de mel |
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mariana d 22
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30.3.06
lista terminei de ler o homem que confundiu sua mulher com um chapéu. acho que eu seria uma mãe mais dedicada com um filho com problemas neurológicos que com um normal. estranho isso. é que os problemas neurológicos têm conseqüências interessantíssimas; as pessoas que os apresentam têm potenciais diferentes, são outsiders, são, sim, especiais fui entrevistada para o jornal da usp sobre a minha iniciação científica. amanhã tiro fotinha. atenção, todos vocês, leiam a matéria e fiquem sabendo o que eu tenho feito da vida tenho ido a médicos, amanhã outra consulta. descobri que minha coluna é muito torta, estou com medo de quebrar ao meio ganhei uma florzinha bonitinha, no vasinho estou lendo jornal Sabe!?... 28.3.06
não importa se eu durmo muito ou se eu durmo pouco: eu acordo com dor de cabeça e ela me acompanha pelo dia todo, até a hora de dormir. minha nossa, insuportável. ah, a tosse não sarou. melhorou muito, é verdade, mas eu ainda estou tossindp mais do que gostaria (que é não estar tossindo). e dói meu lado esquerdo do peito quando eu tusso, não sei se andei forçando demais o músculo. sem contar minha cabeça, que explode. ** essa noite eu sonhei que era muito bom ser jornalista. sonhei com pessoas me falando com empolgação de matérias que fizeram, sonhei que eu estava com muita vontade de entrevistar pessoas, essas coisas. na dúvida, permaneci alguns minutos deitadas quando acordei, porque não sabia se o próximo estágio seriam convulsões ou já a morte. estou cogitando alterações no magnetismo terrestre, afetando minhas ondas cerebrais. daí a dor de cabeça. daí o jornalismo. a justificativa do sonho: em todas as minhas (3) aulas desse semestre, só ouço pessoas jornalistas empolgadas falando de seus trabalhos, suas matérias, sua rotina, os desafios etc etc. e uma onda poliana me fez absorver isso tudo e esquecer as experiências passadas. Sabe!?... 27.3.06
a minha prima tinha ganhado um plástico muito grande com uma fazendinha desenhada, só os contornos, de preto. tinha muitos bichos e plantas, e vinha com um conjunto de giz de cera que a gente pintava no plástico e ficava tudo colorido. se não ficasse bom ou se a gente quisesse começar tudo de novo, era só passar uma flanela em cima e ficava tudo branco e preto de novo. quando eu cheguei na casa dela, ela me entregou alguns pedaços de giz e disse que se começasse pintando assim (e mexeu a mão para a direita e para a esquerda), só podia pintar assim, e se começasse assim (e então mexeu a mão para cima e para baixo), tinha que terminar assim. ela tinha uns oito anos, eu tinha cinco. lembro que na hora pensei tá, horizontal e vertical. não sei se pensei com essas palavras ou se só pensei isso depois de algum tempo, quando lembrei da fazendinha e já tinha aprendido as palavras horizontal e vertical. sei que quando ela me falou as regras tudo me pareceu muito óbvio. a minha prima sempre era a xuxa, e eu tinha que ser a paquita. a gente ia na casa da minha avó toda semana e a gente queria dançar no meio da sala - ou ela só queria dançar -, mas a minha avó não gostava que fizesse bagunça. depois de algumas vezes brincando de xuxa e paquita, minha prima passou a me mandar pedir para a minha avó afastar a mesa de centro para a gente poder dançar. ela era 3 anos mais velha que eu, muito mais esperta. foi a minha mãe que me contou, faz poucos anos, que a minha avó não gostava de afastar a mesa de centro, e minha prima sabia disso. a minha prima ficou noiva esse fim de semana. Sabe!?... 26.3.06
não sei mesmo trabalhar em grupo. em alguns momentos, eu tenho certeza de que faria determinada coisa muito melhor do que quem a fez ou faz. no entanto, não posso fazê-la. é angustiante ver tanto potencial ser desperdiçado. (assim, sem politicamente correto, sem falsos pudores que insistem em chamar modéstia ou humildade) *suspiro* Sabe!?... depois de muito combinar e descombinar, saímos para dançar, e foi muito ruim. gente feia, música chata, respirando fumaça... assistir notting hill tomando chá e comendo chocolate teria sido quinze vezes melhor, por mais rotineiro que isso seja. o programa de sexta-feira não foi muito melhor (quer dizer, foi bem pior), mas não posso ficar reclamando que namorado não gosta. (assistimos o pior filme do mundo, porque ele insistiu muito) e hoje o dia está feio assim, mormaço, e estou ouvindo zeca baleiro. só me resta voltar para a cama e sei lá. Sabe!?... 23.3.06
