de mel


mariana d 22
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::egoísta::
::luxuriosa::
é o que dizem. por mim, tudo bem

::de que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça::


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31.8.06

mudança para são paulo
começou a se dar a minha mudança, faz alguns minutos. foi quando eu peguei a caixa de papelão e comecei a juntar meus livros. eu tinha decidido que ia levar só os essenciais. então começo a ver todos eles - nossa, são muitos -, e todos me parecem muito essenciais, e eu simplesmente não posso abandoná-los aqui, eles têm de ir comigo sempre.

dói um pouco colocá-los numa caixa e ver os outros relegados à classe dos não essenciais. sozinhos no armário que fica mais vazio, dispensados. e eu tenho espaço lá, quer dizer, quando eu comprar a minha estante. posso escolher uma suficientemente grande para todos ficarem acomodados.

não sei ainda como vou carregá-los. a caixa é grande e está cheia até a boca, e acabei de pedir mais uma caixa. falta a coleção da folha (que precisa ir porque eu li poucos dela e não sei quais são essenciais. então eles precisam estar disponíveis para que eu os escolha em algum momento), faltam os dicionários (são 3, os de alemão, 2 de português, 1 de italiano... vou deixar o de espanhol aqui, que eu nunca usei na minha vida, e preciso comprar um muito bom de inglês, acabei de lembrar), faltam os livros da iniciação (que não foram empacotados porque estou usando), falta o material de italiano todo organizado, e depois falta o de alemão, que são muitos e muitos livros e precisam ir comigo.

a questão é que essa é a parte mais importante da mudança. são os livros. eu não posso abandoná-los aqui. não posso.

Sabe!?...

29.8.06

[musiquinha]
plantão
estou puxando pelo emule o orgulho e preconceito do colin firth
plantão
[musiquinha]

Sabe!?...


para completar o quadro de infelicidade e cansaço, faltavam as herpes. não faltam mais: nasci pra hoje com duas grandes bolhas no lábio superior, lado direito de quem vive, esquerdo de quem observa. fazia muito tempo, que eu me lembre quase dois anos, que elas não apareciam - preciso checar nos arquivos do blog, que não mentem nem omitem. acho que eu estive trabalhando com capacidade ociosa nesses últimos tempos. e viva o ócio, que viver de trabalho é muito cansativo e nem é viver.

toques poéticos - de poesia barata, no meu caso - são culpa do guimarães rosa, que é esplêndido, e do wisnik, que consegue até transformar macunaíma em algo divertido quando conta. isso sim que é prova de fogo.

juro que eu queria viver de livros.

hoje descobri que uma pessoa que considero muito medíocre, ou menos que isso, está lançando um livro de poesia. ele não deve ter pagado a publicação, pelo pouco que sei. e mesmo assim publicaram. e eu com meus conflitos eternos, de saber tão pouco de construção de histórias para me aventurar em uma. ainda mais depois da aula de hoje e das trajetórias dos heróis e todo o resto. é tudo tão novo que eu decidi que fazer letras é ser minimamente capaz de escrever uma história com começo, meio, fim e algos a serem revelados nos escondidos das linhas. só pode ser isso. ou então a minha ignorância não se resolve com educação formal, não.

quando a semana morrer, eu terei terminado minha iniciação. tudo tem sido de ciclos de vida e morte, os meus dias. acontece tanta coisa em tão poucas horas que as biografias se resolvem em prazo de alguns minutos. ontem, por exemplo, vi um cachorro errante ser quase atropelado por diversas vezes, equanto caminhávamos o mesmo caminho mas não juntos; tive 15 idéias de tcc, mestrado e doutorado em uma única aula de fotografia; falei tudo que sabia em italiano e pensei frases em inglês; relembrei todos os dilemas do jornalismo científico; não esqueci ainda alguns números de telefone que por algum motivo de combinação numerológica não saem da minha cabeça; chorei; senti saudade; li sobre o guimarães rosa; organizei mentalmente os livros que vou levar na mudança; fiz mentalmente uma lista dos livros que pretendo ler em breve; digitei mentalmente a parte que falta do meu relatório final e outras coisas. me digam, como é possível dormir com tudo isso na cabeça, vindo a todo momento, sem esquecer nunca?... não é. por isso é preciso morrer toda noite, para nascer de novo no dia seguinte. é verdade, às vezes com herpes, olheiras, cabelo bagunçado, mas isso é porque em nenhum renascimento a gente parte do zero, sempre fica aquele restinho perdido, que nem bateria de celular antigamente, que só podia recarregar quando acabava de vez ou ela ia se perdendo. estou me perdendo aos poucos.

