de mel

30.6.06

uma derrota por dia - a lista
(sempre em edição, até às 23h59)

30.06
- me sentir péssima por sonhar com a morte de alguém que adoro e achar que poderia ter controlado isso
- não consegui parecer como eu gostaria (cabelo grudento por motivos hormonais, espinhas e palidez por descontrole emocional e doença)
- sentei num lugar horrível no ônibus, não consegui dormir, nem ouvir música, nem ler meu texto, nada
- não consegui terminar de diagramar a minha reportagem
- não vou conseguir publicar uma reportagem que fiz, porque eu não sei fazer reportagens
- não conseguir publicar essa reportagem significa perder os $350 mais mal gastos da minha vida, no curso para-acadêmico



Sabe!?...


uma derrota por dia
meu sonho horrível dessa noite foi com meu avô - e todo mundo sabe o que meu avô significa para mim, não sabe? pois bem, meu avô, que eu adoro, e que meus amigos e o namorado adoram, ia morrer, e existia um dia x certo para isso. ele não estava doente nem nada, mas era certo que ele morreria esse dia. então a família já convidou todos para o velório/enterro, nesse dia, e nós passamos a noite em claro com ele, meu avô, fazendo mimos e conversando. lembro que eu estava colocando a mesa para o jantar, e acho que seria fondue. porque o meu avô adora mimos gastronômicos, ele sempre se empolga com lugares diferentes, passeios, comidas, e a gente queria fazer de tudo para ele ficar feliz. e então ele ficava muito feliz e fazia aquela carinha dele, que só ele faz (e acho que estava com um copo de cerveja na mão, ele sempre perde os copos que está usando). daí a gente passava a noite toda conversando, ele me dizia algumas coisas que, eu lembro do sonho, me pareciam muito importantes e já me deixavam com saudade dele. e nós ficávamos com ele a noite toda, amanhecia, algumas pessoas chegavam para o enterro, e ele ainda estava lá com a gente, e a gente não sabia nem quando nem como ele ia morrer, só que ele ia morrer, naquele dia, de alguma forma. quando eu acordei, ou quando eu percebi que aquilo era um sonho, eu me lembro de que ele não tinha morrido (ainda?), e eu ficava pensando que a gente deveria chamar todos os amigos médicos dele para ficarem junto naquele dia, porque qualquer que fosse o motivo da morte, poderia ser revertido se estivessem todos ali, para cuidar do meu avô.

foi muito, muito triste.
eu acordei com saudade do meu avô, com medo de não conseguir dizer para algumas pessoas como elas são especiais.

Sabe!?...

29.6.06

acabou a série campos do jordão, com fotos e detalhes. voltemos à realidade, à tarde debaixo da coberta suando e com frio, à dor de estômago, à garganta inflamada, às tarefas atrasadas.

*suspiro*


Sabe!?...

28.6.06

da série campos do jordão

nós chegamos já um pouco tarde, oito e meia, porque saímos tarde, paramos no leite na pista pro namorado matar a lombriga (e comprar presentinhos pra vovó), erramos o caminho do hotel (eu confesso, por minha culpa, olhei errado o mapa). enfim, chegamos. os donos da pousada foram muito simpáticos, explicaram como funcionava o lençol térmico (eu não paro de falar no lençol térmico para o namorado, que ficou irritado com essa fantástica tecnologia), os canais da tv, a banheira (sim, todos já viram fotos da banheira, eu mostrei pra todo mundo)... disseram que a gente podia comprar um vinho e ficar lá no deck deles, que eles acendiam a lareira. tudo lindo. e frio, muito frio. fomos para a baden baden, na muvuca do centro, comer as salsichas que o namorado grávido desejava. confesso que minha vontade era já ter comprado o vinho e ter ficado no deck com lareira. fomos.