da importância das coisas fúteis hoje fui para o shopping comprar o presente da aniversário do namorado e voltei com trezentas e cinqüenta e duas sacolas para mim e duas para ele. foi bom. acabei de fazer um desfile para o meu pai. (o meu pai, desde que minha mãe abriu a empresa de roupa, entende de roupa e às vezes compra blusinhas pra mim e dá palpites) Sabe!?... 22.3.06
eu concluí que preciso fazer academia, e não só por causa das conseqüências saudáveis/estéticas. quando eu estou lá, eu paro de pensar nos problemas teóricos e compromissos e dificuldades. concentração total na dor, no cansaço, na barriga que salta, no movimento certo pro meu joelho não doer. sim, existe uma teoria, do namorado, da proporção entre massa cinzenta e massa muscular. Sabe!?... 21.3.06
tem muita coisa acontecendo. tem a iniciação, que está se revelando muito interessante, sem trocadilhos. eu preciso ler milhares de textos novos, outros parecem bem melhores na segunda leitura... tem um fantástico que eu achei ontem que trata da história do pensamento científico, que passou de puro para aplicado (estou usando esses termos para simplificar) e provocou mudanças incríveis no mundo. e também a parte prática, os irritantes - antes interessantes - textos da revista, muto datáveis e cheios de palavrinhas a serem destacadas. e o documentário. eu já contei que estou fazendo um documentário? não vou entrar em detalhes, porque não importa no momento, mas a minha função era basicamente assistir a todas as fitas gravadas e anotar o que acontece a cada segundo ou minuto. isso chama decupagem, para quem não sabe, ou minutagem, ou alguma coisa que termine em -agem. pode parecer uma coisa braçal e sem importância; realmente é braçal, mas eu acabei descobrindo coisas fantásticas no meio do material e vou tendo idéias desconexas de roteiro que agora, ahá, estão tomando forma. então eu vou passar a ajudar com o roteiro, e isso é demais. eu queria dedicar todo o meu tempo só para essa construção de histórias - o que me leva a uma constatação: eu adoro construir histórias, é isso que eu sei fazer, é isso que eu quero fazer. o que leva a outra constatação: ou eu dou um jeito de saber fazer literatura ou eu arranjo uma forma de conseguir trabalhar com jornalismo. e também tem o namorado, que é fantástico, e eu quero estar com ele em todos os momentos e fazer o que a gente pensa em fazer e parar de ficar só sonhando. (eu não quero ser menos abstrata, isso basta) e viajar, pelamordedeus, viajar por muito tempo, conhecendo lugares novos, comidas novas, pessoas novas, roupas novas, línguas novas, calçadas novas. passar um mês indo de lá pra cá, dormindo mais dias aqui porque é tão gostoso, sentar num banco diferente, se perder em outro metrô. eu quero viajar com muita urgência, mas para julho está programada a iniciação científica, e tem a copa do mundo que deixa qualquer lugar insuportável e terrivelmente globalizado. e em dezembro é muito frio. as línguas que eu adoro, o dicionário em alemão que eu ainda não usei, todas as complicações do inglês que eu quero saber, o italiano que eu podia saber mais se não estudasse num lugar tão ruim, o francês que parece um projeto tão distante... e literatura, livros em todas as línguas, livros em português que eu quero entender, que eu quero discutir, construção e personagens e tempo da narrativa e a teoria e as soluções. o violino que eu nunca voltei a tocar; o teatro, meu trauma, que eu nunca fiz. porque eu sou fraca, porque eu não vou em busca de, porque eu tenho preguiça, porque as outras prioridades parecem mais prioridades. os meus amigos que têm histórias tão boas, programas tão bons, idéias tão boas, risadas tão boas, planos tão bons. tem muita coisa acontecendo, e eu não dou conta. Sabe!?... 20.3.06
