de mel |
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mariana d 22
::arrogante::::egoísta:: ::luxuriosa:: é o que dizem. por mim, tudo bem ::de que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça:: mari_de_mel@yahoo.com.br listas literatura orkut yahoomail blogger cinema usp fapesp bibliotecas websudoku chebel la vie en rose iluminuras o mentiroso o guarda livros sorvete de casquinho torre de papel vontade pronto-parágrafo arquivo :::04::: novembro dezembro :::05::: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro :::06::: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro |
30.11.06
abraços fortes, recíprocos, de gente que se gosta de verdade. acompanhados de beijos, sorrisos, silêncios. (estou guardando tudo só para mim) Sabe!?... 28.11.06
27.11.06
essa não é flor que se cheire aos vinte e dois anos, depois de ter passado por toda a faculdade, eu me tornei aquilo que todo professor de primário mais odeia: a menina impossível. é como se eu estivesse à vontade em todas as situações, com todas as pessoas, e precisasse só conversar; uma inquietação que me transforma em alguém que cresce para todos os lados. a voracidade por uma vida real que tardava. e a sabedoria dos ruins. para atrapalhar mais eu inventei, peguei das velhas tradições, todos os tipos de jogos: expressões de tédio no rosto, olhares de mensagens cifradas, cochichos, mexer na cadeira, rabiscar o papel como quem nem ouve, usar uma roupa que eu acho que me deixa mais bonita, falar alguma coisa a mais, desnecessária, falar piadas a mais necessariamente desnecessárias, mandar olhares esses pouco cifrados aos amigos, arrumar o cabelo, ler outra coisa, pensar em outra coisa. tudo que possa perturbar, tudo que mostre que não é ali que eu queria estar. não ali daquele jeito, ele diz e eu anoto, antes nós dois em volta da mesa conversando de verdade. eu de repente voltei a ter nove anos. não os nove anos que eu um dia tive, mas os nove que minha mãe me ensinou a nunca ter. (e ninguém leva a sério meninas de nove anos, por mais histórias que elas tenham para contar) Sabe!?... 25.11.06
desemprego: reflexões (do) sem forma eu acho que eu sou uma pessoa não contratável porque eu sou sincera. em cinco minutos de resposta do "quem é você" e derivações, a impressão que se forma de mim é que eu sou confusa, não tenho nada definido e penso bastante sobre as coisas, sem chegar a conclusões. essa não é uma imagem boa para alguém que quer ser contratado, definitivamente, porque as pessoas querem respostas e soluções, tudo embaladinho e prontinho para o bem da empresa. olha, desculpa, eu não sei, a resposta não virá daqui. eu não tenho uma fórmula para sair dizendo para todos, "eu sou mariana, gosto de cinema novo, fiz cursos de artesanato e fotografia, adoro ler hegel e tenho muitos projetos de democratização do jornalismo". eu posso dizer que gosto de literatura, mas isso não seria suficiente; precisaria acrescentar que li pouco, que sei falar disso muito pouco, que tenho alguns autores muito preferidos e que não sei também falar deles, só sentir. poderia dizer que não gosto de jornalismo, e acrescentar aí todas as minhas críticas e todo o meu problema com a profissão. ou então ter idéias várias sobre qualquer assunto, me explica que a gente pensa junto. mas não é isso que ninguém quer. e, hm, eu quero continuar assim. falta uma casquinha vendável, alguma coisa que possa ser propagandeado nos valores desse mercado. eu não tenho coragem de criar uma mentira assim. eu gosto das pessoas que conversam, que olham nos olhos, que fazem piadas, que assumem não saber, que reclamam do sapato que incomoda, que têm vontade de mandar tudo à merda, e mandam às vezes, e ser feliz de algum jeito. eu gosto de cachorro e do jeito que eles olham pra mim, e saltitam por aí. eu gosto de viajar com os pés descalços em cima do porta-luvas. e de cantar paper bag bem alto com o marcelo. e de comprar livros e ficar tão feliz. e de pintar a unha de vermelho e usar sandália. e de ouvir bambino e ficar semi dançando no ponto de ônibus. por isso, porque eu acho que sou sim superinteressante, eu não consigo emprego. (e nem quero ter. mas.) Sabe!?... 24.11.06
23.11.06
eu não sei cantar, dançar, pintar, esculturar, representar, tocar instrumento, escrever literatura. não sei lavar roupa, limpar casa, limpar pára-brisa, lavar louça, cozinhar, cuidar de criança. não sei dirigir, vender roupa, vender sanduíche, fazer melhor troco de cabeça, tirar xerox, costurar. e também não sei transcrever, datilografar, telemarketingar, marcar reunião. tampouco sei fazer jornalismo. tão pouco. você é uma mulher, mariana. Sabe!?... a amora mais verdinha eu não quero falar nada. tudo virou de cabeça pra baixo, eu nem sei mais. eu vou chorar quando receber meu trabalho da clarice? Sabe!?... 21.11.06