já que era pra ser tradicional, pedindo salsichas na baden baden, pedimos uma cerveja deles. eu queria uma preta-malzbier, mas o que veio foi uma preta-caracu (estão acompanhando a decepção, amigos-bêbados, que são todos vocês que lêem o blog, descobri?). amarga, horrível, com gosto, no final do gole, de café queimado. ah, sim, na descrição falava alguma coisa de torrado. erraram o ponto. eu odiei, pedi um chope branquinho lindo cristal, e o namorado, orgulhoso, insistiu que ia tomar aquela. ele diz que não odiou, o que é bem diferente de gostar, vocês sabem. vieram as salsichas, acompanhadas de pedacinhos minguados de pão que, descobrimos depois, eram cobrados à parte. sabe, não é querer ser mão de vaca, porque sabíamos que tudo lá é caro, mas cobrar não-sei-mais-quanto por um pãozinho (poucas fatias) que seria complemento obrigatório da porção de salsichas?...



cachorro vai, cachorro vem, começamos a passar muito frio (ah, sim, cachorros ficaram passando pela rua, e eu nervosíssima com eles ali, prestes a serem atropelados. vocês sabem que eu sou neurótica com cachorros na rua, certo?). tivemos sorte, até, na escolha da mesa. escolha, não, que foi a única que vagou enquanto esperávamos de pé. de um lado, aquele aquecedor a gás, alto; do outro, a calçada. ou seja, both conforto and pessoas passando. as pessoas que vão para lá merecem um capítulo à parte, que não farei por não ter tirado uma foto que ilustre meu sentimento de despertencimento ao mundo. pois bem, a mesa parecia boa, mas concluímos, depois de algumas rajadas de vento, que teria sido melhor sentar mais ao fundo, onde pessoas fariam o que estávamos fazendo por elas: bloqueando o vento forte. porque o aquecedor solta chama por cima, na altura da cabeça de alguém alto de pé, e nós estávamos sentados, ao lado só do bujão (que não é quente, obviamente). ficamos mais um tempo lá, eu me deliciando com o chope claro e leve, o namorado tentando acabar com a cerveja preta e amarga, e ambos desistindo das salsichas que já tinham esfriado. o pior de tudo foi olhar para a mesa ao lado (não a mesa do casal que tirou nossa foto, muito simpáticos, comendo fondue). eles estavam comendo uma deliciosa e quente e cremosa sopa no pão. ai, que vontade. uma sopinha, quentinha, gostosa... e nós com as salsichas frias, a forração de estômago da beira da estrada, o frio.

fomos embora, para o passeio que o namorado quis fazer, eu congelando inteira. deve ter sido isso, deve sim, é culpa dele que estou agora doente, com febre, dor de garganta, quase sem falar. deve ser. e, no entanto, eu faria tudo de novo. reparem na minha carinha (redonda) de felicidade.

Sabe!?...

27.6.06

da série campos do jordão
títulos da foto: terrorismo, ou não quero tirar foto, ou pára de inventar desculpas para descansar


nós fizemos trilhas no horto florestal, no sábado. começamos meio dia e só paramos às duas e pouco. eu morri. fizemos uma tranqüilinha de passar em cima de pontes, tudo muito bucólico e lindo. e depois fizemos essa, de subir muito, subir muito, e as minhas panturrilhas ficaram duras, e doeu tudo, e eu estava quase morrendo. o namorado, ao invés de me amparar, ficava contando uma historinha de uma trilha que ele fez em bariloche, de não sei quantos dias, na neve. tudo isso para chegar no ponto principal da história, que é o casal de argentinos que estava junto. o moço tinha comprado não-sei-quantos equipamentos de trilha e neve e escalada e barracas e estava todo animado, e a namorada ficava fazendo corpo mole. tanto fez que eles terminaram. segundo o namorado (o meu), porque ela não tinha vontade, que é só ter vontade que dá pra fazer. eu pergunto, existe terrorismo maior? falei pra ele da força de vontade das minhas panturrilhas fatigadas.

(e outra pergunta que precisa ser feita: se a foto debaixo, linda, as hortênsias, eu milagrosamente de olhos abertos em uma foto, fazendo pose e tudo, bem, se a foto debaixo só ganhou um comentário relacionado a ela, de todos os que ali estão, como será essa? vão falar de espoerte, de exaustão, ou de terrorismo e bin laden, ou de sair em fotos...? nunca se sabe)

Sabe!?...

