de mel

29.4.06

tem muita gente maluca me aporrinhando, enchendo meu saco
quando eu, ano passado, ficava em casa de preguiça, sem querer ir pra sp, ouvia em casa que eu fazia muito bem. às vezes me enchiam, mas como eu ficava em casa por preguiça, mesmo, não ligava.

e nas últimas semanas eu tenho escolhido dias para ficar em casa e trabalhar melhor, na minha escrivaninha, no meu computador. acordo mais tarde pra não ter sono no meio do livro em espanhol e fico estudando. rende bastante.
e agora eu virei a vagabunda da casa.

ah, tem mais.
agora decidiram por mim que eu preciso trabalhar. e, vejam só, posso escolher entre a globo e assessoria de imprensa, não é fantástico?
porque decidiu-se que é um absurdo eu gostar do que não dá dinheiro, que eu preciso dar um jeito de arranjar um trabalho que me sustente. que eu preciso me decidir por alguma coisa (sim, eu me decidi por escrever, mas isso não dá dinheiro, então não é uma decisão válida. não estava entre as opções de escolha - que são, deixaver, assessoria pra político, comunicação de empresas, globo, folha de são paulo - no máximo).

*suspiro*

sabe o pior de tudo?
não há nada que eu possa fazer.
eu não posso sair de casa, porque eu realmente não tenho como me sustentar fazendo as coisas que eu faço.

eu já não consigo mais abstrair. não consigo mais fingir que não ouço, que tudo bem, que foda-se.

a base de tudo é que não acreditam em mim, e eu preciso ficar me provando todo dia, em tudo que eu faço.
fazer pesquisa não é bom, dar aula não é bom, escrever não é bom, ler não é bom.
nada que eu faço é bom, porque os valores são outros.
e sobre isso não há o que se fazer.

Sabe!?...

28.4.06

eu já fui uma pessoa sociável

estou trazendo de volta à vida meu gravador digital. isso não é uma tarefa fácil: há um ano e pouco ele deu um tilt inexplicável e parou de funcionar, o cabo usb dele não funcionava também, um mistério (deve ter sido inversão da polaridade do mundo, só pode ser).

então eu vou ser jornalista por um tempo e decidi que precisava de um gravador. antes de comprar um novo, resolvi ver se dava um jeito nesse. e eis que ele ligou e o cabo usb está aparentemente funcionando.

comecei a ouvir os arquivos pra ir apagando. mas para isso precisei reinstalar o programa no computador, redescobrir como fazia pra transformar meus arquivos do gravador em .wave, toda essa palhaçada digital de que eu não entendo bulhufas e fico enrolando e acaba dando certo.

achei, então, a famosa entrevista do jornal do campus com o bernardo kucinski. está aqui, salvei no meu computador, embora não seja mais importante pra ninguém (lembro que na época era, e eu não pude fazer nada. mas só pegaram meu gravador porque não tinha outro, e eu tinha avisado previamente que não daria pra passar pro computador). achei umas entrevistas que eu fiz quando trabalhava na agência. não deu saudade, só fiquei espantada com meu espírito jornalístico.

o mais legal de tudo, porém, são os arquivos gravados sem querer. um barulho absurdo de fundo, conversinhas, e bem alto o som de umas estocadas, pof-pof, ritmado. entendi na hora o que era: o gravador ficava na minha mochila, na bolsa menor, junto com a carteira, a escova de cabelo, as moedas, o celular, os elásticos de cabelo etc. e esse som eram os meus passos, andando pela usp, com a mochila nas costas e a companhia dos amigos. foi muito interessante ouvir isso, me senti o próprio feto na barriga da mãe, sem o líquido amniótico.

e teve também a lembrança de uma gravação que não estava guardada: em setembro ou outubro de 2004, fui no aniversário do cássio com a lia e mais alguém (que eu suspeito ser o thiago, colega de classe, mas não tenho certeza). no ônibus, ficamos sentadas conversando falando mal de alguém (eu juro que não lembro de quem era, mas tenho palpites - no entanto, a data, as companhias, o lugar, tudo isso contribui para que os palpites soem estranhos). e nós falamos, falamos... e eu abri a mochila para alguma coisa e nós vimos que o gravador tinha registrado tudo. demos muita risada, ouvimos um pouco (sim, dava pra entender) e apagamos aquilo, antes que caísse em mãos erradas.

hoje eu percebo que nunca ninguém teria ouvido.
e pelo menos eu saberia de quem a gente estava falando.

