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de mel


::Aparentemente achava que nenhum detalhe de sua vida era trivial demais para não ser relatado::

mariana d., 21, já teve dois blogs e muda de casa quando convem. às vezes fica com os olhos dessa cor quase amarela. odeia abelha mas gosta bastante de pinga com mel.

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31.10.05

duas coleções: de palavras e de marcadores de livros.
mas eu não vou atrás de nenhum deles, só guardo quando ganho de presente ou de brinde.


sabe?!...


29.10.05

eu tenho medo da minha mãe
- mãe, as minhas coisas não cabem mais no meu quarto, eu preciso de mais espaços, mais estantes...
- mariana, não tem mais espaço. quando as coisas não cabem mais você faz o quê?, só mudando de casa, tendo um lugar só pra você, casando...


...




sabe?!...


28.10.05

hoje, depois de muito tempo, eu acordei sozinha, sem despertador, completamente descansada e até de bom humor. dormi dez horas, é dia do funcionário público e eu não tenho aula. porque todo dia eu acordo com sono, não durmo a viagem toda porque fico pensando no que tenho pra fazer, garanto a dose diária de cafeína com o cappuccino da dona hermínia às oito, e aí começa o dia. que só termina às onze e pouco, depois de ter tomado banho e estudado mais um pouco. daí fico um bom tempo na cama, rolando, tentando deseletrizar, e... tudo igual no outro dia.

a única hora de meio descanso é o banho. é quando eu lembro que eu tenho um corpo (mentira: lembr também no almoço, quando eu morro de vontade de refrigerante mas evito em nome dos centímetros ainda não tomados pela celulite - já há uma semana!). engraçado: o sabonete que eu estou usando chama sedução do chocolate e, segundo a embalagem, é de musse de chocolate com vitaminas do morango. hahaha. não, ele não é comestível, mas não dá uma vontade absurda de comer?... o cheiro é bom, lembra chocolate. e a cor é mesmo de musse. mas eu definitivamente não sei qual a vantagem disso, além de me dar mais vontade de comer barras e barras de chocolate e virar uma goooooorda.



posso fazer uma observação?
no primeiro ano da faculdade, depois de um fechamento, eu comentei com a dani que a gente sabia que tinha dormido pouco quando acordava de manhã e nem xixi tinha pra fazer. ela comentou que sabia que tinha dormido pouco quando não conseguia colocar a lente de manhã, que o olho não tinha ficado o suficiente sem lente. daí hoje eu encontrei outra evidência: quando nem dá tempo de formar melequinha de olho. (eu adoro teorias)



sabe?!...


26.10.05

é uma merda
quase todas as pessoas da minha idade têm fim de semana. a preocupação de quase todas as pessoas da minha idade é se a balada vai estar legal, se a bebida vai ser boa, se vai ter bastante mocinho bonito pra beijar. se vai dar pra usar o carro, ou se vai todo mundo no mesmo carro, ou se o pai vai dar um carro novo com insulfilme e cd e dvd e sei lá o quê. se vai encontrar o professor da academia que ajuda melhor no alongamento, se as esteiras não vão estar lotadas, se não vai suar muito antes da hora do mocinho lindinho chegar.

os trabalhos da faculdade não importam, e quase todo mundo da minha idade que faz faculdade faz uma faculdade menos picareta que a minha, e têm mais trabalhos. grande coisa se vai ter que mudar de companhia de ônibus praquela pilantra que sacaneia contratos e vai subir os preços e usar ônibus velhos, com motoristas sem ética nenhuma, sem noção nenhuma de que é perigoso dirigir agressivamente numa estrada com chuva. danem-se os prazos, compromissos, tudo pode ser ajeitado, como sempre foi. o conflito mais profundo foi a hora de escolher a faculdade, pensaram por dois dias e assinalaram aquela lá mesmo, e se der dinheiro é provável que siga a profissão.

eu tô cansada.


sabe?!...


