de mel |
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mariana d 21
::pedante, egoísta, luxuriosa. é o que dizem. por mim, tudo bem::mari_de_mel@yahoo.com.br orkut yahoomail blogger cinema usp fapesp bibliotecas websudoku chebel la vie en rose make a mistake o mentiroso o guarda livros sorvete de casquinho torre de papel arquivo :::04::: novembro dezembro :::05::: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro |
31.12.05
desejos de ano novo porque promessas eu me faço todo dia sabe o que seria perfeito? se alguém, algum jornal ou revista, pagasse a mim, mariana que fala alemão há mais de dez anos, pra ir pra copa fazer uma cobertura jornalística. eu ficaria entrevistando os torcedores de todos os países, daria pra fazer uma série de perfis, também poderia fazer perfis dos alemães. contar bastidores, que eu gosto de bastidores, futebol é só a desculpinha. putz. seria muito perfeito. [/momento empolgação com jornalismo] Sabe!?... 30.12.05
pra quem realmente acredita que alguma coisa vai mudar, feliz ano novo. pra quem sabe que o ano começa numa segunda e isso é como o começo de uma nova semana, boa semana. Sabe!?... 29.12.05
eu tive um sonho acordada esse dias, terrível, terrível. claro que tem a ver com minha imagem: eu acordava e, quando ia tomar banho, via minha bunda e minhas pernas completamente flácidas e cheias de celulite. bem nojento, caído, branco, cheio de furos. acabei de chegar do banheiro, e eu levei um susto. não estou fazendo drama, não. é muito sério, e eu estou muito triste por causa disso. vocês sabem que celulite não é reversível, né? ***se esse blog está parecendo fútil demais para você, é porque você não mudou de uma bunda razoável para uma bunda nojenta em meio dia. então vá à merda*** Sabe!?... 28.12.05
meu nome é ácido láctico a freqüência continua a mesma, 100%. quem não continua a mesma sou eu, e nem posso dizer que é porque estou mais gostosa (3 dias de academia, dá nisso). a culpa toda é dos abdominais, que me transformaram em uma pessoa que geme a cada movimento. meu irmão desconfia que estou fazendo exercícios demais para minha pobre e flácida barriga, mas não é isso, não: é tudo resultado de muitas séries de 20. o pior de tudo não é a dor, é chegar da academia para tomar banho e se olhar no espelho. o susto: uma barriga inchadíssima, quase grávida de 4 meses, impossível de encolher, gorda, gorda. o namorado explicou que meu músculo está inchado. quero só ver quanto tempo demora pra desinchar, mais que 15 minutinhos?... e e como dói. escritos eu inventei um blog de auto ajuda, mas não passo o endereço porque ainda não consegui encontrar o tom certo dos posts. é, crianças, ser um paulo coelho é mais complexo do que vocês imaginavam... tá, explico: era pra tirar sarro de auto ajuda. mas escrevi um textinho ruim, ruim, e depois, quando li, achei que algumas pessoas podem encontrar e achar realmente bom. pessoas que gostam de auto ajuda, vejam bem. e eu me recuso a isso. estava pensando que é um absurdo se atrever a escrever alguma coisa de literatura sem ter referências básicas, saber o que foi feito e como foi feito. mas depois disso, quem disse que eu vou conseguir não imitar? comentário marviniano: é aí que reside a diferença entre os que querem ser e os que são escritores. e não existe querer ser escritor. é escritor quem está escrevendo, e eu não estou. e ponto. poderia estar, mas não estou, e não é porque eu me boicoto: é porque eu não sei, mesmo. e ponto de novo. de exclamação, que eu odeio. Sabe!?... 27.12.05
tenho o orgulho de informar que eu sou uma mulher gostosa. isso porque eu me matriculei segunda-feira numa academia. isso só já me deixou gostosa pacas, mas, pra completar, eu fui na academia hoje, terça-feira, e fiz uns exercícios. queridos, 100% de assiduidade, o que me torna gostosíssima. entenderam? (podem me mandar torpedos no celular lá pelas nove da manhã que é quando eu estou pesando os prós e os contras de ir na academia, ou seja, é o momento mais tenso para a porcentagem de assiduidade) Sabe!?... 26.12.05
suicídio social o problema é que a vida das pessoas é desinteressante demais, então elas precisam falar da vida dos outros, aumentando detalhes que não são realmente interessantes originalmente, emitir julgamentos inspirados unicamente por inveja. se cada um cuidasse melhor da sua vidinha, ela seria mais interessante. e não seria preciso ficar vasculhando na dos outros. sabe o que é? o egoísmo não está sendo canalizado de maneira a melhorar alguma coisa. a convivência, pelo menos. não, eu não sei viver em sociedade. não é porque eu sou egoísta demais, não; eu não sou hipócrita, e isso não combina com sociedade. cansei. Sabe!?... 25.12.05
eu me supero eu sempre desconfiei que pessoas que falam mal de hollywood o fazem por achar legal criticar o que é feito pra vender. sem generalizações, só uns casos, mesmo, de quem não entende nada do que diz mas diz mesmo assim. eis que eu, que sempre gostei de um blockbuster que realmente me causasse alguma emoção, não importa se com revelação no final, roteiro bom, whatever, não suporto mais esses filmes. encarnei o marv e não tem quem mude isso. todos os filmes me parecem insuportáveis; eu passo pela prateleira da locadora e vou resumindo a história dos que eu não vi (romanticos bobinhos: os dois demoram para assumir que querem, quando ficam juntos acontece algum mal entendido, eles se separam e não param de pensar um no outro, dá tudo certo no final; suspense: um assassino deixa pistas, uma dupla de policiais não se dá bem e é encarregada do caso, eles parecem falhar o filme todo mas no fim se revelam gênios; suspense "psicológico": a moda agora é voltar no tempo, tipo efeito borboleta, vai ver pensaram que meras digressões não têm mais graça e agora tem que mudar o passado, mas também não são descartados aqueles em que o protagonista é meio surtadinho e ninguém o compreeende, e no final percebem que tudo bem não ser certinho; comédia: piadinhas de sexo, homens garanhões que se vestem de mulher por algum motivo, peitos, alguma criança prodígio. e por aí vai).