Sabe!?...


sonhei que tinha recebido uma carta com algumas fotos e anotações em inglês e uma outra carta dentro dessa carta. era um pacote, embrulhado com uma bandeira dos eua, e por fora uma sacola de plástico, e por fora o envelope que chegou para mim com o nome de um professor meu como remetente.

ele estava me mandando um material que um amigo dele dos eua tinha mandado. eram fotos inéditas de várias situações, mais explicações, e meu professor mandava uma cartinha com nomes de livros que eu deveria consultar para entender melhor o assunto. era um direcionamento para uma super grande-reportagem, que ele não podia fazer por motivos x, e estava me mandando.

e eu pensava em fazer e também usar para o meu tcc. só ficava um pouco preocupada com a quantidade de compromissos que estou assumindo.

não tenho o que comentar desse sonho, por poder comentá-lo todo.

Sabe!?...

27.4.06


por que eu estou feliz: comprei (mais) dois livrinhos.
+a sangue frio (finalmente), da edição nova da companhia das letras
+a milésima segunda noite da avenida paulista, do joel silveira, que fez jornalismo literário muito antes de inventarem jornalismo literário.

tchu ruru


Sabe!?...

26.4.06

tempo tem sido luxo aqui também.
estou metida em três milhões de projetos - documentário, iniciação, um curso de jornalismo, um curso de literatura, uma jornada de jornalismo, duas reportagens sendo apuradas, textos a serem reescritos para um projeto de um amigo, contículos a serem escolhidos para quem sabe uma publicação numa revista...

hm, deixa ver que mais...
(tem o italiano, que ocupa metade de duas tardes por semana. e os livros que eu quero ler, que não têm ocupado horário algum porque não sobra horário para eles. ah, é, a academia)

tanta coisa que toda a minha relação com o mundo tem sido platônica e somente imaginada.
tudo por meio de fotos, orkut (entre uma digitação de decupagem e outra), messenger é o contato mais íntimo (quase) que tem acontecido.

se isso é bom?
não deve ser.
ontem, quando estava quase dormindo, eu comecei a esboçar uma teoria, que ainda não foi concluída porque eu capotei e não tive tempo ainda de pensar nela de novo. é que minhas duas formas de reagir a crises são (1)ficando estatelada na cama, dormindo, pensando na crise, paralisada, sem vontade de agir enquanto não descobrir soluções para os problemas (que não têm soluções, porque eu tenho problema com o mundo) ou (2)arranjar três milhões de compromissos e não parar em nenhum segundo para pensar sobre o que estou fazendo (se eu parasse, por exemplo, não me meteria em uma jornada sobre jornalismo, nem em outro curso de jornalismo, muito menos em apuração de reportagens).

falta a conclusão.
antes disso, preciso resolver tudo isso aí em cima.
o que alivia é que tudo tem prazo para terminar, e acabei de pendurar um calendário-agenda no meu mural.


Sabe!?...

25.4.06

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Cleópatra, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem


Sabe!?...

24.4.06

sonâmbula

ou zumbi, se é que eu já estive morta um dia e mudei de situação

não é sono.

Sabe!?...

22.4.06

o orkut é uma coisa f****, com o perdão da expressão (e eu usei de propósito "com o perdão da expressão" porque isso chama modalização e é uma das cosias que eu procuro nos textos da minha iniciação científica).

voltando: o orkut existe essencialmente por causa da vaidade de todo mundo, e gente da cabeça meio fraca, assim como eu, fica viajando nas possibilidades que o orkut oferece e nos problemas.

por exemplo essa nova ferramenta de ver quem foram as últimas 5 pessoas que viram meu perfil.
no comecinho do orkut dava pra saber o número de acessos ao perfil, e era atualizado instantaneamente. de repente eu atualizava a minha página e o número tinha aumentado. o que eu fazia? olhava quem estava online, pensava quem poderia ter sido e construía histórias e hipóteses em cima disso, relia o meu perfil pensando no que a pessoa tinha lido e pensado...

sim, sim, coisas de quem não tem o que fazer.

mas foi triste quando eles tiraram os numerozinhos, não dava pra ter muito controle sobre quem estava me vendo (eu achava que com os números tinha controle).