Sabe!?...

28.8.06

no trabalho, eu descobri que tenho simpatia por pessoas idosas, que têm histórias para contar. eu começo a achar todos fantásticos, até que, lá pelo meio do depoimento, vou lendo coisas absurdas. por exemplo o de agora, que diz que dá parte do lucro aos funcionários, e que isso é uma forma de socialização. e um pouco antes ele tinha contado que foi se livrando aos poucos dos funcionários sindicalizados, e que para não pagar muitos tributos ele faz acordos com eles, e que a revolução foi ótima para a empresa - a revolução, como vocês devem imaginar, é o golpe.

eu preciso decididamente adotar a minha postura cética também com relação às pessoas. eu sou sempre muito, muito ingênua.

Sabe!?...

27.8.06

aqui em casa o tratamento dado aos filhos é o mesmo, sem distinção.
enquanto um mora num apartamento novo, no melhor bairro da cidade, sozinho, o outro filho vai dividir com o tio o único quarto de um apartamento velho, com infiltração, sem garagem.
enquanto um filho ganha um computador novo, o último tipo, porque gosta de usar internet e jogar com os amigos, o outro filho que usa o computador por motivos profissionais gasta metade de todo dinheiro que conseguiu juntar na vida comprando um não muito bom, para não ser muito caro.



Sabe!?...

25.8.06

pode ser que a pomba no buraco do elevador seja na verdade uma pessoa amordaçada, tentando avisar, quando acendemos a luz do banheiro, que está lá, acorrentada à privada de algum vizinho, esperando quem sabe a morte, quem sabe abusos, quem sabe alguém entender seu pedido de socorro e a libertar do cativeiro.

os meus banhos de afogar as mágoas têm se repetido com uma freqüência alarmante. hoje tomei o segundo às duas da tarde. nesses banhos, o gostoso é sentir a água quente, bem quente escorrendo, é o abraço que nunca ganho. ensaboar-se é só para passar o tempo.

as marcas de pinça são outra coisa com que se preocupar. estou toda vermelha, e não pretendo parar, sob o risco de enlouquecer.

ontem eu estava pensando em formas pouco dolorosas e pouco corajosas de suicídio. acho que por remédios é o melhor jeito. mas sempre existe o risco de conseguirem te salvar. salvar?

Sabe!?...

24.8.06

ca-ham:

"E depois temos a sempre delicada questão de Fitzwilliam Darcy. O actor que faz de Darcy tem que ter a medida certa de arrogância e orgulho, um certo desdém que gradualmente cede ao encanto e intelegência de Lizzy. Atenção, gradualmente! E nunca desde o início do filme, não podemos sequer pensar em amor à primeira vista. Faltou pouco neste filme para o Darcy ter um torcicolo no pescoço mal viu Elizabeth pela primeira vez.

Colin Firth imortalizou-se como Mr. Darcy na mini-série da BBC de 1995, e embora estivesse preparada para detestar o novo actor que tomou o seu lugar, Matthew Macfadyen, dei por mim a pensar que era este mesmo actor que salvava o filme de uma comédia e o conseguia elevar com a sua dignidade própria de um aristocrata. O Darcy de Matthew Macfadyen só em raros momentos é o Darcy descrito por Jane Austen, mas ainda assim, somos capazes de apreciar a vulnerabilidade e os olhares expressivos do actor."

desse link: http://www.filhosdeathena.com/index.php?option=com_content&task=view&id=84&Itemid=40

não reparem nos elogios a ele. reparem na parte do colin. ou na parte: "embora estivesse preparada para detestar o novo actor que tomou o seu lugar"

pode ser que a minha teoria não se confirme.

Sabe!?...

23.8.06

eu sei quais são meus problemas, minhas limitações. sei que minha profissão é uma merda e também não gosto dela.
no entanto, não há nada que eu possa fazer. todo esse entendimento não vem acompanhado de soluções.

não consigo estudar, não consigo trabalhar. eu não sei o que vai ser de mim, eu não sei o que é melhor fazer, eu não sei de nada. no entanto, é preciso continuar de alguma forma, qualquer forma. é preciso continuar.



eu só não fui dormir ainda porque posso acordar de madrugada sem sono. eu só não fui dormir ainda porque não tive coragem de tomar remédio pra isso. estou com medo de abrir a prerrogativa. e eu não tenho esperanças nem planos de melhora.