da importância das coisas fúteis eu tenho um sapatinho que eu comprei porque precisava de um sapatinho preto arrumadinho, não muito quente, confortável. e ele é mais ou menos bonitinho (tem gente - amigos- que ama, tem gente - namorado, mãe e irmãos - que acha feio), e eu usei até que bastante. ele é um sapato coringa - com calças, porque ele fica horrível com calças mais curtas ou saia. e ele ainda é novo, eu pretendo usar mais, porque ele é confortável, dá uma impressão de que estou arrumadinha, mesmo com uma camiseta qualquer. é que ele tem um saltinho pequeno. bem pequeno, super confortável. eis que esse saltinho resolveu dar tilt. na verdade, todos os saltinhos dos últimos modelos de algumas marcas (não que eu compre muitos sapatos de muitas marcas, mas eu tenho alguns pares de algumas marcas e todos são assim) são de prasco, com uma pontinha de prasco que é encaixada com um ferrinho. essa pontinha é de um prasco que desgasta menos, tem maior aderência... mas ela escapa. ela escapa e, se você der sorte, o ferrinho sai junto, e é só colar com superbonder. hoje soube que às vezes o ferrinho fica lá dentro, e aí já era, tem que trocar o salto todo (procedimento, inclusive, que eu tinha esquecido que existe). eu dei sorte nos meus dois saltinhos que escaparam: o ferrinho veio junto. o primeiro, que é mais de inverno e menos confortável, a nair, que trabalha em casa, colou pra mim. e o pretinho estava com o saltinho solto fazia algumas semanas, e eu não colei porque não tinha superbonder. na semana passada o maldito saltinho do pé direito começou a soltar a cada dúzia de passos que eu dava. eu descobri, então, que para ele ficar um pouquinho mais, o esquema é encaixar o ferrinho e girar um pouco para um dos lados (acho que o esquerdo era melhor, durava mais), que ele encaixava e dava pra andar por uns cinco minutos sem precisar parar pra arrumar. e hoje eu decidi usar o sapatinho, lembrei desse saltinho, mas me conformei em passar o dia ajeitando o pininho preto. assim que saí de casa, atrasada, claro, o saltinho soltou. quando fui arrumar, cadê o saltinho?? tinha ficado uns 5 metros pra trás. e eu coloquei de volta, e no primeiro passo ele caiu de novo. pensei: tiro o saltinho, ando até a faculdade e peço uma superbonder lá. claro que calculei que entraria sujeira no buraquinho, mas era só arrancar com alguma coisa fininha, uma agulha, um alfinete, coisas assim. comecei a andar e me achei ponto e vírgula. a solução foi arrancar o saltinho do pé esquerdo - não pensem que foi difícil, ele já estava meio solto. cheguei feliz na faculdade, olhei os saltinhos. os dois estavam detonados: vários milímetros de prasco carcomidos, nem dava mais pra ver o buraquinho. porque o saltinho era meio carcomido, não era prasco da melhor qualidade, e eu não pensei que o prasco que estava em cima, sem contato com nada, seria pior ainda. respirei fundo. internalizei que essa era a última vez que eu usaria esse sapatinho. ainda não havia discutido o procedimento de trocar o salto todo. cada passo que eu dou, é um pouco mais de prasco que é carcomido, um pouco mais do dinheiro que vai ficando pelo cimento da usp. muito triste. olhei o saltinho no começo da tarde e concluí que eu não podia andar muito mais, ou até o fim da noite não existiria mais saltinho. sim, chegamos a esse ponto. preciso checar o procedimento de trocar o salto todo. não sei se isso vai ser possível, porque o salto é de prasco, não de madeira... não sei. mas o fato é que esse sapato é de uma marca boa, custou uma fortuna, eu usei poucas vezes (nem meus tênis, que eu uso sempre, tem 10% desse desgaste quando são aposentados). e eu acho um absurdo um sapato durar alguns meses e acontecer isso. estou revoltadíssima com a indústria de calçados e esses saltos vagabundos de prasco que descolam na segunda semana. era isso. Sabe!?... 19.3.06
domingo de manhã. acordei às dez, o que, para mim, num domingo, é cedo. não é compromisso, não é insônia, não é nada: eu acordei, estou com sono mas sem motivo para dormir. estou triste, mas sem motivo para chorar. chorar cansa. e é preciso ter pena de si mesmo para chorar, faz tempo que eu não me permito ter pena de mim mesma. o que é ruim, se a gente for pensar. mas é auto preservação. aprendi. *** porque eu lembrei disso quando fui explicar para o médico como era a minha tosse, vou colar aqui. o segundo post desse blog. no dia 24 de outubro de 2004 eu não me preservava ainda, e os posts aqui eram mais interessantes, menos mediados. ninguém consegue ver, mas eu estou apoiada na privada, meio de lado, vomitando e chorando. os cabelos grudados no rosto todo suado e cansado. pálida demais, magra demais, fraca, tremendo. sentada no chão, em