não pode ter informação errada)? e daí surge alguém que decide mudar seu texto, tirar as partes em que aparece menos glamoroso, um pouco politicamente incorreto, adiciona uma mensagem no final (porque deve imaginar que o a mais vai no final do texto, como se a ordem das informações não importasse e cada linha não fosse pensada). e aí?

daí, meu bem, eu fico mais que brava.
e meu estômago me impede de dormir, e eu me recuso a mostrar para alguém, imagine então publicar!, um texto que não é mais meu.
eu odeio pessoas que não me levam a sério.

*frases confusas e sentido ao texto, quem deve olhar isso não é o revisor, em um veículo sério. é o editor, que lê os textos antes (não era o caso), discute abordagens (não era o caso), avalia o texto (não era o caso) e sugere mudanças (não era o caso).



sabe?!...


3.8.05

coisa engraçada
a naty que disse, a vida é uma coisa engraçada. quatro anos de retrospectiva não são nada, e é muita coisa. há 4 anos eu tinha 17. e de repente parece que toda a minha vida aconteceu a partir dos 17. apesar de eu ainda me sentir perto dos 18, as meninas de 18 são muito diferentes de mim. eu sou diferente delas. elas, juro, parecem crianças, e eu não achava que eu parecia criança aos 18. com 21, só fico pensando que em alguns anos posso achar as moças de 21 crianças. e daí me lembro que, aos 21, minha mãe entrou na igreja, colocou aliança no dedo e passou a fazer jantar toda noite para o meu pai.

***melhor pensamento do dia***
eu já fui uma pessoa triste, e isso parece ter sido em outra vida.
antes dos 17? hm. com recaídas.


sabe?!...


2.8.05

o meu erre é o erre interiorano mais da capital que existe.
depois de ouvir zé dirceu por algumas horas.

por falar nisso, capital em italiano é capoluogo. e obra-prima é capolavoro.
(porque capo é início, chefe, cume ou cabeça [de rebanho], segundo meu dicionário, e luogo é lugar, e lavoro, todo mundo sabe, é trabalho).

por acaso eu usei ( ) antes de [ ], mas meu antigo professor de matemática (oi, marcão, um beijo pra você - como se ele lesse o blog) pode ficar tranqüilo que, quando eu escrever expressões matemáticas, seguirei a hierarquia { } - [ ] - ( ).

matemática me lembra fuvest, meu último contato com matérias de biológicas e exatas. ano que vem, talvez, tem fuvest de novo. vai ser fácil passar, eu sei, mas eu queria fazer um número decente de pontos para não em sentir medíocre o resto da vida. e eu não lembro nada de física, química, matemática. biologia sim, porque é fácil. e o resto porque é minha obrigação (mas isso não significa que eu não vou precisar estudar tudo de novo). alguém lembra as regiões de produção de cada grão no brasil? e pra que serve um dinamômetro? e como é um éster? trigonometria? e detalhes da grécia?
por favor, se forem comentar, é pra dizer que não se lembram de nada disso



sabe?!...


1.8.05

a aula de italiano não deu certo. a escola está reformulando o curso de iniciantes e eu tenho de esperar o ano que vem. como se eu tivesse todo o tempo do mundo pra aprender italiano, como se eu não tivesse programado as minhas optativas deixando segundas e quartas livres, como se eu não tivesse decidido deixar francês pro ano que vem.

seria tão melhor discutir jornalismo literário em vez de rádio, tv, internet. essas matérias a que se resume o meu semestre.

o plano é: terminar optativas em junho do ano que vem, fazer o tcc e depois decidir. letras ou mestrado? e emprego? não sei. mas esse é o plano.

outro plano: comprar o aparelho da feiticeira. porque eu não gosto de me mexer, e aquilo mexe comigo sem que eu precise pensar em me mexer. a pergunta do horta: será que aquilo não provoca movimentos peristálticos?

alguém, por favor, passe na farmácia e compre ânimo em cápsulas, pra tomar duas vezes ao dia, ao acordar e depois do almoço. se não tiver as específicas "ânimo para ler", "ânimo para escrever", "ânimo para se mexer e ficar menos barriguda", aceito um genérico.

e agora eu vou tentar ler balzac. é preciso começar por algum lugar. eu vou tentar descrições chatas, apresentação de personagens didática, símbolos de status de vida... coisas.



sabe?!...