Sabe!?...


Eu estava assistindo Orgulho e Preconceito, versão nova, e refletindo sobre os atores ingleses. É que aquele Mr. Darcy me incomodou muito. Não sei se vocês viram e se sabem que, na outra versão, Mr. Darcy era interpretado pelo Mark Darcy, quer dizer, pelo Colin Firth. Tendo isso em mente, como é possível assistir à versão nova e se contentar com aquele Mr. Darcy sem graça de tudo?... Não dá. O resultado disso é que passei o filme todo reclamando pro namorado que aquele Mr. Darcy não convencia.

As queixas naturalmente não ficaram só no namorado - para ele tanto fazia quem era Mr. Darcy, e eu precisava de alguém que concordasse comigo. Ontem foi a vez da namorada do meu irmão (que achou que o Mr. Darcy fake convencia) e hoje, a da Paula, que achou razoável, pelo que me lembro. Tudo isso me fez refletir sobre a minha implicância - eu poderia dizer fetiche, mas ficaria sexual demais - com atores/personagens ingleses. E daí, vocês podem imaginar, surgiu uma teoria complexa e abrangente sobre homens e expectativas. Como toda teoria, se pretende absoluta, e é muito simplista. Mas é ótema.

Posso começar dividindo os homens em duas categorias: os que chamam atenção e os que não chamam atenção. O namorado faz parte do primeiro grupo, pelo menos para quem tem as preferências como as minhas (que são bastante óbvias, é só analisar o histórico). Os desse grupo dão pouco trabalho, caso venham a se interessar por você (isso sim dá um pouco mais de trabalho), porque eles já chamaram atenção de todos, por motivos óbvios, portanto não é preciso nem imaginar muito a respeito deles e ter medo de errar: sim, sim, eles são tão bons quanto parecem. Dos atores ingleses, podemos dizer que Hugh Grant e Jude Law fazem parte desse grupo. Não gosto do Hugh Grant, mas tudo bem. O importante é que eles chamam atenção e, para quem não tem muitas exigências de exclusividade, eles dão (e bem) pro gasto.

O outro grupo é o dos homens que não chamam atenção. Acreditem, muitas mulheres estão atrás desses - ainda não consegui formular se por medo de competição, ou para provarem a si mesmas que conquistam qualquer homem, ou porque gostam de enxergar coisas originais... Eu sei, estou sendo muito babaca, mas faz parte das teorias sobre o sexo oposto o autor ser babaca. Os desse grupo dão trabalho. Pode até ser fácil fazer com que se interessem por você - ainda mais se pouca gente tiver se interessado por eles -, mas é difícil manter o clima. Faz parte da atração aos homens que não chamam atenção aquele quê de mistério. Pode ser que não sejam misteriosos, mas mulher adora inventar. Então constroem-se trinta teorias a respeito do falar estranho dele, mais umas quinze sobre o cabelo diferente, outras sobre o comportamento anti social, e por aí vai. Mas todas essas teorias desmoronam em poucos dias, oxalá poucas horas. Claro que é preferível descobrir logo que ele não falou com você porque se esqueceu do seu rosto, ao invés de ficar pensando que ele é meio desligadinho e vive refletindo sobre qualquer coisa que você acha lindo. Nesse ponto entram as expectativas.

Tudo isso se conecta com os atores ingleses no seguinte ponto: estou desconfiada, levemente desconfiada, de que eles não são como o Mark Darcy. Por baixo dos olhares de desprezo do Clive Owen pode não existir um homem sensível que só faça cara de mau. As palavras mal sussurradas do Colin Firth podem não significar timidez. (se bem que o Colin a gente pode excluir dessa análise cética, não pode?). O inglês entrecortado do Alan Rickman pode ser arrogância e impaciência, e só. Eu sei, é muito pouco provável, mas é preciso pensar nessas coisas para ter certeza de que as expectativas não estão sendo em vão.