cima das minhas pernas que resolveram dormir debaixo do meu corpo leve e eu nem sinto, porque estou vomitando e chorando muito, e só isso importa. não, eu não bebi muito. até comi direito. não paro de vomitar, e vomito de pouco em pouco, com força. balbucio algumas palavras entre uma lágrima e outro vômito, mas ninguém ouve. dizem o de sempre, vomita que você vai melhorar. vou melhorar porra nenhuma, não tá no meu estômago o problema, vocês ainda não perceberam? ninguém percebeu. eu sei que não consigo saber o que me faz mal, é vômito eterno. eu entendo mas não sei resolver. me passa um sal de frutas. e eu lembrei que o que eu queria mesmo postar está no dia 26, dois dias depois. é uma explicação, só: Eu gosto de dor. Agora, antes das seis da manhã, cólica, dor de estômago, dor de cabeça e sono. Ainda quis pontada no peito (é só assim que chama) - eu não sabia que queria, mas devo ter querido. E vou colocar o tênis que dá bolhas. Dizem que uma dor distrai a outra, vocês sabiam dessa? O jeito é inventar. (O melhor de ser uma moça experta é saber calcular a dor que vai sentir, e que os outros vão sentir. E o pior de ser uma moça experta é, às vezes, não dizer nada para essas pessoas) *** Eu lido bem com lágrimas. Acho pessoas que choram um pouco corajosas; sempre existe uma curta ponderação entre chorar ou não. Chorar é uma escolha. Mas eu não suporto vômito. Porque vomitar é necessidade, é incontrolável, é orgânico. Eu acho o vômito uma humilhação. Pessoas fracas e sem controle vomitam. Metaforicamente ou não, Babi. *** Pontadas no peito nem sempre provocam vômitos. Lágrimas, questão de escolha. Sabe!?... 15.3.06
e o fato é que eu engordei. visivelmente, antes que os mais chatos digam que estou neurótica. estou com uma barriga saltada, que pula da calça e forma uma pancinha nas minhas camisetas. e, olhando de costas, dá para ver uns pneuzinhos. isso por causa da academia. nos dois primeiros meses, eu fui todo dia e comecei a comer muito. comia bastante, para compensar. e no último mês eu não fui nenhum dia (por causa da tosse), e continuei comendo o mesmo tanto. sem contar as celulites que se proliferaram, e eu parei de passar o creme. está absurdo, vocês não fazem idéia. e, diante de tudo isso, minha postura tem sido comer mais ainda, muito sorvete com cobertura de chocolate, coca-cola, chocolate, almoço repetido, guloseimas, tudo. eu não estou nem com ânimo de me olhar no espelho, nem de parar pra pensar em tudo isso. eu estou triste. Sabe!?... 14.3.06
13.3.06
11.3.06
preciso de alguém que decida por mim. eu tive uma aula muito ruim na quinta-feira. é de linguagem, análise do discurso, todas essas coisas que eu adoro e que eu estou estudando. mas a professora é muito ruim, a aula é para bixos de publicidade e biblioteconomia, o trabalho final é extremamente trabalhoso e pretensioso, e é uma optativa livre que só no fim do semestre eu posso tentar transformar em optativa eletiva. eu não quero fazer essa aula. eu passei a manhã inteira nervosa e indignada, porque a professora era ruim e só falava lugares comuns (para vocês terem idéia, nem os bixos, que são bixos, estavam anotando o que ela dizia, de tão lugar comum que era. e não era pouco importante, era sobre surgimento da linguagem, e eles achavam que era uma coisa banal, de tão ruim que ela é). é claro que eu, nerd, metida e impaciente que sou, levantei o dedinho e falei que ela estava explicando errado o conceito de estereótipo, reforçando a conotação negativa. os bixos ficaram impressionados (...bixos...) e ela ficou com raiva de mim. e eu fiquei mais inquieta e querendo morrer naquela sala quente, com dor nas costas, colegas de sala mais novos que meus irmãos, slides ridículos. eu não quero fazer essa aula. mas se eu trancar, não me formo esse ano, com certeza. eu preciso que alguém me diga que não vale a pena tudo isso. alguém que importe. Sabe!?... 9.3.06