24.10.05

eu queria ser como aquelas mulheres que piscam e levam o mundo todo pro seu intervalo de escuridão. a gente pisca com elas, sorri com elas, anda com elas. elas são grandes, às vezes nem tão bonitas, mas os seus cabelos sempre balançam ou escorregam do palito de madeira que os prende, mas escorregam devagar, com graça, tão devagar quanto seu piscar de olhos. de longe é possível sentir o hálito fresco quando sorriem; elas sempre sorriem com todos os dentes, a boca tem sempre uma cor que batom nenhum imita. os olhos sorriem junto, o corpo todo sorri: quando elas andam, todos param para que ela passe, os carros diminuem, as motos desviam, as pessoas ficam em sua volta para observar mais de perto, sentir algum perfume diferente, ouvir a voz - que sempre é linda - das mulheres que passam. elas, no entanto, não percebem toda essa mobilização (porque sempre foi assim, já estão acostumadas). não olham para os lados, não titubeiam. elas sempre sabem para onde vão. se estão em dúvida, é uma dúvida tão carinhosa que dá vontade de ajudar, mas não se pega na mão de uma mulher dessas, assim, sem conhecer. porque elas são educadas e sorridentes, mas não distribuem carinho para qualquer um.

elas têm certeza, e isso basta.



sabe?!...


22.10.05

entre outras coisas
isso daria um bom nome de blog

vou fazer academia.

eu tinha feito um daqueles jogos: se tal coisa acontecer, vai acontecer também a outra coisa. dessa vez eram coisas relacionadas, mas não aconteceu. então continuo com o cabelo liso.

minha casa está em reforma, e eu preciso escolher até segunda uma cor de tinta se eu quiser uma parede não branca no meu quarto. mas a opção "quarto com móveis menos práticos e mais bonitos, com mais estantes e menos gavetas de vidro" não existe. só se muda a cor da parede e o chão.

essa semana recomeço os guaranás em pó, depois de quase um ano limpa.

é isso.


sabe?!...


20.10.05

(só um comentário: o lula passou tantos anos da vida dele fazendo comícios e pedindo votos que agora ele não sabe falar sem aquela ênfase eleitoreira. todos os discursos têm os silêncios para a palavra dele repercutir. sempre no tom enfático. como é mesmo a palavra que eu quero usar?... esqueci. vocês entendem? aquele jeito de palanque, de manifesto, de indignação para convencimento... qual é a palavra, mesmo? é essa que eu quero. e é por isso que ele mal começa a falar e começam os xingamentos aqui em casa, não importa qual seja o assunto do discurso da vez. e é assim na casa de muita gente. ele não tem autoridade nenhuma, e parte do motivo é esse jeito de falar. ele não deveria estar em campanha ainda. ou de novo. ou sempre. não sei.)



sabe?!...




segunda parte:

Alguma coisa parece acontecer com as pessoas quando elas conhecem um jornalista, e o que acontece é exatamente o oposto do que seria de se esperar. O mais lógico seria que uma extrema cautela e prudência estivessem na ordem do dia, mas a confiança infantil e a impetuosidade são de fato muito mais comuns. O encontro jornalístico parece ter sobre o indivíduo o mesmo efeito regressivo que a psicanálise.
(O jornalista e o assassino - Janet Malcolm)


é importante dizer que o título se refere a duas pessoas distintas.


eu tinha procurado livros na biblioteca que me incentivassem. nesse livro, que nem é tão bem escrito, o título não atrai, está numa prateleira baixa da biblioteca, eu estou encontrando as coisas que me fizeram desistir de jornalismo. fiz toda uma análise da crise, mas preciso organizar em palavras. mais tarde faço isso.




sabe?!...



a crise está instalada, e eu tento não pensar nisso me ocupando de questões técnicas: webwriting, pontos de análise do discurso importantes para o projeto, a vida do marquês de sade, conjugação dos verbos em italiano.

mas eu sou brasileira e não desisto nunca (e essa piada é só pra mim, que li um texto mal escrito do fred melo paiva sobre o ronaldinho) e decidi que preciso tentar de todas as formas me convencer de que é possível existir jornalismo.

pensei em conversar com duas pessoas que eu considero que entenderiam o que eu penso. uma está em londres e a outra em um congresso. as outras pessoas podem me ouvir, mas só: o namorado entende mas não faz parte do universo dele; os que estão no mesmo universo não discutem a questão. foi por isso que eu não fiquei surpresa, só decepcionada, quando abri os livros da seção de ética da biblioteca e as fichinhas deles não tinham quase nenhuma assinatura. ninguém do jornalismo deve ter problemas éticos, simplesmente não pensam nisso. trecho ótemo que me fez pegar um livro que eu jamais pegaria:

"Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. (...)A catástrofe, para aquele que é tema do escrito, não é uma simples questão de um retrato pouco lisonjeiro, ou de uma apresentação errônea das suas opiniões; o que dói, o que envenena e algumas vezes o leva a extremos de desejo de vingança, é o engano de que foi vítima. Ao ler o artigo ou o livro em questão, ele tem de enfrentar o fato de que o jornalista - que parecia tão amigável e solidário, tão interessado em entendê-lo plenamente, tão notavelmente sincronizado com o seu modo de ver as coisas - nunca teve a menor intenção de colaborar com ele na sua história, mas pretendia, o tempo todo, escrever a sua própria história." (O jornalista e o assassino", Janet Malcom)

é isso.
e eu não sei o que vou fazer.


sabe?!...


17.10.05

oh, for heaven's sake

sobre as desgraças do mundo não sei o que comentar. elas acontecem e eu não consigo interpretar, me sobra o susto e fico pasma. não consigo sequer chorar. acontecimentos próximos demais, mas que não atingem diretamente minha vidinha tonta, não me fazem chorar. eu sei, egoísta. deve ser fuga inconsciente, se eu fosse começar a chorar pelas desgraças do mundo não pararia mais. deve ser isso. egoísta.

quase fui chamada de poliana quando comentei que os jornalistas que estão agora na minha faculdade sairiam de lá um pouco menos urubus, um pouco mais humanos depois do choque e depois de fazerem parte do lead. voltei ao meu ceticismo habitual, me cai melhor e há menos chance de sofrer. sem dizer que mais humano não significa mais sensível, deve ser exatamente o oposto. homens.

essa é a minha semana de crise. para o relacionamento ser equilibrado tem que ser assim, crises intercaladas: uma semana minha, uma semana dele. crises duplas na mesma semana não pode, é só reclamação e ceticismo. eu pedi essa semana pra mim, acúmulo de trabalhos, desgraças, tpm, falta de perspectivas, sono, casa em reforma, casa em estado de guerra, carência. toda semana de tpm é minha semana de crise, está estabelecido. as outras três são negociáveis, mais uma pra mim e duas pra ele. combinado.

quando o direito à informação se transformou em dever da informação?

que direito eu tenho de espalhar pra milhares de leitores que o meu personagem perfilado tem medo de escuro, ou da mãe, ou espreme cravos escondido, ou coça a perna quando fica nervoso, ou...? desde quando isso é informação útil? o que as pessoas vão fazer com o escancaramento da personalidade de um comum como eles? vão se sentir mais confortáveis? e o escancarado, como vai se olhar no espelho depois de se ler na página?

eu não quero mais contar histórias de ninguém.
eu não quero mais ser jornalista.
eu não quero enganar e fazer parecer legal ter suas manias e seus medos impressos e lidos.
eu não quero perguntar o que eu não tenho direito de perguntar.
eu não quero mais brincar de escrever a frase verdadeira mais bonita.
não quero mais.




sabe?!...


15.10.05

what's the point?

(hitchhiker's guide to the galaxy)

eu preciso ganhar um marvin de presente, pra colocar na minha escrivaninha. é como ter um mascote, ou um mini-mim. ele é demais. além, claro, de ter a voz do alan rickman.

o outro presente, que eu já encomendei na família, é a coleção digitalizada das revistas new yorker. decidi que eu vou trabalhar com jornalismo literário, e ponto.


sabe?!...


12.10.05


se eu não estivesse na usp, eu estaria de saco cheio.


preciso de uma noite em que eu deite para dormir e não passe meia hora virando na cama pensando em todos os problemas/compromissos dos próximos meses. descansar de verdade, dormir. ter um fim de semana de dois dias inteiros.



sabe?!...


