de mel |
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mariana d 22
::arrogante::::egoísta:: ::luxuriosa:: é o que dizem. por mim, tudo bem ::de que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da sua cabeça:: mari_de_mel@yahoo.com.br listas literatura orkut yahoomail blogger cinema usp fapesp bibliotecas websudoku chebel la vie en rose iluminuras o mentiroso o guarda livros sorvete de casquinho torre de papel vontade pronto-parágrafo arquivo :::04::: novembro dezembro :::05::: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro :::06::: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro |
29.12.06
"A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade. Está certo, sei. Mas ponho minha fiança: homem muito homem que fui, e homem por mulheres! - nunca tive inclinação pra aos vícios desencontrados. Repilo o que, o sem preceito. Então - o senhor me perguntará - o que era aquilo? Ah, a lei ladra, o poder da vida. Direitinho declaro o que, durante todo tempo, sempre mais, às vezes menos, comigo se passou. Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente - tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos. Conforme, por exemplo, quando eu me lembrava daquelas mãos, do jeito como se encostavam em meu rosto, quando ele cortou meu cabelo. Sempre. Do demo: Digo? Com que entendimento eu entendia, com que olhos era que eu olhava? Eu conto. O senhor vá ouvindo. Outras artes vieram depois" Sabe!?... 28.12.06
eu tinha esquecido que era tão feia. m.d., provando biquinis e arrumando a mala para viajar para a praia. (algumas mulheres não vão ser nunca desejáveis, nem com internação em clínica de estética e cirurgia plástica. só nascendo de novo) Sabe!?... 26.12.06
ontem, depois do filme, eu quis chegar na casa da kate winslet e ficar vendo filme, comendo, escrevendo, conversando, ouvindo música. eu peguei minhas bolachinhas de aveia e mel - apesar de serem de aveia, são gostosas - e comecei a escrever a história que eu quero contar faz tempo. mas são muitas histórias, e eu não tinha ainda escolhido qual eu queria contar. hoje eu escolhi um pouco mais, e contei, com as bolachas e suco de abacaxi. mas ainda não sei se era bem isso. acontece que as minhas vidas invisíveis estão agora invadindo a ficção, e eu não estou sabendo se o que eu pensei está contado ali. Sabe!?... 23.12.06
eu ainda não me acostumei com a idéia de trabalhar lá. hoje eu acordei e lembrei, fiquei um tempo olhando pra cima, pensando. é, eu vou mesmo. quando eu estou distraída eu também lembro, e penso no que eu vou fazer, e que vai ser tão difícil, e não consigo entender como. tanta gente faria melhor que eu, e eu que vou. não é justo, e pela primeira vez a injustiça está a meu favor. eu deveria me sentir culpada? Sabe!?... 20.12.06
dos fracassos. eu não tenho mais problemas com ônibus - as pessoas se espremendo, o calor, o preço - porque eles simplesmente não passam mais. eu não consigo há alguns dias pegar o ônibus que quero em menos de meia hora. com o pico de uma hora e vinte e minha desistência. eu hoje gastei muito mais dinheiro do que eu tenho, eu que não ganho dinheiro algum. comprei roupa e sapato, e pra que, meudeus, pra quê? eu que sei pôr vírgulas e acentos e não sei onde colocar as mãos nem esconder meu sorriso e fingir, pelo menos quando é preciso, que sou burocrática e profissional. ser profissional é fingir não ter sentimentos, responder sem brilho nos olhos, nunca dizer que não sabe, jamais - eu disse jamais - cogitar um abraço. as relações são assim, você no máximo estende a mão. de que adianta saber usar o verbo no subjuntivo se isso é pouco? depois eu tive que pegar taxi, tirei duas vezes dinheiro no banco hoje. o dinheiro do meu pai, e depois vai ser o do meu marido (se eu convencê-lo a trocar sexo por dinheiro, e se ele se convencer de que o meu sexo vale a pena, porque meu custo de vida é alto). e nem minha mãe reclamou quando eu disse que estava saindo pro cinema, ela achou que eu devia mesmo me distrair. eu senti medo andando sozinha na rua escura e vazia. eu tomei chuva, também, e molhei a sandália nova, que custou o dinheiro do meu pai. e pra quê? eu teria vergonha, num dia normal, de publicar um texto desses. e hoje é um dia normal, como todos os dias em que perco hora, perco o ônibus, descobrem que eu sou uma farsa. terça-feira, dia normal. Sabe!?... 19.12.06
16.12.06