eu queria ter vontades. mesmo se eu decidisse fazer o que dá vontade, eu ficaria paralisada, porque estou sem vontades. podia ler um livro, mas não tem nenhum me chamando. tomar sorvete, óquêi, só por tomar. dormir? estou cansada, mas dormir é adiar a falta de vontades. não quero filme, não quero sair correndo, não quero chuva, não quero escrever, não quero conversar, não quero. não quero. não quero... Sabe!?... às vezes dá vontade de desistir, sabe? por que tanto empenho, para que tanta responsabilidade, por que tentar tudo, querer tudo, precisar sempre do máximo que é possível? estou cansada de tentar a todo momento mostrar que eu consigo. não sei mais por que me preocupo tanto com os trabalhos em grupo, e me esforço muitas vezes até ultrapassar meu limite. não sei por que tenho pressa, não sei por que estou preocupada em não ter emprego, não sei por que eu quero fazer letras agora. vale a pena tanto esforço? em nome do quê? olha aí quanta gente fazendo o mínimo necessário, se preocupando menos, dormindo mais, comendo melhor, com menos dor de estômago e menos cabelo branco. olhaí quanta gente... dá vontade de desistir. e eu preciso dormir até não querer mais, jogar o despertador fora. eleger prioridades, deixar de pensar que tudo é tão urgente. porque não é. o que é urgente é estar mais feliz. Sabe!?... 8.3.06
ah, é mesmo. se tiver greve eu também não me formo antes da matrícula na letras. ano de eleição: o que vocês acham? Sabe!?... 7.3.06
minha vida tem sido resolver problemas. o sistema de matrículas da faculdade resolveu que eu não vou me formar esse ano, e eu tive de percorrer os caminhos da burocracia para tentar de alguma forma reverter isso. ainda não sei se vai dar certo, e só vou saber no fim do semestre. medo? não, que isso. mas estou duzentos quilos mais leve desde que entreguei meu relatório da iniciação - hoje à tarde. e também paguei a academia, fazia 3 semanas que eu não aparecia por lá (culpa da tosse). depois de tanto cansaço por causa das andanças, banhos que parecem lavar tudo e horas capotada na cama, parece que está tudo pronto para começar outro semestre. como se desse aquela sensação de terceira série, sobre o primeiro dia de aula. mas, posso garantir, com a ansiedade quase zerada, sobrando só o novo que eu não conheço. acho que os últimos 13 anos me tornaram mais cética. é claro que sempre existem os bons momentos de chocolate, tapioca, refrigerante gelado que me matam de tossir, conversas, risadas, reclamações... sim, estou virando um marvin obeso. Sabe!?... 6.3.06
5.3.06
-por que você tosse duas vezes e pára, duas vezes e pára? minha mãe, encanada com a minha métrica Sabe!?... 4.3.06
o primeiro tinha gosto de tutifruti, era muito gostosinho. mas não era exatamente o que eu precisava, então parti pro segundo, que tinha gosto de coco. não era muito bom, mas acabei me acostumando e achei maravilhoso quando parti para o terceiro, que era horrível, gosto de cepacol engolido, e ficava lembrando do coco de que eu tanto reclamava. estou agora no quarto, que tem gosto de groselha, que é muito melhor que cepacol, para engolir, mas mesmo assim é ruim - mais alguém não gosta de groselha? *** além de sommelier, sou lingüista. andei analisando os nomes dos xaropes. tem o notuss, por exemplo (que é cepacol com princípios ativos). sempre pensei nele como um "No Tuss", querendo significar "sem tosse", em um inglês embromation. Muito lógico. Eis que eu li a bula de todos essa semana e descobri que esse xarope é especificamente para tosse noturna, de onde concluí que o seu nome é uma contração de "noturno" e "tosse" - sem o e final para ficar mais chique. ou o outro com gosto de coco, seki. este já aderiu ao estupro da língua que é o internetês, como vocês devem ter percebido. a grafia correta é "sequi". o conhecimento da atuação do xarope (para tosse seca, sem catarro), combinado com meus conhecimentos da língua me levou à conclusão de que o nome é um jeito carinhoso de se referir à sequinha, a tosse seca. mas sempre existe a hipótese do nome ser uma corruptela de "esse aqui", querendo designar o xarope conhecido por muitos séculos e indicado há muitas gerações para o caso de tosse seca noturna: "toma esse aqui". os nomes dos outros dois não são muito inspiradores: m.m. só me fez pensar em maria madalena - e o namorado ponderou que era remédio para tosse, não contraceptivo -, e o outro tem um nome todo complicado, celestamine. preciso checar os princípios ativos para ver se seus nomes começam com as sílabas ce, les, ta, mi e ne. Sabe!?... minha nova mania são os banhos. ontem tomei 4, acho que teria tomado mais se tivesse passado mais tempo em casa. é que eu fui tossir na biblioteca da usp e depois num restaurante que tem o melhor suco de tangerinas (que não têm nada a ver com pitangas - piada interna) frescas que eu já tomei. só agora que eu sou uma fonte produtora de barulhos eu descobri como cinemas são silenciosos. o mesmo com cidades de interior à noite. o mesmo com restaurantes. bibliotecas nem preciso comentar, é um silêncio que até pesa. e, sim, estou me sentindo excluída por causa da tosse. alguém diferente que não pode fazr as mesmas coisas que os normais. por exemplo sorvete, piscina, ar condicionado, cinema. hoje começo o corticóide Sabe!?... 2.3.06