eu cheguei no ponto em que eles me ofendem, não dá. os desperdícios de tempo-dinheiro da semana foram alzheimer case e o terceiro olho, respectivamente o caso do alemão e cu, para os íntimos. não dá, não dá. Sabe!?... 23.12.05
tava pensando aqui com meus botões. eu acredito muito visceralmente nas coisas que eu falo e faço. senão não consigo fazer. exemplo: quando alguém fala alguma coisa com que eu não concordo, é quase uma ofensa pessoal. eu fico irritada, preciso falar logo o que eu acho, sinto calores e calafrios na barriga. mesmo sendo uma discussão sobre secador de cabelos, jornalismo ou comida. isso não deve ser saudável. Sabe!?... então é natal a nair, que trabalha aqui em casa, levantou a cabeça da leitoa de dentro da panela e chamou a liebe pra ver. a liebe escalou na perna da nair e ficou cheirando, tentando alcançar a leitoa, e começou a rosnar e latir pro porco. a nair deve ser a pessoa mais bem humorada que eu conheço. Sabe!?... * Eu achava um absurdo que eu nunca tivesse assistido seven, de tanto que falam desse filme. tá, aluguei, temi pela minha noite de sono - afinal, sempre dizem que o filme é pesadíssimo -, assisti.
o final mais clichê de todos os filmes que eu já vi (tirando, claro, aquele que eu vi outro dia, como era mesmo o nome, um com o bruce willis que aparece a menina vestida de virgem maria...mas esse não conta, ele é todo de clichês, e não propositalmente). o-que-é aquele brad pitt mascando chicletes e querendo ser o herói descolado, meodeos, ele só sabe fazer isso? e a dupla jovem-herói-descolado-que-não-controla-os-nervos e velho-quieto-sabe-tudo-vou-te-dar-lição-mas-eu-também-tenho-problemas?? francamente. pra quem não viu (quem?), o bandido mata a mulher linda e doce e grávida do mocinho e ele surta. bah, eu já tinha sacado tudo. que o bandido era o cara da foto, que a mocinha ia morrer no final. quem quer ver filme de suspense bom, aluga a vida de david gale, com a kate winslet, o bandido é o mesmo ator do seven, muito bom o mistério todo. ou vai ser feliz e assiste os 4 harry potter de uma vez só, assim, pá-pum, e foge do crônicas de nárnia, o maior lixo do ano. sabe filme amador, de quem acabou de descobrir cromaqui? é esse aí. acho que foi feito todo em estúdio, sério, e nem se deram ao trabalho de colocar um ventiladorzinho para fazer vento no cabelo das crianças e parecer que elas estão numa floresta cheia de neve e água e lutas. reclamei o filme todo, só não fui embora porque eu sou brasileira e não desisto nunca. eu sou um marvin. não fiquem perto de mim em filme ruim e trânsito. nem me contrariem. *acabo de inaugurar o "selo marvin" por esse exemplo, vocês sabem o que virá pela frente ao encontrarem o selo no começo do post. eu sei, parece o jornal nacional. mas eu sou jornalista, fazer o quê. eu também culpo meu x'inho da fuvest todo dia. Sabe!?... 22.12.05
a verdade é que só dá para apreciar os dias de férias depois de um semestre atribulado. ou ano, nem lembro mais. hoje comprei roupa e ferro de passar, dirigi um monte - com direito a cagadinhas, sempre -, tomei sorvete, aluguei filme, vi o namorado um pouquinho. e ainda está claro! o melhor de tudo é fazer isso sem pensar que estou deixando de fazer alguma coisa que deveria estar fazendo - como durante o semestre, em que eu dei escapadinhas mas sempre com a consciência pesada. hoje não: existe a ic, existe o parecer, eu sei, mas existem janeiro e fevereiro pra quê? ai ai Sabe!?... 20.12.05
no fim das contas, é isso: o livro em alemão é fácil e divertido, nenhuma idéia de caminho pra iniciação... férias. acordando às dez, quando consigo, e não me lembro mais de como se acorda às seis. parece que tem uma barbie que chama california girl. eu preciso muito de momentos california girl, esticada na areia, passando calor, dormindo, o mar. quando eu vou pra praia, eu vivo tão macroscopicamente que eu perco um pouco a sensibilidade dos dedos, as coisas pequenas. tudo é grande, tudo é mundo, tão completo. existe só o corpo e o não-corpo. e tem o natal. Sabe!?... 18.12.05
notting hill é um dvd que eu preciso comprar. um presente para mim. eu sempre gostei, sempre achei a música linda. e, em 2003, esperando o horário da prova oral do CAE, o namorado - que na época era um mero parceiro de prova oral - chegou na escola e estava passando esse filme, estava na partezinha final (aquela do indefinidamente, quando começa a tocar a música), e eu estava quase chorando e ele tirou sarro. passei a achar o namorado um ogro. mas ele acabou se revelando o mais romântico do oeste - quase um leopold (do filme da meg ryan)-, e já assistiu o filme milhares de vezes. toda vez que passa na tv ele me liga e fica assistindo, percebendo detalhezinhos. juntos, mesmo, acho que só assistimos 3 vezes. e uma só desde o comecinho, hoje, mas ele não viu o final. e eu descobri que os meus padrões de felicidades estão completamente ligados a cenas desse filme. como quando ela está deitada no colo dele, naquele jardim lindo, no banco de madeira, e ele está lendo um livro. e