e agora essa de mostrarem os números (mas não são atualizados na hora) e os nomes (que também só aparecem no dia seguinte).
achei uma boa, por um lado: dá pra saber exatamente quem está vendo meu perfil, inclusive se são pessoas que não são meus amigos (e muitas vezes não ser amigo pode significar ser inimigo). dá até pra fazer um estudo estatístico de visitas de uma pessoa específica e direcionar o perfil pra que ela leia - isso é muito paranóico, mas dá pra fazer, se alguém quiser.

por outro lado, eu perdi toda a vontade de fuçar nos scraps dos outros. não vou mais, decidi. nem entrar no perfil de alguém só por entrar, pra ver as fotos, o que anda fazendo e se continua idiota (eu fiz isso muitas vezes e não me decepcionei. o "quem sou eu" entrega tudo. tem gente que leva a sério que é pra se descrever com qualidades e defeitos e dizer que ama não sei quem e que é muito legal etc etc. affe). ou olhar as comunidades de alguém, pra ver se tem alguma interessante e adicionar... o problema é que essa pessoa pode ser uma louca surtada e começar a construir histórias e hipóteses em cima da minha visita, reler o perfil pensando no que eu li e pensei...

eu, hein.

mas, se eu quiser desativar essa ferramenta de ser espionada aonde quer que eu vá, desativo instantaneamente a ferramenta que me conta quem está me espionando. não é justo, nem um pouco justo.

ficou difícil ser curioso no orkut.

Sabe!?...

20.4.06

eu não agüento mais morar nessa casa.
não agüento mais depender dos meus pais.

não há nada que eu possa fazer; mesmo que eu tivesse um emprego, eu não conseguiria me sustentar, porque seria de jornalista.

e eu não tenho 10 anos, apesar de ser tratada como se tivesse.


não é o maior absurdo que vocês já viram, ter que casar para ter liberdade?

não agüento mais.

Sabe!?...

19.4.06


comentei aqui que minha academia estava passando por reformas. não era bem uma reforma: tinha acabado o contrato de aluguel dos equipamentos de musculação e a empresa que os alugava foi lá e retirou tudo uma semana antes do que o dono da minha academia previa. com isso, ele decidiu pintar as paredes enquanto não chegavam os equipamentos novos - os novos equipamentos, de outra empresa.

tudo isso para dizer que hoje eu fui na academia. sim, sim, fazia muito tempo que eu não aparecia por lá. paguei a mensalidade e fui pra musculação. e eis que eu não sabia ligar as esteiras, mas isso não era problema, porque eram várias de marcas variadas e décadas variadas, eu podia ir testando todas até conseguir ligar alguma. por sorte a professora chegou quando eu esmurrava os botõezinhos da segunda e ligou pra mim. dez minutos de esteira pra aquecer, deu tempo de fazer toda uma análise do lugar. na minha frente estavam umas seis bicicletas, todas muito magrelinhas e parecendo que iam cair na primeira pedalada. eram quase todas da mesma marca, porém; só uma era mais esquisitona, era justamente a que eu gosto de fazer - acho que chama bicicleta horizontal, não sei, mas é aquelas em que existe um banquinho, não um selim, e dá pra encostar as costas. eu gosto dessa porque cansa menos. quando chegou minha hora de bicicleta (depois de tudo, tem os 20 minutos de exercício aeróbico, mas eu faço no máximo 15, normalmente faço 10), fui rapidinho na horizontal e ela não ligava. então parti pras magrelinhas, fiquei 15 horas ajustando a altura do selim - nessa não dava pra ajustar a proximidade do selim e do "guidão", e nas antigas dava.

mas isso foi o fim. antes teve a musculação.

todos os aparelhos mudaram, e com isso mudaram de lugar também. não pensem que eu sei o que significa r. curvada máquina, extensão de perna e coisas do tipo; eu tinha decorado a minha seqüência de exercícios pela localização antiga dos aparelhos (e podia confirmar com a etiquetinha deles ou com os professores que são sempre muito solícitos). danou-se, portanto. mas todas as tardes tem uma professora muito legal lá, que me dá atendimento praticamente vip, e a gente conversa coisinhas (sobre o tempo, sobre sp, sobre cansaço, sobre a música que está tocando - small talk), e ela me ajudou. (eu não sei o nome dela)dois aparelhos não existem mais na academia, então ela fez umas maracutaias e deu um jeito de fazer os mesmos exercícios em outros aparelhos (e eu acreditei que eram os mesmos).