Eu sei bem como funciona, a gente pensa: um homem com todo aquele potencial não pode ser um ogro! Queridas, às vezes eles são. Não que eu tenha jamais comprovado isso, é só uma questão de raciocínio lógico: se eles fossem tão sensíveis, charmosos, secretos, por que tão pouca gente acharia que eles são sensíveis, charmosos, secretos?... às vezes a maioria está certa. Por exemplo quando eu estava assistindo Bridget Jones e alguém na sala (que não era o namorado, ou ele seria repreendido) comentou que "esses inglezinhos são muito sem sal, né?". Nossa, nossa, nossa. Estavam falando do Colin Firth. Alguém consegue imaginar o Colin Firth sem sal?... [pausa para a receita: tempere bem o Colin Firth e reserve. Não se esqueça do sal]

Assim, pode ser que eu esteja sendo levada pela minha fértil imaginação ao ficar suspirando quando lembro do Colin falando português no Simplesmente Amor. Ou quando ele fica escrevendo o livro à beira do lago [pausa para a coincidência: quem lembra da camisa molhada no lago?...]. Ou quando eu fico repetindo o Alan. Ou escrevendo fics em que o Snape é fantástico. Pode ser que eu esteja enxergando algumas marcas interessantes que só estão neles porque assim eu quero enxergar. Pode ser que eles não sejam diferentes daquela impressão que eles querem causar. Pode ser!!!


Sabe!?...

22.8.06

breve
aguardem uma complexa teoria sobre homens, relações platônicas e personagens masculinos ingleses de ficção.
*uou*

Sabe!?...


era só o que me faltava: dermatite de contato na ponta dos dedos de tanto digitar.
eles estão meio enrugadinhos, como se eu tivesse passado um tempo na água. e a sensibilidade está bastante alterada (não tô sentindo muita coisa) - mas isso não tem relação alguma com as sensibilidades macro e micro, hein.

acho que eu preciso de férias.

Sabe!?...

21.8.06

algumas conclusões da pesquisa são de um achismo tão grande que eu começo a desconfiar das ciências humanas. é por isso que eu me dou melhor com números: eles são aquilo e só (pelo menos até onde eu aprendi, que não tinha nada de metafísico). a minha pesquisa tem números e gráficos, claro, mas eu não soube muito bem o que fazer com eles, porque eles precisaram ser interpretados com métodos de ciências humanas. sim, eu tentei numeratizar tudo, deixar as escolhas lógicas e óbvias ¿ elementares -, mas não parece ter funcionado. o meu problema é que eu crio muitas regras que me parecem óbvias, vou descrevendo todo o comportamento do mundo partindo de algumas premissas, e construo toda uma rede de teorias e explicações. mas de repente pode vir alguém com um alfinetinho e explodir tudo, e adeus certezas. eu sei que esse alguém é o parecerista, que vai ler minhas 200 páginas de relatório (ler? há há há) e assinar embaixo. Quem sabe ele recuse, se tiver acordado em um dia de mau humor e seu tme de futebol tiver perdido. é assim que as pesquisas são aceitas ou não, vocês sabiam? pois é.

não que a minha deva ser aceita, porque está realmente bem fraquinha. eu teci a rede de teorias e explicações, mas fiz muito pouco do que pretendia. merecia um parecer que me aconselhasse mais 6 meses de pesquisa, sem bolsa (castigo) para entregar algo decente. mas não é assim que são os pareceres, vocês sabiam? pois é.

...e muitas outras coisas que eu poderia contar, mas não. estou instrospectiva.

Sabe!?...

17.8.06

terminei a minha reportagem. não ficou muito minha, mas ficou reportagem. agora só falta todo o resto.

eu queria poder contar coisas interessantes, mas.. mas...

né.

(quando eu entender o que eu sinto nas aulas de literatura, conseguir explicar... eu conto)

Sabe!?...

16.8.06

puxa, que blog interessante.
puxa, que vida interessante.

Sabe!?...


não fui nas aulas.
estou em casa, estudando.

o desespero está atingindo o limite da desistência. que, no caso, seria defenestrar-me.

Sabe!?...