26.6.06

25.6.06

As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão


para algumas pessoas é difícil. para outras, é mais dífícil ainda

Sabe!?...


voltei do frio. estava muito frio, eu não estava preparada.
por enquanto, posso dizer que o fim de semana pareceu muitos dias, de tão gostoso; que eu comi muito, e bem; que eu fiz trilhas; que eu esqueci completamente das coisas daqui.

estou doente, bastante. parece que febre, dor de garganta. e o pior de tudo, muita dor de estômago, que não pára de queimar nem com remédio. estresse? pode ser.

agora preciso voltar aos afazeres.
eu quero minha realidade inventada.

Sabe!?...

22.6.06

eu queria mesmo estar bêbada agora. bêbada de cerveja, ainda, que eu só bebo cerveja em momentos felizes, com muita gente, calor e falando alto. vinho, não, vinho eu bebo sozinha ou com poucas pessoas, em momentos mais intimistas. hoje meu dia está para vinho, mas não vou beber, queria mesmo estar bêbada de cerveja. porque cerveja é alegre, amigos, eu esqueço das minhas preocupações e até parece que está tudo bem. vinho, não. fico com sono. quando estou sozinha, fico triste e vou dormir para deixar de pensar em tudo. com mais alguém é um pouco diferente, mas o sono não tarda.

estar bêbada é libertação, sabe? não libertação de verdade, eu sei que não, mas é parar de racionalizar. e está tudo tão ruim que só bebendo pra ficar melhor.

...e agora pensei em dedicar esse post a um amigo.

Sabe!?...


Sorte de hoje:
Uma boa época para concluir tarefas inacabadas

tem como errar a sorte de algum dia?, eu pergunto.
coisas do orkut. coisa inútil.
eu elaboro horóscopos muito mais interessantes.

Sabe!?...

21.6.06

e agora que estou às vésperas da tão sonhada viagem para o frio, começo a ficar doente. garganta inflamada, aquele gosto de cabo de guarda-chuva. dá-lhe chazinho.

deve ser cansaço, só pode ser, e dessa vez não vieram as herpes (já contei da teoria do namorado sobre as herpes?).

não devo descansar tão logo - sim, a viagem é sexta à noite, mas tanta coisa vai acontecer até lá que parece que vou viajar só mês que vem. jornalismo, jornalismo...

Sabe!?...

20.6.06

estou surtando de tanta coisa que tenho que fazer até sexta, 18 horas. se não bastassem os trabalhos que me exigem mão de obra e muito raciocínio, estou tendo problemas técnicos (meu computador está sem som e não posso ouvir as entrevistas que fiz, por exemplo) que podem inclusive impedir os trabalhos que exigem mão de obra e raciocínio.

não há nada que vocês possam fazer, e não é interessante para vocês saber disso. mas eu quis escrever aqui.



Sabe!?...

19.6.06


esqueci de dizer algumas coisas ontem, que já era hoje, antes de dormir.
uma delas é que usar a culpa é a maneira mais eficaz de conseguir alguma coisa de mim.
faz assim, diz que eu sou culpada de alguma coisa e que só posso diminuir essa culpa fazendo alguma coisa, que no caso é o que você quer que eu faça. provavelmente funciona. não exagere, também, que eu tenho bom senso - como outro dia, quando ouvi gritarem em alto falantes que a culpa da fome das crianças e da miséria do mundo era dos jornalistas. sabe, tem limite, a culpa do mundo eu normalmente não carrego, mas nunca se sabe em dias de tpm.
não pense, também, que vou fazer o que você quer e pronto, estou livre. não, você pode insistir na minha culpa que eu vou acreditar que ainda sou culpada, e uma coisa dessas não passa nunca, vou sempre ser culpada, não importa por quê. é bem católica a coisa, mesmo.

portanto, quem me quiser de voluntária para ongs ou trabalhos voluntários, sabe onde tocar. é aí, na culpa.