se algum leitor já freqüentou uma academia, sabe que o momento dos exercícios é o momento de narciso. todo mundo fica olhando para o espelho, vendo os músculos saltarem, incharem, medindo as circunferências, essas coisas de gente de academia. eu fico observando essas vaidades, quando vou numa hora de rush. às quatro e meia da tarde de uma quarta-feira, só eu e os professores, praticamente, então só me restou ficar olhando os equipamentos novos - os novos equipamentos. eram de cores diferentes, de marcas diferentes. dava pra perceber que os de banquinhos vermelhos são melhores e mais novos (as estruturas são cinzas). alguns tinham as quinas quadradinhas demais para serem da última década. mas o pior eram os branquinhos com banco verde água. eu tenho cer-te-za de que eles eram da outra academia da cidade, a mais cara e das pessoas malas que querem fazer social (não que na minha as pessoas estejam pelo prazer do exercício). eu freqüentei essa outra academia em períodos variados: um mês em 2000, dois meses em 2001, três meses em 2002. é, eu nunca gostei de exercícios. mas eu me lembro muito bem daqueles aparelhos, o de puxar um peso para trás das costas sentada no banco que segura os joelhos para que eles não subam e o de fazer adutora/abdutora, o mesmo aparelho que só vira o lugarzinho de pôr o joelho (um 2 em 1). eram os mesmos, eu tenho certeza. os dois que vi hoje eram bem velhinhos, da mesma cor, tudo igual.

enfim.
(esqueci de dizer que a esteira em que eu andava estava com partes enferrujadas)

tudo isso para concluir dizendo que vou sair dessa academia. eu gosto muito da professora que me ajuda sempre, gosto das aulas (quando tenho tempo de fazer), mas achei muito absurdo eles pararem por uma semana e voltarem com esses aparelhos muito velhos, cada um de um tipo, de uma marca, de uma década. pode ser besteira minha. não faz diferença no resultado do exercício. mas eu não vou querer entrar naquela academia de bairro, que aumenta mensalidade e economiza com os alunos.

eu estou chateada com isso.

Sabe!?...

17.4.06


eu estou com muita vontade de escrever. se alguém quiser ler alguma reportagem interessante, me avise que eu a escrevo. se alguém quiser ler algum conto com algum tema específico, me avise que eu o escrevo.



Sabe!?...



a primeira imagem que surgiu foi de balsa: os carros pararam, desligaram as luzes, desligaram os motores. os passageiros abriram suas portas e saíram para olhar todos na mesma direção. assim, um atrás do outro, duas fileiras de carros, aquela fila, todo mundo na estrada papeando, ligando pra avisar que ia chegar atrasado. o problema tinha sido um ônibus que pegou fogo em pleno km 250 da castello branco e as duas pistas tinham sido interditadas, sem previsão de serem abertas em algum momento. a moça do pedágio tinha avisado, estava quase rindo (todo mundo deve passar rindo da moça do pedágio, que tem que passar a noite na cabine contando moedas, e ela estava se vingando de todos nós, parados na estrada sem comida, sem banheiro, sem previsão de chegar em casa).

paramos, desligamos as luzes, desligamos os motores. abrimos nossas portas, saímos para olhar, ligamos para avisar que chegaríamos atrasados - muito atrasados, por conta dos outros 30 minutos que já tínhamos passado praticamente parados no trevo complicado de uma cidade mais para o interior. mais esses minutos, horas? sem previsão.

para poder olhar mais longe, me apoiei no carro, onde a porta fecha. aquela fila de luzes vermelhas, com trechos de penumbra (carros desligados como o nosso). então eu percebi que não era balsa, não. estávamos em plena cena da guerra dos mundos, obviamente sem a parte ruim: os ets. o namorado não levou minha metáfora a sério, e devia ser porque ninguém estava em pânico. umas pessoas andavam em direção ao suposto ônibus (estava tão longe que não dava pra ver nada, e mesmo quando saímos do lugar eu não vi nada onde deveria ter um ônibus em chamas - ou em cinzas), outras ficavam no carro com as portas abertas, outras faziam passinhos de dança. aquela festa. não, não parecia mesmo a guerra dos mundos.