15.8.06

os dias estão confusos, desde ontem, e está impossível ter rotina. faltei de novo na minha aula do guimarães rosa, ontem faltei do italiano. primeiro porque a liebe está doente - e hoje continua, apesar de ter melhorado. acordei duas vezes essa noite para cuidar dela, dar o banhinho e secar. depois, porque eu preciso entregar uma reportagem até quinta à noite. passei a segunda toda tentando uma entrevista, que só consegui fazer hoje de manhã. e passei o dia de hoje tentando um depoimento muito importante, para saber à noite que vai ter que ser por telefone - isso inviabiliza qualquer depoimento realmente profundo, sincero, uma conversa. não sei ainda o que vou fazer.

mas amanhã tem aula e italiano, que eu preciso sair de casa para estudar mais. aqui eu fico me lembrando de tudo que preciso fazer e acabo fazendo pouco. a tradução, por exemplo, tem sido meu pesadelo, mas nem consegui terminar a primeira reportagem ainda. e não pensem que traduzir do alemão é fácil, a estrutura das frases é muito diferente. e as gírias, ahh.

a liebe ainda não está boa, mas pelo menos só teve uma esguichadinha hoje. tô me sentindo muito culpada e muito mal porque hoje à tarde dei um remédio a mais. era um comprimido por dia, e o outro remédio que precisava repetir a dose. pois é. na bula não tem nada de superdosagem. muito muito medo.

o que eu não paro de pensar é como vai ser o mês que vem, quando quase todos esses compromissos acabarem. ou o ano que vem, para o qual não tenho nenhum plano. não sei como vai ser. não sei.

Sabe!?...

14.8.06

a titica não está bem. amanheceu com diarréia, e assim permaneceu o dia todo. vomitou 4 vezes. levamos no veterinário, ela fez um show pra tomar duas injeçõezinhas e ainda deixou o consultório inteiro carimbado de cocô líquido. e toda vez que ela resolve se esguichar, gruda tudo no pêlo dela. só me resta lavar e depois secar. quatro vezes hoje. nem ligo, sabe, porque ela está mesmo muito jururu, e isso é o que mata. o cheiro a gente disfarça com desinfetantes.

o mais gracinha de tudo é que ela de repente levanta de onde está deitada e corre para o jornal. ela só tem os acessos diarréicos dela no seu próprio banheiro, que é a minha área de serviço. é muito gracinha. tudo isso para comprovar que educação é repressão.

Sabe!?...


voltei.
e descobri que preciso entregar meu relatório cinco dias antes do previsto, por causa do feriado seguido de fim de semana. e que chegou a cama de casal, e ela cabe com uma cama de solteiro no quarto. e que, quando eu penso na minha vida, não fico feliz.

foi gostoso em paray, descansei bastante. assisti as duas mesas mais legais, bebi, comi, dormi... foi gostoso.
uma pena é voltar.

Sabe!?...

9.8.06

diário de bordo.

na usp, no dia mais cansado dos últimos tempos, esperando para ir pra paraty. vamos sair hoje à noite, para chegar lá amanhã cedo. a oficina de jornalismo começa na hora do almoço. antes disso, preciso diminuir o tamanho da mala - que está grande - para caber no carro (principalmente na volta, quando teremos 5 pessoas e 5 malas para acomodar).

o problema é que estou sensível. bastante sensível, e isso é sim problema quando dá vontade de chorar por causa das vítimas de hiroshima; quando se ouve um contador de história falar texto do guimarães rosa com tanta emoção. não é uma sensibilidade normal. e vira problema porque a qualquer momento eu posso desmontar se pensar nas coisas minhas que, tudo bem, não são um extermínio por bomba atômica, mas me têm deixado tão triste nos últimos tempos, e eu mal percebo. notei ontem que tive uma tarde feliz porque dormi algumas horas. eu estava feliz por ter dormido. não era para ser assim, só assim.

é que a solidão é tanta que a gente se acostuma, e nesses momentos de simulação de tpm, vêm tudo. passar a manhã fazendo hora pros serviços de banco. fugir para o banheiro no meio da aula. almoçar sozinha. escrever texto de adolescente nas folhas da aula. matar hora assistindo filme. sentar em qualquer lugar para ler qualquer coisa. internet.

esperando não sei o quê, atrasando não sei qual crise.
eu preciso mesmo chorar no banho e dormir no edredon sem falar com ninguém.

quem sabe na próxima semana. não em paraty.

Sabe!?...

8.8.06

ah, é ruim, é muito ruim. namorado acaba de se despedir, está indo para sp, para ficar. e eu vou para paraty.
é uma droga.

eu deveria poder dormir o dia todo, comendo chocolate e tomando coca-cola. com um filme bobo passando na tv, edredon, tudo a que se tem direito quando as perspectivas são ruins.

e os trabalhos...