Sabe!?...


eu descobri que o medo é querer fazer alguma coisa que não é tão simples e garantida e não conseguir, o medo é de não ser suficiente para o que eu possa querer e possa tentar fazer. então é melhor não pensar em muitas possibilidades para querer, nem tentar fazer aquilo que parece tão incerto e talvez errado para o que pensam para mim. melhor não se frustrar.

Sabe!?...


ou então, quem sabe, morrer mais.

Sabe!?...


talvez vomitando eu ficasse melhor, agora que meus olhos ardem mas não tenho sono, meu estômago se encolhe mas não tenho fome nem azia, minha cabeça dói mas remédio não cura. talvez explodindo eu ficasse melhor, mas nem para isso a força dá.

Sabe!?...

18.6.06

eu quero chorar
(e sei onde ir buscar as lágrimas)

Sabe!?...


e o que eu deveria fazer?

na verdade, what am i supposed to do? - mas isso, o supposed, me dá idéia de algo que eu deveria fazer para agradar aos outros, não a mim, que é o que eu sempre faço, não sei se dá para perceber, mas é o que eu sempre faço, porque eu não sei o que agrada a mim. então o ideal é que não tivesse o supposed, mas eu sinto que preciso que me digam qual é meu próximo passo, quais são os passos para agradar todos vocês, eu sempre fui assim, sempre me anulei para agradar algumas poucas pessoas que importavam, não sei se o oposto de se anular para agradar aos outros é agradar a si mesmo e ser infinito, acho que não é. eu nunca fui infinito, de qualquer forma, porque ontem eu agradei um, hoje agrado outro, amanhã posso agradar outro ainda, e mesmo que agradar alguém não seja me anular porque é parecido com o que eu quero, ou acho que quero, ainda assim é a minha falta de personalidade, que é medo, ao mesmo tempo. eu tenho medo porque eu não sei o que fazer a não ser fazer o que é esperado, e portanto what am i supposed to do?

eu deveria fazer o que não é esperado de mim? e o que é isso, se eu só consigo pensar nas possibilidades que todos também pensaram como possibilidades para mim?

o que eu posso fazer por mim?, que é também o que eu posso fazer por vocês agora? digam, digam, se não for completamente oposto ao que eu penso podem ter certeza de que farei, porque eu preciso que vocês gostem de mim, preciso que vocês me aprovem e digam que eu sou legal, que eu sou inteligente, que eu sou simpática, que eu sou bonita, e que mesmo os meus defeitos são perdoáveis, então digam o que querem que eu faço, eu sei we'll love you just the way you are if you're perfect.


tudo isso não importa para ninguém, e portanto não importa para mim.
eu só penso no que vocês pensam, as minhas crises não são suas, então elas não importam para mim também.
eu decidi, só vou me preocupar com o que preocupa vocês, que devem ser essas as verdadeiras preocupações.

o ronaldo não está jogando nada, hein?


Sabe!?...

17.6.06

o lobo da estepe
eu tenho uma personagem que está se revelando. existia já há muitos anos, só hoje fui perceber. é a mariana que quer que o mundo exploda, com mais intensidade que normalmente, e que a deixem em paz, com mais força que normalmente. é a mariana elevada a potências, no seguinte cálculo matémático (porque a mariana que escreve não é a outra, e racionaliza em teorias): a mariana é normalmente dividida pelo superego, e a outra é essa mariana, com o superego de denominador, elevada a muitas potências, de forma que o denominador, mesmo crescendo, me diminui cada vez menos e eu posso ser maior e o extremo que eu só consigo ser às vezes.

o extremo é a outra, e é o que eu gostaria de ser, o que eu sou quando estou muito triste ou muito feliz. extremos.