passam alguns inimigos (crianças), mas ela acha lindo porque ela está grávida. ou como quando eles conversam, e as consversas são tão lindas, dá tudo tão certo. ou as piadinhas. ai, ai. tudo. e o namorado veio com uma história de que eu dou um sorriso parecido com o dela - igualzinho, segundo ele, considerando, claro, as perspectivas de tamanho de boca. naquela parte em que eles estão abraçados na sala e ela está quase sem camisa. eu não acho. mas, preciso confessar, eu tenho uma virada de olhos parecida com aquela de quando ela está falando de peitos e ele ergue a coberta pra olhar. eu confesso, é parecido. mas eu não tentei copiar!! minha teoria: absorvi. (e também quando o spike volta no banheiro e fala just checking, eu sempre falo just checking) tá, parei. Sabe!?... 16.12.05
15.12.05
duplo sem gelo - fingidores eu concluí que a morte é não conseguir enxergar alguma coisa que se quer ver ou deixar de ver o mundo aos poucos. isso porque a última frase do goethe foi mehr licht, ou mais luz, e a do fernando pessoa foi dá-me os óculos. por motivos que não vêm ao caso, eu estava pensando nos filmes como perder um homem em dez dias e nunca fui beijada. já assistiram? o que importa é que nos dois as mocinhas são jornalistas que fingem ser alguma coisa (uma moça apaixonada e paranóica; uma aluna adolescente de um colégio norte-americano) e acabam se apaixonando por mocinhos com quem se envolvem "profissionalmente" (o moço por quem finge se apaixonar; o professor de literatura). então os mocinhos descobrem a verdade e dão o fora, a mocinha faz o texto final para a revista/o jornal declarando seu dilema e dizendo que acabou se apaixonando. então, de última hora (antes de a mocinha mudar de cidade; antes do mocinho mudar de cidade) eles lêem e vão atrás dela e são felizes para sempre, the end. são iguaizinhos os filmes. e as duas são jornalistas, o que me faz pensar que para o senso comum tudo bem se o jornalista finge ser quem não é: tudo pela matéria. vocês não acham isso um absurdo??? eu acho. (isso me faz pensar num negocinho com rimas que escrevi faz 3 anos, o jornalista também é fingidor. qualquer dia eu mostro pra alguém) Sabe!?... 14.12.05
saco cheio. na reunião de discussão do meu documentário, descobri que uma amiga achou clube de swing muito brega e decadente, a outra contou que palio é muito apertado para fazer sexo, a outra destruiu o boxe do banheiro em um dia de empolgação, um amigo me acha perversa (com o sentido "você pensa muito em sexo"). eu sou mesmo muito desapegada de coisas e pessoas. com exceção dos meus livros e de quem está próximo de mim agora. Sabe!?... 13.12.05
intermitências o blogger podia oferecer o serviço igual ao do fotolog, que mostra quando foi atualizado. daí eu não ia precisar zanzar pelos blogs dos amigos que ficam meses sem postar. tipo a babi. e a gabi. e a paulinha. hmpf. do título: quem quiser me dar o livro novo do saramago, ou só emprestar, estou aceitando. custa uns 35 reais. Sabe!?... eu, jornalista que infelizmente sou, deveria saber que usuários de internet só lêem textos curtos. é que eu achava mesmo que os meus textos do natal estavam interessantes - muito mais que textos jornalísticos, que precisam, esses sim, serem minúsculos para serem lidos. só vou usar palavras-chave agora. Sabe!?... 12.12.05
então é natal 12 dias é muito mais legal quando o natal cai em dia de semana, porque normalmente vai ter algum dia emendado, e todo mundo fica junto mais tempo. mas esse ano vai cair bem no fim de semana, e todo mundo vai chegar só no sábado, que já é o dia 24. então vai ser tudo muito mais corrido. normalmente as mulheres passam a tarde terminando os afins das comidas (cortando o tender, por exemplo), arrumando a mesa, separando os copos e talheres, essas coisas. enquanto isso, os homens ficam comendo amendoins ou presunto cru, tomando cerveja, conversando, jogando baralho, dormindo, essas coisas. a atividade das crianças sempre varia bastante: quando são pequenas, a atividade é dormir à tarde para não ter sono na hora da ceia. eu e minha prima odiávamos ter de dormir, porque é claro que a gente não tinha sono, então a gente ficava conversando e rindo, e minha avó aparecia na porta do quarto bravíssima, mandando a gente dormir. acho que nunca ocorreu para eles que seria melhor nos separar de quarto. quando as crianças começam a crescer, vem o pior: ajudar na arrumação. tem que ajeitar a mesa, as frutas, é um saco. quando as crianças crescem mais um pouquinho e viram adolescentes e adultinhos (é a fase atual), elas simplesmente não ajudam mais: vão para o quarto e ficam o dia todo dançando no tapete que liga no vídeo game, ou vão numa lan house e passam a tarde se massacrando, ou passeiam, ou qualquer coisa menos ajudar. isso quando o natal era na casa da minha avó; esse ano vai ser tudo diferente, como eu não canso de repetir. porque agora eu vou ser obrigada a ajudar, vai estar tudo na minha casa. eu vou ter que terminar de ajeitar a casa, que está meio entulhada desde a reforma. não duvido que eu serei responsável por pendurar quadros. e daí arrumar os quartos, e os banheiros, e a sala (enquanto minha mãe cozinha), e picar cebola, e espremer alho, e cortar o tender, e... vamos manter o espírito natalino. jingle bells. Sabe!?... decisões de ano novo antes de tomar banho: olhando no espelho, meio de lado, pontinha dos pés. nunca vi tanta celulite junta. foi muito triste. eu vou fazer academia nas férias (no almoço, bebi um copão de coca-cola. delícia. nossa. agora chega) Sabe!?... 11.12.05