Sabe!?...

7.8.06

meu computador solta baforadas quentes, de tempos em tempos, na minha mão que mexe o mouse.
taí, descobri o nome da criança. alguma coisa relacionada a dragão.


Sabe!?...


não é o dia, não, que está estranho. teve pcc, calor, vento, ônibus sem ar condicionado e de janelas abertas - a primeira vez em três anos -, mas não é nada disso. quem está estranha sou eu. de manhã eu estudei com a pressa de quem tem um compromisso. depois passei mal na aula, muita tontura. comi e a tontura não passou, e ainda virou sono durante toda a outra aula. e insisti em fazer coisas, ler coisas. a viagem de ônibus durou uma eternidade, acordando a todo momento para tirar o cabelo que voava para dentro da orelha, para puxar pra dentro do ônibus a cortina que fazia muito barulho com o vento. cheguei em casa e comecei a estudar, a mesma pressa. porque eu estou atrasada, mas essa pressa não me serve de nada, porque é só a angústia e o manter-se ocupada, eu não resolvo nada assim. mas a pressa, e a vontade de chegar em casa depois do trabalho e é isso, hoje só amanhã, posso escolher qual livro ler. poder só deitar na cama e ir dormir muito mais cedo. poder dormir sem todas as preocupações.

hoje eu estou com uma pressa inativa. estou estranha, insatisfeita, cansada. hoje eu queria ter a vida trabalho-academia-shopping-bar.
hoje eu queria, é isso, alvinho, ser qualquer mendigo que eu inveje por não ser eu.

Sabe!?...


hoje o dia está como aqueles de ilhabela, nas duas semi-férias dos últimos dois anos: bastante quente, com um pouco de vento, silencioso. está um silêncio que só vendo, muito bom. e o vento embaralhou todo meu cabelo no ônibus, e eu me protegi do sol com meu guarda-chuva (e cria-sombra) colorido. meus dedos estão vivendo macro, só as pontas sensíveis, mas o dia está mesmo muito micro: terminei um livro teórico, preciso escrever mais do relatório final, chegou a tradução que preciso fazer, e o texto do estágio para editar, e a preparação para a viagem. é, tem a viagem: vou pra paraty no momento em que menos poderia ir. não estou animada, não tenho dinheiro nem ingressos para ver a lillian ross. comprei o livro dela e também não li, nem nenhum da bibliografia da oficina de jornalismo. queridos, se eu tivesse tempo estaria fazendo outras coisas mais urgentes. if you know what i mean (piada interna).

Sabe!?...

5.8.06

e ontem à noite ligaram no celular da minha mãe e ela passou o telefone quase desmaiando pro namorado, dizendo que meu tio - aquele com quem vou morar - tinha sofrido um acidente gravíssimo. desespero. então falaram para o namorado que era na verdade um seqüestro relâmpago, e lá foi meu pai conversar com o bandido (e uso bandido sabendo das implicações semânticas), que queria 3 mil reais, em sp, na sexta à noite. ligamos para o pai do namorado, chefe do meu pai, pedindo algum possível dinheiro que tivessem em casa a essa hora. e lá foi meu pai com o carro. no caminho pediram a ele, que naturalmente dizia não ser possível conseguir o dinheiro àquela hora, que parasse numa farmácia e comprasse cartões pré-pagos da tim e da claro. meanwhile, minha mãe hesitava entre ligar para a namorada do meu tio ou não - porque era bastante possível que ela estivesse junto no suposto seqüestro. ligou, estavam os dois jantando fora com amigos. eu e namorado saímos em perseguição desenfreada atrás do meu pai, para avisar que era golpe. ainda essa hora não sabíamos da farmácia, e achávamos que ele ia até sp encontrar os caras. encontramos meu pai, o celular que não podia ser desligado e um cartão da claro no estacionamento da farmácia. avisei do golpe, liguei para meu tio para confirmar. tudo certo, pai, pode desligar. chegou o pai do namorado, pediu o celular do meu pai (que estava terminando de passar os números do cartão), pegou o celular e xingou, xingou, xingou.

ficamos acordados ainda até às três, tomando chá que acalmava, desesperados, tensos. vocês não podem imaginar como eu tremia, minha mãe de pernas bambas, eu e namorado saindo correndo pela cidade, eu correndo descalça pelo estacionamento para avisar meu pai.

foi muito, muito ruim. hoje sobrou um medo muito grande de pessoas que fazem isso sem peso nenhum, sem culpa. eu sei, bastante ingênua, e no fim era um trote, meu tio estava bem. mas não dá para acreditar.