a outra hoje foi comprar livros ouvindo músicas diferentes, de saia e chinelinho, esperando que o sol esquentasse alguma coisa. a outra outro dia fez sexo. a outra, faz meses, dançou como se ninguém estivesse olhando, e provavelmente não estavam, fora uma pessoa que olhava e deve não ter entendido. a outra, há 13 anos, chutou um pino de boliche de plástico em brinquedos espalhados na sala de brinquedos em um hotel, todos os brinquedos que pareciam estar enfileirados pedindo o strike voaram pelos ares e a outra foi embora correndo, me deixando sozinha, envergonhada, levando bronca da monitora enquanto o menino meu amigo tentava me proteger. foi a outra, não fui eu.

a outra, todo dia, me diz numa voz bem baixa, o que aconteceria se eu me atirasse na frente dos carros, em direção ao metrô? como seria essa dor?

Sabe!?...


acho que estou em crise.
não vai ser perceptível, porque eu não vou ficar pensando nisso, vou continuar fazendo tudo como sempre.
não vou pensar nisso.

não sei mais o que é o certo, acho que devia comprar um livro de auto ajuda.

Sabe!?...

15.6.06

eu ganhei um mp3 player. eu não queriiiiiia, porque quase não escuto música (ah, tem fm também), mas acho que vai ser bom, sempre parece bom ficar com músicas na cabeça, algumas palavras em destaque, ritmos gostosinhos.

descobri que já acabei com o 1 giga de memória dele. é que eu coloquei todas as músicas que me apetecem e que estavam no computador. nem copiei nenhum cd pra ele. o próximo passo é ouvir sempre com um papelzinho do lado, pra marcar aquelas que não merecem ocupar espaço.


ainda não tenho nenhum comentário significativo sobre isso, nenhuma teoria, nada. era só um aviso, mesmo.


Sabe!?...

14.6.06

sobre o mundo, e a copa do mundo: por que todo (o) mundo inventa justificativas quando se decepciona?
cansei.

Sabe!?...

12.6.06

eu não tenho nada contra o dia dos namorados. mas algumas incoerências/rituais das pessoas eu realmente não entendo (ainda estou desenvolvendo minha teorias dos rituais).

se um liga pro outro na terça à tarde e fala que à noite vai passar pra pegar pra jantar e ir pro motel (não é isso que os casais vão fazer hoje?), o outro responde imagine, hoje é terça-feira, amanhã tenho que trabalhar etc etc.

mas hoje, que é segunda-feira, é dia dos namorados, então tudo bem se vai trabalhar ou estudar amanhã. pode ir jantar, não dormir, fazer o que quiser. e amanhã os chefes serão, talvez, um pouco menos rígidos com relação ao sono de todos.

eu não entendo por que as pessoas se privam dessas coisas nos outros dias e nas outras semanas do ano. eu sei, muita gente já falou isso, mas parece que continua tudo igual. só pode em datas especiais. e por quê?

sabe, sejamos coerentes.


Sabe!?...


eu tenho algumas outras histórias de metrô, inclusive uma em que eu quase morri (de verdade). mas estou cansada demais para contar. estou cansada demais nos últimos tempos.

não, eu não estou feliz.


Sabe!?...

8.6.06

eu achei que conhecia o trânsito de são paulo mas essa cidade me surpreende. hoje peguei congestionamento no metrô.

precisei de uma hora para fazer um trajeto que normalmente levaria menos de trinta minutos.

dez minutos depois de estar parada no buraco do metrô, entre a estação tiradentes e a armênia, toca o alarme do aviso, e eu penso finalmente vão dar uma explicação. eis o que segue:

- estamos parados porque tem um trem à nossa frente. eu não posso bater esse trem no outro.

naturalmente o vagão inteiro caiu na risada.

o ambiente ficou mais humano.


Sabe!?...


ó.

quem ainda não entrou na flan, tá perdendo.
dia 23 tem textos e fotos novos, segunda edição.

e eu estou fazendo uma reportagem sobre universo simbólico dos cegos. vocês não imaginam como estou adorando.
[posso ver a paulinha, rindo: "mari, adoro como você se empolga com tudo"]

e ainda não comecei a outra, sobre uso de água. dessa não vou gostar tanto, eu acho.

mas, agora mesmo, estou indo pra são paulo ouvir falarem do meu texto. será que é por que eu sou tão egocêntrica que eu adoro quando comentam as minhas coisas? deve ser.