casal namorado teve um ataque de riso quando eu levantei, depois de luz apagada e silêncio no quarto, para arrumar a coberta. tirei o lençol de onde estava, debaixo do colchão, e quase levei um susto, tinha quase metade de lençol não sendo utilizada - e eu gosto de cobrir quase a cabeça toda; pois bem, ajeitei tudo enquanto ele rolava de rir de mim, lençol, cobertor e colcha, e deitei, apaguei a luz, silêncio de novo. depois de poucos minutos, namorado começou a passar calor, jogou o cobertor pro meu lado. em alguns instantes eu comecei a ter chiliques, porque a coberta estava irregular. quando eu falei irregular, ele teve novos ataques de riso, e falou que eu sou a pessoa mais neurótica que ele conhece, e que usa as palavras mais neuróticas de todas. que fiz eu? acendi a luz, levantei e fui ajeitar tudo, deixar esticadinho. e ele ria de mim, vê se pode! sei que algum tempo depois eu também comecei a passar calor e me livrei do cobertor, joguei de qualquer jeito no chão e dane-se. e eis que o lençol de baixo ficou irregular (porque o namorado inventou de tirar a estática mexendo as pernas sem parar, para meu desespero). eu mudei meus pezinhos de lugar, morta de sono que estava, e abstraí. não foi uma noite fácil. acordei morta de sono. p.s.: ainda tive de ouvir que não faço parte do reino animal, porque bicho nenhum entra no lugar que vai dormir e fica paradinho, sem se mexer. todos se ajeitam, ficam se mexendo até ficar tudo confortável, com o formato do corpo. confortável, para o namorado, é coberta fazendo cabaninha debaixo dos pés. eu juro que não consigo. p.s.2: meu irmão sabe que eu não consigo dormir com o lençol desarrumado no pé, então vez ou outra ele bagunça meu lençol quando estou escovando os dentes, cobre tudo com o edredon e fica atrás da minha porta esperando o meu chilique quando eu deito na cama. sim, ele faz isso. Sabe!?... então é natal 13 dias por motivos de divisão do trabalho desigual, que eu explicarei mais tarde, as mulheres são sempre as últimas a ficarem prontas, antecedidas pelas crianças e pelos homens, tudo meio bagunçado. os homens vão se perfumando e se ajeitando na sala, já tomando whisky ou vinho, as crianças ficam pra lá e pra cá buscando coisas pros homens e pras mulheres, e as mulheres ficam cada uma em seu quarto (por vezes elas se intercambeiam para emprestar secador, lápis de olho, meia calça que furou etc). então meu avô fica pronto e decide que está na hora de tirar foto. ou meu primo mais novo faz as vezes de apressadinho, e ficam todos buscando suas máquinas fotográficas - que antes eram de filme, e as fotos eram limitadas porque custava dinheiro, mas agora elas são digitais, e haja sorriso... a sessão começa, e as mulheres vão chegando, pegando seu copinho de vinho ou champagne e dá-lhe foto. tem a foto dos netos (eu, meus irmãos, quase todos os primos e meus avós), a dos irmãos (minha mãe e meus tios e meus avós), a do genro/nora (que está caidíssima só com meu pai e uma tia, com meus avós), a dos meninos (meus irmãos e primos homens), a das meninas (eu e duas das minhas primas - a terceira, mais nova, nunca está), as fotos individuais de casa família, a do meu pai com minha tia, a minha com meus tios, a minha com minha mãe, a minha com meus avós, dos meus pais juntos, da minha mãe com os pais dela, minha mãe com a cunhada, minha mãe e minhas tias... algumas fotos são ritual. por exemplo a da minha mãe com a tia vânia e a tia te-te-tê. elas começam brigando pra ver quem vai aparecer mais no primeiro plano e mostrar a barriga. depois tem as papadas, que é preciso esconder, e elas saem quase olhando pro alto de tanto que esticam o pescoço. daí tem os braços, que não pode aparecer o gordinho do braço. uma luta. antes, quando a foto era de filme, era tirar a foto e torcer. e agora, que é digital e elas querem tirar foto até ficar bom?? a dos netos é outro problema. são seis netos e mais meus avós, oito pessoas na mesma foto, um desastre de combinações de erros possíveis. ora um está de olho fechado, ora outro estava falando, ora olhando pro canto errado, ora fernando não sorriu, ora mariana ficou com olhos vermelhos (eu sempre saio de olhos vermelhos), ora ignez estava mexendo a mão na frente do rosto, ora gabrielinha fez cara de cu... isso com todo mundo se equilibrando no sofá, uns sentados, outros no braço, outros atrás... não é fácil. uma infinidade de fotos. e claro que ninguém confia na câmera do outro: todas as câmeras tiram todas as fotos. assim, fatalmente as pessoas