Sabe!?...

13.4.06

a parte realmente bizarra começou depois de eu ter tirado racha com um pessoal babaca do porto seguro, do show do paralamas no ginásio do colégio, do tobogã em que entrei de carro... era depois do show e a mulher que tinha cantado um funk com o herbert vianna estava passando mal. meu avô começou a cuidar dela, jogou um ovo no rosto dela porque dessa forma seria possível enxergar qual vaso sanguíneo estava bloqueado. ela melhorou um pouco depois do ovo, mas a pressão continuava caindo. meu avô fez vários testes nela e não conseguiu descobrir o que ela tinha - a mulher estava tendo um piripaque, pressão caindo, desmaiada, eu corri pra ligar para uma ambulância (mas para uma ambulância de marília, que demoraria umas cinco horas para chegar, com sorte).

então esse sonho pausou.

eu estava andando por uma trilha no meio de um mato, nada muito fechado, só algumas plantas, e via um celular jogado no chão. pegava o celular e achava estranho: aquele era o meu celular, os mesmos desgastes na capinha, tudo igual. liguei e olhei as últimas ligações, era mesmo meu celular. entrei em estado de choque (literalmente) porque eu sabia que antes de sair de casa eu tinha deixado meu celular carregando para poder usar no dia seguinte durante a viagem (isso é um fato que aconteceu antes de eu ir dormir, de verdade). sim, eu entrei em choque, a minha teoria da conspiração se confirmou: existem seres que pegam alguns objetos nossos, objetos que acham estanhos e que merecem investigação, e os tiram de seus lugares, e só os devolvem (intactos) depois de os terem examinado ou se percebem que os estamos procurando (a gente vira de costas pra procurar em outro lugar, não acha, e quando olha de novo ele está lá, como se nunca tivesse saído de seu lugar. mas a gente sabe que saíram, ou o teríamos achado antes). celular é um objeto que merece investigação (microondas e creme de barbear também), afinal, seu funcionamento é um mistério. e então eu pergunto: qual ser não saberia o que é um celular? sim, vocês descobriram quem está por trás de tudo: os ets. e foi por isso que entrei em choque, os ets estavam me pesquisando. quem me conhece sabe que isso só pode dar em uma coisa: resolvi me suicidar.

não adiantava ninguém falar comigo, me oferecer remédios, nada, porque eu não sabia mais o que era real e o que era plantado pelos seres que tinham sumido com meu celular. antes tivessem sumido: andei até minha casa e encontrei o meu celular, aquele, carregando, na tomada. eu estava com dois celulares idênticos na mão. surtei, surtei muito. lembro que alguém que estava comigo levantou a hipótese de estarmos presenciando uma dobra no espaço-tempo. não acreditei, só podiam ser os ets. foi a hora que decidi que a punica solução, a de menor sofrimento, era o suicídio. tomei alguma coisa e caí dura no chão, dormindo.

então esse sonho pausou.

voltamos para o ginásio do colégio, que tinha se transformado numa grande enfermaria, cheio de caminhas e aparelhos improvisados, como se estivéssemos num esforço de guerra cuidando de sobreviventes amputados, retalhados, machucados. eu estava ao lado de uma maca, vendo alguém cuidar de uma senhora. a essa altura acho que ainda era meu avô. e então piscava uma luz e a mulher sumia. susto, claro. a pessoa que a essa altura do sonho ainda era meu avô ficou entusiasmada com isso e encontrou logo a solução para o mistério: era um portal de viagem no tempo. nesse sonho eu acreditei imediatamente em dobra no espaço- tempo (acho que a vontade de acreditar já estava no meu subconsciente desde o outro sonho). ele decidiu que precisava ir no próximo flash de luz. vimos um ponto luminoso se aproximando, virou um feixe de luz, aumentou ainda mais de tamanho e tchuf, acertou em cheio meu avô (que correu na direção da luz para ser acertado) e ele sumiu. eu decidi que precisava ir também e tirar essa história a limpo. fui no próximo portal, tive de correr um pouco porque o ponto de luz não estava vindo na minha direção, e ele sugava a primeira pessoa com que se chocasse. passei pelo portal (não lembro de nada durante a fase de passagem, nenhuma luz estranha, nada parecido com o 2001, nada. só acordei numa floresta).