9.10.05
tão cansada que parece quinta à noite.
as herpes vão reaparecer na quarta-feira, anotem isso.

e é dia dez do mês dez.
é mais que isso.
queria *só por isso* uma cama grande, com edredon, uma chuvinha na janela, vento entrando embaixo da porta, uma banheira com água quente e espumas da lush, vinho tinto (ou *vino rosso*, que agora só assim é permitido) e pão com farelos e uma cueca branca jogada no chão. só isso.


sabe?!...




a veja são paulo escolheu 50 pessoas bonitas (segundo eles) e anônimas e colheu pequenos depoimentos. em todos as pessoas explicam os motivos ou a conseqüências de suas belezas, o que mais gostam em si etc. não é estranho que as pessoas se achem mesmo bonitas e declarem isso numa revista? eu acho muito estranho. muita gente sem o mínimo de auto crítica.

(eu não achei nenhum deles bonitos. e, pensando agora, não acho ninguém bonito. se ficar olhando de perto, cada detalhe do rosto separado, e depois junto de novo, não tem gente bonita, só uma mistura de narizes bocas olhos espinhas pêlos feridas.)


sabe?!...


5.10.05

um dos meus problemas é que, sempre que me proponho a fazer alguma coisa, quero fazê-la da melhor maneira possível. e tempo não é uma variável a ser considerada nesse "possível", só a capacidade intelectual, mesmo. e daí eu fico assim, querendo saber tudo de astronomia, marquês de sade, análise do discurso, técnicas literárias, técnicas cinematográficas, jornalismo literário. tô muito cansada.

o outro problema é a barriga que cresce, cresce, cresce, e a fome aumenta na mesma proporção. talvez eu dê uma passadinha na academia aqui perto. espero que exista uma certa regularidade nessa passadinha.

do problema do silicone eu não vou falar, que isso não dá pra tornar tão público.

tem a questão da convivência difícil com todo mundo. o problema não são os que me odeiam, que esses não fazem questão de atenção minha; o problema são os outros. preciso aprender a ser mais leve.

e, mais que tudo: ir pra são paulo 6 vezes por semana está me matando.

preciso dormir (na minha cama, antes que sugiram banco de ônibus).


sabe?!...


3.10.05

a fapesp me aceitou.

:)



sabe?!...


2.10.05

depois da oficina do marcelino (pessoas novas, micro contos de jesus e contículos de moscas), conheci o paraíso: o namorado me levou na kalunga. podem rir, mas eu nunca tinha ido lá e sempre tinha imaginado rios de post its com margens de papéis de todos os tipos, árvores de canetas com troncos de lápis de cor, pastas e pastas calçando o caminho em direção à caixas, grampeadores, colas e mochilas. confesso que foi um pouco diferente, mas eu me diverti mesmo assim. quando ele soltou a minha mão eu fiquei qual mosca tonta vendo tudo girar (*hohoho*). quando eu for abrir o comércio, vai ser uma livraria com papelaria no fundo. não vai dar muito dinheiro, mas eu vou me divertir bastante.

além dos erres, os amigos do namorado tiram sarro de outro fenômeno interiorano (ou, mais especificamente, jundiaiense): o drive thru do dunkin donut's. parece que só aqui existe isso, o que é um absurdo, imaginem vocês quanto tempo os policiais norte-americanos não economizariam se eles pedissem suas rosquinhas e bandejas com café descafeinado, com leite, cappuccino e moccachino (um tipo para cada colega) diretamente da viatura, sem precisar furar a fila de clientes mal humorados e sonolentos, indo para o trabalho?!... pois é. e ontem nos utilizamos desse serviço, mas não no carro; descemos na loja pra perguntar se dava pra levar a mocca pra tomar no sofá de casa. dava. chegou quentinha, com aquele monte de chocolate derretido no fundo, nham-nham, e nós sentamos pra assistir oliver twist. quem vai ao cinema deve ter visto o trailer, já. e nós achamos um na locadora que parecia muito ser o do cinema, os mesmos cenários e figurinos e... não era. era bastante bom, mas não era o novo. tudo bem, depois a gente checa a versão polanski sem frodo (no nosso, o frodo era um dos ladrõezinhos).

se hoje o dia amanheceu chorando, deve ser de pena de mim: o fim de semana está há algum tempo de resumindo a domingo. ó céus ó vida ó azar.
quando vai chegar dezembro?


sabe?!...