saem olhando para direções diferentes, por mais que se grite (e é uma gritaria): ó-ó-ó, primeiro o arthur, olha aqui pra mim que agora sou eu, andré, pára de fazer chifrinho no arthur e olha pra cá, fernando, dá risada direito, moleque, encolhe logo a barriga pra eu tirar, espreme mais que não tá cabendo e por aí vai. quero ver esse ano como vai ser no meu apartamentinho de 100 m2. porque quem já foi na casa da minha avó (e acho que todos os leitores do blog já foram) sabe, a casa dela é enorme, com muitas salas diferentes, cozinha grande com 3 geladieras e 2 freezers (ainda não sabemos onde a bebida desse ano vai gelar), 7 quartos... mas depois eu conto das diferenças do lugar onde vai ser o natal. por enquanto basta se preocupar com a falta de um estúdio apropriado para as fotos natalinas. Sabe!?... então é natal 13 dias na entrega de presentes do amigo secreto, não existe uma regra fixa sobre quem deve começar. começa quem estiver mais ansioso, quiser ficar livre ou, sendo muito otimista, quem preparou o discursinho sobre o amigo. o discursinho sempre foi um problema pra mim, eu nunca sei o que dizer. primeiro porque eu não sei elogiar ninguém, isso é fato, e o amigo secreto é feito pra todo mundo se elogiar, no melhor espírito natalino. em segundo lugar, eu tenho dificuldades porque não consigo pensar em descrições que mantenham o amigo secreto por muito tempo. é que, se for pensar, todo mundo se conhece desde sempre, as pessoas da minha família são todas diferentes entre si, cada uma com sua particularidades... sim, estou me justificando: porque eu não sei brincar de amigo secreto. no meu primeiro ano, quem começou foi minha tia luiza (que eu chamava de tia te-te-tê, não sei por quê) e eu era a presenteada. não de verdade, que ela não tinha me tirado, não. era tudo uma brincadeira porque eu reclamava que era escrava da casa, tudo era eu que tinha de fazer, e todos cantavam a música da escrava isaura para mim (sabe aquela lerê, lerê..?). então ela comprou um chicote e uma corrente, embrulhou e me deu. e quando ela me deu, todo mundo começou a cantar a musiquinha. tem foto. eu estou rindo muito. no outro ano, foi meu avô que começou, porque, segundo ele, ele era o mais antigo. foi boa. e que ninguém ouse chamar meu avô de velho, que o adhemarzão vai ser pra sempre jovem. teve um ano em que a gente só tirou os papeizinhos na hora. homem comprava presente pra mulher e vice-versa, e só tirava na hora. dessa vez foi meu pai que me tirou. outra vez eu tirei minha prima. outra meu tio adhemar. ano passado foi muito engraçado. muita gente ganhou presentes que formavam conjunto, tipo camisa e calça, bolsa e sapato, essas coisas. e toda vez que alguém ia abrir o presente, todo mundo fazia ooooooooooooooooooooh e em seguida é cujunto???. eu sei, parece bobo. mas foi muito engraçado. porque o natal é sempre muito engraçado, desde as piadas dos meus tios, até a hora das fotos (vale outro post), o amigo secreto... Sabe!?... 10.12.05
aviso: eu não suporto religiões e seitas. portanto, comentadores vindos pelo bon, não deixem mensagem de jesus, recado de deus ou qualquer coisa do tipo. também não me peçam para visitar um blog sobre veganismo - ainda mais considerando que essa palavra deve vir de vegan, da língua inglesa, um estrangeirismo inútil. eu não partilho da ética dos blogs: eu apago sim comentários que me irritam. e tiro sarro dos outros. portanto, só comente se tiver o que dizer. ah, e eu odio estar no bon, não me parabenizem por isso. Sabe!?... 9.12.05
então é natal 15 dias faz muitos anos que a gente faz amigo secreto. acho que surgiu como uma forma de não gastar muito dinheiro comprando presente pra todo mundo, deve ter surgido numa época de crise (que eu, por ser muito nova e muito desligada, não lembro). agora acho que as subfamílias da minha família teriam dinheiro, mas o amigo secreto virou um ritual. antes as crianças (eu, meus irmãos e meus primos) não participávamos, porque a gente era criança, oras, e criança gosta de ganhar mais de um presente. então a gente só assistia, dava risada sem entender muito as piadas (impressionante como todo mundo faz alguma piada sexual), era divertido. faz uns 5 anos, acho, que eu participo. eu e minha prima entramos no mesmo ano - apesar de ela ser muuuuuuuito mais velha que eu - 3 anos -, nós somos as primas que andam juntas, de idade mais aproximada, então o que uma fazia, a outra também fazia (um outro permenor a ser destrinchado). depois entraram nossos irmãos, 3 anos mais novos que a gente. isso foi ano retrasado, se não me engano. e esse ano entraram outros dois primos, que são irmãos, e tem 15 e 12 anos. ou 13? não sei. bom, eles entraram, e só resta uma prima a entrar, a mais novinha, que tem 8 (ou 9?), mas essa vai demorar muito, ainda mais por ser a prima mais nova. vocês acreditam que às vezes ela se confunde e me chama de tia?? isso é um trauma, eu me sinto muito velha. enfim. o que eu queria mesmo contar, e tudo isso que eu disse era apenas uma contextualização, é que depois