acordei numa floresta. meu avô estava lá, mas não era mais meu avô, era talvez meu pai. ele me contou que estávamos no século XIV e tínhamos ido até lá para encontrar o newton, o galileu ou alguém do tipo, para incentivar a criação de uma máquina do tempo, para não estragar tudo que tinha acontecido depois - com aquela lógica dos filmes de ficção científica de que tudo tem de ser preservado como aconteceu, inclusive o fato de eu e meu pai estarmos no século XIV atrás de um físico que se parecia com um macaco. sim, tinha esse fato: o cara que nós procurávamos se parecia com um macaco, ele e seu assistente. sabe aquele macaco do rei leão, aquela espécie com barbinha, uma bundinha estranha...? e morava em uma árvore. a explicação era que ele vivia muito isolado da civilização para desenvolver seu precioso cérebro e portanto não tinha tido tempo para evoluir fisicamente (eu posso dar uma explicação para esse ponto do sonho, posso mesmo). enfim, nós nos aproximamos dele e de seu assistente, pedimos para ajudar nas pesquisas, ele autorizou e disse que teríamos os momentos mais fantásticos vivendo com ele.

depois de um salto de alguns anos no tempo, o físico, induzido por nós, começou a pensar na tal máquina do tempo e a construiu. não passava de umas madeiras organizadas, parecia aqueles moinhos de cana puxados por cavalos que rodam em círculos, e no meio tinha um balde também de madeira onde deveria ser jogada uma bola com um peso específico. eu e meu pai (que a essa altura não era mais meu pai, não lembro quem era) tínhamos calculado que a bola deveria ter meio quilo, e influenciamos o macaco físico para ele jogar o peso certo. então ele começou a fazer alguns testes, começaram a pipocar velhinhos pela floresta, surgidos do nada. eram velhinhos porque, segundo o meu sonho, eles deveriam ter idade bastante avançada no século XIV se tivessem vindo do século XXI. logo eles morriam.

então o tempo resolveu corrigir seu erro temporário e eu e a pessoa que me acompanhava ficamos velhas de repente. muito velhas. acho que nessa parte a pessoa virava o namorado. então, pelas regras de viagem no tempo, nós deveríamos morrer dormindo numa cama, para que todo o futuro que era o nosso passado acontecer direitinho, sem problemas. lá fomos nós para a casa designada, a casa que seria nossa, e eu quase morri no caminho, de tão cansada que estava, mas o namorado me puxou e disse que precisávamos morrer na cama. entramos no quarto e encontramos dois velhinhos mortos na nossa cama, éramos nós. deitamos ao lado deles, ficou meio apertadinho.

então eu morri e acordei.


Sabe!?...

12.4.06

a última prova do namorado é só no fim de julho, o que significa mais 3 meses de sufoco sem saber se é para o bem ou para o mal. continuem torcendo.

eu estou muito cansada de ficar zanzando por sp, preciso de muito tempo de férias. e de um pouco de empolgação para ler os malditos livros em espanhol da ic.

by the way, a ic está parada, dedicação total ao documentário e às suas confusões burocráticas.

na quinta eu viajo. parece que as horas não passam.



Sabe!?...

9.4.06

a exposição da carmen não é isso tudo. claro que é muito interessante ver os trechos de filmes de que ela participou, ver muito de pertinho as roupas e os turbantes e os sapatos bizarros, ouvi-la cantar (com a voz que o namorado achou estridente e que tenta imitar, alcançando agudos inimagináveis)... mas não gostei tanto. pode ser por ter lido o livro - os textos, muitos, que explicam quem ela foi, são naturalmente muito parecidos com o do livro - afinal, é a mesma história, e o ruy castro que escreveu e deu assessoria. ao sair, dá impressão de que ela foi muito feliz, porque eu não vi em nenhum lugar alguma coisa que remetesse aos remédios, ao marido, à exaustão. pode ser que os textinhos finais falassem disso, mas eu não li. e, mesmo que algumas palavras tocassem no assunto, quem iria sair dali com essa impressão diante de tantas fotos sorridentes, vídeos com bananas coloridas, roupas de todas as cores de todos os tecidos com todos os ornamentos?... eu acho que ela foi triste.

mas o teatro mágico superou as nossas expectativas. foi muito legal, músicas boas, roupas coloridas, acrobacias fantásticas... sem contar que ver uma amiga empolgadíssima - apaixonadinha - não tem preço. dêem uma olhada na agenda deles (www.oteatromagico.mus.br) e compareçam.