não sei sequer pronunciar meu nome. ainda. mariana é uma palavra estranha, e ela significa eu. isso é tudo que sei, correspondência de palavras, é só o que sei. mariana. sei também como cada um pronuncia mariana e o que querem dizer. quando eu falo eu, o que eu quero dizer? mariana? mari tem uma intimidade menos perigosa. não é nome todo, é mais fácil ser parte de alguma coisa. mari é o que a gente usa para dizer você sem precisar muito quem. conto nos dedos quem me chama pelo nome inteiro e exige de mim, eu penso, ser inteira. dois ou três me exigem. os que usam mari me perdoam. e há aqueles que juntam o sobrenome pelo costume de precisar de referencialidade, e só. eu é a palavra de referente cambiável. você também, mas prefiro que só a mariana mude. mais seguro assim, eu mudo e você me perdoa, sendo mariana ou mari ou eu ou você ou todos juntos. me perdoe por não saber dizer bem quem. Sabe!?... é interessante essa experiência de ficar sem comentários. deixei de escrever para quem lê, vício de jornalista, e estou escrevendo só para mim, quando escrevo. eu tenho escrito menos e vivido mais, também; vivido por aí, no trânsito, na bandeirantes ou bebendo cerveja. não me sai da cabeça aquela comunidade eu tive um futuro promissor. vão dizer que sou nova e ainda tenho um futuro. tenho nada. e não vão dizer nada, porque não tem espaço para comentários aqui. algumas coisas eu já deveria saber, eu deveria ter feito aos quase 23. eu não sei sequer pronunciar meu nome direito, ainda. mariana é uma palavra estranha, e ela significa eu. e é tudo que eu sei, correspondência de palavras, é só o que eu sei. mariana. eu sei como cada pessoa que eu conheço pronuncia mariana, e sei o que cada um quer dizer com isso. e eu, quando digo, o que eu quero dizer? eu estava pensando que existem muito mais mulheres bonitas que homens bonitos. então vi que não. o que existe é que eu acho, racionalmente, as mulheres muito mais bonitas que os homens, e isso acontece porque o mundo faz questão de que as mulheres sejam bonitas e criem padrões de beleza para se encaixar neles. ninguém faz tanta questão que os homens sejam tão bonitos. existem diversos tipos de belezas femininas, cada uma com sua denominação própria, mas beleza de homem é mais restrita, existem os macho alfa e os cara de bebê, alguma coisa assim. é muito fácil ser homem, é fácil ter desejo sendo homem. o desejo da mulher é mais complicado. e a beleza também, porque para algumas é fácil ser desejada, enquanto que para outras só existe o caminho da rejeição, até que se crie uma nova categoria de beleza. não sei. não quero falar do resto. Sabe!?... 14.12.06
eu acordei cedo, em são paulo, e fui procurar as palavras certas no museu da língua portuguesa. lá eu ouvi vozes lindas declamando poesias lindas, quase canto. e depois eu li algumas coisas, e assisti o vídeo sobre música, que foi tão emocionante. me deu um arrepio democrático ouvir as pessoas falando. saí de lá, dos dois últimos andares, amando a língua, as pessoas, o país. saí boba. então me deparei com guimarães rosa espalhado em tijolos, terra, água, foi lindo ao vivo. e quando eu procurava onde a trilha diadorim terminava, ouvi uma moça contando um causo - ela não contava tão bem, mas o causo parecia bom, tinha bastante gente em volta dela. quando eu cheguei lá ela estava contando o fim do grande sertão: veredas, e eu quis morrer. a vida é assim, gentes. cheguei na cidade natal derretendo - se não fossem os óculos escuros, tadinhos dos meus olhos ;) -, dez minutos depois liga a moça do estágio. me avisando que amanhã tenho entrevista de estágio de manhã, na hora do churrasco - cerveja, carne, piscina e namorado -, em são paulo. e que tenho que levar meu portfolio - port - o - quê? e foto 3x4~. o estágio não é vendendo roupa nem desfilando, e precisa de foto. onde vai parar esse mundo? estou procurando coisas pro meu portfolio. arrumando a mala para são paulo. procurando uma roupa *descolada* para a entrevista. e tudo que eu tinha me prometido fazer hoje era ler corpo de baile. Sabe!?... 12.12.06
11.12.06