Sabe!?...

4.8.06

cenas do capítulo seguinte

ontem fui no apartamento, está uma bagunça imensa, porque meu tio está fazendo limpeza, jogando coisas fora, pintando algumas paredes. com relação às camas e ao quarto, algumas decisões começam a se delinear. talvez ele fique na sala, se ficar com a cama de casal. ou troque a de casal por duas de solteiro, e ficamos os dois no quarto, mas daí precisaremos dividir o guarda-roupa, porque não caberia outro (e ele tem duas vezes mais roupas que eu).

estamos vendo.

Sabe!?...

2.8.06

todo mundo pensa sobre tudo tanto quanto eu?

eis que uma grande mudança se deu na minha vida. queridos, virei gente grande. não pensem que isso é bom. vou mudar de casa e passar a tentar cozinhar coisas para mim. vou dormir sozinha, a casa silenciosa, a solidão revelada. vou comprar meu laptop, a primeira vez em que vou gastar tanto dinheiro de uma só vez, e dinheiro do meu trabalho. tenho milhões de compromissos profissionais. não consigo dormir à noite com a facilidade de antes, nem no ônibus, à tarde. não superei o trauma adolescente do cabelo crespo mas mandei tudo à merda e é com ele que me apresento ao mundo. estou usando menos tênis. estou mais cansada. e, o principal: desesperançosa do mundo, de mim, de tudo. não é isso que é ser gente grande?

conheci ontem uma pessoa mais arrogante que eu, acreditem se puderem. não sei se é mais arrogante relativamente, mas o é em absoluto. é que ele deve saber mais que eu, sendo professor da fflch, e portanto tem direito a uma cota maior de arrogância (a lei é diretamente proporcional). ele é insuportável. é uma bicha (veja bem, não é gay. é bicha louca, que não tem nada a ver com opção sexual - apesar dele parecer gay) fofoqueira que se acha a última bolacha do pacote, melhor que todos os outros professores (menos um que é o tema da aula dele - sim, além de tudo ele é paga pau), e fica falando mal de tudo, inclusive do curso de letras. não bastasse, anda falando mal dos meus teóricos da iniciação e da Deusa (*piada interna*). foi hoje que concluí que o problema dele é arrogância (acho que, se eu for especificar as características do bicha louca, pela minha teoria, encontraria a arrogância). e tudo porque ele estava dizendo que leu um livro de uma vagabunda aí (foi como se referiu à teórica) que não acrescentou nada a ele nem ao mundo. e ficou falando mal dela, do livro, do mundo. eis que hoje, com o começo das aulas nessa semana, compareci a uma que está na minha área de especialização, se é que se pode dar esse nome ao que eu estudei na iniciação: jornalismo científico. eu não esperava nada muito novo, mas também não achava que seria uma cópia da outra disciplina que, essa sim, recebe o nome da área do jornalismo. e tudo que eu ouvi me soou tão clichê, já li tanto sobre tudo aquilo, sempre as mesmas ruminações, tudo igual, os mesmos conflitos que não se resolvem e permanecem conflito, os mesmos desconhecimentos, tudo. me deu fastídio (começo a usar expressões italianas aportuguesadas). foi subindo um cansaço do mundo, uma vontade de largar tudo e ir estudar física atômica, e depois biologia celular, e depois as estrelas, e depois esportes, e depois arquitetura, e depois... cansei disso tudo sempre igual. eu sou muito volúvel.

o pior de tudo é quando alguém vem falar comigo (ou para mim) sobre o assunto achando que vai me acrescentar algo, que está me contando a maior novidade. se é uma postura de interesse, tudo bem. mas se é uma postura professoral, eu não agüento. sim, sim, a minha arrogância fala mais alto. não suporto ter aula do que eu já sei. foi assim que eu desisti de uma disciplina semestre passado; assisti a primeira aula da mulher, que falava sobre a minha outra área de semi-especialização, análise do discurso, e com termos extremamente primários e mal escolhidos, e ela era muito ruim. não deu, desisti. e agora essa disciplina nesse semestre. mas eu não posso desistir, preciso dos malditos créditos para, quem sabe, conseguir me formar no ano que vem. voltando as interessados, também não tenho problema em dizer do que sei. a não ser que eu esteja no meio daqueles de tom professoral, que daí eu falo mesmo, e falo muito, e com ânsia, e pareço muito, muito arrogante. dane-se. não sou obrigada a ficar ouvindo tudo de novo. falo para não passar mal. mas se são pessoas que não sabem do assunto e assumem isso, falo numa boa, sem problemas, e acho que sem parecer arrogante. que daí é diferente. a mesma coisa se vou falar com alguém sobre o que eu não sei, não tenho problema em ouvir tudo e ficar na minha, aprendendo. adoro, inclusive.