(estou com um problema com meus links. eles são da mesma cor que esse fundo. enquanto eu não resolvo, façam um copiar-colar)


Sabe!?...

7.4.06


Me chamam de hermética. Como é que se pode ser popular, sendo hermética? Eu me compreendo. De modo que eu não sou hermética para mim*

eu li o conto do futebol pro namorado, mas só li porque ele insistiu muito - estava do outro lado do telefone e não tinha como ler ele mesmo naquele momento, e tinha de ser naquele momento. eu não gosto de ler em voz alta, muito menos ler coisa que escrevi em voz alta, porque sei que vou induzir a compreensão pela entonação que der em alguns trechos.

anyway, li. ele falou que gostou, disse que gosta do que escrevo. a paulinha tinha falado que tinha gostado também. mas como o namorado é o leitor teste, comecei a fazer perguntas sobre o meu continho e concluí que ele só entendeu a primeira história, a que aparece escrita. acho que a paulinha também só entendeu essa. no fundo, vocês sabem, o que importa não é a história que aparece.

então eu comecei a explicar os significados de cada frase do conto, e parei obviamente na terceira, porque explicar não tem graça e significa que não dá para entender por si mesmo tudo aquilo, ou seja, eu não soube escrever. então eu expliquei pro namorado que tudo que eu escrevo tem um significado, cada palavra escolhida tem uma razão de estar lá, não tem nada por acaso. e que eu penso em muitos sentidos e faço sempre muitos raciocínios para chegar no significado.

e foi quando ele respondeu que ele sabe disso, que eu tenho meu mundinho próprio.

considerei fazer um p.s. explicando os significados. ou notas de rodapé. o namorado sugeriu hieroglifos ou símbolos como os do guimarães rosa nas primeiras estórias. concluí que o que eu preciso mesmo é reescrever aquele conto.


*essa frase é da clarice, claro. mas podia ser minha. e podia ser de qualquer um.


Sabe!?...

6.4.06

fui ao aeroporto hoje (e aproveitei pra comprar uma new yorker).

minha sorte de hoje, no orkut:
Você viajará para muito longe

espero que não estejam falando de jundiaí-guarulhos



Sabe!?...

5.4.06

ah, que tudo isso tem me consumido.

tive uma idéia para um conto sobre futebol. a iniciação ocupa todo o meu tempo. os livros aqui do lado são muito tentadores, e hoje eu terminei as cidades invisíveis, que é do italo calvino, que virou um dos meus escritores preferidos, junto de pouquíssimos 2 ou 3 - mas é porque eu li muito pouco ainda. a minha cidade não vende revistas decentes, e aposto que só passou a oferecer a bravo! quando a abril comprou a revista. eu durmo tão profundamente no ônibus que acordo sobressaltada na fflch pensando estar na anhangüera, na anhangüera pensando estar na fflch. a tosse ainda existe, e eu desisti de curar, dane-se. a academia fechou de surpresa para reforma que vai durar uma semana e é ótimo não sentir culpa de ficar em casa comendo chocolate - afinal, é culpa da academia que não estou me mexendo. eu continuo passando spray anti-celulite, e vocês acreditariam se eu dissesse que não serve pra nada? semana que vem eu não preciso ir para são paulo nenhum dia, e isso me deixa veramente (dessa vez usada propositalmente para agradar pessoinhas) feliz. sem contar os chocolates que a páscoa me reserva. e, se estiver frio, ótimo, porque eu vou usar o moletom mais quente do mundo, dormir abraçada, comer muito e fazer fumacinha com a boca. se estiver calor, bom também, que vou tomar sol, água de coco, vento na rede. e vou ler gay talese, ah, vou. eu preciso mesmo de tempo para ler e de motivos para inventar continhos, porque eu sempre sou mais feliz assim.

Sabe!?...

4.4.06

estão surgindo concursos de literatura, alguns interessantes, e eu não posso participar porque eu não tenho nada escrito e nem o que escrever. isso é terrível, angustiante. faz uns dias que, nos tempos livres (poucos), eu penso em possíveis contos, e não tenho idéia alguma. o pior de tudo: eu tenho idéias para reportagens, mas não para contos.

eu já avisei o namorado que essa decisão de ser jornalista vai me tornar uma pessoa medíocre e estúpida, e que ele precisa pensar bem se ainda quer estar comigo. ele disse que quer. duvido que não esteja decepcionado - eu estou.

sabe, esperava mais de mim.