vou de novo citar alguém para falar do lirismo que é libertação. pronto, citei. e não consigo me libertar. Sabe!?... eu ganhei de um amigo um dvd com a clarice, com a entrevista pra tv cultura da clarice. toda vez que eu vejo aquilo, me dói tanto. ela não era triste, só estava triste porque estava muito cansada. tinha terminado a hora da estrela e estava falando do seu túmulo. a clarice morreu em 1977, aos 57 anos, sete anos antes de eu nascer. hoje eu telefonaria para ela e marcaria de conhecer o dilermando, que ficou em nápoles, e de passar a mão nos seus cabelos ruivos, que eram loiros, de beber café na sua casa, que era no rio, e de falar sobre aquilo que eu não saberia colocar em palavras. se a clarice ainda existisse, eu seria daqueles que não sabiam como se relacionar com ela. mas eu queria ter podido tentar. (e essa é a minha falta primeira) eu amo o que os outros têm de clarice. meu amor é metonímico. Sabe!?... 8.12.06
minha relação com o mundo, com as pessoas, é platônica. eu tenho trezentas vidas invisíveis. os sonhos, as conversas inventadas, os planos fracassados antes da ação; tudo torna os dias muito mais intensos. quando acontecem as coisas, não exatamente, mas um pouco como eu tinha querido que elas acontecessem, é tudo tão feliz. e às vezes eu me perco no que foi dito e no que ainda está por ser. a minha relação com as pessoas evolui tanto dentro de mim, porque nós de mentirinha conversamos tanto, fazemos tanto carinho e esclarecemos tudo tanto, que eu faço carinhos de verdade inesperados, ou broncas, e é um lapso, um susto, a continuação lógica do que não existiu de fato. eu esqueço de contar para todo mundo tudo que nós já fizemos juntos. Sabe!?... 7.12.06
oficialmente de férias, depois de ter entregado o último trabalho da última disciplina da faculdade de jornalismo. sim, falta o tcc, mas quem disse que vai ser (só) de jornalismo? para comemorar, arte. hoje eu vi um quadro que era a representação plástica de uma música que tenho ouvido nos últimos dias. eu não sei descrever a sensação. fiquei rindo. agora, guimarães rosa. dá licença que vou ali ser feliz. Sabe!?... eu nunca achei que fosse fazer um trabalho tão picareta na minha vida. também nunca tinha achado que teria uma aula tão ruim, que encontraria uma professora tão ruim. tudo se combinou e eu só quero férias. (e se eu não assinar o trabalho, de vergonha?) Sabe!?... 6.12.06
quem tentar ler sobre o dia 19 de outubro, pelo arquivo aqui do blog, não vai conseguir. o blogger simplesmente não arquivou nada entre os dias 18 e 30 de outubro. porque não quis, simples assim. com isso, eles me fizeram perder alguns dos posts - e das lembranças dos momentos - mais importantes da minha vida. não é pouca coisa. eu estou com tanta raiva que estou pensando em me descadastrar e acabar com o blog. para quem pensa que é pouca coisa, estou chorando. eu quero meus dias de outubro de volta. Sabe!?... 4.12.06
então me clonaram. da primeira vez foi estranho, agora estou me acostumando. as opiniões se dividem: alguns acham que é conhecido; outros, que é um que não tinha o que fazer. eu acho que é um qualquer. e prefiro acreditar nisso. eu adoro os meus amigos. o semestre está finalmente acabando. mais essa semana e quase adeus ao jornalismo. não parece fantástico? vamos ver. Sabe!?... 1.12.06
eu estive pensando, agora, enquanto tentava dormir sem sucesso: acho que nenhum veículo jornalístico deveria me contratar, porque eu não sei fazer jornalismo. sempre pensei que o que eu quisesse fazer, faria bem, pelo menos é o que sempre me disseram. eu fico pensando, então, às vezes, que eu não sei fazer jornalismo porque eu não quero fazer jornalismo. mas logo meu muro egocêntrico desmorona um pouquinho e eu vejo além, por alguns instantes. eu não sei fazer jornalismo. e eu chamo de fácil, ridículo e chato porque eu não sei fazer, então fico falando mal. eu sempre sou cheia de críticas, mas não sei fazer nada. de bom ou de ruim. o que acontece é que ano que vem me formo e eu não tenho uma profissão. eu fiz uma graduação que não me acrescentou nada de conhecimentos. afinal, quantos minutos se leva para aprender toda a complexa teoria do lead? claro que eu gosto de entender mais de linguagem, de ética... de que mais? mas, ao analisarem meus textos, vão procurar o lead ou uma organização lógica de pensamentos, e tudo que eu tenho são dúvidas. não, isso não é culpa da faculdade. eu que saí do caminho. mas eu também não sei falar de coisa alguma. se, falemos hipoteticamente, alguém muito foda com quem eu quero conversar muito resolve andar ao meu lado por pouco mais de cinco minutos e estabelecer uma conversa, eu não teria, hipoteticamente, o que dizer. eu não leio, não ouço música, não leio jornal, não visito lugares interessantes, nonada. eu vivo só dentro de mim. Sabe!?... |
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