Sabe!?...

6.6.06

Revista Flan
www.revistaflan.com

lançamento:
quarta, dia 7
20hs
canil da eca

Sabe!?...

5.6.06

abre aspas

A arte também é apenas uma maneira de viver. A gente pode preparar-se para ela sem o saber, vivendo de qualquer forma. Em tudo o que é verdadeiro, está-se mais perto dela do que nas falsas profissões meio-artísticas. Estas, dando a ilusão de uma proximidade da arte, praticamente negam e atacam a existência de qualquer arte. Assim o faz, mais ou menos, todo o jornalismo, quase toda a crítica e três quartos daquilo que se chama e se quer chamar literatura.

fecha aspas

cartas a um jovem poeta, rainer maria rilke

Sabe!?...

4.6.06

domingo.
acordar meio dia é acordar de manhã? gosto de acordar de manhã no domingo, às nove e pouco, mas a necessidade de dormir dez horinhas é maior, então acordo meio dia. que, para o que estou sentindo, ainda é de manhã. o calor do sol chega aqui tão fraco que parece manhã, mas é porque eu estou em casa, no sol o calor parece bem mais forte. e está tudo silencioso, como os domingos nas cidades de interior. poucos carros, poucas pessoas na rua - e quando passam, andam sem pressa -, nenhuma bateção na construção ou no fogão de casa. no domingo almoçamos bem tarde, almojantamos. não tão mais tarde que nos dias de semana, quando almoço em casa: 3 da tarde.

cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas... não está tudo bem, e eu não sei ir buscar também as palavras. só uma grande sensação de fracasso diluída em todas as horas. muitos compromissos que ocupam todos os minutos e ocupariam mais tempo se eu o tivesse, é só isso que faço, recuperar atrasos. não, não está tudo bem. e em cada livro, cada texto, cada conversa, eu encontro o meu fracasso, o que todos fazem melhor que eu, que não faço nada de melhor. e também não sei ser uma boa namorada, uma boa ex-namorada, uma boa amiga, boa filha e boa irmã. não sei. não sei se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, consangüinidade com o mistério das coisas, choque aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Não, cansaço não é... É eu estar existindo e também o mundo, com tudo aquilo que contém. é uma sensação abstrata da vida concreta - qualquer coisa como um grito por dar, qualquer coisa como uma angústia por sofrer, ou por sofrer completamente, ou por sofrer como... sofrer como? escrevendo no blog? chorando escondido no ônibus? sorrindo quando é preciso por não saber buscar as palavras?

não está tudo bem.
estou sozinha.


Sabe!?...

2.6.06


eu nunca tive agenda para anotar compromissos e obrigações porque minha memória é boa. já tentei anotar, mas não tem sentido, eu faço tudo sem olhar, vira papelada inútil. mês passado eu coloquei um calendário no meu mural, e só anotei coisas no primeiro dia, depois nem anotei nem olhei. fiz um papel de junho, anotei os feriados (oba) e só.

mas agora eu parei de fuçar na máquina digital nova (oba), já digitei uma entrevista que fiz... e agora? eu lembro que preciso fazer coisas do documentário, da iniciação, deve ter alguma coisa do italiano, do curso para-acadêmico de jornalismo... é? hm...

não sei.
esqueci de anotar o que preciso fazer, quem sabe eu fizesse algo.

.


Sabe!?...

1.6.06

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
o guilherme foi pra portugal na páscoa e eu pedi um presente de lá.
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
ele mandou o presente.



Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?





Sabe!?...


a felicidade é desenhada
entrem em www.ilustris.pl e tentem clicar em tudo que é clicável (a flechinha ganha asas quando pode clicar).
depois vejam os cartões postais.
e depois os papéis de parede (tentem escolher um só, ou façam como eu: salvei tudo e vou ficar trocando todo dia)

Sabe!?...