que o amigo secreto é tirado... ah, tem essa, não posso deixar de contar como se tira o amigo secreto. há alguns anos, a família se reunia por motivo nenhum na casa do meu avô lá pra novembro e a gente aproveitava que estavam todos reunidos e tirava os papeizinhos. é que a gente mora cada um em um canto do estado de são paulo - e às vezes vem um tio-avô de outro estado, que pode ser o paraná ou algum do nordeste, depende do ano. mas faz alguns amigos-secretos que a gente não tem se encontrado, então uma família (acho que geralmente é a da tia lu) faz os papeizinhos e tira pra todo mundo. acho que eles não lêem. se lêem, é só minha prima ou só meu primo que conferem que alguém não se auto-tirou. mas acho que não existe isso, porque ano passado minha mãe tirou meu pai, e não teria tirado se eles tivessem olhado os papezinhos, porque excluiriam pensando que o papel poderia ser tirado pelo pai. uma vez tirado o número de papeizinhos certo pra cada família, a pessoa que tirou manda pelo correio. esse ano foi até carta registrada, com medo que o envelope se perdesse e fosse preciso tirar tudo de novo. porque já estava em cima da hora. agora sim: depois que o amigo secreto é tirado, todo mundo liga pra todo mundo toda semana pra conversar sobre os preparativos do natal e começa a conversa pelo telefone: oi! e aí, já comprou meu presente?. tem a variante o que você comprou pra mim esse ano?, mas não sai disso. o engraçado é que as pessoas (pelo menos aqui em casa) ficam analisando o que a outra pessoa disse, tentando descobrir algum ato falho ou jeito diferente de falar que denunciasse que não era uma brincadeira. por exemplo ontem, que meu tio me ligou e fez a pergunta, claro. e a gente ficou falando de presentes pra ele. e depois ele falou que comprar presente pra mim seria muito difícil, que eu era muito chata, e eu tinha entendido tudo, mas fiquei dando dicas de lojas e presentes. mas, vejam bem, é possível que não tenha sido ele a me tirar; pode ter sido o outro tio que é solteiro e não tem esposa pra ajudar a comprar. porque isso é sim muito comum, um pede pro outro ligar e perguntar número de sapato, de calça, de roupa, pra tentar despistar quem é. e então, na noite do dia 24, a gente entrega os presentes. mas isso eu conto depois. Sabe!?... então é natal 15 dias como eu já disse, o natal vai ser aqui em casa, 20 pessoas. depois me detenho nesse pormenor. o que eu queria contar é que faz uma semana que a gente aqui de casa degusta vinhos e champagnes pra escolher o que comprar pro natal. todo dia pelo menos uma garrafa de um vinho diferente. só digo que nesse momento estou levemente livre por causa de uma champagne diferente que tomei, que além de uva tinha framboesa, amora e sei lá o quê. não gostei tanto, mas não é das piores. só o cheiro que não é tão bom (eu devia dizer aroma?) Sabe!?... me dá medo contar um sonho quando o brógui está no maldito "bon" [uma obs: só pessoas que realmente se importam co o blogs of note e gostam disso usam essa sigla. confesso que fiquei alguns segundos lendo meus comentários pra entender o que significava. agora pergunta pra eles - e pra mim - o que significam aquelas siglas econômicas bizarras, ninguém sabe dizer.] como eu estava dizendo, tenho medo de contar meu outro sonho, não sei quem pode citar freud, ou melhor, froid de orelhada e relacionar alguma coisa do meu sonho com um falo. mas o sonho foi lindo, foi muito gostoso: eu estava me mudando pra uma casa, toda a família, uma casa amarelinha, grande, com uma varanda enorme, com redes, que dava para a praia. isso, a areia terminava na minha varanda, e a sala era muito gostosa, o quarto, tudo grande e limpo e, claro, não tinha maresia, que sempre me sufoca um pouco. era só fresco, ventava sem umidade demais. uma delícia. eu sei mais ou menos por que sonhei com isso, mas não vem ao caso. eu preciso de mudança. Sabe!?... 8.12.05
fui na casa do namorado buscar o locke e o hobbes pra prova de filosofia que estou escrevendo. saí de lá com o hobbes, duas clarices e um ubaldo ribeiro (sacanagem, sempre). o namorado perguntou se ele é pra mim só uma fonte de livros. imagine. de qual corpinho eu iria abusar?? Sabe!?... sobre "froid" esse grau é ainda mais liberdade: não ter medo de não ser compreendido (CL) ** eu entendi: eu desprezo as pessoas que não entendem o que eu digo. (cansei de explicar, nem me ofereço mais pra desenhar) não me venham com julgamentos, cansei de ser apontada. não gostou, pode ir embora. (o dia em que eu precisar das pessoas só para elas se sentirem parte de mim, ó, aviso: foram os ets) Sabe!?... 7.12.05