Sabe!?...

3.4.06


uma vez remediada a questão do como, chega-se ao problema do por quê.
sei que não vou mudar o mundo e nem pretendo, por falta de melhor projeto; não vou ganhar muito dinheiro; vai mudar a vida de muito pouca gente, se de alguém; vou ter gastrite, herpes e insônia fazendo; o maior reconhecimento possível será pouco diante de tanto sacrifício.

jornalismo pra quê?


Sabe!?...

2.4.06

mais de jornalismo:

- josé marques de mello, sábado, para um bando de estudantes de jornalismo: "vocês recebem uma carga antimidiática tão grande na faculdade que não há como se animar, não sei como vocês agüentam os 4 anos". todos riem, concordando.

- alex antunes, sexta, para cinco ou seis estudantes de jornalismo que ainda vão às aulas da faculdade, dando a melhor definição da veja que eu já ouvi, a que eu sempre procurei: "manual de instruções da realidade para a classe média angustiada". brilhante. virou expressão minha.

- eu queria assistir capote, e a merda do cinema da minha cidade, esse que está linkado aí ao lado para eu checar a programação sem precisar dar 15 cliques no site deles, tirou de cartaz depois de apenas duas semanas de exibição. eu estou veramente chateada, vocês não imaginam.

Sabe!?...

1.4.06

ó pouquíssimos leitores fiéis, que acessam essa tribuna quer de são paulo, quer do primeiro (...) mundo;
ó poucos leitores que vêm aqui vez-sim-vez-não, quando lembram desta, visitam seus links em momentos de ócio ou lêem comentários em seus próprios blogs que os trazem até aqui;
ó raros leitores que esta acessam depois de verem listados os últimos 10 blogs atualizados;
ó leitor namorado que larga seu estudo obsessivo para checar se estou produzindo algo;

é hoje o dia em que a narrativa deste blog atinge seu ponto de virada. é hoje o dia do anti-clímax (do blog e talvez da minha vida). um anúncio que vai afetar bolsas de valores e aparecer piscando nas linhas que passam correndo pela parte superior da página de sites noticiosos anunciando fatos bombásticos.

eu vou ser jornalista


sim, sim, posso ouvir o tchãn-tchãn-tchãn, o fim do rufar dos tambores e as últimas notas das trombetas, que desafinaram no final diante de tal notícia. não se preocupem, que nada nessa vida é definitivo. e, vejam, pode ser bom: o jornalismo pode melhorar.

(pausa para as palavras fazerem efeito e eu me convencer disso)

é bastante possível que a literatura perca um grande nome (jornalistas não têm tempo de baboseiras como literatura); é bastante provável que as editoras se livrem de mais um original acumulado na estante etiquetada "abortos".


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eu tenho freqüentado mais o meio jornalístico. as pessoas falam de suas experiências, contam histórias. sabe, acabam fazendo tudo parecer menos pior. ou talvez eu queira enxergar isso. é que eu decidi que eu preciso assumir que jornalismo é minha profissão, para o bem ou para o mal, e eu preciso descobrir uma forma de fazer jornalismo. não, não vai ser na superinteressante, nem na globo, nem nas assessorias de imprensa, porque esse, caros, é o mundo dos empregos fáceis, o mundo dos jornalistas acomodados, que perpetuam modelos. é o mundo das empresas e das regras. e, se eu conseguir não ser acomodada, não vou estar lá.

eu sei que eu gosto de contar histórias e eu preciso achar uma forma de fazer isso - e vender isso, e tornar isso útil (não porque eu queria, mas porque parece, dizem por aí, que jornalismo é feito para o povo e não para o jornalista).

pelo que eu pude ouvir de quem tem o dobro da minha idade, as minhas crises éticas não têm solução (ainda). alguém (uma pessoa com o dobro da minha idade) me disse que eu deveria aproveitar essas crises para repensar o jornalismo enquanto faço jornalismo, testando mudanças, ao invés de ficar do lado de cá só criticando.

tudo isso está me parecendo razoável.
por enquanto.

Sabe!?...