20.11.06
17.11.06
mãe, mas... está me faltando algo essencial. no fundo, falta só a explicação, mas parece ser a falta de planos, vontade, objetivo, empolgação, fome. eu não estou conseguindo comer nada, duas garfadas e fico enjoada. mas tenho fome. e não consigo ler, todos os livros estão aí para ser lidos, menos o que eu quero ler agora. entrei na livraria e fiquei passeando. era só um passeio, não pretendia comprar nada. porque o que me falta é o livro que eu quero ler, o que vai me completar e me surpreender. há tempos não me surpreendo. no meio das estantes, comecei a procurar o manoel de barros. não sei direito por que ele - desconfio de uns motivos, tudo emocional e inconsciente demais para tentar explicar pra mim mesma. achei. eu queria ganhar um livro. o livro. queria que alguém me conhecesse tanto, e gostasse tanto de mim, e conhecesse tanto de livros que me desse o livro de presente. e transformasse a minha vida. está me faltando algo essencial. Sabe!?... 15.11.06
quarta-feira feriada* tomei sol e cerveja, gente. depois de ter acabado o trabaho da clarice. depois tomei banho bem gostoso e fui dormir um pouco. puta vida boa. ai, ai. *eu jamais escreveria assim, mas é uma homenagem lingüística a quem está longe de nossa pátria, a língua portuguesa Sabe!?... 14.11.06
quem sabe a vida é não sonhar hoje, o dia e eu de luto; ele chovendo, eu com o cachecol preto amarrado à bolsa. eu estava pensando que, talvez, se eu me adiantasse à castração, a dor seria menos duradoura, e pronto, já viria o luto. e isso virou a ansiedade da castração, o medo de ser fragmentário de novo. portanto o dia cinza, a cólica, o estrombo embolado. no fundo, eu sei que os símbolos não são nada, mas é mais fácil recriar arquétipos. a ausência não assimilada. desta hora, sim, tenho medo. (é de propósito) Sabe!?... 11.11.06
eu tenho elaborado teorias. é que o lacan está mudando a minha vida, e também as minhas teorias. inclusive aquela do fetiche do conhecimento (que está mudando de novo, na mesma semana). essa semana eu tive algumas vertigens, foram duas ao mesmo tempo. era sobre ser os outros e estar no lugar dos outros. foi estranho, e talvez eu devesse escrever sobre isso. e também fiquei pensando em como é estranho quando algumas pessoas falam meu nome. se falam só mariana, não é problemático, mas se o referente sou eu, fica muito estranho. não sei. eu preciso dormir mais. Sabe!?... 9.11.06
o blog vira agência de notícias quando todo mundo está ocupado. pedi demissão do meu emprego. e fiquem com a bomba, sem mais explicações. Sabe!?... 8.11.06
7.11.06
talvez eu tenha que reformular toda a minha teoria do fetiche do conhecimento depois da aula de hoje. "os desastres de sofia", em profundidade. foda. Sabe!?... 5.11.06
é preciso que conste: eu odeio horário de verão. nas próximas eleições, vou querer saber se algum candidato vai abolir essa besteira, meu voto será dele instantaneamente. a análise do conto está acontecendo. já escrevi uma parte. me faltou tempo pra escrever o resto. e acabei de lembrar que ainda não trabalhei as minhas 5 horas de sexta-feira. é, depois da quinta, dia 2, teve expediente. essa noite eu sonhei que pedia demissão, aos berros, porque era assediada moralmente, acusada de estar contaminando com lixo o ambiente de trabalho. não pensem que é besteira. a gente atura cada uma nessa vida. se tivessem me contado antes, eu nem acreditaria. Sabe!?... 1.11.06
estou colecionando frases e expressões da clarice. eu sei, é o primeiro passo para uma agenda auto ajuda. Sabe!?... eu tinha perdido meu livrinho da clarice dez dias atrás, tinha esquecido meus laços de família debaixo de uma cadeira na aula. estava inconsolável. no mesmo dia comprei outro, mas nunca é a mesma coisa. e ontem uma menina mo entregou. perguntou meu nome e disse que tinha sentado do meu lado e guardou, para entregar quando me visse. eu não quero trabalhar em lugar nenhum. eu não quero trabalhar, e ponto. quando a gente gosta de uma pessoa e ela não gosta da gente: é isso que a gente chama de platonismo? eu preciso ser menos seca com as pessoas. interiormente, já resolvi isso, mas ainda não aprendi a ser carinhosa na prática. Preciso também ressucitar meu caderninho de auto ajuda. Sabe!?... |
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