postar como se ninguém estivesse lendo o namorado passou pra segunda fase do concurso dele e a nathy passou no mestrado. tudo isso muito feliz, muito feliz.eu tenho querido desafios. o único que existe no momento é resistir a mais alguns dias indo pra são paulo, mais alguns meses de faculdade de jornalismo. hoje o dia foi até que produtivo, 3 fitas decupadas. quem sabe o saco que é decupar entende o que estou dizendo. amanhã vou passar meu dia enfiada na biblioteca da fflch tentando fazer minha prova da filosofia. estou com medo de olhar para as questões, muita coisa me diz que não vou nem entender qual é a pergunta. o presente do namorado foi comprado. não posso contar o que é senão estrago a surpresa. minha prima já viu e adorou (né?), a gabi também disse que ele vai gostar. estou com vontade de dar aula. no começo da semana o namorado quis me agradar e me levou para o fantástico mundo das borrachas de novo, a kalunga. eu comprei coisinhas, não resisti. e fiquei muito mais feliz depois, com meus grafites e lápis e borrachas-ponteira. estou esboçando uma carta para o jornal novo da cidade. o esboço está muito metido, so marianish ( ;) ), ainda não sei se devo mandar sem alterações. vocês devem ter notado que estou lendo as crônicas da clarice. eu gosto tanto. eu descobri um dos motivos por que gosto dela: ela usa o pronome lindamente em próclise, "não me havia falado". adoro. leio nos momentos que seriam tão pesados, esperar o ônibus, esperar o sono. não é estranho ter amigos casados? eu preciso de um tempo, muito tempo, com o namorado. dividindo as coisas ao vivo, sem telefone, sem irmãos, sem família, sem cachorro, sem horários, sem compromissos. quando é mesmo o concurso em tocantins? existe algum mecanismo de pedir pra não entrar no blogs of note? froid explicou que meu sonho com estátuas fálicas, eu com vergonha do biquini, e chorar na frente do tal falo só podem significar uma coisa: eu sou lésbica e vou trabalhar como dançarina de boate no centro de são paulo para vencer esse bloqueio de repressão corporal, que tem origem nas minhas leituras sobre ásia e a superioridade que eu interiorizei dessa cultura, subjugando a nossa. froid também disse que a torre em que eu estava significa a vontade de posse do meu pai, o falo por excelência, e a frustração dessa posse resultou na minha (nova) opção sexual, que só agora eu descobri, iluminada, ó santo froid, por esse grande psicanalista e pela querida leitora que me alertou para o significado profundo e sexual do meu sonho, que eu considerava um mero alerta para a minha descrença com relação ao mundo. nada como o blog of notes para trazer essas pessoas para a nossa vida. (sem mais, subscrevo-me) Sabe!?... eu juro que semana quevem eu faço uma compilação dos melhores comentários. por enquanto, vocês podem ir vendo sozinhos, quem tiver paciência. Sabe!?... Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada É Clarice de novo, do dia 14 de setmbro de 1968. Eu sei que vocês gostam de frases fora de contexto, que viram máximas de auto ajuda e transformam a minha Clarice numa Paulo Coelho mulher. Ela não é isso, mas não me importa que vocês pensem isso dela: porque eu penso diferente e é isso que importa. A frase é para mim. Sabe!?... 6.12.05
estamos novamente no blogs of note. eu, paulinha e gui. apertem os cintos, leitores fiéis. Sabe!?... essa noite o sonho foi estranho. eu estava viajando (como em todos os meus últimos sonhos) em algum lugar da ásia. estava fazendo um passeio de biquini, como se estivesse em um parque aquático natural, com cachoeiras e piscinas, escadas de terra, coisas assim. de repente chegava em um lugar que tinha o tal monumento que todos visitavam, e eu não queria ir porque não me achava em trajes adequados. me empurraram e eu fui. eu olhei para aquilo e fiquei maravilhada. eu estava em cima de uma torre muito alta, embaixo de mim só árvores, e aquilo estava desde o chão até quase minha altura, um pouco distante para podermos observar tudo. eu não desgrudei os olhos, quase caí quando tropecei no buraco que a minha pequena torre tinha no meio, não parava de olhar. era lindo. eu me ajoelhei no chão e comecei a chorar, vendo tudo meio embaçado já, mas não podia tirar os olhos daquilo, era muita fascinação, eu chorava de emoção, de alegria, de ver uma coisa tão linda. era lindo. era em tons de vermelho, vinho, alguma coisa que parecia um buda, tinha também um pouco (mas só um pouco) de dourado, e era grande, e não era possível saber do que era feito, porque era grande e parecia tão leve, parecia no lugar certo no meio daquela floresta, era lindo. era lindo. eu estava ajoelhada e chorava. uma moça de olhos diferentes se aproximou de mim e perguntou numa língua que eu não consegui entender se estava tudo bem, e eu só respondi com os olhos e com o sorriso que estava tudo bem, tudo lindo, eu queria mais, eu queria tudo. nunca me senti tão completa. depois eu interpretei como minha vontade de fascínio pelos homens e o fracasso dessa vontade. (todo o amor que a clarice dizia sentir pelos homens, eu não o tenho nem um pouquinho. eu tenho o olhar fino, não a sensibilidade) Sabe!?... 5.12.05
hoje eu contei pro guilherme que eu quase me olhei no espelho e me chamei de gostosa, e ele decidiu que eu precisava escrever isso aqui e apagar o post debaixo. pronto, escrevi. mas isso não aconteceu de verdade, porque ninguém além dele e da nazaré pensa em fazer isso, por mais maravilhoso que se ache. eu não me achei maravilhosa. só achei uma coisa, que eu não posso contar agora. tchu ruru Sabe!?... 4.12.05