quem consegue enxergar? "...nesse exato momento o Lobo da Estepe me lançou um olhar intantâneo, um olhar de crítica àquelas palavras e a toda a pessoa do conferencista, oh! um olhar inesquecível e tremendo, sobre cuja significação poder-se-ia escrever um livro inteiro! O olhar não apenas criticava o orador e destruía a celebridade daquele homem com sua ironia esmagadora embora delicada; não, isso era o de menos. Havia nesse olhar um tanto mais de tristeza que de ironia; era na verdade um olhar profundo e desesperadamente triste, com o qual traduzia um desespero calado, de certo modo irremediável e definitivo, que já se trasformara em hábito e forma. Não só transverberava com sua desesperada claridade a pessoa do vaidoso orador, ironizava e punha em evidência a situação do momento, a expectativa e a disposição do público e o título um tanto pretensioso da anunciada conferência - não, o olhar do Lobo da Estepe penetrava todo o nosso tempo, toda a afetação, toda a ambição, toda a vaidade, todo o jogo superficial de uma espiritualidade fabricada e frívola. Ah! lamentavelmente o olhar ia mais fundo ainda, ia além das simples imperfeições e desesperanças de nosso tempo, de nossa espiritualidade, de nossa cultura. Chegava ao coração de toda a humanidade; expressava, num único segundo, toda a dúvida de um pensador, talvez a de um conhecedor da dignidade e sobretudo do sentido da vida humana. Esse olhar dizia: 'Veja os macacos que somos! Veja o que é o homem!' E toda a celebridade, toda a inteligência, toda a conquista do espírito, todo o afã para alcançar sublimidade, a grandeza e o duradouro do humano se esboroavam de repente e não passavam de frívolas momices!" - O lobo da estepe - Hermann Hesse Sabe!?... 1.3.06
da psicologia do autor frustrado fase 1: surtos de genialidade quando o auto frustrado em questão passa horas rabiscando papéis, com a caligrafia que for possível diante de seu turbilhão de idéias, e troca de papéis, escreve fora da linha, rabisca uma palavra, e vai escrevendo, escrevendo. quando termina dá um tempo, toma um banho, come alguma coisa e começa a ler o que escreveu. acha tudo fantástico. acha que vai ser um autor feliz, ainda não sabe o que é um autor frustrado. fase 2: autocrítica leve passado algum tempo, encontra por acaso seus escritos da fase 1. não se reconhece, a princípio se pergunta inclusive quem escreveu aquilo tudo. quando se lembra que é o autor, lembra também de sua genialidade e considera seu material muito bom, "cru, mas com grande potencial". acredita que precisa trabalhar um pouco em cima de algumas coisas, mas a essência é fantástica. fase 3: andando em círculos para a fase de lapidação, o autor frustrado compra guias de como escrever literatura, conversa com pessoas que escrevem - autores frustrados ou não - e nota-se uma certa arrogância no seu modo de discutir foco narrativo. lê algumas obras consagradas para entender os estilos, começa novos textos e lapida cada frase a seu jeito. chega no nada. fase 4: negação é a desistência temporária. o autor frustrado nem de autor se chama mais, acredita que não nasceu para isso e é besteira perder tempo pensando que pode aprender alguma coisa e conseguir escrever. essa fase pode ter a duração de semanas a anos. às vezes, é fatal. fase 5: o último suspiro o autor decide que não pode ser frustrado e tenta mais uma vez. um raio o atinge no momento de empolgação criativa: ele percebeu, em um estalo, quais são as fórmulas que usa, o que sempre faz nos seus textos, sua incapacidade de mudar. dois caminhos a partir daqui. fase 6a: o sucesso as fórmulas têm apelo popular e o autor não parece frustrado. ex: paulo coelho, fernando bonassi fase 6b: o suicídio literário o auto frustrado deixa de ser autor quando decide que isso de enganar não é com ele. Sabe!?... |
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