tudo isso para dizer que eu ando racionalizando muito toda a minha vida e estabelecendo causas e conseqüências. e concluí que a reprovação do namorado foi o puxão de tapete do começo da adultescência. eu me lembro de alguns puxões significativos: aos oito anos, aluna nova numa turma que se conhecia, me boicotaram e eu acabei levando uma descompostura que nunca esqueci; aos 18, no vestibular, quando minha arrogância (que nessa época ainda estava nascendo) me fez praticamente menosprezar algumas questões de química. teve o episódio daquele curso para-acadêmico, quando descobri ser o anti, mas não sei se isso foi puxão de tapete ou só uma grande desilusão do mundo. e agora a reprovação, que me abalou e ainda abala muito, porque foi injusta (e quem disse isso não fui eu, foram pessoas que entendem do que estão falando). são as passagens. e a todo momento eu me lembro daquilo, de que a vida é feita de pequenos golpes de solidão. se vocês soubessemquisessem saber.

Sabe!?...


muitas coisas estão mudando, e não para melhor. o cabelo, a situação empregatícia minha e do namorado, minha casa: vou me mudar para são paulo. quem me conhece ou acompanha o blog (ou seja, só quem me conhece) sabe que eu sempre quis mudar para são paulo. poderiam pensar que essa mudança, portanto, não é para pior. engano de vocês, não está sendo bom.

eu estou ansiosa negativamente, demoro pelo menos uma hora para dormir todas as noites, porque não paro de pensar em todos os problemas que estão se formando por causa da mudança pra sp. uma hora, depois de aparentemente reunidos e solidificados, eles vão explodir.

não está sendo bom porque eu não vou morar sozinha, para começar. naturalmente também não vou morar com o namorado, seria bom demais para acontecer na minha vida, na vida dele, num momento desses. não, não é assim que o mundo funciona: quando uma coisa começa a dar errado, prepare-se, muitas outras se seguirão. vou morar com o meu tio, em um apartamento que precisava de reforma já há dez anos, com um único quarto. como faremos? eu estava realmente disposta a dividir o quarto com ele, duas caminhas, dois armários e pronto, deixo uma escrivaninha na sala, mesmo. mas ele resolveu comprar uma cama de casal box de molas para ele (deve ser king size), e tomou essa decisão depois de eu ter avisado que vou para lá. e sugeriu que eu comprasse um sofá-cama para mim e pronto. claro que o sofá-cama ficaria na sala, no quarto não cabe. ah, não se enganem: o apartamento não é dele, é da minha mãe.

fora isso, uma cozinha minúscula com armários muito velhos e feios, um banheiro estranho e escuro, fios e fios passando da sala ao quarto, por cima do carpete velho, para chegar à tv o gato da tv a cabo. e a porta da sacada que não abre se não tiver muita força. e o fato de estar em sp, cidade que não conheço, morando sozinha, ou, o que pode ser pior, acompanhada demais, precisando limpar uma casa, fazer minha comida (quem me conhece sabe dos meus dotes culinários), trabalhar, estudar.

está sendo um pesadelo, vocês não imaginam.
aguardem as cenas dos próximos capítulos, que necessariamente virão.

Sabe!?...

1.8.06

ainda o dia frio, ainda as nuvens. se meus bridget jones 1 e 2 já tivessem chegado, eu teria passado a tarde debaixo do cobertor, bebendo chá de erva cidreira. mas não, passei a tarde no computador, e vou passar também a noite. são os compromissos profissionais que eu vou assumindo. já mencionei que esse mês vai ser o mais atribulado da minha vida? e não estou ansiosa, não; não estou pensando no assunto. não estou pensando em assunto algum. cansei.

Sabe!?...