solidão tenho sofrido muito. não o sofrimento da dor enorme, mas o sofrimento das muitas dores. as pequenas dores, todos os dias, por tudo, por todos. foi outro dia que eu li que se fosse possível se sensibilizar por todos os males, o resultado seria a loucura, que os males são muitos e a gente acaba escolhendo por que sofrer. também escolhi, eu sofro por mim e por que tem alguma coisa a ver comigo. e ainda é um recorte grande demais. todo dia eu quero encontrar a roupa que melhor cai em mim aquele dia, a roupa, uma única roupa escondida no guarda-roupa, que aquele dia vai me deixar bonita. e eu sei que ela é uma só. todo dia eu quero estar no meu melhor dia, com o cabelo mais brilhante e menos arrepiado, com a calça que me deixa mais bonita, com a blusa que valorize alguma coisa para compensar o pouco peito que nunca se valoriza. todo dia eu preciso encontrar a roupa, senão eu arranco tudo do guarda-roupa, entro em crise, choro um pouco baixinho e saio infeliz na rua, evitando as vitrines escuras e não querendo que ninguém repare em mim. eu não acredito mais em amigos, os crentes que me perdoem. porque só querem saber de mim quando estuo bem, ou quando interesso. ninguém quer saber de mim quando eu estou em dúvida, ninguém quer saber de mim quando eu não sou necessária para o programa. eu cansei de ser muleta, de dar idéia, de ser útil, de poder ir quando tem lugar sobrando. e eu sofro um pouco por dia quando eu sei que minha companhia não importa na viagem dos amigos, quando eu sei que a festa vai ser a mesma coisa se eu estiver ou não, quando a idéia era minha, só minha, e todo mundo achou lindo e virou idéia de todos e tanto faz se eu tenho a mesma idéia ou não. eu já tentei muito, já pensei em tudo que eu conseguia, e eu não encontrei um presente pro namorado. não encontrei alguma coisa diferente de camisa shorts carteira, que são os presentes masculinos, ou livros cds imaginarium, que são os presentes coringa. eu não quero pouco, porque eu quero só que ele se deslumbre, eu quero ser a melhor, eu quero que seja sempre o melhor dia de todos. e não vai ser o melhor dia de todos, não vai ter o deslumbre, não vou ser a melhor, só porque eu não consigo. eu não consigo. eu queria qeu alguém se importasse porque eu sou muito pouco pra tudo isso. que é muito mais do que está escrito. Sabe!?... 3.12.05
Mas quem sabe se um dia, L. de A., saberei escrever ou um romance ou um conto no qual a intimidade mais recôndita de uma pessoa seja revelada sem que isso a deixe exposta, nua e sem pudor é a clarice, no dia 24 de fevereiro de 1968. se ela não conseguia isso na literatura, como eu posso querer conseguir no jornalismo? é o meu fim no jornalismo literário. e eu só sinto pena, acho que seria uma boa jornalista literária. me falta, no entanto, a ética relativa dos jornalistas. Sabe!?... acordar tarde às oito e meia não tem o mesmo gosto de acordar tarde às dez e meia, mesmo se no total as horas dormidas forem iguais. porque o grande prazer de quem acorda tarde é abrir os olhos e já ver o mundo funcionando, e o mundo ainda não funciona às oito e meia da manhã. *** Clarice, hoje eu comprei um vestido branco. (eu quero o meu vestido branco para os dias em que eu me vestir de clarice, para clarice) *** daqui a uma semana o embrulhinho do presente do namorado vai estar aqui do lado. ou embrulhão. ou caixa. não sei: eu ainda não sei o que ele merece ganhar por tanta paciência. Sabe!?... 1.12.05
ontem eu me dei conta de que estava com saudade de clarice. quando vi a entrevista que notei que fazia mesmo muito tempo que a gente não conversava, eu e clarice. veio de novo, forte, aquela dor que eu vou sentir sempre de só ter nascido em 84. quando ela fala da universitária de 17 anos que já leu 3, 4 vezes o paixão segundo gh, eu sempre quero dizer 'eu também, e não só esse', eu sempre quero ser a universitária que diz pra ela que entende tão bem. mas em 77, não, nessa época quem tinha 17 anos era minha mãe, e foi mais ou menos nessa época que ela leu o paixão, nosso livro é uma edição de 74. mas a minha mãe, que podia ser a universitária, nunca falou com clarice, não gosta muito de clarice, não deve nem ter lido o livro antes da morte de clarice. a clarice morreu em 77, poucos meses depois da entrevista, de câncer. ela está bastante fechada na entrevista, quieta, quase não responde o que o jornalista pergunta. mas ela explica que só está triste assim porque está cansada, que ela é normalmente muito alegre. eu tenho saudade da clarice alegre. da clarice de humor fino, da clarice mãe, da clarice esposa, da clarice irmã, da clarice com quem trocar cartas, da clarice do cigarro, da clarice que se arruma no espelho, da clarice à máquina de escrever às quatro e meia da manhã. ontem eu estava com saudade do que clarice escrevia; hoje estou chorando a morte da clarice. ![]() Sabe!?... |
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